PARREIRAS, ARI

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: PARREIRAS, Ari
Nome Completo: PARREIRAS, ARI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PARREIRAS, ARI

PARREIRAS, Ari

*militar; rev. 1924; rev. 1930; interv. RJ 1931-1935.

 

Ari Parreiras nasceu em Niterói no dia 17 de outubro de 1890, filho de Alfredo Artur da Silva Parreiras.

Em março de 1907 sentou praça, matriculando-se no curso de máquinas da Escola Naval, sendo promovido três anos depois ao posto de submaquinista aluno. De janeiro a agosto de 1910, serviu nos contratorpedeiros Andrada e Piauí, no cruzador Bahia e no cruzador-torpedeiro Timbira. Completando o curso na Escola Naval em fevereiro de 1911, foi nomeado submaquinista do Corpo de Engenheiros Maquinistas, embarcando então no cruzador Barroso. Foi promovido a guarda-marinha em janeiro de 1912 e, em 1913, serviu no contratorpedeiro Tupi. Em maio de 1914, passou para o cruzador-torpedeiro Tamoio e, em julho, para o contratorpedeiro Mato Grosso. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em agosto de 1914, o Mato Grosso fundeou em Santos, com a missão de garantir a neutralidade brasileira no conflito. Pelo mesmo motivo, o contratorpedeiro foi para Florianópolis no mês seguinte, voltando a fundear em Santos entre fevereiro e março de 1915.

Ari Parreiras foi promovido a segundo-tenente engenheiro maquinista em janeiro de 1916. Em março desse ano, passou pelo encouraçado Minas Gerais e em seguida foi servir no cruzador Benjamim Constant. Em outubro de 1917, o Brasil declarou guerra ao Império alemão. Parreiras serviu no cruzador Rio Grande do Sul entre janeiro e março de 1918 e em seguida passou para o contratorpedeiro Piauí. Em agosto do mesmo ano, o Piauí partiu do porto de Fernando de Noronha em direção a Dacar, integrando, junto com outras belonaves, a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), que, nos mares da Europa e África, cooperou com as forças aliadas na luta contra a Alemanha. Agregada às forças navais inglesas que patrulhavam o litoral ocidental da África, a DNOG tinha como missão ajudar e proteger as embarcações aliadas que circulavam na área contra eventuais ataques dos submarinos alemães.

Em Dacar, os navios brasileiros foram assolados por uma epidemia que atingiu 464 homens de uma guarnição de dois mil, sendo necessário mandar vir reforços do Rio de Janeiro para recompor a tripulação. De setembro a outubro de 1918, o Piauí participou da defesa das ilhas de Cabo Verde. Em novembro, partiu de Dacar junto com o Bahia, fundeando em Gibraltar, e, em janeiro do ano seguinte, seguiu para Portsmouth. Parreiras foi promovido a primeiro-tenente em fevereiro de 1919 e voltou ao Brasil em maio.

Em setembro de 1920, Parreiras foi designado para embarcar no transporte de guerra Belmonte e, em junho do ano seguinte, passou para o contratorpedeiro Sergipe. Representou a Marinha no Congresso de Combustíveis Nacionais reunido em 1922 e, em janeiro de 1923, passou para a flotilha de Mato Grosso, servindo no navio Oiapoque e no monitor Pernambuco. Voltou ao Rio em fevereiro de 1924 e cursou, de abril a outubro, a Escola de Submersíveis da Armada.

 

A Conspiração Protógenes

A segunda revolta do ciclo tenentista da década de 1920 irrompeu em São Paulo, Sergipe e Amazonas em 5 de julho de 1924, sendo rapidamente dominada nos dois últimos estados. No entanto, os rebeldes paulistas comandados por Isidoro Dias Lopes ocuparam a capital do estado por três semanas, abandonando-a em seguida e deslocando-se para o interior. No Rio de Janeiro, então Distrito Federal, havia um esquema de sublevação montado para apoiar a revolta paulista. Ao comandante Protógenes Guimarães estava confiada a direção do movimento na Esquadra, o qual deveria ser deflagrado a 21 de outubro de 1924, numa ação geral que contaria inclusive com a participação de civis. A polícia carioca acabou prendendo, na noite de 20 de outubro, os principais cabeças da conspiração, que ficou conhecida como Conspiração Protógenes. Em novembro, Ari Parreiras foi preso e em seguida condenado ao degredo na ilha da Trindade. Nesse mesmo mês, o encouraçado São Paulo sublevou-se e seguiu para Montevidéu, de onde os oficiais rebeldes partiram para juntar-se aos revoltosos de 1924 no Rio Grande do Sul.

Parreiras ficou preso até o início de janeiro de 1927. Pronunciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a 8 de janeiro foi novamente detido, permanecendo na prisão até maio, quando foi libertado. Em dezembro de 1928, foi promovido por antigüidade a capitão-tenente. Em acórdão do STF de maio de 1929, foi condenado a um ano de reclusão, acusado de ter participado da Conspiração Protógenes, não sendo recolhido à prisão por já ter cumprido a pena.

 

A Revolução de 1930 e a interventoria no Rio de Janeiro

Ari Parreiras foi um elemento ativo na preparação da Revolução de 1930. Ajudou Juarez Távora, o articulador do movimento no Nordeste, a fugir da fortaleza de Santa Cruz, no Rio e, em 18 de outubro do mesmo ano, foi considerado desertor. Com a vitória da revolução e a deposição do presidente da República Washington Luís em 24 de outubro, Getúlio Vargas subiu ao poder e decretou a anistia no dia 8 de novembro. Parreiras beneficiou-se com a medida e passou a fazer parte da comissão de sindicância criada pelo Governo Provisório para apurar irregularidades e delitos políticos e administrativos no Ministério da Marinha. Em dezembro, foi nomeado oficial-de-gabinete do novo ministro da Marinha, Conrado Heck.

Ainda em 1930, o Governo Provisório criou uma justiça revolucionária, para fiscalizar a implantação das medidas preconizadas pela revolução. Foi formada uma comissão composta por Osvaldo Aranha, Ari Parreiras e um oficial do Exército, que deveriam encaminhar as denúncias recebidas. Depois de algum tempo de trabalho, a comissão pediu sua própria extinção, pois, segundo Osvaldo Aranha, era impossível apurar as denúncias na medida em que havia sempre alguém ligado ao governo revolucionário interferindo em favor dos acusados.

O governo criou em seguida, no final de 1930, o Tribunal Especial, transformado no ano seguinte em Junta de Sanções e depois em Comissão de Correição Administrativa. Esta última foi integrada por Osvaldo Aranha, Ari Parreiras e Juarez Távora. A comissão exigiu o prosseguimento das sindicâncias já iniciadas pelo Tribunal Especial no Banco do Brasil, apesar da oposição do ministro da Fazenda, José Maria Whitaker, ex-presidente da instituição. Para prosseguir com a devassa, Parreiras e Távora afastaram da diretoria do banco Pedro Luís Correia e Castro, amigo de Whitaker, acusado no inquérito não só de manipular os negócios bancários mas também de embaraçar as sindicâncias. O próprio Whitaker foi denunciado, mas, no final do inquérito, não se conseguiu provar a culpa de Correia e Castro.

Ao lado de Osvaldo Aranha, Juarez Távora, Pedro Ernesto Batista, José Américo de Almeida e João Alberto Lins de Barros, Parreiras fez parte do Gabinete Negro, denominação dada pela imprensa ao grupo de “tenentes” e revolucionários civis que se reunia no palácio Guanabara em torno de Vargas imediatamente após a revolução com o objetivo de discutir o futuro do governo. O Gabinete Negro seria o embrião do Clube 3 de Outubro, criado em maio de 1931 com Parreiras na vice-presidência, congregando as correntes tenentistas favoráveis ao aprofundamento das reformas instituídas pela revolução.

Em dezembro de 1931, Ari Parreiras foi exonerado do cargo de oficial-de-gabinete do ministro da Marinha e nomeado interventor federal no estado do Rio de Janeiro. Como não possuía base política no estado, teve de enfrentar a oposição da oligarquia local, num processo semelhante ao que aconteceu em outras unidades da Federação, onde o governo não conseguiu se organizar de forma independente através dos interventores, ficando à mercê de alianças com as forças políticas tradicionais.

Em novembro de 1933, quando da instalação da Assembléia Nacional Constituinte, Ari Parreiras, que se esquivara da filiação a qualquer dos partidos criados com vistas às eleições, participou, junto com Francisco Antunes Maciel, Juraci Magalhães e José Américo de Almeida, de uma reunião em que foi debatida a organização da Assembléia.

Para discutir a constitucionalização do país, em fevereiro de 1934 reuniram-se no gabinete do ministro da Marinha, Protógenes Guimarães, o ministro da Guerra, general Pedro Aurélio de Góis Monteiro, os interventores na Bahia, Juraci Magalhães, e em Minas Gerais, Benedito Valadares, os deputados Antônio Carlos de Andrada, presidente da Assembléia, Antônio Garcia de Medeiros Neto, líder da maioria, Augusto Simões Lopes, líder da bancada do Rio Grande do Sul, Alfredo de Arruda Câmara, líder da bancada de Pernambuco, Augusto do Amaral Peixoto, do Partido Autonomista do Distrito Federal, e Stanley Gomes, irmão de Eduardo Gomes. Nesse encontro, ficou resolvido que todos os presentes e mais o interventor Ari Parreiras participariam de outra reunião com o deputado Levi Carneiro, membro da Comissão Constitucional da Assembléia, na qual o consultariam sobre a fórmula jurídica mais adequada para promover a constitucionalização imediata do país. Já que a Indicação Medeiros Neto — que sugeria a inversão dos trabalhos da Constituinte, com a eleição do presidente da República antes da aprovação do texto constitucional — fora descartada, foi proposta uma solução conciliatória, a Fórmula Levi Carneiro, prevendo a eleição presidencial para dentro de 15 a 20 dias, depois da aprovação em bloco tanto do projeto da Comissão Constitucional, que seria adotado como Constituição provisória, como dos atos do Governo Provisório de Getúlio Vargas. A Fórmula Levi Carneiro seria finalmente preterida em favor da Fórmula Simões Lopes, que garantia a votação da Constituição antes da eleição para a presidência.

Segundo o Diário da Manhã, de Recife, do dia 18 de março de 1934, Ari Parreiras declarou-se desolado com os trabalhos da Constituinte, achando que o texto constitucional aprovado pela maioria parlamentar não tinha afinidade alguma com as condições político-sociais do país. Na entrevista, Parreiras revelou também ser contrário à transformação da Assembléia em Congresso ordinário. Em 10 de maio de 1934, Parreiras foi promovido por merecimento a capitão-de-corveta.

Com o fim dos trabalhos da Constituinte em julho de 1934, Vargas foi eleito presidente da República e no mês de outubro realizaram-se em todo o país eleições para a Câmara Federal e as assembléias constituintes estaduais, encarregadas por sua vez de eleger governadores e senadores. No estado do Rio, mantendo-se alheio aos partidos políticos e recusando-se a se candidatar ao governo, Ari Parreiras não conseguiu encaminhar sua própria sucessão, que passou a ser disputada pelo general Cristóvão Barcelos, candidato da União Progressista Fluminense (UPF), e o almirante Protógenes Guimarães, apoiado pela Coligação Radical Socialista, que congregava o Partido Popular Radical (PPR) e o Partido Socialista Fluminense (PSF). Devido à importância que o governo do Rio de Janeiro teria na escolha do sucessor de Vargas nas eleições previstas para 1938, as eleições fluminenses despertaram também o interesse do governo federal e de alguns governos estaduais: enquanto o general Barcelos era apoiado pelos governos de Minas e do Rio Grande do Sul, o almirante Protógenes contava com a simpatia dos governos federal e de São Paulo.

Após tentar em vão um acordo entre os adversários, Parreiras apresentou a Vargas, em janeiro de 1935, um pedido de renúncia ao cargo de interventor, não sendo atendido. Agravaram-se então as suspeitas de que o governo federal estaria articulando a substituição de Parreiras por um interventor ligado a seu esquema político. Em telegrama datado de março de 1935, Cristóvão Barcelos denunciou a José Antônio Flores da Cunha, então interventor no Rio Grande do Sul, as manobras de Vargas. Apesar de demissionário, Parreiras comprometeu-se a promover as eleições.

Em 1º de outubro de 1935, Parreiras escreveu confidencialmente a Vargas dizendo-lhe, entre outras coisas, que não acreditava mais na eficiência do regime. Para resolver os problemas surgidos nos estados, defendeu a criação de um partido do governo que orientasse as lideranças estaduais. Sendo um dos postulados da Revolução de 1930 a separação entre a detenção do poder e a chefia partidária, Parreiras acreditava ter-se mantido alheio às competições nesse nível, o que lhe garantia ampla liberdade de pronunciamento.

Ainda em outubro foram realizadas na Assembléia fluminense as eleições para o governo do estado, marcadas por atos de violência que chegaram a provocar ferimentos a bala num dos deputados do PSF e no próprio general Barcelos. O almirante Protógenes Guimarães venceu o pleito, mas a UPF entrou com recurso, denunciando as precárias condições de segurança sob as quais se realizara a votação, e conseguindo que a Justiça Eleitoral anulasse os resultados e convocasse novas eleições.

Empenhado em impedir o fortalecimento do projeto continuísta de Vargas, Flores da Cunha apoiou o recurso impetrado por Cristóvão Barcelos, acusando o presidente de, através do ministro da Justiça, Vicente Rao, pressionar os constituintes fluminenses a votar em Protógenes. Agindo desse modo, Flores da Cunha aprofundou suas divergências com Vargas, o que provocaria sua renúncia ao governo do Rio Grande do Sul às vésperas do golpe do Estado Novo, em 1937.

Em 8 de novembro de 1935, Ari Parreiras deixou a interventoria no estado do Rio, sendo substituído pelo coronel Newton de Andrade Cavalcanti. No dia 12, realizou-se nova votação na Assembléia e Protógenes Guimarães foi eleito por maioria de um único voto, tomando posse no ato.

Durante a administração de Ari Parreiras, o estado do Rio de Janeiro encontrava-se em péssima situação financeira. O interventor procurou sanear as finanças, reduzindo despesas e fiscalizando a arrecadação e a aplicação das rendas públicas através da criação, em 1932, do Conselho Econômico do estado. Com o mesmo objetivo, reduziu as taxas de exportação, financiou a indústria açucareira nos períodos de entressafra e construiu 20 usinas de beneficiamento de café. Construiu ainda muitas estradas de rodagem, além de instalar linhas regulares de ônibus entre Niterói e outros municípios.

Parreiras criou em 1933 o Departamento de Educação e Iniciação ao Trabalho, que substituiu a antiga Diretoria de Instrução Pública do estado do Rio. Reformou escolas velhas e construiu novas, além de criar o Conselho de Educação e estimular o ensino superior. Reformou vários hospitais e deu grande apoio à luta contra o tifo que grassava no estado, sobretudo em Angra dos Reis. Incentivou os municípios a criarem hospitais e escolas e a instalarem redes elétricas. Melhorou por fim as instalações da penitenciária do estado, criou a polícia técnica e reaparelhou o Diário Oficial.

 

A volta à Marinha

No mesmo dia em que deixou a interventoria, Ari Parreiras voltou ao serviço ativo na Marinha. Ainda em novembro, eclodiu em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e no Rio um levante promovido pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), cujo fracasso levou à prisão seus organizadores. Antes de ser preso, Luís Carlos Prestes escreveu a Roberto Sisson, da direção da ANL, definindo a orientação a ser seguida na luta antifascista e recomendando a aproximação com a Marinha através de dois de seus representantes: Protógenes Guimarães e Ari Parreiras.

Em março de 1936, Ari Parreiras foi designado pelo Ministério da Agricultura para fazer parte de uma comissão de inquérito sobre a questão do petróleo no Brasil. Ainda nesse mês, passou a servir no encouraçado Minas Gerais. Em fevereiro de 1937, foi promovido a capitão-de-fragata.

Após a instauração do Estado Novo (10/11/1937), nos primeiros meses de 1938 o Conselho Federal de Comércio foi reestruturado e encarregado por Vargas de tratar da questão siderúrgica. Em função das divergências entre os técnicos do conselho, Vargas nomeou uma comissão especial para estudar o assunto, da qual Ari Parreiras participou como representante das forças armadas. Na primeira reunião, Parreiras se bateu pela implantação da indústria siderúrgica no Brasil, segundo ele fator fundamental para o desenvolvimento econômico global. No final de março de 1939, a comissão enviou parecer a Vargas recomendando a criação da indústria siderúrgica brasileira. Devido à situação política — começava a Segunda Guerra Mundial, tornando-se necessário produzir aço devido às dificuldades de importação — Getúlio submeteu o parecer ao Conselho de Segurança Nacional, que o aprovou, sugerindo que o capital para o projeto fosse misto (estatal e particular), com maioria (51%) de capital brasileiro. Finalmente, em 1941, depois de fracassadas as negociações com capitais privados norte-americanos, seria constituída a Companhia Siderúrgica Nacional, com o auxílio de recursos provenientes do governo dos Estados Unidos. A usina de Volta Redonda entraria em funcionamento em 1945.

Ainda em março de 1939, Parreiras desembarcou do Minas Gerais e foi designado para servir no Arsenal de Marinha, no Rio, onde foi nomeado instrutor do Curso Especial de Aperfeiçoamento para Oficiais de Máquinas. Em maio do mesmo ano, foi promovido a capitão-de-mar-e-guerra. Em setembro de 1940, deixou o Curso de Aperfeiçoamento e, em novembro, desligou-se do Arsenal, por ter sido designado para servir na Diretoria de Engenharia Naval.

Junto com outros oficiais, Parreiras foi escolhido, em maio de 1941, para construir uma base naval em Natal que, em virtude da Segunda Guerra Mundial, havia-se tornado um importante ponto estratégico, onde os norte-americanos mantinham bases militares. Nesse mesmo mês foi promovido a contra-almirante e, em outubro de 1941, partiu para Natal. Em março de 1944, deixou a comissão de instalação da base e passou para a sua diretoria geral, aí permanecendo até abril de 1945. No mês seguinte, foi escolhido presidente da Comissão de Abastecimento de Sobressalentes de Contratorpedeiros e Caças-Submarinos e promovido a vice-almirante.

No início de 1945, as forças de oposição a Vargas procuraram se aglutinar em torno de um candidato que tivesse apoio militar para concorrer às eleições presidenciais marcadas para dezembro desse ano. Juraci Magalhães, Virgílio de Melo Franco, Odilon Braga e outros políticos sugeriram o nome de Eduardo Gomes, que ficou de pensar no assunto e consultar seus amigos Ari Parreiras, Olímpio Falconière da Cunha e Juarez Távora. Parreiras apoiou inteiramente a indicação, assim como Falconière e Távora, tornando-se Eduardo Gomes o candidato das oposições, unidas em torno da União Democrática Nacional (UDN). Por outro lado, em meados de março, Vargas, ainda que não estivesse totalmente resolvido a apoiar Eurico Dutra, pediu ao interventor em Minas Gerais, Benedito Valadares, para coordenar a candidatura do ministro da Guerra à presidência.

Os oposicionistas continuaram a se articular. Em carta a Juarez Távora, Parreiras se referiu ao papel que deveriam ter as forças armadas no processo de democratização do país e a seu receio de que o pleito, devido ao clima de insegurança e desconfiança, pudesse levar a uma guerra civil.

Uma reportagem publicada no Correio da Manhã em 2 de junho de 1945 comentou um encontro de Parreiras com Vargas, no qual Parreiras teria mencionado a possibilidade de um terceiro candidato à presidência. Vargas declarou em seguida a Dutra que o tertius era idéia de Parreiras. A confusão foi desfeita através de um encontro entre Dutra e Parreiras, em que foram estudadas três soluções para o problema sucessório: a desistência de um dos candidatos em favor do adversário para fazer frente a Vargas e aos integralistas; a desistência dos dois candidatos em benefício de um terceiro e, finalmente, a manutenção das duas candidaturas, travando-se uma luta leal dentro da ordem. A terceira solução acabou prevalecendo. Em outubro de 1945, Vargas foi deposto, chegando ao fim o Estado Novo. No dia 2 de dezembro, realizaram-se as eleições presidenciais que deram a vitória a Dutra.

Ari Parreiras faleceu em Niterói no dia 9 de julho de 1945, e teve seu nome dado a um navio-transporte da Marinha brasileira.

Foi casado com Araci Sardinha Parreiras.

Sobre sua atuação, foram publicadas as obras de Hélio Leôncio Martins, Almirante Ari Parreiras (1966), e de João Batista de Vasconcelos, O comandante Ari Parreiras (1940).

Robert Pechman

 

 

FONTES: ANDREA, J. Marinha; ARQ. CLUBE 3 DE OUTUBRO; CALMON, P. História; COUTINHO, L. General; Encic. Mirador; FIGUEIREDO, E. Contribuição; Grande encic. Delta; Histórico; JARDIM, R. Aventura; LACOMBE, L. Chefes; LEVINE, R. Vargas; MORAIS, A. Minas; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; SERV. DOC. GER. MARINHA; SILVA, H. 1935; TÁVORA, J. Vida; Tribuna Popular (10/7/45); VASCONCELOS, J. Comandante.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados