Olavo Egydio Setúbal

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Nome: SETUBAL, Olavo
Nome Completo: Olavo Egydio Setúbal

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SETÚBAL, Olavo

*pref. SP 1975-1979; min. Rel. Ext. 1985-1986.

 

Olavo Egydio Setúbal nasceu na cidade de São Paulo no dia 15 de abril de 1923, filho do poeta Paulo Setúbal e de Francisca de Sousa Aranha Setúbal. Seu tio Laerte Setúbal foi deputado federal por São Paulo de 1935 a 1937, e seu primo Laerte Setúbal Filho foi diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) e presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros.

Fez os primeiros estudos no Ginásio do Carmo e no Colégio Universitário, formando-se engenheiro mecânico e eletricista pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1945. Tornou-se em seguida assistente da cadeira de eletrotécnica da mesma escola e foi contratado como engenheiro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Em 1947 iniciou a carreira de empresário fundando e presidindo a firma Artefatos de Metal Deca, futura Deca S.A. Indústria e Comércio, e no ano seguinte deixou a cadeira na Escola Politécnica.

Em 1957 assumiu os cargos de diretor-superintendente da Duratex e de diretor da Companhia Seguradora Brasileira. Em 1959 iniciou suas atividades na área financeira como diretor do Banco Federal de Crédito, fundado por seu tio Alfredo Egydio de Sousa Aranha. Em 1962 tornou-se diretor da Carteira de Crédito Geral do Banco do Estado de São Paulo. Em 1964, o Banco Federal de Crédito incorporou o Banco Itaú, dando origem ao Banco Federal Itaú.

Após deixar a presidência da Deca em 1965, a convite de Paulo Egydio Martins, então ministro da Indústria e Comércio (1966-1967), tornou-se membro do Conselho Nacional de Seguros Privados. Responsável pelas sucessivas fusões realizadas pelo Banco Itaú a partir de 1966, foi também conselheiro do Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo e vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento (ANBID). Em 1969 assumiu a vice-presidência da Fundação Padre Anchieta, Centro Paulista de Rádio e Televisão Educativa, e em 1971 tornou-se membro do conselho de administração do IPT.

 Após a absorção do Banco Aliança do Rio de Janeiro e do Banco Português do Brasil, assumiu em 1974 a presidência do Banco Itaú, e no ano seguinte foi convidado para a diretoria do Libra Bank Limited, de Londres, consórcio bancário multinacional liderado pelo Chase Manhattan Bank e pelo National Westminster, no qual o Itaú detinha 10% de participação acionária. Também em 1975 foi nomeado pelo presidente Ernesto Geisel (1974-1979) membro do Conselho Monetário Nacional e ingressou na diretoria da Investimentos Brasil, órgão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).

Indicado para a prefeitura da cidade de São Paulo pelo governador Paulo Egydio Martins (1975-1979), retirou-se temporariamente da presidência do Banco Itaú e tomou posse como prefeito no dia 16 de abril de 1975, sucedendo a Miguel Colasuonno. Em sua gestão, fez um plano de obras viárias visando a atender às áreas mais carentes e a desenvolver a Zona Leste da cidade. Preocupado com o setor de serviços e com a saúde, a educação, o trânsito, as áreas verdes, as ruas e a iluminação pública, construiu 30 mil casas populares e obteve financiamento do BNDE para a compra de ônibus elétricos. Credenciado pela bem-sucedida atuação, tornou-se um dos candidatos mais cotados para a sucessão de Paulo Egydio Martins no governo do estado. Apesar do apoio do governador e das diversas manifestações favoráveis que recebeu, acabou sendo preterido pelo governo federal em favor de Laudo Natel, que governara o estado de 1971 a 1975 e era o candidato da preferência do futuro presidente da República, general João Batista Figueiredo. No entanto, o próprio partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), em sua convenção realizada em julho de 1978, indicou como candidato oficial Paulo Maluf, afinal eleito indiretamente, em setembro seguinte, governador do estado.

Após a posse de Maluf em março de 1979, como a Assembleia Legislativa, de maioria oposicionista, se recusou a aprovar o prefeito indicado pelo governador, Olavo Setúbal preferiu não entregar a prefeitura a seu sucessor legal, o presidente da Câmara Municipal, Eurípedes Sales, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e aguardar a nomeação do novo prefeito, o que só ocorreu três meses depois. Antes de encerrar sua gestão, negociou com a comissão de greve dos motoristas e cobradores de ônibus da cidade, que paralisaram seus serviços durante dois dias no mês de maio, reivindicando aumento salarial. Também antes de deixar a prefeitura foi convidado para a diretoria do Banco Central e para a Secretaria dos Transportes do governo Paulo Maluf, mas recusou ambas as propostas, tendo em vista retornar à presidência do Banco Itaú. Foi o que ocorreu após ter passado a prefeitura, no dia 12 de julho de 1979, ao sucessor Reinaldo Emídio de Barros, ex-presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Ao deixar a prefeitura de São Paulo, deixou também a Arena. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979, e a subsequente reformulação partidária, ingressou no Partido Popular (PP). Segundo declarou, a razão principal para seu afastamento do partido do governo estaria na impossibilidade de pertencer ao mesmo partido que Paulo Maluf.

Antecipando-se à campanha para o governo do estado nas eleições de 1982, a partir de fins de 1979 percorreu diversas cidades do interior defendendo uma ordem democrática mais liberal, o controle estatal das multinacionais e a modernização da legislação em vigor no país, inclusive a trabalhista. Presidente da comissão executiva provisória regional do PP de São Paulo, propôs que o Congresso elaborasse uma lei obrigando as empresas multinacionais a publicar informações detalhadas sobre suas atividades. Em defesa do processo de abertura política em curso, apontou-o como resultado de um novo pacto militar-político, que substituíra a aliança militar-tecnológica. Declarou que as autoridades estavam num crescente isolamento, e qualificou a política econômica do governo federal de nefasta e equivocada, porque havia levado a sociedade a gastar acima da sua capacidade de produzir e de poupar. Opôs-se ainda, em diversas ocasiões, ao que considerava a centralização econômica promovida pelo Banco Central e à estatização das empresas, levada a cabo de forma irresponsável.

Em maio de 1981 foi reconduzido à presidência do PP paulista e foi lançado oficialmente candidato do partido ao governo do estado. Com respeito à reforma eleitoral então em discussão, manifestou-se a favor das coligações e contrário à Lei Falcão, à sublegenda, ao voto distrital e ao voto vinculado para os cargos majoritários. Com a incorporação do PP ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em fevereiro de 1982, teve sua candidatura cancelada e permaneceu sem vinculação partidária.

Em 1983 influiu na escolha de João Sayad para a Secretaria de Fazenda de São Paulo, no governo Franco Montoro (1983-1987), onde outros dois integrantes do extinto PP também obtiveram colocações: o deputado federal Caio Pompeu de Toledo, na Secretaria de Esportes e Turismo, e o ex-deputado Roberto Gusmão, na presidência do Banco de Desenvolvimento do Estado.

Em agosto, juntamente com diversos empresários, entre eles Antônio Ermírio de Morais, do grupo Votorantim, Abílio Diniz, do grupo Pão de Açúcar e Jorge Gerdau Johanenpeter, do grupo Gerdau, divulgou críticas à política econômica do governo, cujo principal artífice era o ministro do Planejamento Antônio Delfim Neto. Recebidos em audiência pelo vice-presidente Aureliano Chaves, tiveram a oportunidade de relatar suas preocupações com a inflação, a recessão e o endividamento externo.

No início de 1984, entre os pré-candidatos do Partido Democrático Social (PDS), governista, à sucessão do presidente Figueiredo — Paulo Maluf, Mário Andreazza, Marco Maciel e Aureliano Chaves —, apoiou Aureliano, reunindo num almoço importantes nomes dos meios político e empresarial, como os ex-governadores paulistas Abreu Sodré, Paulo Egídio Martins, Carvalho Pinto e Laudo Natel, e o empresário Antônio Ermírio de Morais.

A escolha de Maluf suscitou forte reação no PDS, levando à formação de uma dissidência, a Frente Liberal, que, unida ao PMDB, formou a Aliança Democrática, responsável pelo lançamento da candidatura de Tancredo Neves, vitoriosa no Colégio Eleitoral que se reuniu em 15 de janeiro de 1985. Doente, o novo presidente não chegou a ser empossado, vindo a falecer em 21 de abril. Seu substituto foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo o cargo interinamente, desde 15 de março.

Filiado ao Partido da Frente Liberal (PFL) e tendo sido um dos coordenadores da campanha da Aliança Democrática, Olavo Setúbal chegou a ser cogitado para os ministérios da Indústria e Comércio, da Previdência, da Fazenda e do Planejamento. Ao assumir a presidência, José Sarney nomeou-o para o Ministério das Relações Exteriores. Empossado em 15 de março de 1985, à frente da pasta iniciou o processo de reatamento das relações diplomáticas com Cuba — que seria concluído por seu sucessor — e defrontou-se com a reação do EUA à política brasileira de reserva de mercado no setor de informática.

Em agosto de 1985, um grupo de deputados do PFL almoçou com Jânio Quadros, candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) à prefeitura de São Paulo nas eleições marcadas para novembro seguinte, oferecendo apoio e obtendo dele o compromisso de apoiar Olavo Setúbal nas eleições para o governo do estado em 1986. Em novembro, Setúbal gravou um programa de televisão em que declarava seu apoio a Jânio. A vitória deste, segundo previsões, aumentaria as possibilidades da candidatura pefelista ao governo estadual. Diante disso, em fevereiro de 1986, Setúbal deixou o Ministério das Relações, sendo substituído na chancelaria por Roberto de Abreu Sodré, também filiado ao PFL e pessoa de confiança do presidente.

Em meados de 1986, quando a convenção do PFL abandonou a perspectiva de uma candidatura própria ao governo do estado de São Paulo, Setúbal engajou-se na campanha de Antônio Ermírio de Morais, candidato do PTB. Perdida a eleição para Orestes Quércia, do PMDB, deixou o PFL e a política partidária, retornando mais uma vez ao Banco Itaú, como presidente do Conselho de Administração da Itaúsa, holding que controlava a instituição financeira Itaú, e se tornou uma das maiores do país.

No início de 1993 integrou-se ao Comitê Empresarial Permanente do Ministério das Relações Exteriores, criado pelo então chanceler Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 1997, articulou a compra pelo Itaú do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), o primeiro banco estadual a ser privatizado.

Faleceu em São Paulo 27 de agosto de 2008.

Pouco tempo após sua morte, depois de 15 meses de negociações, o Banco Itaú comprou o Unibanco, formando o maior banco do país e o maior grupo financeiro do hemisfério sul.

Casado com Matilde de Azevedo Setúbal, conhecida como Tide Setúbal, teve sete filhos. Viúvo em 1977, casou-se com Daisy Prado Setúbal. Um de seus filhos, Roberto Setúbal, assumiu a presidência do Banco Itaú em 1996.

Elizabeth Dezouzart atualização

FONTES: Estado de S. Paulo (10/6/79, 24/4, 30/9, 12/10 e 23/11/80, 18, 24 e 30/1, 1, 11, 14, 18, 21 e 24/2, 15 e 18/3, 9 e 25/4, 3/5, 6 e 14/8, 2 e 10/9, 2, 4 e 8/10, 21/2/91 e 2/12/96); Folha de S. Paulo (22/8/76, 15/3, 1/5 e 28/10/81 e 7/3/97); FONTELA, V. História; Globo (12/5, 30/9 e 6/10/80, 18/1, 23/2, 15/3, 15, 22, 26 e 27/4, 4, 6 e 15/5 e 2/8/81, 16/8/86, 1/10/92 e 31/3/97); Jornal do Brasil (16/1, 17/4 e 30/12/76, 28/8, 14/9, 11 e 14/12/77, 20/1, 16 e 22/2/78, 13 e 24/2, 9/5, 13/6, 6, 9 e 13/7, 2 e 25/8, 27/10, 21/11 e 2/12/79, 6/7/80, 23/2, 4/5, 13/7, 1/8 e 19/10/81, 20/8/96 e 27/1/97); Veja (12/1/77, 19/4 e 25/10/78, 24/1 e 9/5/79, 5 e 12/1, 9/2, 23/3, 29/6 e 31/8/83, 11 e 18/1, 8 e 29/2, 23/5, 1 e 8/8, 21/11, 5 e 19/12/84, 23 e 30/1, 20/2, 22/5, 9/10, 6 e 27/11/85, 22/1 e 5/2/86 e 2/7/97); SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; Who’s who in Brazil; Portal Folha online http://www.folha.uol.com.br/; acessado em 27/08/2008 e em 03/11/2008).

   

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