LEAL, JOAO LUCENA

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Nome: LEAL, João Lucena
Nome Completo: LEAL, JOAO LUCENA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEAL, JOÃO LUCENA

LEAL, João Lucena

*dep. fed. RO 1985.

 

João Lucena Leal nasceu em Brejo Santo (CE) no dia 22 de setembro de 1939, filho de Manuel Alves Leal e Maria Gomes de Lucena.

Transferindo-se para o Rio de Janeiro aos 15 anos de idade, exerceu diversas atividades, como jornaleiro e garçom, para custear seus estudos primários, realizados no período noturno. Ingressou no ginásio quando se encontrava na Escola de Pára-quedistas, prestando o serviço militar.

Depois de dar baixa no Exército, em 1958, mudou-se para São Paulo, onde foi motorista da Companhia Municipal de Transportes (CMTC) e de outras empresas. No final do ano seguinte, migrou para Brasília, construída durante a gestão do presidente da República Juscelino Kubitschek (1956-1961) para ser a nova capital do país, onde trabalhou como servente de pedreiro e como membro da Guarda Especial. Com a transferência do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP) do Rio de Janeiro para Brasília, mudança ocorrida em função da inauguração da nova capital, ocorrida em 21 de abril de 1960, a Guarda Especial ficou sob responsabilidade desse departamento.

Em 1962, João Lucena foi enviado a Belém, onde atuou como detetive do Serviço Federal de Repressão às Infrações contra a Fazenda Nacional e como agente auxiliar da polícia federal. Em dezembro de 1965, foi transferido para a delegacia regional do DFSP em Manaus, permanecendo neste município até maio do ano seguinte, quando foi remanejado para a delegacia regional de Porto Alegre. Em dezembro de 1968, mês em que fora editado o Ato Institucional nº 5, encontrava-se lotado na Superintendência Regional do Departamento da Polícia Federal no Ceará (SR/DPF-CE). Neste estado chefiou diversas diligências que tinham o objetivo de investigar e prender os indivíduos que se opusessem ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

De volta aos estudos, concluiu o ginásio no Colégio São José, em Fortaleza, em 1970, e em julho do ano seguinte foi aprovado nas avaliações do então exame de madureza colegial. Em, 1972 ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, graduando-se em ciências jurídicas e sociais no ano de 1976. Durante o seu bacharelado, realizou o concurso promovido pela academia nacional de polícia, tornando-se agente federal depois de freqüentar o curso de formação profissional.

Em maio de 1977, foi transferido para a SR/DPF de Mato Grosso do Sul, aí permanecendo por dois anos e meio. Em março de 1980, quando se encontrava lotado na SR/DPF do Espírito Santo, foi exonerado da polícia federal por exercer a advocacia na área criminal, prática proibida pela legislação vigente.

Ainda neste ano, no mês de agosto, foi convidado por Jorge Teixeira de Oliveira, governador do então território federal de Rondônia de 1979 a 1985, para exercer o cargo de delegado da polícia civil na região. Empossado em 3 de outubro de 1980, assumiu como titular da delegacia especializada de homicídio, além de acumular funções na delegacia de jogos e diversões. Sua atuação no combate à criminalidade em Rondônia, principalmente nas áreas de garimpo, valeu-lhe um convite para a sua participação na política por meio do Partido Democrático Social (PDS). Inicialmente candidato a deputado estadual para as eleições de 1982, teve, posteriormente, seu nome indicado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Realizado o pleito no mês de novembro, Lucena Leal ficou com a primeira suplência.

Ainda em novembro, foi nomeado diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia, ficando no órgão por pouco tempo. Neste mesmo período, solicitou sua exoneração da polícia civil, passando a se dedicar com maior intensidade à atividade de advogado criminalista na comarca de Porto Velho.

Em agosto de 1985 o deputado federal Francisco José Coimbra Chiquilito Erse, do Partido da Frente Liberal (PFL), pediu licença na Câmara para candidatar-se à prefeitura de Porto Velho. Substituto de Chiquilito no Legislativo federal, Lucena Leal foi acusado pelo advogado Nílton Gurgel Barreto, que estivera preso em Fortaleza, e pelo deputado estadual e vice-prefeito eleito de Porto Velho, Tomás Correia, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de ter sido torturador durante o regime militar e de seu nome figurar numa lista de 444 torturadores do período 1969-1974.

Em 1º de fevereiro de 1986, retornou à condição de suplente, pois Chiquilito retomou o seu mandato na Câmara por ter sido derrotado na disputa pelo Executivo municipal de Porto Velho. Candidato a deputado federal pelo PFL no pleito de novembro seguinte, Lucena Leal foi novamente frustrado em seu intento, alcançando uma votação que lhe garantiu apenas a terceira suplência.

Afastado da política desde então, voltou à cena pública em dezembro de 1988, quando ficou conhecido nacionalmente por ter sido um dos maiores defensores dos fazendeiros Darli Alves da Silva e Darci Pereira da Silva, acusados de mandar assassinar o líder seringueiro Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes.

Lucena Leal manteve suas atividades advocatícias, liderando uma equipe de profissionais em seu escritório particular, especializado na defesa de traficantes de drogas.

No Projeto Brasil Nunca Mais, editado pela Arquidiocese de São Paulo, seu nome aparece citado no depoimento formal de sete ex-presos políticos, que o acusaram de torturador. Em 1998, a revista Veja publicou uma reportagem intitulada “Esse maldito passado”, onde João Lucena admitiu ter utilizado métodos violentos de interrogatório, no tempo em que trabalhava como agente da Polícia Federal em Fortaleza, durante os anos do regime militar.  

De seu primeiro matrimônio, com Maria Ilce Nicodemos, teve três filhos. Posteriormente, contraiu segundas núpcias com Letícia Maria de Sá Basilho Lucena.

Marcelo Costa/Márcio Magalhães

 

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. (1987-1988); CURRIC. BIOG.; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (28/11/85); Portal Grupo Tortura Nunca Mais – RJ. Disponível em : <http://www. torturanuncamais-rj.org.br/denuncias.asp?Coddenuncia=89&ecg=>. Acesso em : 17 nov. 2009; Veja (online) 09 dez. 2008. Disponível em : <http://veja.abril.com.br/091298/p_050. html>. Acesso em : 17 nov. 2009.

 

 

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