Marcos de Sá Corrêa

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Nome: CORRÊA, Marcos de Sá
Nome Completo: Marcos de Sá Corrêa

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

CORRÊA, Marcos de Sá

*jornalista

 

Marcos de Sá Corrêa nasceu no dia 21 de dezembro de 1946 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, filho do jornalista Villas Boas Corrêa e de Regina de Sá Corrêa. Graduou-se em História pela Universidade Santa Úrsula, embora nunca tenha trabalhado na área.

Queria ser fotógrafo e durante algum tempo fez fotografias para a revista italiana La Domenica del Corriere. O início dessa colaboração ocorreu por acaso: tinha uma coleção de fotografias de beija-flor e um amigo que fazia uma matéria sobre a em Itatiaia, no mesmo hotel onde o pintor se hospedava com frequência, o que deu-lhe a ideia de Amazônia para essa revista comprou as fotos, que assim foram publicadas. Outra experiência foi a reportagem que fez sobre o pintor Alberto Guignard, e que surgiu meio que por acaso, segundo o próprio Marcos: estava acostumado a passar as férias com a família produzir um texto e fotografar sua produção artística. De volta ao Rio, ofereceu à revista Manchete, por intermédio de amigos de seu pai que frequentavam sua casa. A reportagem foi comprada e publicada pela revista, o que lhe deu, mais tarde, em 1967, a oportunidade de ser contratado como estagiário de fotografia no Jornal do Brasil, onde permaneceu por quase um ano.

Fez em seguida concurso para a Editora Abril, pensando em trabalhar na revista Realidade, periódico que dava grande importância à fotografia, mas, depois de três meses de treinamento, descobriu que estava sendo incorporado à recém-criada revista Veja. Marcos, assim, entrou, praticamente da noite para o dia, no jornalismo impresso, sob a chefia de Mino Carta. A Veja, ao ser lançada em setembro 1968, havia inovado no plano gráfico e editorial, fazendo de imediato grande sucesso. Por outro lado, sua proposta implicava em um produto com muito texto e pouca foto, o que, para a equipe, se tornava um trabalho extremamente extenuante, tendo em vista a ação dos censores, que obrigavam à reformulação de muitas matérias.

Marcos Sá Corrêa, no entanto, adaptou-se perfeitamente ao ritmo das redações e em pouco tempo tornou-se chefe da sucursal em Brasília e mais tarde editor de política da revista, chegando a editor nacional da revista já no início do governo do general Ernesto Geisel. E foi neste período que, para acatar a ordem dos censores, mas ao mesmo tempo evitar que a revista saísse com espaços em branco no lugar dos textos censurados, Marcos resolveu colocar no lugar dos textos censurados, figuras de diabos, procurando desenhos de diabos, em ilustrações medievais. Esta prática acabou se transformando, entre os jornalistas da revista, na cultura da demologia.

Em 1974 foi contratado pelo Jornal do Brasil como repórter especial, trabalhando diretamente com Élio Gaspari, editor de política do jornal, em um período marcado pelo processo de redemocratização implementado por Geisel. Uma de suas reportagens mais marcantes de então foi a que fez sobre a Operação Brother Sam, a partir das informações que chegavam ao Brasil de que documentos importantes sobre o golpe de 1964 vinham sendo liberados pela Biblioteca Lyndon Johnson. Sá Corrêa foi assim enviado por Gaspari a Austin (EUA), para verificar o que realmente existia de verdade. Lá, Corrêa teve acesso a uma quantidade enorme de documentos, que lhe permitiriam escrever sobre essa Operação, montada pelo governo dos Estados Unidos de modo a apoiar o golpe militar no Brasil.

De volta ao Brasil com a cópia dos documentos levantados, Marcos Sá Corrêa foi levado por Gaspari ao editor do jornal, então Walter Fontoura, para juntos verificarem se o jornal se responsabilizaria pela publicação do material. Walter preferiu leva-lo até o proprietário do jornal, Manuel Francisco Nascimento Brito, que objetivamente lhe perguntou se havia roubado os documentos, ao que Marcos negou prontamente. Nascimento Brito montou então uma força-tarefa dentro do JB, de modo a garantir a publicação dos documentos. Não houve censura, o que ajudou ao rápido esgotamento das edições. E foi também determinante para que Marcos Sá Corrêa recebesse a menção honrosa do Prêmio Esso de Jornalismo em 1977. Mais tarde tornou-se editor-chefe do Jornal do Brasil.

Em 1979 voltou para a revista Veja, já livre da censura, mas também com um número bem menor de leitores. De qualquer modo, já era um semanário nacional dos mais importantes do país, com tiragens de cerca de trezentos mil exemplares, e com uma pauta voltada essencialmente para os temas políticos. Sá Corrêa concentrou então todo seu esforço inicial em recompor a redação da revista, chamando alguns dos melhores jornalistas da época para trabalharem nela.

Em 1985, no entanto, Marcos Sá Corrêa foi atraído por outro desafio, que foi aceitar a proposta do Jornal do Brasil, tornando-se o novo chefe de redação. Neste cargo permaneceria ao longo de seis anos, afastando-se em 1991, às vésperas das comemorações do centenário do jornal. Foi em seguida para o carioca O Dia, como diretor, com a missão de implementar uma efetiva reformulação editorial. À frente dele ficou cerca de um ano, voltando em seguida para a Veja, e depois, sempre como editor, indo para a Época, onde esteve por breve período apenas.

A partir de 2000 Marcos Sá Corrêa ampliou sua área de atuação, passando a atuar também no jornalismo on-line, através da criação do site No Ponto, que se tornou o embrião do No mínimo. Mais tarde, em 2004, lançou, junto com Kiko Brito e Sérgio Abranches, o site de jornalismo ambiental O Eco. Dois anos depois, foi a vez de ajudar João Moreira Salles a criar a revista Piauí, com a qual também colaborou. É um periódico voltado para o jornalismo literário, apresentando reportagens construídas a partir de estruturas narrativas e não unicamente fatos expositivos.

Sá Corrêa manteve ainda colunas regulares no jornal O Estado de S. Paulo e na revista IstoÉ.

Está afastado do jornalismo desde fevereiro de 2011, quando sofreu uma queda em casa, batendo com a cabeça em uma escultura.

É casado com Ângela Maria Corrêa. Seu filho, Rafael Corrêa, também é jornalista.

Em outubro de 2013 foi homenageado pelo Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji, em cerimônia realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Publicou vários livros, entre eles: 1964, visto e comentado pela Casa Branca (1977); O Burocrossauro (1983); Salada Verde (2003); Itatiaia: o caminho das pedras (2003); Oscar Niemeyer (Ribeiro de Almeida Soares) (2005); e Água mole em pedra dura – dez histórias de luta pelo meio ambiente (2006). É também coautor, junto com Claudia Braga Gaspar, de Orla Carioca: história e cultura (2004). Em parceria com o cineasta João Moreira Salles, e com a produção da Video Filmes, Marcos Sá Correia dirigiu o documentário O Vale, parte da série “6 Histórias Brasileiras”, exibido pelo canal a cabo GTN em agosto de 2000.

 

Alzira Alves de Abreu

 

 

FONTES: Entrevista ao CPDOC/FGV 12/06/1996; Portal JusBrasil. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/bem-vindo?ref=logo>. Acesso em 05/12/2104; Portal Memorial do Jornalismo. Disponível em: <http://memoriadojornalismo.com.br/index.php>. Acesso em 05/12/2014. Portal da Revista de História da Biblioteca Nacional. Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br>. Acesso em 05/12/2014.

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