OEST, HENRIQUE CORDEIRO

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Nome: OEST, Henrique Cordeiro
Nome Completo: OEST, HENRIQUE CORDEIRO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
OEST, HENRIQUE CORDEIRO

OEST, Henrique Cordeiro

*militar; rev. 1922; dep. fed. RJ 1947-1948; dep. fed. AL 1963.

 

Henrique Cordeiro Oest nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 17 de fevereiro de 1902, filho de Edmundo Oest e de Esequiela Cordeiro Oest. Seu irmão, Lincoln Cordeiro Oest, foi membro do comitê central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e participou da guerrilha do Araguaia (1972-1974).

Sentou praça em março de 1922, ingressando no curso de infantaria da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Pouco depois, participou da Revolta de 5 de Julho de 1922, levante que iniciou o ciclo de rebeliões tenentistas da década de 1920, irrompido no Rio de Janeiro e em Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e as punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa (1919-1922) aos militares. Em virtude de sua participação nesse levante, foi expulso da Escola Militar, permanecendo afastado do Exército até 1930.

Por ocasião da Revolução de 1930, atuou como civil junto ao 3º Regimento de Infantaria. Vitorioso o movimento e instalado o Governo Provisório de Getúlio Vargas, no dia 8 de novembro desse ano foi comissionado primeiro-tenente. Pouco depois, tornou-se membro do Clube 3 de Outubro, organização criada em maio de 1931 para congregar as correntes tenentistas favoráveis à manutenção e ao aprofundamento das reformas instituídas pela revolução. Participou, junto às forças governistas, do combate à Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, comandando uma companhia da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, da qual era instrutor. Em março de 1933, foi efetivado no posto de primeiro-tenente e, em outubro do ano seguinte, chegou a capitão.

Foi um dos signatários da ata de fundação da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização política de âmbito nacional fundada em março de 1935 com um programa que propunha a luta contra o fascismo, o imperialismo, o latifúndio e a miséria. No dia 5 de julho, abriu o comício da ANL no Rio de Janeiro, descerrando a bandeira nacional que cobria o retrato de Luís Carlos Prestes. A ANL foi fechada no dia 11 seguinte e ainda no mês de julho, em decorrência da sua participação no comício, Oest teve sua prisão decretada por 20 dias pelo ministro da Guerra, general João Gomes, e foi afastado de qualquer cargo militar em áreas de potencial político.

Participou também da Liga da Defesa Nacional durante o Estado Novo (1937-1945), numa época em que a instituição era integrada por oposicionistas ao regime de Vargas. Em 1940, cursou a Escola de Armas e a Escola de Motomecanização. Em junho de 1944, atingiu o posto de major e, em novembro do mesmo ano, concluiu o curso de estado-maior. No ano seguinte, foi designado comandante do 2º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) que participou da Segunda Guerra Mundial na Itália.

Em dezembro de 1945, nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, elegeu-se primeiro suplente de deputado pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB). Depois de promulgada a Constituição e transformada a Assembléia em Congresso ordinário, ocupou uma cadeira na Câmara, em março de 1947. Ainda nesse ano, tornou-se adido à Diretoria do Recrutamento do Exército e, em janeiro de 1948, oito meses depois o cancelamento do registro do PCB, teve seu mandato cassado. Nessa ocasião, foi deslocado pelo então ministro da Guerra, Canrobert Pereira da Costa, para o comando do 2º Batalhão de Fronteiras, sediado em Cáceres (MT), sendo promovido a tenente-coronel em dezembro de 1949. Em 1950 participou da campanha vitoriosa do general Newton Estillac Leal para a presidência do Clube Militar, no Rio de Janeiro. Durante a gestão deste (1950-1951), desenvolveu intensa atuação e escreveu artigos para a Revista do Clube Militar. Em 1951, foi transferido de Cáceres para o comando do 14º Regimento de Infantaria, em Jaboatão (PE), sendo afastado do cargo após o suicídio de Vargas, em 24 de agosto de 1954.

Em 1955, serviu na Inspetoria Geral do Exército, órgão chefiado pelo general Euclides Zenóbio da Costa e núcleo do Movimento Militar Constitucionalista, articulado a partir do início desse ano com o objetivo de garantir a realização das eleições presidenciais de 3 de outubro e a subseqüente posse dos eleitos. Posteriormente, esse núcleo militar, atuando em conexão com as forças do general Odílio Denis, comandante da Zona Militar Leste, sediada no Rio de Janeiro, e sob a chefia do ministro da Guerra demissionário, general Henrique Teixeira Lott, integrou o esquema do Movimento do 11 de Novembro. Tal iniciativa, pretendendo barrar uma conspiração em curso no governo contra a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, depôs os presidentes Carlos Luz, em exercício, e Café Filho, licenciado, empossando o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, na chefia da nação.

Em 1956, durante o governo de Kubitschek, Oest foi transferido para o comando do 20º Batalhão de Caçadores, em Maceió. No ano seguinte, comandou o 18º Regimento de Infantaria, em Porto Alegre, onde permaneceu até 1959, quando foi convidado para ocupar o cargo de secretário de Segurança de Alagoas, no final do governo de Sebastião Marinho Muniz Falcão (1956-1961). Em 1961, serviu na Circunscrição de Recrutamento de Ilhéus (BA), seu último posto militar na ativa.

Em outubro de 1962, elegeu-se segundo suplente de deputado federal por Alagoas na legenda da Coligação Democrática Nacionalista, formada pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Progressista (PSP), ao qual pertencia, ocupando uma cadeira na Câmara de agosto a outubro de 1963. Nesse mesmo ano pediu reforma, sendo então promovido a general-de-divisão. Em 10 de abril de 1964, teve seu nome incluído na lista de cassados pelo Ato Institucional nº 1, editado no dia anterior pela junta militar que assumiu o governo após a deposição do presidente João Goulart. Nessa ocasião, exilou-se no Uruguai, onde permaneceu até 1968. Retornou ao Brasil em 1972.

Faleceu no Rio de Janeiro em 7 de março de 1982.

Era casado com Paula Moacir Oest — suplente de vereadora em Petrópolis (RJ) em 1945 na legenda do PCB —, com quem teve um casal de filhos.

 

FONTES: ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Anais; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); ENTREV. BIOG.; Jornal do Brasil (7/4/74); LEVINE, R. Vargas; MIN. GUERRA. Almanaque (1947, 1948, 1949, 1952 e 1953); MOURA, C. Diário; Movimento de 5; SILVA, H. 1922; SILVA, H. 1935; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1 e 6).

 

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