KONDER, ADOLFO

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Nome: KONDER, Adolfo
Nome Completo: KONDER, ADOLFO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
KONDER, ADOLFO

KONDER, Adolfo

*dep. fed. SC 1921-1926; pres. SC 1926-1930; const. 1934.

 

Adolfo Konder nasceu em Itajaí (SC) no dia 16 de fevereiro de 1884, filho de Marcos Konder e de Adelaide Flores Konder. A partir de seu pai, negociante de origem alemã e membro destacado do Partido Republicano Catarinense, a família Konder passou a exercer grande influência no estado, consolidada pela atuação de Adolfo e três de seus irmãos na vida pública. Vítor Konder foi deputado federal em 1920 e ministro da Viação e Obras Públicas do governo de Washington Luís (1926-1930), Arno Konder seguiu carreira diplomática, exercendo, em 1940, as funções de encarregado de negócios do Brasil nos Estados Unidos, e Marcos Konder, homônimo do pai, foi prefeito de Itajaí.

Depois de realizar seus primeiros estudos com o educador Stanke, de origem alemã, Adolfo Konder freqüentou, entre 1892 e 1898, o Colégio Santo Antônio, em Blumenau (SC). Nesse ano, começou a trabalhar na casa comercial dirigida por seus irmãos em Itajaí. De 1900 a 1903 cursou, em São Leopoldo (RS), o Ginásio Nossa Senhora da Conceição, ingressando em seguida na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se bacharelou em 1908.

Iniciou suas atividades políticas em 1910 como secretário do Centro Civilista de Santa Catarina, trabalhando ao lado de Hercílio Luz em apoio à campanha de Rui Barbosa para as eleições presidenciais desse ano, vencidas por Hermes da Fonseca, Em 1913, interrompeu o exercício da advocacia para ingressar nos quadros do Ministério das Relações Exteriores, a convite do chanceler José Maria da Silva Paranhos Júnior, barão do Rio Branco. Nessa instituição, ocupou os cargos de oficial da Secretaria de Estado e diretor do Bureau da Guerra. Com a eleição de Hercílio Luz para a presidência de Santa Catarina em 1918, em setembro desse ano Adolfo Konder foi nomeado secretário estadual da Fazenda, permanecendo no cargo até outubro de 1920. Nos dois anos seguintes, atuou na campanha de Artur Bernardes para a presidência da República, vitoriosa no pleito realizado em 1922.

Eleito deputado federal em 1921 na legenda do Partido Republicano Catarinense e reeleito em 1924, Adolfo Konder integrou a Comissão de Diplomacia e Tratados da Câmara, apresentando trabalhos sobre a construção de uma estrada de ferro entre São Francisco do Sul (SC) e Assunção, e um estudo sobre o tratado assinado em 1922 entre Brasil e Portugal. Considerado um dos membros mais ativos de seu partido, exerceu a liderança da bancada republicana de Santa Catarina na Câmara em 1925 e 1926, ano em que foi eleito presidente do estado.

Durante sua gestão, promoveu melhoramentos nos portos de Florianópolis, Itajaí e São Francisco do Sul, defendeu a indústria ervateira, disciplinou o comércio de pinho, promoveu a edição da legislação especial sobre reflorestamento, promoveu o I Congresso Estadual de Professores e o I Congresso Catarinense de Municípios, modernizou a Força Pública, abriu, entre outras, a estrada Joinvil- le-Curitiba, realizou a drenagem do rio Cachoeira e estimulou a produção de trigo.

Realizou ainda uma série de obras urbanas na capital do estado, como a construção do palácio da Justiça e do mercado municipal, e a complementação do acesso à ponte Hercílio Luz, que liga Florianópolis ao continente. Foi o primeiro governante catarinense a viajar, em caráter oficial, até a região fronteiriça com a Argentina.

No início de 1930, a campanha eleitoral para a presidência da República dominou o cenário político nacional, opondo o conservador Júlio Prestes a Getúlio Vargas, apoiado pela coligação oposicionista Aliança Liberal. Adolfo Konder, que na mesma época concorria a uma cadeira no Senado Federal na vaga do general Felipe Schmidt, apoiou ativamente o candidato oficial para a presidência, sendo ambos vitoriosos nas urnas em março desse ano. Entretanto, em virtude da expressiva votação obtida pela Aliança Liberal em seu estado, decidiu permanecer no governo de Santa Catarina até o fim de seu mandato, em 28 de setembro, quando passou o cargo para Fúlvio Coriolano Aducci.

Depois do resultado do pleito, importantes setores da oposição aderiram à pregação revolucionária dos seus segmentos mais radicais, aproximando-se dos “tenentes” que durante a década de 1920 haviam promovido diversos levantes militares contra o governo federal. Criaram-se assim as condições para a eclosão, em 3 de outubro, da Revolução de 1930, vitoriosa depois de 21 dias de luta. Adversário do movimento, Adolfo Konder passou a fazer oposição ao Governo Provisório chefiado por Vargas, que nomeou em 24 de novembro o general Ptolomeu de Assis Brasil interventor federal em Santa Catarina.

Adolfo Konder apoiou a Revolução Constitucionalista que, deflagrada em São Paulo em julho de 1932, deu início a uma guerra civil entre forças paulistas e federais. A luta terminou no início de outubro com a vitória do Governo Provisório, que no fim do ano anunciou a realização de eleições em maio de 1933 para a formação de uma Assembléia Nacional Constituinte, reivindicação que constava do programa das forças derrotadas. No início desse ano, Adolfo Konder foi um dos principais articuladores da reorganização do Partido Republicano Catarinense (PRC), ao lado de Fúlvio Aducci, Edmundo da Luz Pinto, Cid Campos, Abelardo Luz, Antônio Vicente Bulcão Viana, Celso Bayma, Henrique Rupp Júnior e seu irmão Marcos Konder. Para concorrer às eleições, o PRC e a Legião Republicana Catarinense formaram a Coligação por Santa Catarina, que elegeu apenas Adolfo Konder para a Constituinte, enquanto o Partido Liberal Catarinense, liderado pelo novo interventor federal Aristiliano Ramos, obteve três cadeiras, ocupadas por Carlos Gomes de Oliveira, Arão Rebelo e Nereu Ramos.

Durante o exercício desse mandato, Adolfo Konder apresentou projeto que ampliava os direitos dos estrangeiros no país. Em 16 de julho de 1934 a nova Constituição foi promulgada, e no dia seguinte Getúlio Vargas foi eleito presidente da República, mas os mandatos dos constituintes foram prorrogados até a expedição dos diplomas dos novos parlamentares que seriam eleitos em 14 de outubro desse ano. As eleições para a Assembléia Constituinte do estado de Santa Catarina, encarregada da escolha do governador e de dois senadores, foram marcadas para a mesma data.

Na qualidade de presidente do PRC, Adolfo Konder participou ativamente da rearticulação da Coligação por Santa Catarina. Na Constituinte estadual, verificou-se um equilíbrio entre as bancadas oposicionista e situacionista. Pouco depois, o interventor Aristiliano Ramos foi preterido por Nereu Ramos como candidato do Partido Libertador (PL) ao governo do estado e aderiu à coligação oposicionista, que lançou seu nome para esse cargo. Entretanto, a relação de forças entre as bancadas foi alterada desfavoravelmente à Coligação por Santa Catarina, com a adesão de alguns deputados republicanos ao PL. Às vésperas da data marcada para a instalação da Constituinte, os representantes liberais e os dissidentes republicanos se refugiaram em um quartel da guarnição federal e deram início aos trabalhos, elegendo em seguida Nereu Ramos para o governo estadual e Cândido Ramos e Artur Ferreira da Costa para o Senado.

Com a implantação do Estado Novo (10/11/1937), Adolfo Konder afastou-se momentaneamente da vida pública, para engajar-se mais adiante em movimentos pela redemocratização do país, tornando-se, em abril de 1945, um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN) e membro de sua comissão de estudos administrativos e financeiros. Depois da derrubada do Estado Novo (29/10/1945), tornou-se um dos principais líderes dessa agremiação, sendo eleito, em outubro de 1950, suplente de deputado federal por Santa Catarina.

Adolfo Konder foi fundador e diretor-proprietário dos jornais Novidades e Diário da Tarde, de Florianópolis, além de patrono da cadeira nº 26 da Academia Catarinense de Letras e sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do estado.

Faleceu no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1956.

Entre seus sobrinhos, destacaram-se Valério Régis Konder, membro da Aliança Nacional Libertadora em 1935, militante do Partido Comunista Brasileiro e candidato ao Senado em 1950 pelo então Distrito Federal na legenda do Partido Republicano Trabalhista; Antônio Carlos Konder Reis, deputado federal por Santa Catarina (1955-1963), senador (1963-1975) e governador do estado entre 1975 e 1979, e Jorge Konder Bornhausen, governador de Santa Catarina (1979-1983) e senador (1983-1991).

Entre outras obras, publicou A isenção do serviço militar e a dupla nacionalidade (1924), Programa de governo (1926) e Pontos de um programa (1926).

Vilma Keller

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CABRAL, O. Era; CABRAL, O. História; CÂM. DEP. Deputados. Câm. Dep. seus componentes; Encic. Mirador; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Ilustração Brasileira (12/22); INST. NAC. LIVRO. Índice; JAMUNDÁ, T. Catarinenses; LEITE, A. História; LIMA, J. Como; NABUCO, C. Vida; SILVA, H. 1935; SILVA, Z. Perfis; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; TIAGO, A. História; VELHO SOBRINHO, J. Dic.

 

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