LEAL, ZENO ESTILLAC

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Nome: LEAL, Zeno Estillac
Nome Completo: LEAL, ZENO ESTILLAC

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEAL, ZENO ESTILLAC

LEAL, Zeno Estillac

*militar; comte. Zona Mil. Norte 1955-1956; comte. IV Ex. 1956; ch. EME 1956-1958.

 

Zeno Estillac Leal nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de outubro de 1895, filho do marechal Francisco Raul Estillac Leal e de Alcide de Sousa Estillac Leal. Seu irmão, Newton Estillac Leal, destacou-se como líder da corrente nacionalista do Exército na luta pelo monopólio estatal do petróleo e pela criação da Petrobras, foi presidente do Clube Militar de 1950 a 1951 e ministro da Guerra de 1951 a 1952, no segundo governo de Getúlio Vargas (1951-1954).

Zeno Estillac Leal realizou os estudos secundários no Colégio Militar, no Rio de Janeiro, sentando praça em 1913, quando ingressou na Escola Militar do Realengo, também na capital federal. Declarado aspirante-a-oficial da arma de artilharia, em fevereiro de 1918 concluiu o curso da Escola Militar, sendo nesse mesmo mês promovido a segundo-tenente e destacado para servir no 3º Grupo de Obuses, no Rio de Janeiro. Promovido a primeiro-tenente em janeiro de 1919, foi transferido em abril seguinte para a Escola de Aviação Militar, também no Rio de Janeiro, onde permaneceu até setembro como secretário desse estabelecimento. Removido para o 1º Regimento de Artilharia Montada (RAM) na Vila Militar, aí serviu como comandante e secretário até janeiro de 1920.

Designado para o 1º Grupo de Obuses, exerceu a função de secretário até o final de 1920, passando em seguida para a 1ª Brigada de Artilharia, também no Rio. Permaneceu como ajudante-de-ordens do comandante dessa unidade até agosto de 1921, quando foi promovido a capitão. Deixou a 1ª Brigada de Artilharia no mês seguinte e, de dezembro do mesmo ano a abril de 1922, foi assistente no 1º Distrito de Artilharia de Costa, ainda no Rio de Janeiro, servindo, a partir de então, como comandante da 5ª Bateria de Artilharia de Costa, no forte São Luís.

Por ocasião da revolta de julho de 1922, manteve-se ao lado das forças legalistas, participando inclusive da prisão de oficiais rebeldes em sua unidade. O movimento, que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920, irrompeu no Rio de Janeiro e em Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa aos militares como o fechamento do Clube Militar e a prisão do marechal Hermes da Fonseca. A revolta foi debelada no mesmo dia, tendo envolvido no Rio de Janeiro o forte de Copacabana, a Escola Militar e efetivos da Vila Militar.

Tendo já deixado o comando da 5ª Bateria em dezembro de 1922, participou da assinatura do Pacto de Pedras Altas, que em dezembro de 1923 pôs fim à guerra civil deflagrada em janeiro daquele ano no Rio Grande do Sul entre republicanos e federalistas em conseqüência da reeleição do líder republicano Antônio Augusto Borges de Medeiros para o quinto mandato como presidente do estado. O tratado firmado estipulou a manutenção de Borges de Medeiros no governo, mas vedou nova reeleição. Transferido para São Paulo, Zeno Estillac Leal serviu junto ao 4º RAM de Itu como ajudante da unidade até fevereiro de 1924.

Regressando ao Rio de Janeiro ainda nesse mês, ingressou na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Vila Militar. Durante o curso, no mês de julho foi lotado junto ao 1º Grupo de Artilharia Pesada a fim de dar combate ao levante irrompido em São Paulo sob a liderança de Isidoro Dias Lopes, do qual participou seu irmão Newton Estillac Leal. Após servir no estado-maior do grupo regressou das operações de guerra em agosto, reiniciando então o curso que interrompera e concluindo-o em dezembro. Em março do ano seguinte iniciou novo curso, dessa vez na Escola de Estado-Maior, terminando-o em 1928.

De abril de 1927 a novembro de 1929 foi instrutor auxiliar de artilharia do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) do Rio de Janeiro, permanecendo por mais dois meses como diretor desse centro. Cumulativamente com as funções que desempenhou no CPOR, serviu junto ao Estado-Maior do Exército (EME) até janeiro de 1930 como estagiário, e depois, até junho do ano seguinte, como adjunto. Transferiu-se em julho de 1931 para o 2º Grupo de Artilharia Montada, em Jundiaí (SP), onde atuou como comandante da 1ª Bateria até dezembro desse ano, quando foi promovido a major. Permaneceu em Jundiaí até julho de 1932, aí exercendo, em diferentes ocasiões, as funções de comandante e de subcomandante do grupo.

Voltando ao Rio de Janeiro, serviu até junho de 1933 como oficial-de-gabinete do ministro da Guerra, general José Fernandes Leite de Castro. A partir de julho atuou como membro da Comissão de Estudos para a Indústria Militar Brasileira na Europa e, em seguida, como chefe da Subcomissão de Artilharia. Em setembro do mesmo ano passou a subchefe da Comissão de Artilharia, designado para atuar junto à Subcomissão de Morteiros. A serviço dessa comissão, visitou a França, a Espanha, a Inglaterra, a Bélgica, a Finlândia e a Dinamarca, viajando também pela Suécia, a Suíça e a Alemanha a convite dos governos desses países. Promovido a tenente-coronel em maio de 1936, de junho do ano seguinte a novembro de 1938 integrou a Missão Militar Brasileira em Essen, na Alemanha. Em setembro deste último ano acompanhou as manobras do Exército suíço em Lausanne e, em novembro seguinte, foi transferido para a Diretoria de Material Bélico, no Rio de Janeiro, onde permaneceu como chefe da 1ª Divisão até fevereiro de 1939.

Removido para a 9ª Região Militar (9ª RM), Destacamento Oeste-Campo Grande, assumiu em seguida a chefia do estado-maior da região, que exerceu de março de 1939 a maio do ano seguinte. Transferido para o Rio de Janeiro, serviu no 1º Grupo de Artilharia de Costa (GAC), em Niterói, atuando como comandante do grupo e da fortaleza de São João. No exercício desse cargo, dirigiu também a Escola de Artilharia de Costa e a Diretoria de Artilharia de Costa, Grupamento Leste-Niterói. Promovido a coronel em maio de 1941, deixou o 1º GAC no mês seguinte.

De junho de 1941 a junho de 1943 chefiou a 4ª Seção do EME, realizando a seguir, até outubro deste último ano, um estágio no Exército norte-americano em Fort Leavenworth. Em maio de 1944 foi colocado à disposição do ministro da Defesa Nacional do Uruguai para tomar parte nos trabalhos de coordenação das sugestões a serem apresentadas pelo governo brasileiro ao Comitê Consultivo Econômico-Financeiro Interamericano. Ainda no mesmo mês assumiu a chefia da 2ª Seção do EME, atuando como primeiro-subchefe desse órgão em três ocasiões até dezembro de 1945, quando deixou o posto e foi promovido a general-de-brigada. Em janeiro do ano seguinte comandou interinamente a Artilharia Divisionária-1(AD-1) da 1ª Divisão de Infantaria (DI), sediada no Rio de Janeiro, e nesse mesmo mês retornou ao EME como primeiro-subchefe, exercendo essa função até setembro de 1947.

Nomeado adido militar junto à embaixada do Brasil em Buenos Aires, ocupou o cargo de outubro seguinte a fevereiro de 1950. De volta ao Brasil, assumiu em maio desse ano o comando da Artilharia Divisionária-2 (AD-2), sediada em São Paulo, deixando-o em janeiro de 1951, quando foi promovido a general-de-divisão. Durante o período em que comandou a AD-2, exerceu interinamente os comandos da 2ª RM e da 2ª DI, em São Paulo. Transferido para Minas Gerais, comandou a 4ª RM e a 4ª DI, com sede em Juiz de Fora (MG), de março de 1951 a dezembro do ano seguinte, quando passou a exercer unicamente o comando da 4ª RM, à frente da qual permaneceu até janeiro de 1954. Novamente no Rio de Janeiro, chefiou o Departamento Geral de Administração (DGA), de janeiro a julho de 1955. Acumulou depois essa função com a de diretor-geral de Material Bélico, ocupando em seguida apenas esse último cargo, no qual permaneceu até fevereiro de 1956. Durante sua gestão à frente do DGA estagiou na Escola Superior de Guerra (ESG) de março a dezembro de 1955, quando foi promovido a general-de-exército.

Nomeado comandante da Zona Militar Norte, sediada em Recife, em fevereiro de 1956, continuou no comando da unidade após sua transformação em IV Exército, em agosto seguinte. Em dezembro do mesmo ano transmitiu o comando do IV Exército ao general Osvaldo de Araújo Mota para assumir a chefia do EME, à frente do qual permaneceu até junho de 1958, exercendo também, cumulativamente, por duas vezes, o cargo de chefe interino do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA). Deixou o EME em novembro de 1958, mês em que foi promovido a marechal, passando então à reserva.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 7 de julho de 1983.

Foi casado com Percília Silva Estillac Leal.

 

 

FONTES: ARQ. MIN. EXÉRC.; BRAYNER, F. Verdade; CORRESP. SECRET. GER. EXÉRC.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MIN. GUERRA. Almanaque (1958); NOGUEIRA FILHO, P. Ideais; SILVA, H. 1922.

 

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