MACHADO, PAULO DE ALMEIDA

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Nome: MACHADO, Paulo de Almeida
Nome Completo: MACHADO, PAULO DE ALMEIDA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MACHADO, PAULO DE ALMEIDA

MACHADO, Paulo de Almeida

*min. Saúde 1974-1979.

Paulo de Almeida Machado nasceu em Uberaba (MG) no dia 18 de julho de 1916, filho de José Porfírio de Almeida Machado, médico, e de Magnólia de Almeida Machado.

Parte de seus estudos foi realizada em Florianópolis, no Ginásio Catarinense, e parte no Rio de Janeiro, então capital federal, no Colégio São José. Em 1938, diplomou-se pela Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil. Durante sua permanência na universidade, exerceu as funções de auxiliar-acadêmico no Hospital Nacional de Alienados, de auxiliar-acadêmico e interno-residente no serviço do professor Annes Dias e de auxiliar de ensino da quinta cadeira de clínica médica de sua faculdade. Em 1940, assumiu o cargo de professor de ciências naturais no Colégio São Luís, em São Paulo, e, em 1942, a chefia do Departamento de Controle e Pesquisa da Johnson e Johnson do Brasil.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), fez o curso de aperfeiçoamento e especialização em medicina militar, graduando-se, em 1945, no posto de tenente-médico da reserva do Exército brasileiro. Fez também os cursos de planejamento em saúde pública, da Organização Mundial de Saúde (OMS), de leprologia, do antigo Serviço Nacional de Lepra, e de enterobacteriáceas, do Instituto de Higiene de Montevidéu, além de diversos outros cursos na Universidade de São Paulo (USP) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, sobre assuntos relacionados a doenças tropicais.

Em 1951, passou a médico microbiologista do Laboratório Regional de Campinas, do Instituto Adolfo Lutz. No ano seguinte, assumiu a chefia do laboratório, promovendo sua reorganização. Prosseguindo suas atividades no magistério superior, assumiu o cargo de professor-assistente de bioquímica da Faculdade de Medicina de Sorocaba, em 1953, e o de professor-titular de microbiologia da Universidade Católica de Campinas, em 1954.

Oficial-de-gabinete do governador do estado de São Paulo Jânio Quadros (1955-1959), foi assessor desse governo para assuntos de saúde, tendo sido encarregado da recuperação do Hospital de Pariquera-Açu e, de 1956 a 1957, da instalação dos laboratórios do Instituto Adolfo Lutz em Itapetinga, Presidente Prudente e São José do Rio Preto. Exerceu ainda os cargos de diretor-substituto do Departamento Estadual da Criança do Estado de São Paulo — quando promoveu a campanha pela “maternidade integral” e incentivou a participação da comunidade no programa materno-infantil do departamento —, e de diretor do Sanatório Padre Bento e do Departamento de Profilaxia da Lepra do governo do estado de São Paulo.

Professor-titular de psicologia empresarial da Escola Superior de Administração de Negócios da PUC de São Paulo de 1958 a 1968, lecionou também em diversos cursos de leprologia promovidos pelo Serviço Nacional de Lepra e pelo Departamento de Profilaxia da Lepra de São Paulo. Em 1963 assumiu a diretoria dos Dispensários de Lepra no interior de São Paulo e em 1969 foi nomeado diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Durante sua gestão, que se estendeu até 1974, promoveu estudos sobre o desenvolvimento dos recursos naturais da região, sobre doenças tropicais e sobre o meio ambiente. Construiu a sede do instituto e estabeleceu o sistema de projetos multidisciplinares integrados, um programa de capacitação de pessoal baseado em bolsas com avaliação e acompanhamento constantes, o primeiro curso de pós-graduação no norte do país e o Programa Intensivo de Adestramento para o Trabalho na Amazônia. Promoveu ainda os seguintes cursos, dos quais foi professor: higiene e prevenção de acidentes na selva, introdução à metodologia de pesquisa e introdução à ecologia amazônica.

No Ministério da Saúde

Empossado o general Ernesto Geisel em março de 1974 na presidência da República, Paulo de Almeida Machado, especialista em medicina sanitária, assumiu o Ministério da Saúde em substituição a Mário Machado de Lemos. Como primeira providência criou a Secretaria Especial de Saúde para as Áreas Metropolitanas, nas quais, na sua opinião, o quadro sanitário vinha piorando.

Ainda no primeiro mês de sua gestão, teve que enfrentar um surto de leishmaniose ocorrido no Rio de Janeiro, bem como a denúncia da venda, no Brasil, de remédios proibidos nos Estados Unidos. Embora improcedente, a denúncia motivou a criação de uma comissão de estudos sobre a questão. O estabelecimento de uma política nacional de nutrição também esteve entre as preocupações do ministro nessa primeira fase.

Em 1º de maio de 1974, foi criado o Ministério da Previdência e Assistência Social, que ficaria encarregado das ações de alcance individual na área da saúde. Assim, o Ministério da Saúde passava a se ocupar apenas da saúde pública. Nessa nova etapa, o ministro Almeida Machado enfrentou problemas para os quais o ministério não estava preparado, como uma epidemia de meningite e uma ameaça de cólera.

Segundo entrevista concedida ao Jornal do Brasil em setembro de 1976, durante sua gestão foram implementados o Sistema Nacional de Saúde, o acordo com o Ministério das Minas e Energia para o controle de águas minerais, a regionalização dos programas de saúde pública e o incentivo à pesquisa na área de saúde. Foram ainda elaborados o Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (Pronan) e a lei que instituiu a vigilância epidemiológica. Afirmando, na citada entrevista, que “o maior responsável pelos problemas de saúde é o subdesenvolvimento, é a pobreza, é a ignorância”, Almeida Machado manifestou sua intenção de “garantir a continuidade da mentalidade sanitária” que pretendia introduzir, através da nova estruturação do ministério e da regulamentação da carreira de sanitarista. Salientou, ainda, a sua preocupação com a definição de uma “política nacional de saúde”. Em maio de 1977, em entrevista à revista Veja, declarou-se favorável ao planejamento familiar, entendido como prevenção de gravidez de alto risco.

Participou, em setembro de 1978, como representante do Brasil, da conferência internacional sobre atendimento das necessidades básicas de saúde realizada em Alma Ata, na União Soviética, tendo sido o primeiro ministro brasileiro a visitar oficialmente esse país desde o movimento político-militar de 31 de março de 1964.

Permaneceu no Ministério da Saúde até março de 1979, quando, com a posse do general João Batista Figueiredo na presidência da República, Mário Augusto de Castro Lima assumiu a pasta.

Participante de inúmeros congressos e encontros de medicina, nacionais e internacionais, Paulo de Almeida Machado realizou diversos estudos como pesquisador na área da saúde pública, tendo publicado vários trabalhos em revistas especializadas.

Tornou-se membro da Associação Médica Brasileira, da Associação Paulista de Medicina, da Sociedade Brasileira de Higiene, da Sociedade de Medicina de Sorocaba — da qual foi presidente, da Associação Internacional de Ecologia, da Sociedade Brasileira de Microbiologia, da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, do Instituto Sul Rio-Grandense de História da Medicina, da Associação Médica Argentina e da New York Academy of Sciences.

Casou-se com Maria Aparecida de Almeida Machado, com quem teve três filhos.

Faleceu em 13 de Novembro de 1991.

 

FONTES: Jornal do Brasil (22/2 e 15/4/74, 12/9/76 e 17/8/78); Perfil (1974); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Súmulas; Veja (27/2/74 e 4/5/77); Who’s who in Brazil.

 

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