OTAVIO RAINHO DA SILVA NEVES

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: RAINHO, Otávio
Nome Completo: OTAVIO RAINHO DA SILVA NEVES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RAINHO, OTÁVIO

RAINHO, Otávio

* diplomata; pres. IBC 1979-1984.

 

Otávio Rainho da Silva Neves nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de novembro de 1929, filho de Frederico da Silva Neves e de Margarida Rainho Carneiro Neves.

Concluiu o curso de preparação à carreira de diplomata do Instituto Rio Branco em 1954, tornando-se cônsul de terceira classe e sendo designado para o Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Em 1955 foi secretário da Comissão de Exportação de Materiais Estratégicos (Ceme) e em 1956 integrou a delegação do Brasil à Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, em que foi discutida a criação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Ainda em 1956, assessorou a delegação brasileira à Assembleia Geral da ONU, também em Nova Iorque.

De 1957 a 1961 serviu como terceiro-secretário e, de 1961 a 1962, como segundo-secretário da embaixada brasileira em Washington, onde se graduou em economia pela Universidade George Washington. Durante esse período, em 1960, foi coordenador-geral do projeto-piloto de erradicação da cafeicultura do Grupo Executivo de Racionalização da Cultura Cafeeira (Gerca), órgão vinculado ao Instituto Brasileiro do Café (IBC), no Rio de Janeiro. Em 1961, foi diretor substituto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

De 1962 a 1964, serviu em Paris como segundo-secretário. Na época, viajou para diversos países, entre os quais Suíça, Bélgica, Costa do Marfim e Nigéria, representando o governo brasileiro em conferências econômicas. Ainda em 1964, foi assistente do chefe da Divisão de Produtos de Base do MRE.

Em 1965, foi delegado do Brasil nas VII e VIII sessões do Conselho Internacional do Café em Londres, representante e representante suplente do MRE na Comissão de Estudos da Política do Cacau da Carteira do Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil (BB) e chefe interino da Divisão de Produtos de Base do MRE. Nesse mesmo ano, foi delegado suplente à Conferência da ONU sobre o Convênio Internacional do Açúcar em Genebra. No ano seguinte, foi a Londres como delegado do Brasil à 1ª Reunião do Grupo de Trabalho de Alto Nível do Conselho Internacional do Café.

Promovido em 1967 a primeiro-secretário, chefiou a Divisão de Produtos de Base do MRE e foi removido para Londres, onde serviu até 1971. Em 1968, foi representante suplente do Brasil junto à Junta Executiva da Organização Internacional do Café (OIC) no México, e integrou a missão do então presidente do IBC, Caio de Alcântara Machado, à Etiópia, Quênia, Uganda, Tanzânia e Costa do Marfim. Em 1969, foi membro da Junta Executiva da OIC em Abidjan e representante do MRE no Grupo de Trabalho de Análise do Plano Nacional de Café junto ao Fundo de Diversificação da OIC no Rio de Janeiro. Um ano depois, participou como delegado brasileiro da Reunião Extraordinária do Conselho Internacional do Café em Londres.

De 1971 a 1973, serviu na embaixada brasileira no Cairo, Egito, e aí atuou em 1972 como encarregado de negócios. Nesse mesmo ano foi consultor técnico da Comissão Econômica para América Latina (Cepal) para a preparação da posição latino-americana no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (General Agreement on Trade and Tariffs, GATT) no tocante à ampliação da CEE, em Santiago.

Em 1973 foi promovido a conselheiro e no ano seguinte chefiou a Divisão de Pessoal, a Divisão de Produtos de Base e a Divisão de Política Comercial, e foi chefe substituto do Departamento Geral de Administração do MRE. Também em 1974, foi promovido a ministro-conselheiro e removido para a embaixada brasileira em Paris, onde permaneceu até 1977. Em 1976, chefiou a delegação brasileira à Reunião das Comissões sobre Cooperação Econômica Internacional realizada em Paris.

De 1978 a 1979, chefiou a embaixada brasileira de Abidjan, na Costa do Marfim, acumulando os cargos de embaixador em Freetown, na Libéria, e em Uagadugu, em Burkina Fasso. Nesse último ano, chefiou a delegação brasileira à reunião da Junta Executiva da OIC, em Londres, e a delegação à reunião do Fundo de Estabilização de Preços de Café, em Bogotá, na Colômbia.

Indicado para a presidência do IBC, assumiu o cargo em março de 1979, em substituição a Camilo Calazans. Em seu discurso de posse, estabeleceu como principais metas a estreita colaboração com outros órgãos do governo, o permanente diálogo com o setor privado, ao qual asseguraria a responsabilidade pelas vendas ao exterior, e a ampliação da posição conquistada pelo café industrializado brasileiro no mercado mundial.

Em janeiro de 1980 teria realizado, segundo noticiou a imprensa pouco depois, uma operação cambial lesiva ao IBC, convertendo para cruzeiros um empréstimo concedido em dólares à empresa paulista Produtores Exportadores (Proex). A conversão, autorizada pelo ministro da Indústria e Comércio, Camilo Pena, retroagiu a valores do dólar anteriores à maxidesvalorização de 30,05% ocorrida em dezembro de 1979, o que resultou em um prejuízo de cerca de 1,2 milhão de dólares para o IBC. A imprensa divulgou também que teria havido fraude nas vendas de café para o IBC, com sacas de café de baixa qualidade adquiridas por um preço acima do seu valor. Ainda em 1980, chefiou a delegação brasileira que discutiu no Panamá a criação do Pancafé.

Em fevereiro de 1981, desmentiu rumores de que estaria demissionário, reafirmando seus objetivos de ampliar o volume das exportações brasileiras. Em novembro, a imprensa publicou matéria segundo a qual estaria envolvido em um novo escândalo. De acordo com os jornais, durante a geada de 1979, teria tomado medidas que beneficiaram alguns grupos, como a Green Coffee, uma das acionistas da Mercantil de Café, empresa da qual era sócio.

Em 1982, foi nomeado presidente da Fundação Museu do Café, função que exerceu até 1985. Deixou a presidência do IBC em outubro desse ano, quando Murilo Badaró assumiu a pasta da Indústria e Comércio, sendo substituído por Aluísio Garcia.

Ainda em 1985, foi representante alterno no Conselho Mundial de Alimentação realizado em Buenos Aires. De 1985 a 1986, foi representante especial do Brasil junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e junto ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (Ifad), em Roma. Em 1987, foi designado embaixador extraordinário e plenipotenciário junto aos governos da Índia, do Sri Lanka, do Nepal e das Maldivas, posto que ocupou até 1995. Nesse ano, chefiou, em Nova Délhi, a delegação brasileira que participou da Conferência dos Ministros de Trabalho dos Países Não Alinhados e Outros em Desenvolvimento.

Casou-se com Alice Castelo Branco Barata Neves, com quem teve um filho.

Daniela Duarte/Rogério Barros

 

FONTES: CURRIC. BIOG.: Estado de S. Paulo (26 e 27/11 e 3/12/81 e 9/10/84); Folha de S. Paulo (24/8/84); Jornal do Brasil (20/3/79, 22/2/81, 2/7 e 26/9/82); Revista do Comércio de Café (4/79); Veja (27/2 e 11/6/80).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados