LUDOLF, MARIO LEAO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: LUDOLF, Mário Leão
Nome Completo: LUDOLF, MARIO LEAO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LUDOLF, MÁRIO LEÃO

LUDOLF, Mário Leão

*pres. FIEGA/CIRJ 1969-1975; pres. Firjan 1975-1980.

 

Mário Leão Ludolf nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 23 de maio de 1901, filho de Américo Ludolf e de Maria de Sousa Leão Ludolf. Seu pai foi fundador e maior acionista da Companhia Cerâmica Brasileira e importante líder industrial da primeira metade do século, tendo integrado a primeira diretoria da antiga Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJ), denominada a partir de 1939 Centro  das Indústrias do Rio de Janeiro (CIRJ).

Em 1923, Mário Leão Ludolf diplomou-se em engenharia civil pela antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, viajando em seguida para a Europa, onde fez estudos de especialização durante dois anos. De volta ao Brasil, fixou-se em São Paulo, onde trabalhou como engenheiro em diversas obras públicas.

Em 1932, transferindo-se para o Rio de Janeiro, assumiu a direção da Companhia Cerâmica Brasileira, da qual tornou-se mais tarde presidente. Participou ativamente das associações empresariais, particularmente da Federação dos Sindicatos Industriais do Distrito Federal (FSIDF), da qual foi um dos fundadores em 1937, representando o Sindicato das Indústrias de Cerâmica e Vidro. Em 1942, a FSIDF passou a chamar-se Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJ). Identificados em suas posições frente aos problemas da indústria e possuindo diretorias comuns, o CIRJ e a FIRJ iriam daí em diante desenvolver uma atuação conjunta.

Em janeiro de 1943, Mário Ludolf foi nomeado representante dos vendedores no Conselho Federal de Preços.

Durante 12 anos, de 1944 a 1956, participou do Conselho Nacional de Petróleo (CNP) como representante das entidades de classe da indústria, atuando em 1945 no conselho pleno da entidade. Fez parte, em 1948, da seção brasileira da Missão Abbink, ou Comissão Mista Brasileiro-Americana de Estudos Econômicos, aí atuando nas subcomissões de combustíveis e de investimentos, como representante da Federação das Associações Comerciais do Brasil. Dirigiu em seguida a construção da refinaria de Mataripe, na Bahia, iniciada em 1950.

Em 1955, a FIRJ passou a chamar-se Federação das Indústrias do Distrito Federal (FIDF). De 1956 a 1961, Mário Ludolf foi o segundo-vice-presidente da entidade. Durante seu mandato, com a mudança da capital federal para Brasília em 1960, a FIDF teve mais uma vez seu nome alterado para Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (FIEGA). Ainda em 1960, devido à crise econômico-social em que se encontrava o país, a FIEGA e o CIRJ decidiram separar-se, por temerem a interferência do governo. A partir de então, as diretorias das duas entidades passaram a ser diferentes, para facilitar a atuação política do CIRJ.

Entre 1960 e 1962, os movimentos em defesa da estatização foram sistematicamente condenados pela indústria, especialmente pelo CIRJ, que insistiu em sua posição tradicional em defesa da livre iniciativa. Apesar disso, em 1960 os industriais apoiaram voto da FIEGA em favor da nacionalização dos bancos de depósito. Esse voto foi dado a despeito da opinião contrária de Mário Leão Ludolf, manifestada em reunião conjunta da FIEGA e do CIRJ. A medida não foi todavia adotada pelo governo.

Em outubro de 1961, Mário Ludolf integrou o Conselho de Política Aduaneira, como suplente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ainda em 1961, a FIEGA e o CIRJ congratularam-se com o governador da Guanabara, Carlos Lacerda, por proibir a realização de um congresso de solidariedade a Cuba, e manifestaram apreensões pelo restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética, promovido pelo presidente da República João Goulart.

Em 1962, Carlos Lacerda decretou a encampação da Companhia Telefônica Brasileira. O CIRJ manifestou-se prontamente contrário à medida, tendo Ludolf protestado contra “a estatização das telecomunicações” pelo estado da Guanabara e pelo governo federal.

Em 1963, durante o governo de João Goulart, Ludolf pediu que as entidades representativas dos empresários manifestassem “diretamente ao presidente da República” sua estranheza ante um discurso, considerado subversivo, feito pelo ministro da Educação, Paulo de Tarso, aos estudantes. Nesse mesmo ano, os industriais apoiaram o general Peri Bevilacqua, então comandante do II Exército, “por sua atitude em defesa da democracia”. O general divulgou em setembro uma nota de instrução condenando a Revolta dos Sargentos de Brasília e manifestando-se contra as greves políticas, o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), o Pacto de Unidade e Ação (PUA) e o Fórum Sindical de Debates. As entidades empresariais condenaram a União Nacional dos Estudantes (UNE) “por não prestar contas da aplicação de suas verbas”. A política de Francisco Mangabeira, à frente da Petrobras, foi outra preocupação nos meios industriais, já que, alegavam, “os salários naquela empresa chegaram a índices alarmantes”.

O movimento político-militar de 31 de março de 1964 que derrubou o presidente João Goulart, acusado de estar “acelerando o processo de estatização”, teve o apoio irrestrito das classes empresariais, que no mês de abril divulgaram manifesto neste sentido. Tranqüilizado o meio empresarial, a separação entre o CIRJ e a FIEGA tornou-se desnecessária, voltando as duas entidades a estabelecer a vinculação existente anteriormente.

Em julho de 1964, Ludolf acusou o governo Castelo Branco de viver uma “contradição insanável”: por um lado, proclamava que a organização econômica do país devia assentar na iniciativa privada, e por outro, “talvez premido pelas necessidades financeiras ou consciente ou inconscientemente pressionado por orientações ainda estatizantes, continua transferindo recursos do campo privado para o campo estatal”. Para Ludolf, os propósitos governamentais de restabelecer os fundamentos democráticos eram contraditórios, porque “o próprio governo asfixia os fundamentos desse regime” (a iniciativa privada). Lembrou ainda que “se clamávamos contra essa situação no regime anterior, cabe perfeitamente cotinuarmos com muito mais empenho e razão, no momento atual, a protestar contra essa orientação”. Segundo Luís Viana Filho, nesse período Mário Ludolf bateu-se também pela revogação pura e simples da Lei do Inquilinato.

Em outubro de 1965, o CIRJ patrocinou a I Convenção Industrial do Rio de Janeiro, que se declarou a favor da livre iniciativa em suas afirmações de princípios. A convenção recomendou, em relação à política industrial e de desenvolvimento econômico, o estabelecimento de “um clima favorável aos investimentos e à ampliação das fontes de financiamento”, solicitando ainda, em relação ao comércio exterior, a isenção total dos impostos para exportação de produtos manufaturados.

Nesse mesmo ano, o CIRJ defendeu no Simpósio Internacional de Economia a tese de que a intervenção do Estado na economia dos países subdesenvolvidos, embora necessária para acelerar a taxa de crescimento, deveria se limitar a criar as condições adequadas para o funcionamento do regime da livre concorrência.

Eleito presidente da FIEGA e do CIRJ em outubro de 1969, Mário Leão Ludolf assumiu também na ocasião a presidência dos conselhos regionais do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) da Guanabara. Nos seus primeiros anos à frente desses órgãos, preocupou-se com o esvaziamento econômico do Rio de Janeiro e da Guanabara, batendo-se pela fusão dos dois estados.

Por iniciativa da FIEGA e do CIRJ, foi criado, ainda em 1969, o Instituto de Desenvolvimento Econômico do Estado da Guanabara (IDEG), transformado depois em Instituto de Desenvolvimento Econômico e Gerencial. O IDEG propôs-se a lutar pelo desenvolvimento industrial do estado e pela participação da empresa privada na formulação da política de desenvolvimento nacional.

Em março de 1972, no primeiro encontro entre representantes da Escola de Engenharia da UFRJ e da indústria, Mário Ludolf defendeu a integração indústria-universidade. Nesse mesmo mês, foi realizada a III Conferência das Classes Produtoras (III Conclap), com temário fixado por um grupo ao qual pertenciam Mário Henrique Simonsen e Mário Leão Ludolf, ambos do CIRJ. Além do tema “Empresas em processo de desenvolvimento econômico e social”, foram discutidos outros assuntos, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto de Renda (IR) e as empresas multinacionais.

Ainda em 1972, os industriais surpreenderam-se com a introdução pelo governo da Instrução nº CPA-824, alterando profundamente a estrutura da proteção do chamado “similar nacional”. Mário Ludolf demonstrou sua apreensão em relação à medida, que pretendia extinguir em curto prazo as pautas mínimas, introduzindo os preços, de referência.

 Em 1973, Mário Ludolf foi reeleito presidente da FIEGA e do CIRJ. No ano seguinte, em Belo Horizonte, no Encontro Regional da Indústria Centro-Leste, procurou defender as pequenas e médias empresas, seguindo a ação desenvolvida pelo CIRJ logo após 1964, quando o governo iniciou uma política fiscal e econômica considerada prejudicial àqueles setores empresariais devido à retração do crédito e aos impostos progressivos.

Em abril de 1975, na qualidade de presidente da FIEGA e do CIRJ, Mário Ludolf prestou depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava a atuação das multinacionais no Brasil. Afirmou que não considerava perigosa a atuação do capitalismo estrangeiro entre nós. Segundo ele, como o Estado é responsável pelo setor de infra-estrutura e a poupança interna é insuficiente para o desenvolvimento nacional, o capital estrangeiro é necessário, “pois os investimentos externos trazem, além de recursos financeiros, experiência técnica, administrativa, comercial”.

Após a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara em 1975, a FIEGA fundiu-se com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), passando a constituir a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Em 1977 Mário Ludolf foi eleito presidente da Firjan para um mandato de três anos. Na ocasião, em declarações à imprensa, negou fundamento à acusação de que sua chapa representava os interesses das empresas estrangeiras, e afirmou que o desenvolvimento do país repousa no tripé formado pelas empresas privadas nacionais, as multinacionais e as estatais. Acrescentou não ter uma posição intransigente contra a estatização, mas condenou a penetração das empresas estatais em áreas que, na sua opinião, deveriam caber ao setor privado.

Nesse mesmo ano, manifestou-se contra a reserva de mercado, “inadmissível num regime de livre concorrência”, citando projetos — como fábricas de pneus e de turbinas a vapor — que estariam sofrendo pressões de industriais paulistas para que não fossem implantados no Rio de Janeiro,

Em 1978, defendeu a institucionalização da pluralidade sindical no Brasil. Disse ainda que as declarações do general João Batista Figueiredo sobre a privatização de empresas coincidiam com as posições da Firjan.

Em junho de 1979, condenou em nota oficial declarações de Leonel Brizola em Lisboa, consideradas ofensivas às forças armadas.

Em outubro de 1980 concluiu seu último período à frente da federação e transmitiu o cargo ao novo presidente, Artur João Donato.

Representando a classe empresarial, Mário Ludolf pertenceu a vários órgãos colegiados, como o Conselho de Contribuintes e a Junta Consultiva do Imposto de Consumo, quando introduziu o sistema de tributação ad valorem. Integrou diversas vezes a delegação brasileira às reuniões do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), em Genebra. Foi membro do Conselho Fiscal da Companhia Siderúrgica da Guanabara (Cosigua) e assistente da comissão organizadora do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI).

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de outubro de 1988.

Autor de inúmeras conferências, escreveu também trabalhos sobre temas econômicos, publicados pela Firjan.

Sônia Dias

 

FONTES: BULHÕES, O. Margem; CACHAPUZ, P. Cronologia; CARONE, E. Centro; CONFERÊNCIA NAC. CLASSES PRODUTORAS. Carta; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORTÉS, C. Homens; FED. INDÚSTRIAS DO EST. RJ. Relatório; FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Globo (24/10/88); Jornal do Brasil (19/5/ 76, 17/8 e 15/9/77 e 25/9/80); VIANA FILHO, L. Governo; WEID, E. Apontamentos.

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados