KRUEL, RIOGRANDINO

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Nome: KRUEL, Riograndino
Nome Completo: KRUEL, RIOGRANDINO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
KRUEL, RIOGRANDINO

KRUEL, Riograndino

*militar; rev. 1964; dir.-ger. DPF 1964-1966.

 

Riograndino Kruel nasceu em Santa Maria (RS) no dia 23 de agosto de 1898, filho do fazendeiro José Carlos Kruel e de Ana Weber Kruel. Seu irmão, Amauri Kruel, também seguiu a carreira militar, tendo sido ministro da Guerra entre 1962 e 1963 e comandante do II Exército, sediado em São Paulo, entre 1963 e 1966.

Depois de concluir o curso médio no Colégio Militar de Porto Alegre, Riograndino transferiu-se para o Rio de Janeiro — então Distrito Federal —, ingressando em abril de 1918 na Escola Militar do Realengo. Saindo aspirante-a-oficial da arma de cavalaria em janeiro de 1921, no mês seguinte passou a servir no 1º Regimento de Cavalaria Divisionária, também sediado na capital federal.

Promovido a segundo-tenente em maio de 1921, foi transferido um ano depois para o 7º Regimento de Cavalaria Independente (7º RCI), sediado em Santana do Livramento (RS). Primeiro-tenente em setembro de 1922, permaneceu nessa unidade até novembro de 1923.

Deixou o Rio Grande do Sul em maio de 1924 e, depois de curta permanência no 18º Batalhão de Caçadores, sediado em Campo Grande, no Mato Grosso (atual capital de Mato Grosso do Sul), foi transferido em junho de 1924 para o 10º RCI, sediado em Bela Vista (MS). Partidário da Revolta de Julho de 1924 (o Segundo 5 de Julho), deflagrada em São Paulo, sublevou o 10º RCI ainda naquele mês. Contudo, não recebeu as adesões esperadas e acabou detido. Enviado para o Rio, passou oito meses em diversas prisões. Quando encontrava-se em tratamento de saúde no Hospital Central do Exército, conseguiu evadir-se disfarçado de enfermeiro. Preso em Cruzeiro (SP), foi enviado para Bela Vista a fim de responder a processo.

Depois de procurar levantar, sem êxito, o 1º Regimento de Artilharia Mista — sediado em Campo Grande —, então comandado pelo major Bertoldo Klinger, Kruel esteve ameaçado de ser transferido para o remoto forte Coimbra, no norte de Mato Grosso, e fugiu novamente. Entrando pelo Paraguai, exilou-se depois em Buenos Aires. Na província de Missões (Argentina), dedicou-se à plantação de erva-mate, atividade a que permaneceria ligado por longos anos.

Regressou ao Rio Grande do Sul pouco depois do início da Revolução de 1930, apresentando-se a Osvaldo Aranha, que assumira o governo gaúcho em substituição a Getúlio Vargas — líder máximo do movimento revolucionário — quando este partiu em direção ao Rio. Destacado para comandar o regimento de Tupanciretã, não chegou a ter participação ativa na revolução devido à deposição do presidente Washington Luís no dia 24 de outubro e à conseqüente cessação das ações militares. Em dezembro de 1930 — após a posse de Vargas na chefia do Governo Provisório (3 de novembro) — seguiu para o Rio de Janeiro, servindo na chefia de polícia do Distrito Federal sob as ordens de João Batista Luzardo.

Promovido a capitão em maio de 1931 — depois de ter recebido a patente de primeiro-tenente com efeito retroativo para setembro de 1928 —, aderiu, em fevereiro de 1932, ao Clube 3 de Outubro, organização criada no ano anterior congregando as correntes tenentistas partidárias do aprofundamento das reformas instituídas pela Revolução de 1930.

Após a eclosão da Revolução Constitucionalista em julho de 1932, foi enviado por Vargas para Buenos Aires, como adido civil à embaixada brasileira, com o objetivo de organizar um serviço de informações sobre as atividades dos rebeldes e impedir o envio de material bélico para São Paulo. Mesmo depois da derrota militar paulista no início de outubro daquele ano, Kruel permaneceu em Buenos Aires com a missão de vigiar a movimentação de líderes rebeldes exilados na capital argentina. No início de 1934 foi substituído em suas funções por Orlando Leite Ribeiro, regressando ao Brasil.

Depois de servir alguns meses no Departamento de Polícia do Exército, no Rio, em julho de 1934 ficou à disposição do Ministério da Justiça, lotado na Inspetoria Geral de Polícia. Servia nesse órgão quando irrompeu a Revolta Comunista de novembro de 1935. Participou da repressão ao movimento e, em abril de 1936, a mando do chefe de polícia do Distrito Federal, Filinto Müller, deu ordem de prisão a Pedro Ernesto Batista, prefeito carioca, acusado de envolvimento no levante.

Em março de 1938 ingressou no curso de cavalaria da Escola de Armas do Estado-Maior do Exército. Já como inspetor-geral de polícia, tomou parte ativa no combate aos participantes do levante integralista, deflagrado em 11 de maio de 1938 no Rio e prontamente sufocado pelas forças fiéis a Vargas. Concluído o curso de cavalaria em outubro seguinte, no mês de dezembro foi promovido a major.

Após servir no 1º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado no Rio, entre maio de 1939 e junho de 1940, foi transferido para a Diretoria de Cavalaria, Trem, Remonta e Veterinária, lá permanecendo até dezembro de 1942. Desse último mês a fevereiro de 1943 esteve lotado na Diretoria de Armas. Nomeado para a Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional em fevereiro de 1943, em junho seguinte passou a tenente-coronel. No mês seguinte deixou o conselho e, em agosto, foi designado para o 7º RCI, onde serviu até dezembro.

Sem função durante todo o primeiro semestre de 1944, em agosto desse ano foi destacado para a 2ª Circunscrição de Recrutamento, sediada em Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro. No mês seguinte assumiu a chefia daquela unidade, na qual permaneceu até dezembro, quando deixou o serviço ativo no Exército. Passando para a reserva, foi promovido simultaneamente a coronel e general-de-brigada. Afastado da vida militar, dedicou-se à atividade privada, especialmente ao plantio de erva-mate e à sua fazenda na Argentina.

 

O movimento político-militar de 1964

Preocupado com os rumos tomados pelo governo do presidente João Goulart (1961-1964) por considerá-lo “comunizante” e “nocivo aos interesses do país”, Riograndino propôs ao irmão, general Amauri Kruel, durante o período em que este foi ministro da Guerra, que “desse o golpe naquele estado de coisas”. Residindo no Rio, manteve contatos com os generais Osvaldo Cordeiro de Farias, Artur da Costa e Silva e Humberto Castelo Branco, também envolvido nas articulações anti-Goulart.

A realização de um grande comício popular no Rio, em 13 de março de 1964, no qual o presidente assinou publicamente decretos-leis de interesse social, determinou que a conspiração entre civis e militares para derrubar o governo fosse intensificada. A essa altura, o general Castelo Branco, então chefe do Estado-Maior do Exército (EME), já se mostrava disposto a chefiar o movimento. De acordo com depoimento de Riograndino Kruel, o movimento militar deveria ser deflagrado no Rio, mas foi antecipado pelo general Olímpio Mourão Filho, comandante da 4ª Região Militar e da 4ª Divisão de Infantaria, sediadas em Juiz de Fora (MG). Os comandos do Rio e de São Paulo, que tinham à frente Amauri Kruel, foram apanhados de surpresa e tiveram que se organizar a fim de dar garantias ao levante em Minas.

Riograndino tomou conhecimento do fato às seis horas da manhã do dia 31 de março, através de Antônio Neder. Depois de telefonar para Castelo e fazer alguns contatos no Rio, seguiu para São Paulo. Na capital paulista, foi informado pelo major Vinícius Kruel, seu sobrinho, de que o II Exército já estava preparado, faltando somente a adesão ao movimento dos generais Aluísio Mendes e Antônio Bandeira. Consumada a adesão, no final da tarde do dia 31 o manifesto do II Exército, elaborado desde as primeiras horas da manhã, foi divulgado para todo o país. Os adversários de Goulart rapidamente ganharam o controle da situação e, no dia 1º de abril, o presidente da Câmara dos Deputados, Pascoal Ranieri Mazzilli, assumiu interinamente a presidência da República. No dia 15 seguinte, o marechal Castelo Branco foi empossado na chefia da nação, depois de eleito pelo Congresso.

Em novembro de 1964, Riograndino assumiu a direção geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), a convite do próprio Castelo Branco, com a tarefa de promover a organização do departamento em Brasília, para onde o órgão fora transferido fazia pouco tempo. Permaneceu no exercício dessas funções até agosto de 1966, quando pediu demissão em solidariedade a Amauri Kruel, que, descontente com a orientação seguida por Castelo, solicitara a passagem para a reserva, deixando conseqüentemente o comando do II Exército.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 8 de dezembro de 1989.

Foi casado com a venezuelana Conceição Palácios de Kruel, com quem teve três filhos, e em segundas núpcias com Iolanda Betim Pais Leme de Kruel.

 

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; ARQ. MIN. EXÉRC.; ENTREV. BIOG.; HILTON, S. Guerra; Jornal do Brasil (9 e 13/12/89); MIN. GUERRA. Almanaque (1944); SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1933; SILVA, H. 1937; SILVA, H. 1938; SILVA, H. 1964; VIANA FILHO, L. Governo; Who’s who in Brazil.

 

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