LAURO ESCOREL RODRIGUES DE MORAIS

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Nome: ESCOREL, Lauro
Nome Completo: LAURO ESCOREL RODRIGUES DE MORAIS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ESCOREL, LAURO

ESCOREL, Lauro

*diplomata; emb. Bras. Bolívia 1965-1967; emb. Bras. Paraguai 1970-1972.

 

Lauro Escorel Rodrigues de Morais nasceu na cidade de São Paulo no dia 13 de setembro de 1917, filho de Floriano Rodrigues de Morais e de Maria Carmelita Escorel Rodrigues de Morais.

Cursou o secundário no Colégio São Luís, em São Paulo, ingressando posteriormente na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Em 1937 começou a lecionar literatura portuguesa e brasileira no Ginásio São Bento, atividade que exerceria até 1942. Formado em 1938, foi professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia de São Bento e advogado auxiliar do Conselho Administrativo do Estado de São Paulo.

Em dezembro de 1943 ingressou por concurso na carreira diplomática, como cônsul de terceira classe. Representante-suplente do Ministério das Relações Exteriores junto ao Conselho Nacional de Geografia em junho de 1945, nesse mesmo ano foi um dos signatários do Manifesto da resistência democrática publicado em A Ordem (julho/dezembro). Esse documento lançava o movimento Resistência Democrática, que propunha, com base na vitória dos Aliados sobre o Eixo, a extinção total da ditadura do Estado Novo (1937-1945) no Brasil, defendendo os direitos fundamentais do homem, a convocação de uma assembléia nacional constituinte, o sufrágio universal, a iniciativa privada, o liberalismo econômico e a criação de partidos políticos e de sindicatos apolíticos.

Auxiliar da chefia do Departamento de Administração do Itamarati entre setembro de 1945 e abril de 1946, em maio deste último ano Lauro Escorel assumiu seu primeiro cargo no exterior, o de vice-cônsul em Boston, nos Estados Unidos, atuando em 1948 como encarregado do consulado. Já como terceiro-secretário, passou a servir na embaixada brasileira em Washington em maio de 1949 e, no exercício dessas funções, foi promovido a segundo-secretário em maio de 1950. Em março de 1951 foi secretário da delegação brasileira à IV Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, realizada em Washington. Em setembro, integrou a representação enviada pelo Brasil à I Reunião do Conselho Cultural Interamericano, na Cidade do México, e em outubro de 1952 integrou a delegação do Brasil à VII Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

De volta ao Brasil, em abril de 1953 foi designado adjunto no departamento de estudos da Escola Superior de Guerra (ESG) e em novembro serviu como oficial-de-gabinete do ministro das Relações Exteriores, Vicente Rao. Promovido a primeiro-secretário em janeiro de 1954, em março integrou a delegação brasileira à X Conferência Interamericana, realizada em Caracas, Venezuela. Depois de servir na embaixada do Brasil no Vaticano entre abril de 1954 e janeiro de 1957, em março seguinte foi removido para Buenos Aires, onde permaneceu até janeiro de 1960. Dois meses depois chefiou a Comissão de Acordos com a Bolívia (CAB) e, mais tarde, a comissão encarregada de elaborar as instruções para a delegação do Brasil à reunião especial do conselho da Organização dos Estados Americanos (OEA) — o Comitê dos 21 —, realizada em Bogotá, Colômbia, em agosto de 1960. Ainda em 1960 foi membro da delegação brasileira ao terceiro período de sessões desse comitê, também realizado em Bogotá.

Foi chefe do grupo de trabalho encarregado de elaborar a agenda das negociações com a Iugoslávia por ocasião da visita do presidente daquele país, marechal José Broz Tito, ao Brasil em março de 1961, e no mês seguinte integrou o grupo de trabalho que elaborou a agenda das conversações entre os presidentes Jânio Quadros, do Brasil, e Arturo Frondizi, da Argentina. Em outubro de 1961 passou a chefiar o Departamento Cultural e de Informações do Itamarati, sendo promovido a ministro de segunda classe. Em 1962 viajou à Itália como delegado brasileiro ao Congresso Internacional de Redatores-Chefes, realizado em Nápoles e Roma entre 29 de maio e 3 de junho. À frente do Departamento Cultural e de Informações, implementou um projeto de grande alcance: o histórico concerto que revelou a bossa nova ao mundo, realizado no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em novembro de 1962.

Durante esse ano e o início de 1963 foi membro da Comissão de Planejamento Político do Itamarati. Designado em fevereiro de 1963 para a embaixada brasileira em Belgrado, na Iugoslávia — onde atuou como ministro-conselheiro e, interinamente, como encarregado de negócios —, aí permaneceu até janeiro de 1964, quando foi transferido para Roma. Na capital italiana, após atuar como encarregado de negócios, exerceu a função de ministro-conselheiro até dezembro de 1964. No ano seguinte foi nomeado embaixador do Brasil em La Paz, Bolívia, em substituição a Arnaldo de Vasconcelos, cargo que conservou até novembro de 1967, quando foi substituído pelo encarregado de negócios Luís Orlando Carone Gélio.

Regressando ao Brasil no final de 1967, ainda nesse ano tornou-se secretário-geral-adjunto para assuntos da África e Oriente Próximo, cargo que exerceu até 1969. Promovido a ministro de primeira classe em 1968, nos anos de 1969 e 1970 foi secretário-geral-adjunto para assuntos americanos. Nesse período participou de algumas delegações e missões no exterior: foi chefe da delegação brasileira à reunião da Comissão Especial do Conselho Interamericano Econômico e Social e delegado à reunião de consulta dos chanceleres americanos para tratar do conflito Honduras-El Salvador, ambas em Washington, em 1969; delegado à I Reunião Extraordinária e à III Reunião Ordinária de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, em Brasília, em 1969; membro da delegação brasileira à VI Reunião da Comissão Especial Brasileiro-Argentina de Coordenação, em Buenos Aires, ainda em 1969, e chefe das delegações brasileiras à reunião da comissão especial do Conselho Interamericano Econômico e Social, em Caracas, à II Reunião da Comissão Mista Brasil-Equador, em Quito, e à Comissão Especial de Transportes e Turismo Brasil-Paraguai, todas em 1970.

Em julho de 1970 foi nomeado embaixador do Brasil no Paraguai, substituindo Mário Borges da Fonseca. Participou como delegado brasileiro da IV Reunião de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, realizada em Assunção em 1971. Também em 1971 participou como delegado brasileiro na XXVI Reunião da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque. Em dezembro do ano seguinte foi substituído na embaixada por Fernando Ramos de Alencar e, naquele mesmo mês, foi nomeado embaixador do Brasil na Dinamarca, assumindo em 1973 e permanecendo em Copenhague até 1975.

A partir de 1975 ocupou o cargo de embaixador do Brasil no México, e nessa função chefiou as delegações brasileiras na Conferência Mundial do Ano Internacional da Mulher e na reunião conjunta das comissões culturais Brasil-México. Em 1979, chefiou as delegações brasileiras na II Conferência Regional da ONU sobre Cartografia nas Américas e na reunião da Junta Executiva do Unicef. Em 1980, também foi o chefe da delegação brasileira na VI Sessão da Comissão de Empresas Transnacionais do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, na cidade do México. Em 1981 foi nomeado embaixador na Espanha, cargo que ocupou entre 1982 e 1985. Foi diretor do Instituto Rio Branco, órgão de ensino profissional da diplomacia entre 1985 e 1987, quando requereu aposentadoria por tempo de serviço. Em 1989 foi nomeado membro da Comissão Permanente de Revisão do Arquivo Histórico do Ministério das Relações Exteriores.

Dedicou-se também ao jornalismo, tendo colaborado em revistas e jornais, entre os quais O Estado de S. Paulo. Assinou crítica literária em A Manhã e pertenceu ao grupo fundador de Clima Crítico.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 20 de dezembro de 2002.

Era casado com Sarah Escorel de Morais, com quem teve cinco filhos, entre os quais os cineastas Eduardo Escorel e Lauro Escorel Filho.

Escritor, publicou Introdução ao pensamento político de Maquiavel (1958, 1978), A pedra e o rio: uma interpretação da poesia de João Cabral de Melo Neto (1972).

 

FONTES: Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; INF. BIOG.; MENESES, R. Dic.; MIN. REL. EXT. Anuário (1964, 1966, 1973 e 1983); Ordem (7/12/45); Perfil (1972).

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