LINHARES, MARCELO

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Nome: LINHARES, Marcelo
Nome Completo: LINHARES, MARCELO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LINHARES, MARCELO

LINHARES, Marcelo

*dep. fed. CE 1971-1987.

Marcelo Caracas Linhares nasceu em Fortaleza no dia 15 de março de 1924, filho de Vicente Alves Linhares e de Edite Caracas Linhares. Seu tio José Linhares, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) de 1937 a 1956, ocupou interinamente a presidência da República de 29 de outubro de 1945, data da queda do Estado Novo, até a posse, em janeiro do ano seguinte, do presidente eleito, general Eurico Gaspar Dutra. Seu irmão José Alves Linhares foi constituinte de 1946 e deputado federal pelo Ceará de 1946 a 1951. Seu outro irmão, Heitor Caracas Linhares, foi membro do Gabinete Militar do presidente José Linhares e alcançou o generalato.

Fez seus estudos no Colégio Cearense do Sagrado Coração e no Colégio São João, em sua cidade, e começou a trabalhar em 1945 como funcionário do Banco do Brasil. Em 1953 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito da Universidade do Ceará e em 1955 passou a advogado do Banco do Brasil, tornando-se membro do seu Departamento Jurídico.

Em 1965 fez parte do conselho fiscal do Serviço Telefônico de Fortaleza, foi assessor da diretoria da Companhia das Docas do Ceará e diretor da Associação Comercial. Em 1967 tornou-se diretor da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Ceará (Codagro) e formou-se em administração de empresas pela Escola de Administração do Ceará. Desse ano até 1970, por indicação do general Dilermando Monteiro, comandante da 10ª Região Militar (10ª RM), sediada em Fortaleza, ocupou o cargo de secretário de Planejamento e Coordenação Geral de seu estado, no governo de Plácido Castelo (1966-1970). Nesse período foi também representante do Ceará no conselho deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

Em novembro de 1970 elegeu-se deputado federal pelo Ceará, na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, contando com o apoio do ex-governador Virgílio Távora. Ao assumir o mandato em fevereiro de 1971, defendeu a reformulação partidária, que poria fim ao bipartidarismo e ao caráter plebiscitário que os pleitos políticos haviam assumido desde a criação, em 1966, da Arena e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Para ele, os novos partidos deveriam computar o número de votos de cada deputado signatário do seu manifesto de criação como representativo de seus eleitores. Em 1973 fez o curso da Escola Superior de Guerra, que patrocinou sua viagem de estudos aos países da África subsaariana, e no ano seguinte teve seu nome cogitado pelo senador Virgílio Távora para a sucessão do governo do Ceará. Durante a legislatura, foi vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores e suplente da Comissão de Orçamento da Câmara.

Em novembro de 1974 foi reeleito deputado e em abril de 1975, no exercício do novo mandato, tornou-se um dos vice-líderes de seu partido na Câmara, embora não integrasse o grupo do deputado José Bonifácio de Andrada, então líder do governo e do partido. Sua indicação foi feita pelo deputado Célio Borja, que assumiu, na ocasião, a presidência da Câmara.

Em setembro de 1976, em sessão especial do Congresso, foi muito aplaudido, especialmente pelo então ministro do Exército, general Sílvio Frota, ao defender para o Brasil o trinômio “desenvolvimento, segurança e liberdade”. Passando a integrar desde então, ao lado de Sinval Boaventura, Jorge Arbage e Eduardo Galil, o grupo de deputados frotistas que apoiava a candidatura do general Sílvio Frota à sucessão do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), no início de outubro de 1977 distribuiu uma declaração à imprensa acusando a direção da Arena de estar engajada num movimento de marginalização das forças armadas do processo decisório sobre a sucessão presidencial. Seu pronunciamento teve grande repercussão no governo e no partido, tendo sido considerado por porta-vozes do Planalto, segundo o jornalista Tarcísio Holanda, como uma “intriga diabólica” do comando da campanha de Sílvio Frota. A direção da Arena convocou todos os vice-líderes para examinar que atitude tomar, mas Marcelo Linhares manteve suas posições e rechaçou qualquer punição partidária, apesar dos rumores sobre o seu afastamento da vice-liderança. No dia 13 de outubro, entretanto, ao tomar conhecimento da exoneração, pelo presidente Geisel, do general Sílvio Frota e da conseqüente inviabilização da candidatura deste à presidência da República renunciou à vice-liderança do governo e da Arena.

Em janeiro de 1978, junto com outros frotistas, lançou uma nota solidarizando-se com a candidatura do general João Batista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), à presidência da República. Reelegeu-se em novembro desse ano sempre na legenda da Arena e, em dezembro, defendendo o retorno ao pluripartidarismo, considerou inoportuna e inconveniente a criação de partidos ideológicos no estágio de desenvolvimento econômico e social em que o país se achava. Ao longo da legislatura foi presidente da Comissão de Relações Exteriores e suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas da Câmara.

No início de seu novo mandato foi eleito novamente, em março de 1979, vice-líder da Arena e do governo. Com a extinção da Arena e do MDB em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), de apoio ao governo, do qual se tornou vice-líder na Câmara.

Em abril de 1980 defendeu a imediata transformação do Congresso, através de ato adicional, em assembléia constituinte, para promover a reforma constitucional. Em agosto reclamou do governo medidas enérgicas contra a onda de atentados terroristas que ocorriam no país e prejudicavam o processo de abertura política. Em maio de 1981, foi um dos signatários do projeto de emenda constitucional proposto pelo deputado arenista Manuel Bezerra de Melo, que estabelecia a prorrogação dos mandatos dos parlamentares e governadores. Durante essa legislatura foi membro da Comissão de Relações Exteriores, suplente da Comissão de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas e da Comissão Especial do Código Civil. No pleito de novembro de 1982 conseguiu nova reeleição na legenda do PDS.

Empossado em seu quarto mandato consecutivo em fevereiro de 1983, na sessão da Câmara dos Deputados reunida no dia 25 de abril de 1984, votou contra a emenda Dante de Oliveira que previa eleições diretas para a presidência da República, mas que não obteve votação necessária para ser apreciada pelo Senado Federal. No Colégio Eleitoral reunido no dia 15 de janeiro de 1985, em virtude da não aprovação da Dante de Oliveira, votou em Paulo Maluf, candidato lançado pelo PDS para concorrer à presidência da República. Maluf foi derrotado por Tancredo Neves, nome lançado pela Aliança Democrática, coligação formada pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) com a dissidência do PDS reunida na Frente Liberal. Tancredo, todavia, não chegou a tomar posse, pois foi internado com problemas de saúde, vindo a falecer no dia 21 de abril de 1985. Com sua morte, o vice-presidente José Sarney, que ocupara interinamente o cargo desde o dia 15 de março, foi efetivado na presidência da República.

Marcelo Linhares deixou a Câmara dos Deputados em fevereiro de 1987, não tendo concorrido à reeleição no pleito de novembro do ano anterior. A partir dessa data, não voltou a concorrer a cargos eletivos. Permanecendo em Brasília, dedicou-se à atividade de escrever.

Retornou a Fortaleza em 1993 e, no ano seguinte, foi convidado para ingressar no Instituto Histórico do Ceará, onde exerceu as funções de primeiro tesoureiro (1995-1996), diretor de relações públicas (1997-1998) e secretário-geral (1999).

Faleceu no dia 14 de agosto de 2007.

Era casado com Irismar Machado Linhares.

Publicou De Mombaça a Mombasa (1973), Brasil e África: uma nova visão (1974), A maçonaria e a questão religiosa do Segundo Império (1988), O governo Linhares — transição para a democracia (1992), História da maçonaria (1993, 1997), Virgílio Távora e sua época (1997) e Governo Castelo Branco: isto é verdade (1999).

 

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1971-1975, 1975-1979, 1979-1983); CÂM. DEP. Relação nominal dos senhores; CURRIC. BIOG.; GIRÃO, R. Ceará; INF. BIOG.; Jornal do Brasil (17/8/76, 8, 10, 11, 13 e 14/10/77, 28/1 e 21/12/78, 7/11/79, 15/4 e 31/8/80, 15/5/81); NÉRI, S. 16; Perfil (1972 e 1980); Portal da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Disponível em : <http://www.al.ce.gov.br/noticias/noticia_completa.php?codigo=2234>. Acesso em : 17 jul. 2009; Súmulas; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (9); Veja (19/10/77).

 

 

 

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