MARIA CRISTINA DE LIMA TAVARES CORREIA

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Nome: TAVARES, Cristina
Nome Completo: MARIA CRISTINA DE LIMA TAVARES CORREIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TAVARES, CRISTINA

TAVARES, Cristina

*dep. fed. PE 1979-1991; const. 1987-1988.

 

Maria Cristina de Lima Tavares Correia nasceu em Garanhuns (PE) no dia 10 de junho de 1936, filha de José Alves Tavares Correia e Maria Mercês de Lima Tavares Correia.

Em 1955 bacharelou-se em línguas neolatinas pela Faculdade de Filosofia do Recife. Exerceu, no entanto, a carreira jornalística atuando no Jornal do Comércio e no Diário de Pernambuco. Ainda como jornalista profissional, trabalhou na Visão Editorial (1973-1975) e na J. Câmara Irmãos (1975-1976).

Iniciou sua carreira política em 1978, quando se candidatou a uma vaga na Câmara dos Deputados, nas eleições de setembro daquele ano. Eleita pela legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado em abril de 1964, foi empossada em fevereiro de 1979. Nessa legislatura, atuou como vice-presidente da Comissão de Comunicação e titular das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) sobre as cheias do rio São Francisco, sobre a comercialização do café brasileiro e sobre fome, desnutrição e falta de saúde na população de baixa renda no Brasil. Após a extinção do bipartidarismo e a conseqüente reformulação partidária, ocorrida em novembro de 1979, tornou-se vice-líder do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Durante essa legislatura foi ainda relatora do Simpósio sobre Informática, da Comissão de Ciência e Tecnologia, e do Simpósio Censura: Histórico, Situação e Solução, da Comissão de Comunicação. Em 1980, integrou a delegação de parlamentares que visitou Cuba e a delegação que visitou as festividades do quarto aniversário da revolução sandinista, na Nicarágua.

Reelegeu-se deputada federal nas eleições de novembro de 1982, na legenda do PMDB. Empossada em fevereiro do ano seguinte, ainda nesse ano fundou o Centro de Estudos Políticos e Sociais Teotônio Vilela. Na Câmara dos Deputados, integrou as comissões de Economia, Indústria e Comércio, de Comunicação e de Comunicação e Informática. Em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira, apresentada na Câmara dos Deputados, que propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve o número de votos indispensáveis à aprovação — faltaram 22 para que o projeto pudesse ser encaminhado à apreciação pelo Senado — no Colégio Eleitoral, reunido em 15 de janeiro de 1985, votou no candidato oposicionista Tancredo Neves, eleito presidente da República pela Aliança Democrática, união do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) abrigada na Frente Liberal. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, vindo a falecer em 21 de abril de 1985. Assumiu o cargo o vice José Sarney, que já o exercia interinamente desde de 15 de março desse ano. Ainda em 1985, fez parte da delegação brasileira que compareceu ao Seminário sobre Dívida Externa, em Havana, Cuba.

Nas eleições de novembro de 1986 elegeu-se deputada federal constituinte, na legenda do PMDB. Iniciou seu mandato em 1º de fevereiro de 1987, quando tiveram início os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte. Ainda nesse ano, integrou a delegação brasileira que participou da LXXVII Conferência Interparlamentar, na Nicarágua.

No decorrer dos trabalhos constitucionais, foi relatora da Subcomissão de Ciência e Tecnologia e da Comunicação, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação, além de titular da Comissão de Sistematização, e suplente da Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher.

Nas votações mais significativas da Constituinte, manifestou-se a favor do rompimento de relações diplomáticas com países mantenedores de políticas de discriminação racial, da limitação do direito de propriedade privada, do mandado de segurança coletivo, da remuneração 50% superior para o trabalho extra, da jornada semanal de 40 horas, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, da proibição do comércio de sangue, da limitação dos encargos da dívida externa, da criação de fundo de apoio à reforma agrária, da anistia aos micro e pequenos empresários e da desapropriação da propriedade produtiva. Votou contra a pena de morte, a pluralidade sindical, o presidencialismo e o mandato de cinco anos para José Sarney. Faltou às votações de quase todo o segundo turno por causa de câncer na mama, e chegou a se licenciar do mandato para fazer tratamento no exterior.

Ao longo de sua atuação na Constituinte, destacou-se pelas articulações com setores nacionalistas, em defesa da Lei de Informática, pela defesa da revisão do Código Nacional de Telecomunicações e pelas mudanças no regime de propriedade dos meios de comunicação. Também defendeu as principais bandeiras do movimento feminista, como a legalização do aborto, a instalação obrigatória de creches nas empresas e a ampliação dos direitos da mulher trabalhadora.

Pertencente à facção mais à esquerda do PMDB, deixou o partido em junho de 1988, para ser uma das fundadoras do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), constituído naquele mês. No PSDB, integrou a Comissão Diretora Nacional Provisória, escolhida em 25 de junho de 1988, data da fundação do partido.

Com a promulgação da nova Carta Constitucional em 5 de outubro de 1988, Cristina Tavares voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários na Câmara. Posteriormente, rompeu com o PSDB, quando o partido escolheu o ex-governador de Pernambuco, Roberto Magalhães — egresso do Partido da Frente Liberal, agremiação de corte nitidamente conservador — para compor a chapa encabeçada por Mário Covas, na eleição presidencial de novembro de 1989. No decorrer da campanha que antecedeu a primeira escolha de presidente da República pelo voto direto após intervalo de 29 anos, a deputada pernambucana lançou manifesto nos jornais de maior circulação do país declarando-se favorável à candidatura de Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Filiando-se ao PDT, candidatou-se à reeleição no pleito de outubro de 1990, por essa legenda, mas não teve êxito. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1991, ao final da legislatura. Passou a presidir a seção regional do Instituto Alberto Pasqualini em Pernambuco, organismo de estudos políticos ligado ao PDT.

Solteira, faleceu em 23 de fevereiro de 1992, em Houston (EUA), vítima de câncer.

Publicou: Cristina Tavares Correia, repórter (1978), Conversações com Arraes (1979), Informática: a batalha do século XXI (em co-autoria com Mílton Seligman,1984), Informática e a Nova República (1985), Onde está o meu filho? (co-autoria com Chico de Assis, Gilvandrio Filho, Glória Brandão e Jodeval Duarte, 1985) e A última célula (1990).

Alexandra Toste/Sérgio Montalvão

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987-1988); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1983-1987); Globo (26/4/84 e 16/1/85); Jornal do Brasil (20/8/89, 24/2/92); Veja (4/2/87).

 

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