OTELO RODRIGUES ROSA

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Nome: ROSA, Otelo
Nome Completo: OTELO RODRIGUES ROSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
ROSA, OTELO

ROSA, Otelo

*rev. 1932.

 

Otelo Rodrigues Rosa nasceu em São João do Montenegro, atual Montenegro (RS), no dia 18 de julho de 1889, filho de Bento Rodrigues Rosa, líder político do município de Estrela (RS).

Trabalhou no jornal Taquariense, da cidade de Taquara (RS), a cujo Conselho Municipal veio a pertencer em seguida. Em 1911 foi designado promotor de justiça nessa cidade.

Por volta de 1915 mudou-se para Porto Alegre, sendo nomeado secretário particular do então presidente do estado do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros. Em seguida foi nomeado secretário da Procuradoria do estado e juiz municipal de Santa Cruz do Sul (RS). Foi deputado à Assembléia Legislativa gaúcha, onde exerceu a liderança da maioria.

Entre 1925 e 1930 dirigiu o vespertino A Federação, órgão do Partido Republicano Rio Grandense (PRR), cuja direção integrou em 1929. Após a Revolução de 1930 tornou-se secretário do interventor federal no Rio Grande do Sul, José Antônio Flores da Cunha, chegando a exercer interinamente a chefia do Executivo estadual.

 

Na Revolução Constitucionalista

Em 1932, São Paulo e Rio Grande do Sul intensificaram junto a Vargas as pressões pela reconstitucionalização do país e, ao mesmo tempo, selaram uma aliança político-militar para um possível enfrentamento com o governo central. O agravamento das tensões em São Paulo resultou na eclosão, no dia 9 de julho, da Revolução Constitucionalista, rapidamente vitoriosa no estado, mas combatida pelas tropas federais deslocadas de outras regiões do país. Diante desta situação, as forças políticas se dividiram no Rio Grande do Sul: enquanto Flores se manteve fiel ao Governo Provisório de Getúlio Vargas e enviou tropas para a frente de combate contra os revolucionários, rompendo assim o acordo firmado anteriormente com os paulistas, o grupo liderado por Borges de Medeiros e Raul Pilla deflagrou um movimento solidário com a causa constitucionalista, visando com isso diminuir a pressão das forças regulares gaúchas sobre São Paulo. De acordo com documentos apreendidos posteriormente, Otelo Rosa participou da articulação do apoio gaúcho. Segundo esses documentos, citados por Hélio Silva em 1932: A guerra paulista, Rosa integraria o “governo revolucionário” a ser instalado em Santa Maria (RS), juntamente com Sinval Saldanha, Jaime Pereira, Aparício Torelli e Amaro da Silveira.

Abandonando Porto Alegre, os líderes da Frente Única Gaúcha (FUG) promoveram levantes em diversas localidades do interior do estado. No dia 20 de agosto, Flores desbaratou o núcleo central do movimento em Santa Maria, prendendo seus principais articuladores e forçando Borges, Pilla e João Batista Luzardo a se refugiarem em Pinheiros, ainda no município de Santa Maria. O levante gaúcho foi finalmente esmagado em Cerro Alegre, no dia 20 de setembro, ocasião em que Borges foi preso e os demais líderes da FUG se exilaram. Sem contar com o apoio previsto nos outros estados, os paulistas sustentaram a luta até 2 de outubro seguinte, quando foi assinado o armistício.

Com o início do governo constitucional de Flores da Cunha no Rio Grande do Sul em 1935, Otelo Rosa foi nomeado titular da recém-criada Secretaria da Educação. Pressionado por Vargas, entretanto, Flores da Cunha foi obrigado a se demitir do governo em outubro de 1937, um mês antes da implantação do Estado Novo (1937-1945). Afastando-se da política partidária, Rosa passou a dedicar-se exclusivamente ao Cartório de Registro Especial do qual era titular na capital gaúcha.

Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, do qual foi vice-presidente, à Academia Sul-Rio-Grandense de Letras, à Comissão Gaúcha de Folclore, ao Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura e à Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Foi ainda diretor do Jornal da Noite, de Porto Alegre.

Faleceu na capital gaúcha no dia 4 de dezembro de 1956.

Foi casado com Maria Cecília de Leão Rosa, com quem teve duas filhas.

Publicou Canções da mocidade (poemas, 1909), Evangelho do amor (1910), Os males e os crimes do assizismo (1927), Perfil biográfico de Júlio de Castilhos (1928), A reorganização constitucional brasileira (1931), A reforma eleitoral (1931), Os amores de Canabarro (romance histórico, 1933), O divórcio no Brasil (ensaio, 1934), Vultos da epopéia farroupilha: escorços biográficos (1935), Moça loira (romance, 1935), Pinheiro Machado (biografia, 1951) e Carlos Barbosa Gonçalves (biografia, 1952). Foi também autor de folhetos e trabalhos publicados em diversas revistas, em especial na do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, instituição que conservou muitos de seus trabalhos inéditos.

 

 

FONTES: Grande encic. Delta; MELO, L. Subsídios; Personalidades; SPALDING. V. Construtores.

 

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