LESSA, Carlos

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Nome: LESSA, Carlos
Nome Completo: LESSA, Carlos

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Carlos Lessa

LESSA, Carlos

* pres. BNDES 2003 - 2004

 

 

Carlos Francisco Teodoro Machado Ribeiro de Lessa nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 30 de junho de 1936, filho do médico e bibliófilo Clado Ribeiro de Lessa e de Amélia Machado Ribeiro de Lessa.

Estudou no tradicional Colégio Padre Antonio Vieira e em 1959 completou sua graduação em Ciências Econômicas na antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1960 iniciou o curso de mestrado em análise eonômica no Conselho Nacional de Economia. No ano seguinte, começou a lecionar no curso de formação de diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Identificado com o pensamento estruturalista da Comissão de Estudos Econômicos para a América Latina (Cepal), em 1962 tornou-se professor dos cursos intensivos de treinamento dos problemas de desenvolvimento econômico da Cepal/Organização das Nações Unidas (ONU), ministrando aulas no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Ceará e no Rio Grande do Sul. Ainda em 1962, passou a lecionar na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), oferecendo cursos em Recife e Salvador. Em 1964, concluiu o mestrado e encerrou sua participação como docente do Instituto Rio Branco e da Cepal/ONU.

Com o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart em 31 de março de 1964, Lessa deu uma guinada em sua vida, passando alguns anos envolvido com diferentes instituições de ensino e pesquisa da América Latina. Assim, entre 1965 e 1968 lecionou no Instituto Latinoamericano y del Caribe de Planificación Econômica y Social (ILPES/ONU), ficando baseado no Chile, Nicarágua e El Salvador. Ao mesmo tempo, cada vez mais interessado na discussão dos impasses do desenvolvimento latino-americano, ingressou no Centro Interamericano de Capacitação em Administração Pública, atuando em Buenos Aires e Caracas entre 1966 e 1969. Nesse mesmo período, foi professor do Instituto para Integração da América Latina (INTAL), financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), localizado na capital argentina. Em 1967, lecionou no curso de pós-graduados da Escola Latino-Americana do Instituto de Economia da Universidade do Chile, em Santiago.

De volta ao Brasil em 1969, deste ano até 1973 foi professor do Instituto de Estudos em Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (IEAP/FGV), no Rio de Janeiro, no qual ministrou as disciplinas de Introdução à Economia Política e Introdução ao Planejamento na Economia Brasileira. Em 1973, iniciou suas atividades na iniciativa privada, tornando-se diretor da firma Clan S/A, Consultoria e Planejamento, função que se estenderia até 1979. Dando prosseguimento à sua carreira acadêmcia, em 1974 tornou-se professor titular de Política Econômica do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde lecionou as disciplinas Teoria Econômica II, Política Econômica, Economia Brasileira (permaneceria na Unicamp até 1994). Em 1976, ingressou no doutorado do IFCH/Unicamp, concluindo-o em 1980.

Dois anos antes, em 1978, foi aprovado em concurso para professor titular de Economia Brasileira do Instituto de Economia (IE) da UFRJ e se tornou também professor da pós-graduação do Instituto de Economia Industrial IEI/UFRJ, lecionando a disciplina Industrialização Brasileira, na pós-graduação, e as disciplinas Economia Brasileira II e Economia e Sociedade no Rio de Janeiro, na graduação. Também nesse período foi consultor do Centro de Estudos e Pesquisas da FINEP e consultor da Fundação para o Desenvolvimento da Administração Pública do governo de São Paulo/ FUNDAP, atividade que desempenharia até 1983.

                Ligado à ala progressista do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) ­– criado em 1980, agregando novos quadros ao antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar –, Carlos Lessa foi um dos seus filiados históricos. Junto com Maria da Conceição Tavares e outros intelectuais progressistas e de esquerda, Lessa fazia parte do grupo liderado pelo político paulista Ulisses Guimarães. Ele chegou mesmo a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PMDB do Rio de Janeiro no pleito de novembro de 2002. Agregando em sua campanha grande número de intelectuais e ex-alunos, obteve cerca de 15.000 votos, total insuficiente para garantir sua eleição. 

Lessa exerceu seu primeiro cargo público durante o governo de José Sarney (1985-1990). Com a ascensão do grupo de economistas que apoiava o “Dr. Ulisses”, Lessa foi convidado em 1985 para ocupar a diretoria do Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Permaneceu no cargo até 1988. Nesse período, foi também conselheiro do Conselho Superior de Previdência Social entre 1986 e 1989.

Em 1986, o PMDB conseguiu eleger a grande maioria dos governadores, mas após o fracasso do Plano Cruzado e a trágica morte de Ulisses Guimarães, o partido perdeu sua força e muitos militantes e colaboradores deixaram a legenda para integrar outras ou fundar novos partidos. Lesa, entretanto, permaneceu filiado. De volta à vida acadêmica, em 1988, quando deixava o governo Sarney, tornou-se diretor do IFCH/UNICAMP. Entre 1992 e 1994 atuou como professor visitante da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) ocupando o cargo de coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas (CEP/Rio).

Novamente em cargo público, entre 1993 e 1995, na primeira gestão de Cesar Maia na prefeitura carioca, foi convidado para ocupar o cargo de diretor executivo do Plano Estratégico da Cidade do Rio de Janeiro, aprimorando seus conhecimentos sobre a capital fluminense. Entre 1996 e 1997 exerceu funções administrativas no mundo acadêmico, ocupando a direção do Instituto de Economia da UFRJ. Nesse mesmo período, atuou também cargos na iniciativa privada, sendo diretor-presidente da DETEN S/A - Detergentes do Nordeste. Em 1999 foi presidente do Instituto Virtual de Economia e Logística do Rio de Janeiro.

Decano do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da UFRJ entre 1998 e 2002, em 2001 se tornou professor titular visitante da COPPE/UFRJ. Em março de 2002, elegeu-se reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, obtendo uma votação consagradora: obteve 85% dos votos dos 13.453 eleitores, entre professores, funcionários e alunos. No entanto, permaneceu menos de um ano à frente da UFRJ. Em janeiro de 2003, aceitou o convite do recém-empossado presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, eleito em outubro de 2002 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), para ocupar a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A decisão foi tomada após uma longa reunião com os membros do Conselho Universitário da UFRJ. Ficou acertado que Lessa se afastaria por 90 dias da reitoria, ficando a universidade então sob o comando do vice-reitor da entidade, Sérgio Fracalanza, e depois seriam realizadas novas eleições.

 

Na presidência do BNDES

Ainda filiado ao PMDB, a escolha de Carlos Lessa para a presidência do BNDES se deu por influência da economista Maria da Conceição Tavares e do senador Aloizio Mercadante, ambos muito próximos do professor, e foi acolhida com entusiasmo pelos funcionários do BNDES, que viam a casa retomar sua trajetória desenvolvimentista.

Lessa fez uma mudança muito profunda na estrutura do BNDES que, na gestão anterior, havia deixado de ser verdadeiramente um banco de desenvolvimento para ser um banco de negócios e avançou em ações que beneficiaram a pequena e média empresa, dedicando especial atenção aos arranjos produtivos locais. Em sua gestão o BNDES aumentou em 25% o desembolso dos recursos, contribuindo para o aumento dos investimentos, da melhoria da competitividade e do crescimento econômico. Também procurou estabilizar o Banco que se encontrava vulnerável por contratos e financiamentos do programa de privatização, como o contrato da AES no qual havia US$1,2 bilhão de inadimplência, repactuando e renegociando parte deles. Avançou no programa Modermac, voltado para a atualização de máquinas e equipamentos, e no programa de Capital de Giro. 

Depois de muito esforço para diminuir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), taxa que baliza os empréstimos e financiamentos do BNDES, Lessa entrou em rota de colisão com o presidente do Banco Central Henrique Meireles e também com o ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan, a quem em tese estava subordinado. Desde a sua posse, Lessa divergiu com frequência de Furlan, algumas vezes publicamente.  Lessa se reportava, muitas vezes, diretamente ao presidente Lula para tratar de assuntos estratégicos relacionados ao BNDES. Entretanto, as divergências na condução da política monetária tornaram-se um impasse depois de ruidosa entrevista no início de novembro de 2004, quando afirmou que a gestão de Meireles era um "pesadelo" e que este "emite todos os sinais de que crescer neste momento é um pecado". O professor, afeito ao projeto desenvolvimentista, criticava severamente a elevação pelo terceiro mês consecutivo da taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (COPOM/BACEN), aumentando os juros básicos da economia para 17,25%, índice considerado por ele um verdadeiro freio para o crescimento econômico.

Em 18 de novembro de 2004, Carlos Lessa deixou a presidência do BNDES, sendo substituído pelo até então ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão Guido Mantega. Tal como fora saudado em sua chegada, Carlos Lessa, já na condição de ex-presidente do BNDES, discursou no dia seguinte de sua demissão para cerca de 300 pessoas em manifestação de solidariedade realizada em frente à sede do Banco, no Rio de Janeiro.  Lessa afirmou que "o que estamos assistindo é mais uma manobra das elites brasileiras para frustrar sonhos populares", referindo-se diretamente às posições tomadas pelo governo Lula.                

Lessa retornou para o ensino superior, voltando a lecionar na COPPE-UFRJ como professor visitante. Ao voltar para o Instituto de Economia da UFRJ, também foi recebido com manifestação de apreço pelo reitor Aloísio Teixeira, pela amiga e companheira de academia Maria da Conceição Tavares, pelos deputados federais Jandira Feghali e Chico Alencar, além de diversos dirigentes, intelectuais ligados à universidade e alunos que de pé cantaram o Hino Nacional. A exoneração de Carlos Lessa do BNDES promoveu abaixo assinados por parte de setores progressistas da sociedade em prol de sua permanência.

 

Em 2007, Lessa recebeu e aceitou o convite formal do presidente nacional do PMDB, Michel Temer, para coordenar a elaboração de um programa "trabalhista, populista e nacionalista" para o Brasil. Entretanto, pouco depois, em setembro de 2007, filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) declarando que depois de 40 anos de militância no PMDB, que "acima de qualquer opção de legenda, acho que todo brasileiro atesta com tristeza que o PMDB dono do coração de Ulisses Guimarães, de Teotônio Vilela, de Tancredo Neves não existe mais. Ao contrário, existem pessoas que tomaram o coração do PMDB".

Orientador de um grande número de dissertações de mestrado e teses de doutorado e responsável, desde 1962, por diversas pesquisas. Com Leonarda Musumeci realizou entre 1998 e 1999, pelo IE/UFRJ, a pesquisa “Reforma do Estado e Proteção Social: os setores de saúde e segurança pública no Rio de Janeiro”, Subprojeto 3 – ”Segurança Pública”, no âmbito do Programa MARE-CAPES-CNPq – Reforma do Estado.  

Fora do Brasil, além da sua passagem pela Escolatina, ministrando curso como professor convidado, Carlos Lessa lecionou na Universidad Nacional de Venezuela, na Universidad Nacional Autónoma de México e na Universidad Complutense de Madri e em mais quatro universidades espanholas.

Carlos Lessa publicou, além de vários artigos, Quinze anos de política econômica (1983), Desenvolvimento capitalista no Brasil: ensaio sobre a crise (1984), Introdução à economia- uma abordagem estruturalista, com Antonio Barros de Castro (1989), O conceito de política econômica- ciência e/ou ideologia (1998), A estratégia do desenvolvimento 1974-1976: sonho e fracasso (1998), O Rio de todos os Brasis (2000), A auto-estima e a questão social (2000), O Rio pensa o Brasil (org.) (2000), Reforma e utopia do contexto do Segundo Império, A luz do apagão (org.) (2002), Depois do atentado – notícias da guerra assimétrica (2002), Os Lusíadas na aventura do Rio moderno (2002) e Enciclopédia de brasilidade: auto-estima em verde amarelo (org.) (2006).

Apaixonado pelo Rio de Janeiro, Carlos Lessa chegou a ser pré-candidato a prefeito da cidade pelo PSB em 2008, desistindo no decorrer do processo eleitoral.  Mantém inúmeros empreendimentos no corredor cultural do centro do Rio.

Casou-se com Marta Maria Hue Ribeiro de Lessa, com quem teve três filhos.

Gloria Moraes

 


FONTES: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/inf_bndes/inf_0203.pdf, Currículo Sistema Latteshttp://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4703601J3; informações pessoais, Folha de São Paulo - 19/11/2004; Carta Capital, Ano XI, n. 318- novembro/2004 e http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=1520. O Globo -19/11/2004; http://www.qprocura.com.br/clip-noticias/2007/68880/Carlos-Lessa-deixa-o-PMDB-e-se-filia-ao-PSB.html; http://www.mst.org.br/node/1875.

www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id

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