MEDEIROS, CARLOS MARCIANO DE

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Nome: MEDEIROS, Carlos Marciano de
Nome Completo: MEDEIROS, CARLOS MARCIANO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MEDEIROS, CARLOS MARCIANO DE

MEDEIROS, Carlos Marciano de

*militar; rev. 1930; dep. fed. ES 1947-1949.

 

Carlos Marciano de Medeiros nasceu em Cuiabá no dia 5 de novembro de 1902, filho de Antônio Fernando de Medeiros e de Hermínia Fernando de Medeiros, ambos de famílias tradicionais de militares. Pelo lado materno, era sobrinho-neto do líder militar republicano Benjamim Constant Botelho de Magalhães.

Sua família transferiu-se para o Espírito Santo em 1903. Lá fez seus estudos, concluindo o secundário no Ginásio São Vicente de Paulo, em Vitória. Em seguida, após prestar serviço militar de 1919 a 1920, cursou a Escola de Engenharia de Juiz de Fora (MG).

Em 1923 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), tendo sido promovido a segundo-tenente em julho de 1927 e a primeiro-tenente em julho de 1929. Em 1928, casou-se com Alda Teixeira.

Participou ativamente da Revolução de 1930 no Espírito Santo, e a partir de então afastou-se dos quadros do Exército (agregado), tornando-se chefe de polícia de seu estado de adoção. No ano seguinte, fundou e tornou-se o primeiro diretor da Escola de Educação Física do Espírito Santo.

Promovido a capitão em junho de 1934, no pleito de outubro do mesmo ano elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte do Espírito Santo na legenda do Partido Social Democrático (PSD) do estado, deixando a chefia de polícia e assumindo seu mandato em 1935.

Dos 25 deputados que integravam a Constituinte estadual, encarregada de eleger o novo governador, 16 pertenciam ao PSD, o que assegurava a eleição de seu candidato, o interventor João Punaro Bley. Entretanto, a oposição lançou o nome de Asdrúbal Soares, deputado do próprio PSD, o que abalou a maioria do interventor.

Carlos Medeiros, presidente da Assembléia, foi então encarregado pelo PSD de encetar negociações com a oposição, composta pelo Partido da Lavoura (oito deputados) e pelo Partido Proletário (um deputado). Com a adesão de quatro pessedistas à candidatura de Asdrúbal Soares, a maioria se invertera, e Medeiros fez um acordo com o deputado do Partido Proletário, Gilberto Gabeira, conseguindo negociar seu apoio ao interventor. Entretanto, outro pessedista aderiu à oposição e, em resposta, o PSD lançou um novo candidato, Jerônimo Monteiro Júnior, que conseguiu novamente a maioria. Em seguida, Carlos Medeiros conseguiu estabelecer um acordo para eleger o interventor Punaro Bley, fazendo com que Monteiro abrisse mão de sua candidatura em troca de uma das vagas do PSD espírito-santense no Senado.

Eleito Punaro Bley e promulgada a nova Constituição estadual, a Constituinte se transformou em Assembléia Legislativa, permanecendo Medeiros na presidência. Nessa qualidade, substituiu o governador do estado em diversas ocasiões. Com a instauração do Estado Novo (10/11/1937), teve seu mandato interrompido juntamente com o de todos os integrantes de câmaras legislativas no país.

Retornou à chefia de polícia do Espírito Santo em 1938, e no ano seguinte deixou o cargo, revertendo à ativa no Exército. Freqüentou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e, em 1942, fez o curso da Escola de Estado-Maior do Exército. Em abril de 1943 foi promovido a major.

Com o fim do Estado Novo, candidatou-se a deputado à Assembléia Nacional Constituinte no pleito de dezembro de 1945, na legenda do novo PSD, de âmbito nacional. Obteve apenas uma suplência e, em 1946, foi novamente agregado, deixando os quadros efetivos do Exército para tornar-se membro da diretoria da Companhia Vale do Rio Doce. Em 31 de março de 1947, deixou o cargo para assumir uma cadeira de deputado federal. Na Câmara, integrou a Comissão de Educação e Cultura, a Comissão de Legislação Social, a Comissão de Inquérito sobre o Departamento Nacional do Café e a Comissão Mista que estudou a Companhia Vale do Rio Doce. Promovido a tenente-coronel em junho de 1948, permaneceu na Câmara até dezembro do ano seguinte.

Retornando à ativa em 1952, prosseguiu em sua carreira militar, tendo sido promovido a coronel em setembro de 1953. Dirigiu o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (IAPETEC) e representou as forças armadas na Comissão Federal de Abastecimento e Preços (Cofap), da qual foi vice-presidente e presidente interino em 1954. Foi ainda chefe de gabinete do Departamento Federal de Segurança Pública, no Rio de Janeiro.

Nomeado secretário do Interior e Justiça do Espírito Santo em 1956, durante o governo de Francisco Lacerda de Aguiar, em março de 1957, foi promovido a general-de-brigada e passou para a reserva no posto de general-de-divisão. Após deixar a Secretaria de Interior e Justiça, assumiu em 1959 a presidência do Banco Sete de Setembro de Crédito Cooperativo, função que exerceu até 1965. Em 1962, tornou a ocupar o cargo de secretário do Interior e Justiça do Espírito Santo, e em janeiro de 1963 passou a integrar a diretoria do Banco de Crédito Agrícola do Espírito Santo S.A., onde permaneceu até fevereiro de 1967.

Em julho de 1971, foi nomeado prefeito de Duque de Caxias (RJ), que no ano anterior fora transformado em município de segurança nacional. Em 1973, o governador do estado, Raimundo Padilha, nomeou para os quadros da prefeitura, à sua revelia, um economista ligado ao Ministério do Planejamento, atitude que o Jornal do Brasil qualificou na ocasião de “intervenção branca”. Em 1975, ainda prefeito, foi citado pelo Tribunal de Contas da União por irregularidades administrativas, tendo sido obrigado a repor uma soma indevidamente apropriada do Plano de Amparo ao Servidor Público (Pasep). Deixou a prefeitura nesse mesmo ano.

Continuando na iniciativa privada, a partir de 1978 assumiu a vice-presidência do Programa de Assistência Integral de Saúde (PAIS). Na área de esportes, presidiu o Rio Branco Atlético Clube, de Vitória, e a Federação Desportiva Espírito-Santense.

Faleceu em Caxambu (MG) no dia 1º de janeiro de 1986.

Publicou dois trabalhos sobre educação física: A ficha individual e História da educação física.

 

FONTES: CÂM. DEP. Deputados; Correio Paulistano (16/6/54); CURRIC. BIOG.; Jornal do Brasil (3/9/75); MIN. GUERRA. Almanaque (1934 e 1956); SILVA, H. 1935; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1); Veja (10/9/75).

 

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