LEMGRUBER, ANTONIO CARLOS

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Nome: LEMGRUBER, Antônio Carlos
Nome Completo: LEMGRUBER, ANTONIO CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LEMGRUBER, ANTÔNIO CARLOS

LEMGRUBER, Antônio Carlos

*pres. Bco. Central 1985.

Antônio Carlos Lemgruber nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 26 de outubro de 1947, filho de Fernando José Ramos Lemgruber e de Maria Mercedes Braga Lemgruber.

Estudou no Colégio São Bento, no Rio de Janeiro, formando-se em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1969. Desde o primeiro ano da faculdade e durante os quatro anos do curso trabalhou na sucursal carioca do jornal Folha de S. Paulo, época em que conheceu os ministros Delfim Neto e João Paulo dos Reis Veloso, e Alexandre Kafka, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Brasil e professor da Universidade de Virgínia.

Bolsista da Comissão Fullbright, foi aceito no mestrado daquela universidade norte-americana, lá permanecendo de 1970 a 1972, concluindo o doutorado em economia no Brooking Institute, em Washington. De volta ao Brasil em 1974, por indicação de Kafka ingressou na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, como pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia e como professor da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE). Graças à sua experiência no jornalismo tornou-se editor da revista Conjuntura Econômica (1974-1979).

Organizador do Centro de Estudos Monetários Internacionais, da FGV, e consultor na área de macroeconomia, em agosto de 1981 assumiu a diretoria da área internacional do Banco Boavista.

No final de janeiro de 1985, dias após a reunião do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves para a presidência da República, foi indicado para assumir a presidência do Banco Central. Confirmado pelo vice-presidente José Sarney, com apenas 37 anos Lemgruber assumiu a presidência do Banco Central, sucedendo a Afonso Celso Pastore. Herdeiro de problemas de natureza conjuntural e estrutural graves, o governo enfrentava o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de divisas, agravando problemas no que diz respeito ao serviço da dívida externa. Em relação ao balanço de pagamentos, o modesto desempenho da balança comercial, com acentuada queda nas exportações, ameaçava a relativa estabilidade. Em fevereiro de 1985 o Brasil descumprira as metas fixadas na 7ª Carta de Intenções, acertada com o FMI, o que acarretou a suspensão da primeira parcela do empréstimo previsto para aquele ano. No discurso de posse, Lemgruber defendeu a execução de uma política monetária e fiscal austera, e a redução da inflação, enfatizando que o Banco Central agiria integrado ao governo e sincronizado com as diretrizes específicas do Ministério da Fazenda, chefiado por Francisco Dornelles.

Em abril, reunido com o comitê interino do FMI, em Washington, e com banqueiros credores do Brasil, em Nova Iorque, buscou a alteração dos resultados das negociações realizadas no governo anterior por Delfim Neto e Ernâni Galveias, respectivamente, ministro da Fazenda e presidente do Banco Central. Tendo em vista o ajustamento econômico, Lemgruber propôs o estabelecimento de metas trimestrais para avaliação do desempenho, mas sem obter aceitação viu-se obrigado a aceitar o que fora estabelecido. Nos meses seguintes ainda tentou estabelecer condições para um monitoramento pelo FMI, refinanciamento da dívida, amortizações mínimas, jurisdição contratual e novos empréstimos.

Em agosto, preocupado em prorrogar as linhas de crédito comercial e os recursos interbancários, evitando o pagamento de lucros excessivos aos bancos e qualquer interferência na política econômica doméstica, capaz de provocar alguma redução do grau de soberania nacional, viajou a várias cidades européias, encontrando-se com banqueiros espanhóis, suíços, alemães e franceses.

Apoiado por Dornelles defendeu a adoção de uma política econômica austera visando a redução do déficit público e o combate à inflação. Considerada recessiva, tal orientação sofreu oposição de outros setores do governo, notadamente por parte do ministro do Planejamento, João Sayad, defensor de uma orientação que não sacrificasse o crescimento da economia. As divergências levaram à saída de Francisco Dornelles do Ministério da Fazenda, e na presidência do BC Antônio Carlos Lemgruber foi substituído pelo economista Fernão Bracher.

Vice-presidente, responsável pela área internacional do Banco Boavista, Lemgruber voltou a lecionar na EPGE/FGV (1986), assumindo também a vice-presidência da Bolsa Brasileira de Futuros. Sócio e diretor do Banco Liberal desde 1991, participou das negociações que em 1997 levaram à transferência do controle da instituição para o Bank of America.

Em novembro de 1996 avaliou que o plano de estabilização econômica lançado em meados de 1994 — o chamado Plano Real — produzira um elevado déficit público e baixo índice de crescimento econômico. Como solução, propôs a adoção de uma política fiscal restritiva que propiciasse uma recuperação alavancada pelo setor privado. O ajuste fiscal seria associado a uma contenção das despesas do setor público e à venda de ativos do Estado (empresas, imóveis e outros bens). Na sua opinião, o aumento da taxa de desemprego no curto prazo era necessário para adequar a economia ao dinamismo que no futuro seria exigido das empresas.

Em setembro de 2001, o Bank of America descobriu um rombo de 50 milhões de reais no Banco Liberal, o qual comprara através de operações financeiras entre janeiro e abril de 1998. Segundo a auditoria realizada, Lemgruber teria desviado 38 milhões de dólares do banco e inflado o patrimônio da instituição através da falsificação de ativos financeiros de uma subsidiária nas Bahamas, o que teria levado o Bank of America a comprar o Banco Liberal por um valor superior ao seu real valor.  Como um dos três sócios brasileiros responsáveis pela gestão do banco, Lemgruber foi acusado de empregar o dinheiro em operações irregulares nos paraísos fiscais das Bahamas. Deixou então o cargo no Banco Liberal e foi morar em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro. Em março de 2008, foi condenado pela Justiça de Nova York a indenizar o Bank of America em cerca de 40 milhões de dólares. Em julho do mesmo ano, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, órgão colegiado integrante do Ministério da Fazenda, declarou a inabilitação de Lemgruber para o exercício de cargos em instituições financeiras durante o período de dois anos.

Casado com Maria Ivone Lemgruber, teve uma filha.

Sobre economia, escreveu Inflação, moeda e modelos macroeconômicos (1978), Uma análise quantitativa do sistema financeiro no Brasil (1978) e Controle da base monetária (1981). Além disso, escreveu artigos para jornais como a Folha de S. Paulo.

Edinílson Cruz

 

FONTES: ENTREV. BIOG. (1999); Estado de S. Paulo (19, 20, 28/4, 28/8/85; 18/11, 13/12/96); Folha de S. Paulo (27/4 e 14/7/85; 28/10/86, 29/5/87); Globo (12/3, 18/4, 2 e 12/8, 6/9/85; 27/2 e 13/10/86); Jornal do Brasil (8/3, 3/5, 16 e 17/7, 2/8, 16/9/85), Valor Econômico (24/6/08);  Portal OGloboOnline, disponível em http://oglobo.globo.com/, acessado em 19/11/09; Portal da Revista Época, disponível em http://epoca.globo.com/, acessado em 19/11/09.

 

 

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