LUIS OTAVIO CARVALHO DA MOTA VEIGA

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Nome: VEIGA, Luís Otávio da Mota
Nome Completo: LUIS OTAVIO CARVALHO DA MOTA VEIGA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
Veiga, Luis Otávio da Mota

VEIGA, Luís Otávio da Mota

* pres. Petrobrás 1990.

 

Luís Otávio Carvalho da Mota Veiga nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 3 de dezembro de 1950, filho do oficial de Marinha Luís da Mota Veiga e de Moriza Carvalho da Mota Veiga.

Aluno do primário no Colégio Mallet Soares,  na sua cidade natal, fez o curso secundário em Paris, na École Communalle de Garçons, e, de volta ao Rio de Janeiro, em 1965, no Colégio Militar. Entre 1968 e 1970 concluiu o curso clássico do Colégio Andrews. Formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1975, trabalhando desde o primeiro ano de faculdade no escritório do tio materno, Monteiro de Carvalho. Advogado da Price Water House até 1976, cursou administração tributária na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, em 1976, pós-graduando-se em direito pela Universidade de Londres, entre 1978 e 1979. Advogado da Shell, em 1978,  e superintendente jurídico da Anglo-American Corporation do Brasil, líder mundial na produção de ouro e diamantes, em 1980, especializou-se no Instituto Internacional de Administração Pública, em Paris. No ano seguinte passou a prestar assessoria ao grupo BBM – Banco da Bahia de Investimentos e Bahia Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários.

Membro do Conselho Monetário Nacional em janeiro de 1986, assumiu a presidência da Comissão de Valores Mobiliários em junho. Seu rigor contra os fora-da-lei, como foi o caso de alguns empresários da Companhia Brasileira de Máquinas, severamente punidos por terem divulgado falsas projeções de lucros, granjeou-lhe o apelido de ‘xerife do mercado de ações’.

Em janeiro de 1988 voltou ao grupo BBM, onde permaneceu até dezembro, quando foi convidado a participar da Comissão de Reestruturação do Mercado de Valores Mobiliários. De 1989 a 1990 exercer a presidência de várias empresas coligadas à holding Anglo-American Corporation do Brasil. Nomeado presidente da Petrobrás em substituição a Carlos Santana, tomou posse nos primeiros dias do governo do presidente Fernando Collor de Melo (1990-1992). Perante o ministro da Infra-Estrutura, Osíris Silva, prometeu ‘trazer a empresa de volta aos trilhos’, garantindo não ser sua intenção demitir ninguém, embora fosse necessário extinguir subsidiárias para promover o ‘enxugamento’ da estatal. Dotado de perfil diverso das chefias anteriores, já que não era funcionário de carreira nem militar da reserva, defendeu o aumento real dos combustíveis enquanto a defasagem do preço não fosse eliminada. Baseando-se no programa de governo do presidente Collor, definiu as metas de sua administração segundo os moldes das empresas privadas, a partir da redução de custos e eliminação dos subsídios, incluindo o Pró-Álcool, que deveria ser extinto.

Entre maio e junho de 1990, passou a considerar necessárias algumas demissões para que se efetuasse a reforma administrativa, e pleiteou investimentos na produção de petróleo, visando atender às necessidades do consumo interno e garantir o fortalecimento comercial da companhia no exterior. Estimando a produção de 1 milhão de barris diários para o ano de 1995, declarou que o grande problema da Petrobrás era o fato de não operar segundo uma visão empresarial e em bases economicamente viáveis, confundindo-se com o governo federal e eventualmente submetendo-se ao  fisiologismo e ao empreguismo. Mota Veiga criticou as autoridades governamentais, pela sua  ‘forma linear’ de exigir o corte de empregados, e o sindicalismo, pela intransigência contra quaisquer demissões. O grande desafio da reforma administrativa, a seu ver, residiria no Programa Nacional de Privatização, e não nas demissões.

Em agosto de 1990 foi acusado pelo Comando Nacional dos Petroleiros, juntamente com o superintendente da empresa, por descontar os salários correspondentes aos nove dias da greve ocorrida em julho, apesar da liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que mandava a empresa efetuar o pagamento. No mês seguinte, quando se deu a alta do petróleo no mercado internacional, Mota Veiga revelou que a estatal discutiria com o governo uma fórmula capaz de compensar os prejuízos tão logo estivesse concluído o levantamento rigoroso dos gastos líquidos com as importações do produto.

Todavia, no dia 18 de outubro pediu demissão. Acusado pela ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, em depoimento à comissão parlamentar de inquérito que investigava a crise da Petrobrás, de ter omitido dados sobre a situação financeira da empresa, Mota Veiga defendeu-se afirmando que a companhia vinha fornecendo todas as informações devidas a 16 órgãos, entre eles o Departamento de Orçamento da União, do Ministério da Economia, e o  próprio Ministério da Infra-Estrutura. Seu afastamento teria resultado de divergências dentro do governo em torno do reajuste que eliminaria a defasagem dos preços dos combustíveis, além de servir de ‘cortina de fumaça’ para encobrir as pressões que sofrera no ano anterior por parte do empresário Paulo César Farias e do secretário-geral da presidência, Marcos Coimbra, para aprovar um financiamento isento de juros, no valor de 40 milhões de dólares, à Viação Aérea São Paulo (VASP), prestes a ser privatizada e adquirida pelo empresário Wagner Canhedo.

De fato, no final do mês, o parecer da CPI confirmou que o pedido de empréstimo solicitado pela Vasp seria  prejudicial  à Petrobrás.

De novembro de 1990 a março de 1993 Mota Veiga ocupou a vice-presidência da Rayner Coffee International, em Londres, sendo o primeiro brasileiro a entrar no restrito círculo de comando desta empresa. Neste período, a partir de junho de 1992, participou como testemunha de acusação do processo que levaria ao pedido de impeachment do presidente Collor. Em depoimentos perante a CPI que investigou tráfico de influência e sonegação de impostos praticados por PC Farias, acusou-o de mostrar interesse suspeito pelas licitações da estatal e de exercer pressão para levantar fundos destinados a futuras campanhas eleitorais de interesse do presidente da República.

Acusado de crime de responsabilidade por ligações com o esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial, Collor foi afastado da presidência após a aprovação da abertura do processo de impeachment na Câmara, renunciando ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado Federal, o que permitiu a efetivação no cargo do vice Itamar Franco, que já o exercia interinamente, desde 2 de outubro.

Entre novembro de 1993 e dezembro de 1994 Mota Veiga desempenhou as funções de diretor-presidente do Jornal do Brasil, tornando-se a partir de então sócio do escritório de advocacia Carvalhosa, Eizirik e Mota Veiga.

Foi casado com Patrícia Veiga. Contraiu segundas núpcias com Cristina Tarantino.

 

Verônica Velloso/Sérgio Lamarão

 

FONTES: CURRÍC. BIOG.; Estado de São Paulo, (2/8, 18/9 e 24/10/90); Folha de São Paulo (26/3, 4/6, 19 e 20/10/90; 1/7 e  5/11/92); Globo (13/5, 8/6 e 19/10/90); Jornal do Brasil (27 e 28/3, 24/6, 20/10 e 2/12/90; 29 e 30/6, 2/7/92); Veja (17/6/92).

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