MARIO GIBSON ALVES BARBOSA

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Nome: BARBOSA, Mário Gibson
Nome Completo: MARIO GIBSON ALVES BARBOSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARBOSA, MÁRIO GIBSON

BARBOSA, Mário Gibson

*diplomata; emb. Bras. Paraguai 1966-1967; emb. Bras. EUA 1969; min. Rel. Ext. 1969-1974; emb. Bras. Itália 1977-1982; emb. Bras. Inglaterra 1982-1986.

 

Mário Gibson Alves Barbosa nasceu em Olinda (PE) no dia 13 de março de 1918, filho do comerciante Oscar Bartolomeu Alves Barbosa e de Evangelina Gibson Barbosa.

Cursou o primário no Ginásio Pernambucano, em Recife. Durante o curso ginasial perdeu o pai, sendo obrigado a trabalhar para custear os estudos. Por um curto período foi escriturário do imposto de renda. Bacharel pela Faculdade de Direito de Recife em 1937, ingressou na carreira diplomática em 1939 após prestar concurso para o Itamarati.

Nomeado cônsul de terceira classe em agosto de 1940, serviu no Ministério das Relações Exteriores de setembro desse ano a abril de 1943 e, em maio seguinte, foi designado para a função de vice-cônsul, em Houston, Texas, nos EUA. Terceiro-secretário da embaixada brasileira em Washington — inicialmente em caráter provisório — de outubro de 1943 a fevereiro de 1945, foi nesse mês efetivado no cargo. Promovido a segundo-secretário em dezembro seguinte, continuou a servir na capital norte-americana, onde permaneceu até março de 1949.

Promovido a primeiro-secretário em setembro de 1950, fez o curso da Escola Superior de Guerra entre março do ano seguinte e janeiro de 1952. Em abril assumiu o posto de primeiro-secretário da representação brasileira em Bruxelas, na Bélgica, aí permanecendo até setembro de 1954. Nesse mesmo mês recebeu o título de conselheiro e, em abril de 1955, foi promovido a ministro de segunda classe. Entre 1956 e 1959 foi ministro-conselheiro em Buenos Aires, tendo sido encarregado de negócios do Brasil na Argentina por diversas vezes nesse período, quando a embaixada foi chefiada sucessivamente por Orlando Leite Ribeiro, João Carlos Muniz e Aguinaldo Boulitreau Fragoso.

Serviu como ministro-conselheiro da missão brasileira junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, de fevereiro de 1959 a dezembro do ano seguinte. Ainda em fevereiro de 1960 chefiou a delegação do Brasil à XI Sessão da Comissão de Informações sobre Territórios não-Autônomos das Nações Unidas e, entre fevereiro e agosto de 1961 — período correspondente à curta presidência de Jânio Quadros —, foi chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores Afonso Arinos de Melo Franco. Promovido a ministro de primeira classe em setembro seguinte, foi designado embaixador do Brasil em Viena, na Áustria, em dezembro de 1962, permanecendo no cargo até novembro de 1966.

Em dezembro desse ano, indicado pelo presidente Humberto Castelo Branco, assumiu a embaixada brasileira no Paraguai em substituição a Jaime de Sousa Gomes, aí permanecendo até dezembro de 1967. Na época, as relações entre o Brasil e o Paraguai eram delicadas devido à questão de limites em torno das cataratas de Sete Quedas. Ao chegar em Assunção, Gibson Barbosa foi recebido com certa hostilidade pelas autoridades paraguaias, mas, após dois meses de negociações, o Itamarati conseguiu resolver o impasse, que culminou na assinatura da Ata das Cataratas, pela qual o Brasil ficava com Sete Quedas. Data desse período a intenção do governo brasileiro de criar uma empresa binacional para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu.

Durante o ano de 1968 até 30 de janeiro de 1969, ocupou o cargo de secretário-geral de Política Exterior do Itamarati. Nesse momento assumiu a embaixada brasileira em Washington, substituindo Jorge de Sá Almeida, à frente da qual permaneceu de fevereiro a outubro do mesmo ano. Seu lugar foi ocupado por Celso Diniz.

 

Ministro das Relações Exteriores

Em 30 de outubro de 1969, Gibson Barbosa tornou-se ministro das Relações Exteriores do governo do general Emílio Garrastazu Médici, inaugurado naquele mesmo dia. Sua passagem da embaixada nos EUA para o ministério significou uma vitória dos diplomatas de carreira, que, até então, só haviam conseguido ter dois embaixadores — João Augusto de Araújo Castro e Vasco Leitão da Cunha — como chanceleres.

Em janeiro de 1970 e em janeiro do ano seguinte, respectivamente, Gibson Barbosa chefiou as delegações do Brasil aos primeiro e terceiro períodos extraordinários de sessões da Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington. Ainda em janeiro de 1971, anunciou o plano brasileiro de combate ao terrorismo no continente, mais tarde submetido à convenção da OEA, na qual os chanceleres americanos discutiram a aprovação de um texto definitivo que limitasse o direito de asilo, excluindo os terroristas. Em maio chefiou a comitiva do Brasil em visita ao Paraguai, onde tratou dos temas integração rodoviária, assistência técnico-financeira e combate ao terrorismo. Em setembro seguinte assinou com Portugal um acordo de reciprocidade de direitos entre brasileiros residentes naquele país e portugueses radicados no Brasil.

Cinco anos depois das negociações de Sete Quedas com os paraguaios, Gibson Barbosa enfrentou problemas com o governo argentino ocasionados pelo projeto paraguaio-brasileiro da construção de uma hidrelétrica no rio Paraná. Segundo a Argentina, uma usina em Sete Quedas modificaria de tal forma o curso das águas que acarretaria para aquele país enchentes, secas e poluição. O principal prejuízo aventado pelo governo argentino era o rebaixamento da altura de seus saltos (Yaciretá) em decorrência da construção de Itaipu. Todavia, em setembro de 1972, concluindo essas negociações em Nova Iorque com o chanceler argentino Eduardo McLoughlin, Gibson Barbosa chegou ao acordo que pôs fim à polêmica e que culminaria, em abril de 1971, com a assinatura do Tratado de Itaipu, firmado pelos presidentes Médici e Alfredo Stroessner, do Paraguai. Ainda em novembro de 1972, o chanceler fez uma viagem a nove países africanos com o objetivo de dinamizar as relações com a África.

Durante seu período à frente do Itamarati, Gibson Barbosa esteve próximo da renúncia em pelo menos uma ocasião, quando ficou praticamente decidida a instalação de entrepostos comerciais brasileiros em Luanda, capital de Angola, e Lourenço Marques (atual Maputo), capital de Moçambique. Esses dois países eram, na época, territórios sob a administração colonial portuguesa. Em dezembro de 1972 chefiou a delegação do Brasil à V Reunião de Chanceleres dos Países da Bacia do Prata, em Punta del Este, no Uruguai, e, em maio do ano seguinte, integrou a comitiva do presidente Médici a Portugal, quando foram debatidos com o primeiro-ministro Marcelo Caetano questões econômicas e geopolíticas.

Gibson Barbosa foi o primeiro chanceler da história do Brasil a visitar a Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Trinidad e Tobago, Guiana e Suriname. Durante sua gestão no Ministério das Relações Exteriores, o Itamarati foi transferido para Brasília, instalando-se no palácio dos Arcos. Com o término do mandato presidencial de Médici, em março de 1974, Gibson Barbosa deixou o ministério, sendo substituído por Antônio Francisco Azeredo da Silveira. Em seguida atuou como embaixador na Grécia, onde permaneceu até julho de 1977, quando assumiu a embaixada brasileira em Roma, substituindo o embaixador interino Ivan Veloso da Silveira Batalha.

Em novembro de 1980, durante o Simpósio Argentino-Brasileiro promovido em Buenos Aires pelo Conselho Argentino para as Relações Internacionais, Gibson Barbosa manifestou-se a favor da identidade latino-americana na luta por uma ordem mundial mais justa. Condenou a propensão dos países desenvolvidos a discutirem os problemas internacionais em reuniões com um número de participantes cada vez menor e anunciou que o Brasil mantinha uma “atração globalista, em íntima cooperação com os países em desenvolvimento e, simultaneamente, em intenso diálogo com os países altamente desenvolvidos”.

No final de 1982 deixou a Itália, sendo substituído por Carlos Silvestre de Ouro Preto. Em seguida, assumiu a embaixada do Brasil no Reino Unido, sucedendo a Roberto Campos. Neste posto, encarregou-se também da proteção dos interesses argentinos no país, devido ao rompimento das relações diplomáticas entre a Argentina e a Grã-Bretanha em virtude da guerra das Malvinas, conflito ocorrido entre abril e junho de 1982. Em 1986, depois de ser substituído em Londres por Celso de Sousa e Silva, aposentou-se.

Em 1989 tornou-se diretor-presidente da Companhia de Hotéis Palace, grupo proprietário Hotel Copacabana Palace, cargo que exercia em junho de 2000.

Em 2002, disputou uma vaga na Academia Brasileira de Letras, aberta com a morte de Roberto Campos, juntamente com o escritor Paulo Coelho e o cientista político Hélio Jaguaribe. Nenhum dos três candidatos obteve o quórum necessário, e houve nova eleição para a mesma vaga. Mário Gibson não mais concorreu, e a vaga acabou sendo ocupada por Paulo Coelho.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 26 de novembro de 2007.

Foi casado com a poetisa Iolanda Jordão Gibson Barbosa, já falecida, de quem se divorciou. Contraiu segundas núpcias com Júlia Blacker Baldassarri Gibson Barbosa.

Publicou Na diplomacia, o traço todo da vida (memórias, 1992).

 

FONTES: BARBOSA, M. Diplomacia; CACHAPUZ, P. Cronologia; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CURRIC. BIOG.; Estado de S. Paulo (14/9/89); FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Jornal do Brasil (2/7/77); MIN. REL. EXT. Almanaque; MIN. REL. EXT. Anuário; Perfil (1971 e 1972); Veja (22 e 29/10/69); VIANA FILHO, L. Governo; Who’s who in Brazil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Gibson_Barbosa (acesso em 29/09/2009).

estadao.com.br/arquivo/arteelazer/2002/not20020321p2296.htm (acesso em 01/10/2009)

academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/...&infoid=7915&sid=614 - 14k (acesso em 01/10/2009).

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