LOPES, José Antônio Muniz

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Nome: LOPES, José Antônio Muniz
Nome Completo: LOPES, José Antônio Muniz

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
José Antônio Muniz Lopes

LOPES, José Antônio Muniz

*pres. Eletrobrás 2008-

 

José Antônio Muniz Lopes nasceu em Rosário (MA) no dia 12 de julho de 1945, filho do bancário Dalvo Ribeiro Lopes e de Eunázia de Castro Muniz Lopes.

Após completar os estudos primários no Instituto Santa Teresinha, em Pedreiras (MA), transferiu-se para Pernambuco, onde cursou o Ginásio Timbaubense, em Timbaúba, e a Escola Técnica do Recife, atual Centro Federal de Educação Tecnológica de Pernambuco. Em 1963, ainda estudante, ingressou na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Em 1969 formou-se em engenharia elétrica pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Pernambuco, e integrou o quadro de professores da escola até 1974.

Desempenhou importantes funções na área de planejamento da Chesf na década de 1970: foi chefe da Divisão de Montagem de Subestações e Usinas Térmicas em 1973, chefe do Departamento de Aprovisionamento e Transporte em 1975, adjunto da Diretoria de Engenharia em 1978, e adjunto da Diretoria de Construção em 1980. Foi ainda um dos principais responsáveis pela implantação da interligação Norte-Nordeste, empreendimento chave para a conexão dos sistemas elétricos da Chesf e da Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte). Inaugurada em 1981, a interligação permitiu de imediato o abastecimento de Belém e do canteiro de obras da usina de Tucuruí com energia gerada pela Chesf no rio São Francisco.

Em 1985 transferiu-se para a Eletronorte, a convite do engenheiro Miguel Rodrigues Nunes, presidente da empresa. Designado coordenador-geral da presidência da Eletronorte em 1986, permaneceu nesse cargo até janeiro de 1989, quando assumiu a diretoria de Planejamento e Engenharia. Participou da elaboração do primeiro estudo de viabilidade do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte, no rio Xingu, nas proximidades de Altamira (PA), com potência total de 11 mil megawatts. Considerado de vital importância para o abastecimento de longo prazo das regiões Nordeste e Sudeste, o projeto da usina despertou forte resistência das comunidades indígenas e populações ribeirinhas que seriam atingidas pelo imenso reservatório da hidrelétrica. Em março de 1989, representantes de 39 nações indígenas de todo o país promoveram uma manifestação em Altamira que repercutiu internacionalmente. Na ocasião, em meio a um debate com representantes da Eletronorte, uma índia da tribo Caiapó investiu na direção de Muniz Lopes empunhando um facão e tocando-lhe diversas vezes a face com o utensílio.

Deixou o cargo de diretor da Eletronorte em setembro de 1990, voltando a trabalhar na Chesf como adjunto do engenheiro Marcos José Lopes, presidente da companhia. Em 1992 foi designado diretor administrativo, e em dezembro do mesmo ano assumiu interinamente a presidência da empresa. Ainda em 1992, atuou como diretor em exercício do Departamento Nacional de Desenvolvimento Energético (DNDE) do Ministério das Minas e Energia (MME). Permaneceu à frente da Chesf até a nomeação do engenheiro Júlio Sérgio de Maya Pedrosa Moreira como presidente efetivo, em maio de 1993, assumindo então a diretoria financeira da companhia. Deixou esse cargo em julho de 1994. Ainda nesse ano, participou de comissões organizadas pelo MME para estudar o equacionamento do projeto da usina termelétrica de Candiota III, no Rio Grande do Sul, e a recuperação econômico-financeira das empresas Centrais Elétricas Matogrossenses S.A. (Cemat) e Companhia Energética do Piauí (Cepisa).

Em maio de 1996, no segundo ano do governo Fernando Henrique Cardoso, assumiu a presidência da Eletronorte, em substituição ao engenheiro Mário Fernando de Melo Santos. De acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND), conduziu o processo de criação das empresas Manaus Energia S.A. e Boa Vista Energia S.A. como subsidiárias integrais da Eletronorte, em dezembro de 1997. O CND recomendou ainda a constituição de mais quatro subsidiárias da Eletronorte, sendo uma para geração pela usina hidrelétrica de Tucuruí, uma para geração nos sistemas elétricos dos estados do Acre e Rondônia, uma para geração no estado do Amapá e outra para transmissão de energia elétrica nos estados do Pará, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. Embora autorizada em maio de 1998 pela Lei nº 9.648, a constituição dessas empresas não foi efetivada.

Permaneceu no comando da Eletronorte durante seis anos e meio, tendo exercido cumulativamente a presidência da Manaus Energia S.A. e da Boa Vista Energia S.A., em 1998 e 1999. Em sua gestão, a estatal iniciou as obras da segunda etapa de Tucuruí, visando à duplicação da potência instalada da usina e à conclusão do sistema de transposição de sua barragem por meio de eclusas. Além da contratação de energia com produtores independentes para reforçar o atendimento de Manaus, Porto Velho e Cuiabá, a empresa celebrou contrato com a estatal venezuelana Electrificación del Caroni (Edelca) para o fornecimento de energia a Boa Vista, assumindo a responsabilidade pela construção da linha de transmissão entre a capital de Roraima e a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén.

Na época, a Eletronorte participou também das obras da primeira etapa do sistema de transmissão Norte-Sul e do sistema de transmissão do Oeste do Pará, conhecido como Tramoeste. Implantada pela Eletronorte e por Furnas Centrais Elétricas S.A., a interligação Norte-Sul entrou em operação em 1999, representando um passo fundamental para a integração elétrica do país. Em 1998, o sistema Tramoeste, construído em parceria com Centrais Elétricas do Pará S.A. (Celpa), foi inaugurado, propiciando a integração elétrica de Altamira, Santarém e outras localidades paraenses ao Sistema Interligado Nacional. A Eletronorte construiu também a interligação Acre-Rondônia, concluída em 2002.

José Antônio Muniz defendeu em vários fóruns a construção da hidrelétrica de Belo Monte, baseando-se em uma nova configuração de menor impacto sócio-ambiental. Deixou o comando da Eletronorte em janeiro de 2003, no início do governo Luís Inácio Lula da Silva, sendo substituído no cargo pelo engenheiro Silas Rondeau Cavalcante Silva. Trabalhou em seguida como consultor de empresas, auxiliando a CNEC Engenharia, do grupo Camargo Correia, na execução de estudos ambientais da hidrelétrica de Belo Monte.

Em março de 2008 foi nomeado presidente da Eletrobrás, assumindo o posto ocupado interinamente pelo engenheiro Valter Cardeal de Sousa desde janeiro do ano anterior. A indicação de seu nome para o comando da estatal foi apresentada ao presidente Lula pelo senador José Sarney, ex-presidente da República e uma das principais lideranças do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), integrante da base de sustentação política do governo federal.

Como presidente, iniciou processo de reorganização da Eletrobrás, tendo em vista o novo estatuto jurídico da empresa, aprovado pela Lei nº 11.561, originária da Medida Provisória nº 396/2007. Sancionada em abril de 2008, a lei conferiu a Eletrobrás e suas empresas controladas a possibilidade de participação majoritária em consórcios para disputa de leilões de concessão de projetos de geração e de linhas de transmissão, até então limitada a 49%. A mesma lei autorizou a participação da Eletrobrás em consórcios para empreendimentos de geração e transmissão no exterior. Essas alterações foram propostas pelo governo com o objetivo declarado de fortalecer a Eletrobrás, alçando-a a posição semelhante ocupada pela Petrobras no setor de óleo e gás.

As primeiras medidas de reorganização da Eletrobrás foram adotadas em julho de 2008, com a criação de uma superintendência para operações no exterior e de uma diretoria para gestão unificada das empresas federais de distribuição atuantes nos estados do Acre, Amazonas, Alagoas, Piauí e Rondônia. De acordo com as novas diretrizes estabelecidas pelo governo para o fortalecimento da Eletrobrás, também foi decidido que todas as operações de captação de recursos, contratação de empréstimos e financiamentos, prestação de garantia e investimentos das subsidiárias da holding federal passariam a depender de prévia autorização do seu conselho de administração.

Casou-se com Maria Eveline Pinto Costa, com que teve três filhos.

 

FONTES: BALBI, S. Dicionário; Brasil Energia (n. 329, 330 / 2008); CABRAL, L.M.M. Eletronorte, 25 anos; CACHAPUZ, P.B. Panorama; CURRIC. BIOG.; ELETROBRÁS; OLIVEIRA, R.R. Chesf: gênese e trajetória de uma empresa estatal no Brasil; Portal Eletrobrás. Disponível em : <http://www.eletrobras.com/elb/main>. Acesso em : 10 out. 2008.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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