MUNIZ, JOAO CARLOS

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Nome: MUNIZ, João Carlos
Nome Completo: MUNIZ, JOAO CARLOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
MUNIZ, JOÃO CARLOS

MUNIZ, João Carlos

*diplomata; emb. Bras. EUA 1953-1956; emb. Bras. Argentina 1956-1958.

 

João Carlos Muniz nasceu em Cuiabá no dia 31 de março de 1893, filho de Polidoro Antunes Muniz e de Ana Virgínia Costa Marques.

Formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 1915.

Iniciou sua carreira diplomática — que se desenvolveria praticamente toda nos Estados Unidos — em 1918, como vice-cônsul em Nova Iorque, posto em que se manteria até 1926. Nesse período, na mesma cidade, representou o Brasil na Conferência Internacional de Polícia, em 1922, e foi encarregado do consulado geral em 1923, ano em que concluiu o doutorado em ciências jurídicas na Universidade de Nova Iorque. Participou também da delegação brasileira à Conferência Internacional de Anunciantes, e voltou ao cargo de encarregado do consulado geral por mais duas vezes, em 1924 e 1925. Neste último ano, em Washington, representou o Brasil na Conferência da União Interparlamentar.

Em maio de 1926 passou a cônsul de primeira classe, servindo em Chicago. Retornou em seguida a Nova Iorque, onde serviu até 1928, ano em que representou o Brasil na Conferência Internacional Americana, em Havana, Cuba. Designado para Londres, dirigiu o consulado geral brasileiro na capital inglesa de 1929 a 1931. De 1931 a 1933 serviu em Baltimore, EUA, e em março desse ano tornou-se primeiro-secretário comercial. Em seguida foi designado para Varsóvia, Polônia, e, em 1934, para Genebra, Suíça. Nesse ano participou da Comissão do Departamento Nacional do Café para proceder a um inquérito sobre a situação do café na América Central.

Em junho de 1934, promovido a cônsul-geral, serviu na embaixada brasileira em Washington, onde foi conselheiro comercial. No período seguinte foi delegado governamental do Brasil às XX, XXI e XXII sessões da Conferência Internacional do Trabalho. Em janeiro de 1938 representou o Ministério das Relações Exteriores na comissão encarregada de estudar o anteprojeto de lei sobre a imigração e a expulsão de estrangeiros. Em março assumiu o cargo de chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, tendo chefiado a Comissão de Eficiência do ministério. Ainda em 1938 foi designado presidente do Conselho de Imigração e Colonização, cargo que ocuparia até 1941. Nesse período exerceu por curto tempo o cargo de diretor do Conselho Federal de Comércio Exterior, em que foi substituído por João Alberto Lins de Barros por ter pedido dispensa da função. Em fevereiro de 1939 acompanhou Osvaldo Aranha aos Estados Unidos, em missão de caráter econômico.

Em dezembro de 1939 foi promovido a ministro de primeira classe. Designado embaixador em Havana, lá serviu de 1941 a 1942, tendo sido delegado do Brasil à Conferencia Pan-Americana da Cooperação Intelectual, realizada na capital cubana. Em junho de 1942 foi removido para Quito, Equador. Em julho, compareceu, na qualidade de embaixador extraordinário, à posse do presidente da Colômbia, Alfonso Lopes. Em 1943 presidiu a delegação do Brasil à Conferência sobre Alimentação e Produtos Agrícolas Essenciais, realizada em Hot Springs, EUA. Em 1945 e 1946 serviu no Rio de Janeiro, como secretário-geral do Itamarati. Transferido para Washington nesse último ano, foi designado representante plenipotenciário do Brasil na Conferência Interamericana de Peritos sobre a Proteção dos Direitos Autorais. No ano seguinte foi designado delegado plenipotenciário do Brasil para assinar a constituição da Organização Internacional de Refugiados. Em 1948 chefiou a delegação do Brasil à reunião das partes contratantes do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) e ao comitê executivo da comissão interina da Organização Internacional do Comércio, em Genebra. Em 1949 foi representante permanente do Brasil junto à União Pan-Americana, em Washington, e, desse ano até 1953, seria delegado permanente junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Em novembro de 1951 foi delegado do Brasil à VI Sessão da Assembléia Geral da ONU, em Paris.

Nomeado embaixador do Brasil nos EUA, permaneceu em Washington de outubro de 1953 a julho de 1956, substituindo Válter Moreira Sales. Ocupou esse posto ao longo do crítico período final do segundo governo Vargas e manteve-se no cargo enquanto, no Brasil, transcorriam o governo de João Café Filho, o Movimento do 11 de Novembro de 1955, o período de Nereu Ramos e os primeiros meses do governo de Juscelino Kubitschek. Seu sucessor na embaixada brasileira nos EUA foi Ernâni Amaral Peixoto. Em agosto de 1956 foi nomeado embaixador do Brasil em Buenos Aires, em substituição a Orlando Leite Ribeiro. Em setembro, presidiu a Conferência Internacional de Energia Atômica e chefiou a delegação do Brasil para a criação da Agência Internacional de Energia Atômica, em Nova Iorque. Ocupou o posto de embaixador na Argentina até abril de 1958, quando se aposentou e foi substituído por Aguinaldo Boulitreau Fragoso. Em maio, integrou a delegação do Brasil à posse do presidente argentino, Arturo Frondizi, na categoria de embaixador em missão especial.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 18 de junho de 1960.

Foi casado com Ivone Germaine Muniz, com quem teve dois filhos.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. OSVALDO ARANHA; GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; MENDONÇA, R. Dic.; MIN. REL. EXT. Anuário.

 

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