LIRA, HEITOR

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Nome: LIRA, Heitor
Nome Completo: LIRA, HEITOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LIRA, HEITOR

LIRA, Heitor

*diplomata; emb. Bras. Portugal 1955-1956.

 

Heitor Lira nasceu em Recife no dia 24 de abril de 1893.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, no então Distrito Federal.

Iniciou sua carreira em 1916 como adido à Secretaria de Estado das Relações Exteriores, sendo incumbido, no ano seguinte, de selecionar e catalogar os manuscritos referentes à história diplomática do país. Ainda em 1917 integrou a comissão que elaborou o segundo Livro verde. Ingressando no corpo diplomático em 1918 como terceiro-oficial, serviu na Secretaria das Relações Exteriores até 1922, quando passou a segundo-secretário. Nesse ano atuou na comissão que redigiu o Arquivo diplomático da Independência, participando, em 1923, da XXV Sessão do Conselho da Liga das Nações como secretário da delegação brasileira.

Designado em 1923 para servir em Londres, lá permaneceu até 1925, atuando ainda durante esse período como secretário da delegação do Brasil à quarta, quinta e sexta assembléias da Liga das Nações, em Genebra, na Suíça. Participou também da assembléia extraordinária de 1926 e, entre esse ano e 1927, serviu em Berlim, sendo em seguida transferido para Montevidéu. Em março ainda de 1927 foi designado para atuar na Diretoria Geral dos Negócios Políticos e Diplomáticos da Secretaria de Estado, no Rio de Janeiro, tendo dirigido até 1928, a Seção dos Negócios Políticos e Diplomáticos da América. Em 1929 exerceu a função de secretário da missão especial para o jubileu sacerdotal do papa Pio XI, atuando ainda como encarregado de negócios na Santa Sé de julho a outubro de 1930, cargo que deixou durante a revolução que depôs o presidente Washington Luís.

Em novembro de 1932 representou o Ministério das Relações Exteriores no Instituto Pan-Americano de Geografia e História, sendo designado em agosto do ano seguinte para preparar as memórias diplomáticas do país. Em novembro de 1933 foi indicado para acompanhar os trabalhos da Comissão Colombiano-Peruana do Rio de Janeiro. Promovido a primeiro-secretário em 1934, foi chamado em março desse ano para exercer o cargo de auxiliar de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Félix Cavalcanti de Lacerda (1933-1934), passando em junho a oficial-de-gabinete. Um mês depois, a pedido, foi dispensado. Ainda em 1934 foi requisitado para servir no gabinete do novo ministro das Relações Exteriores, José Carlos de Macedo Soares (1934-1936), atuando também como examinador de direito internacional nos concursos para cônsul de terceira classe em 1934 e 1935.

Promovido a conselheiro de embaixada em março de 1937, serviu como encarregado de negócios em Lisboa de julho a setembro desse ano. Em março de 1939, integrou a comissão brasileira que cooperou com o Itamarati para organizar a representação do Brasil nas comemorações do oitavo centenário de Portugal e do terceiro de sua Restauração. Em abril desse ano foi nomeado chefe da Divisão Política e Diplomática do Itamarati e, em setembro, designado para constituir a Seção de Segurança Nacional do Ministério das Relações Exteriores.

Promovido a ministro de segunda classe em agosto de 1941, foi enviado em dezembro seguinte para servir como encarregado de negócios em Buenos Aires, lá permanecendo até maio de 1942. Em outubro desse ano representou o Ministério das Relações Exteriores no diretório central do conselho nacional de geografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Chefe da Divisão de Fronteiras de dezembro de 1942 a setembro do ano seguinte, passou logo após a integrar a Comissão Nacional de Fiscalização de Entorpecentes. No mesmo ano tornou-se membro da Comissão de Estudos dos Textos de História do Brasil, sendo também nomeado chefe da Divisão de Atos, Congressos e Conferências Internacionais do Departamento Diplomático e Consular do Itamarati, cargo que exerceu no Rio de Janeiro até 1945.

Em 1944 integrou a delegação do Brasil à II Reunião Pan-Americana de Consulta sobre Geografia e Cartografia, participou, em novembro do mesmo ano, da comissão mista de revisão do projeto de decreto-lei contra o alcoolismo. Enviado a Copenhague, na Dinamarca, como delegado do Brasil à Conferência Preparatória Técnica Marítima, realizada em 1945, participou no ano seguinte na mesma cidade da II Conferência da Food and Agriculture Organization (FAO), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), como chefe da delegação brasileira.

Em março de 1950 foi nomeado chefe do Departamento Político e Cultural do Itamarati, assumindo, também, ainda nesse mês, a presidência da Comissão de Reparações de Guerra, no Rio de Janeiro, onde ficou até dezembro seguinte. No mesmo ano exerceu interinamente a função de secretário-geral do ministério, sendo ainda nomeado diretor da Seção de Segurança Nacional. Em outubro de 1950 presidiu a Comissão de Estudo dos Textos de História do Brasil. Ministro interino das Relações Exteriores de março a julho de 1951, período durante o qual substituiu João Neves da Fontoura (1951-1953), presidiu em outubro no Rio de Janeiro a comissão organizadora do I Congresso da União Latina, do qual foi secretário-geral. Novamente secretário-geral interino do Itamarati em novembro desse ano, em setembro de 1954 foi enviado como delegado do Brasil à IX Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque.

Embaixador em Ottawa, no Canadá, de 1952 a 1955, o foi também em Lisboa de fevereiro desse último ano a outubro de 1956, exercendo idêntica função no Vaticano de 1956 a 1958, quando se aposentou.

Foi membro da Sociedade de Geografia de Washington, do Instituto Histórico de Ouro Preto, da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, da International Law Association e da Sociedade de Direito Aeronáutico.

Faleceu em Lisboa no dia 20 de abril de 1973.

Publicou Ensaios diplomáticos: I. Trabalho da diplomacia brasileira para casar o imperador Pedro I, II. A política brasileira no Prata e III. O pan-americanismo no Brasil antes da declaração de Monroe (1922), Políticos e diplomatas — À margem do embaixador Fagundes por um adido de embaixada (1929), Asilo diplomático (1930), A criação da nossa embaixada em Washington (1930), História de dom Pedro II (3v., 1938-1940), História diplomática e política internacional (1941), História da queda do Império (2v., 1964), O Brasil na vida de Eça de Queirós (1965), Efemérides luso-brasileiras, 1807-1970 (1971) e Minha vida diplomática (2v., 1981).

 

 

FONTES: CAFÉ FILHO, J. Sindicato; Encic. Mirador; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MIN. REL. EXT. Anuário (1959).

 

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