LANARI, AMARO

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Nome: LANARI, Amaro
Nome Completo: LANARI, AMARO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LANARI, AMARO

LANARI, Amaro

*rev. 1930; mov. Integralista

 

Amaro Lanari nasceu em Buenos Aires no dia 10 de janeiro de 1886, filho de Cassio Umberto Lanari e de Maria Coleta da Silveira Lanari. Seu pai foi proprietário de terras no município de Pedro Leopoldo (MG).

Fez os primeiros estudos no Colégio Dom Bosco, em Cachoeira do Campo (MG), transferindo-se depois para Ouro Preto (MG), onde estudou no Colégio Mineiro e mais tarde ingressou na Escola de Minas, pela qual se formou engenheiro em 1909.

Nomeado em seguida engenheiro do estado, deixou esse cargo em 1912 para construir, à frente de uma empresa particular, o trecho de estrada de ferro entre Curralinho e Diamantina (MG), após o que foi contratado para dirigir a construção do ramal ferroviário de Araraquara a Jabuticabal (SP). Regressou em seguida a Minas, reassumindo suas funções de engenheiro do estado.

Após uma curta estada na Europa em 1915, regressou ao Brasil disposto a instalar uma usina siderúrgica em Minas Gerais. Assim, em 1917, associado ao engenheiro Cristiano Guimarães e ao coronel Sebastião Augusto de Lima, fundou a Companhia Siderúrgica Mineira, instalando sua usina nas proximidades de Sabará. Dirigiu a empresa até dezembro de 1921, quando esta foi transformada na atual Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira.

Em 1922, com a eleição de Raul Soares para a presidência do estado, foi nomeado diretor de Obras Públicas da Prefeitura de Belo Horizonte, cargo que ocupou enquanto Soares governou Minas, até 1924. Voltou em seguida à construção ferroviária, executando serviços em Minas no ramal de Santa Bárbara e no trecho Bocaiúva-Montes Claros.

No início de 1930, por ocasião da crise deflagrada entre o governo mineiro e o federal em função das eleições de março, ofereceu seus serviços a Odilon Braga e Djalma Pinheiro Chagas, então secretários do governo de Minas, para cooperar na defesa do estado, onde o governo federal vinha concentrando tropas do Exército. Em março, organizou um corpo de engenheiros para, na situação de conflito que se julgava iminente, assumir o controle das estradas de ferro no estado e impedir a circulação de tropas federais por via férrea. Com o afastamento da ameaça imediata de confrontação, participou intensamente da atividade conspiratória nos meses seguintes, chegando a realizar inúmeras reuniões entre revolucionários civis e militares em sua residência e a dar orientação técnica para a fabricação de armas e artefatos bélicos.

Em 26 de novembro de 1930, pouco depois da vitória do movimento revolucionário, os membros do secretariado do presidente mineiro Olegário Maciel ligados a Artur Bernardes exoneraram-se, num lance político que pretendia afastar Olegário do governo, mas que fez com que este começasse a se afastar dos bernardistas e do Partido Republicano Mineiro (PRM), ao mesmo tempo em que dava seu apoio à criação de uma nova organização política, a Legião de Outubro, destinada a sustentar o movimento revolucionário. Amaro Lanari foi então nomeado secretário estadual de Finanças, em substituição a um dos demissionários, José Carneiro de Resende, assumindo o cargo no dia 30 de novembro.

Como outro dos secretários nomeados na ocasião, Gustavo Capanema, do Interior, Lanari também estava empenhado na fundação da Legião de Outubro, ou Legião Mineira. Em fins de fevereiro de 1931, os dois e Francisco Campos, ministro da Educação, assinaram o manifesto de criação da organização, como membros de seu conselho supremo. A Legião Mineira tinha sensível inspiração fascista. Seus membros envergavam indumentária própria — camisas cáqui — e portavam bandeiras e flâmulas, no estilo das congêneres européias. Dias depois de sua fundação, Lanari afirmou em entrevista a O Jornal, do Rio de Janeiro, que a legião havia sido criada para efetivar os princípios revolucionários, e que daria a Olegário Maciel o apoio de uma organização partidária. Afirmou ainda que o PRM não poderia sobreviver depois da revolução.

Em abril, a Legião Mineira promoveu um grande desfile, com o qual pretendia demonstrar sua força. Na ocasião, seus dirigentes — inclusive Lanari — foram acusados de terem forçado vários prefeitos a recrutar em seus municípios participantes para a marcha. O próprio Olegário Maciel compareceu ao desfile, envergando a camisa cáqui da legião sob o paletó e confirmando sua adesão ao movimento legionário. Nos meses seguintes, o chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas, recebeu várias cartas denunciando perseguições a elementos bernardistas, instigadas por Lanari, Capanema e Francisco Campos.

Em agosto, acentuaram-se as divergências entre o governo de Olegário e o PRM. Durante a convenção do partido, realizada em Belo Horizonte, deu-se uma tentativa de deposição do presidente de Minas Gerais, atribuída ao PRM apesar do envolvimento do governo federal no episódio: o ministro da Justiça, o comandante da 4ª Região Militar e o ministro da Guerra telegrafaram sucessivamente ao coronel Pacheco de Assis, comandante do 12º Regimento de Infantaria, sediado na capital mineira, ordenando que ele assumisse o poder no estado, já que Olegário teria abandonado o palácio da Liberdade, deixando o governo mineiro acéfalo. Amaro Lanari foi um dos principais organizadores da resistência ao golpe, junto com Capanema e oficiais do 5º Batalhão de Polícia, que Cristiano Machado, um dos secretários exonerados por Olegário, tentara sublevar.

Olegário Maciel permaneceu no governo de Minas. Entretanto, para conciliar a situação, que tivera inclusive repercussões na área federal, provocando a exoneração do ministro Francisco Campos, desenvolveu-se o Acordo Mineiro, que visava fundir a Legião e o PRM em um partido único, que apoiaria os governos estadual e federal. Como parte do acordo, Amaro Lanari deixou a Secretaria de Finanças em 16 de dezembro de 1931, dando seu lugar ao perremista Carlos Pinheiro Chagas. Em seguida, no início de 1932, foi fundado o Partido Social Nacionalista (PSN), disso resultando a dissolução da Legião Mineira. O PSN, contudo, não conseguiu manter-se frente às pressões favoráveis à reconstitucionalização do país, dissolvendo-se por sua vez com a eclosão da Revolução Constitucionalista (9/7/1932).

Após seu afastamento da secretaria e a dissolução da Legião Mineira, Amaro Lanari ingressou na Ação Integralista Brasileira (AIB), organização cujos princípios doutrinários se aproximavam dos da extinta legião. Durante sua militância na AIB, chegou inclusive a fazer parte da Câmara dos 40 — o mais alto órgão político do movimento integralista. Gozava de alguma proximidade com o chefe integralista Plínio Salgado, e, em sua residência, no Rio de Janeiro, realizaram-se inúmeras reuniões de membros da AIB. Após a tentativa de golpe integralista de 11 de maio de 1938, com ataques ao palácio Guanabara, ao Ministério da Marinha e às residências de algumas autoridades, no Rio, Lanari esteve entre as centenas de pessoas detidas durante o inquérito.

Entre 1941 e 1943, retornando à atividade de engenheiro, dirigiu a construção de um trecho da rodovia Brasil-Bolívia, entre as localidades bolivianas de El Portón e San José de Chiquitos. Em 1945 fundou junto com seus filhos a siderúrgica Lanari S.A. Indústria e Comércio, com usina sediada em Paracambi (RJ) e atividades mais tarde estendidas a Minas Gerais e São Paulo. Em 1950 candidatou-se ao Senado por Minas Gerais na legenda da União Democrática Nacional (UDN), sendo derrotado por Artur Bernardes Filho, candidato dos partidos Republicano (PR) e Social Democrático (PSD). Foi o idealizador e o principal incentivador da Fundação Gorceix, criada em Ouro Preto em outubro de 1959 para prestar apoio à Escola de Minas desta cidade, permitindo a realização de estudos e pesquisas principalmente nos campos de geologia e da mineralogia. Era o presidente de honra da entidade, além de pertencer à Associação Brasileira de Metais e à Sociedade Mineira de Engenheiros.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de maio de 1968.

Foi casado com Mariana Andrade Lanari, com quem teve 12 filhos, entre os quais o engenheiro Amaro Lanari Júnior, que foi presidente da Usiminas.

Helena Faria

 

 

FONTES: ANDRADE, F. Relação; ARQ. OSVALDO ARANHA; CARONE, E. República nova; CHAGAS, C. 113; CONSULT. MAGALHÃES, B.; DULLES, J. Getúlio; Encic. Mirador; ENTREV. PEIXOTO, A.; FLYNN, P. Legião; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal (23/2/31); MAGALHÃES, B. Artur; MELO, O. Marcha; Minas Gerais (28/11/30 e 29/5/68); MOURÃO, P. História; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; RIVERA, B. Pioneiros; SILVA, H. 1938; SILVA, H. 1939; SODRÉ, N. História da Imprensa; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (2).

 

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