PAULO EGYDIO MARTINS

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Nome: EGYDIO, Paulo
Nome Completo: PAULO EGYDIO MARTINS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
EGÍDIO, PAULO

EGYDIO, Paulo

*min. Ind. Com. 1966-1967; gov. SP 1975-1979.

Paulo Egydio Martins nasceu na cidade de São Paulo no dia 2 de maio de 1928, filho de Paulo César Gomes Martins e de Júlia Machado Martins.

Cursou o primário no Grupo Escolar Cesário Bastos e no Instituto Brás Cubas, em Santos (SP). O curso secundário foi iniciado no Colégio Santista e concluído no Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Formou-se em engenharia civil na Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1951.

Logo após ingressar na Escola Nacional de Engenharia, passou a desenvolver intensa atividade política no meio estudantil, sendo eleito presidente da União Metropolitana dos Estudantes (UME), em 1948. Durante sua gestão foi criado o restaurante do Calabouço, no Centro do Rio, que servia refeições aos estudantes a preços módicos.

Em julho de 1950, durante o XIII Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), apoiou a candidatura de Olavo Jardim Campos, ligado ao partido da União Democrática Nacional (UDN), para a presidência da entidade. A vitória de Olavo Campos representou o início da influência política da UDN na UNE, determinando uma mudança na trajetória da entidade, cuja presidência estivera nos anos anteriores em mãos das forças de esquerda. Nessa mesma ocasião, Paulo Egydio elegeu-se secretário internacional da UNE. Em 1950 e 1951 foi diretor de Relações Internacionais e secretário internacional. No exercício deste cargo, em 1951 representou o Brasil no Congresso Internacional de Estudantes, realizado em Edimburgo, na Escócia, fez conferências na França, na Itália e nos EUA, onde pronunciou palestras na Universidade de Harvard e no Vassar College. No final do ano formou-se engenheiro civil.

Membro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro em 1952, no ano seguinte foi nomeado superintendente do departamento de engenharia da Byington & Companhia, onde ingressara em 1947, de propriedade da família de Brasília Byington, com quem se casou. Em 1954, tornou-se membro do Instituto de Engenharia de São Paulo. De 1958 a 1962 conciliou sua função na empresa com a de gerente-geral da Companhia Geral de Minas, empresa de mineração de zircônio e bauxita. Em 1962, deixou as duas empresas e assumiu a presidência da Companhia Mineira de Alumínio S.A. (Alcominas, que depois se transformou na Alcoa do Brasil S.A.). Permaneceu no cargo até o início de 1966.

Em outubro de 1963, Paulo Egydio começou a participar das articulações políticas para depor o presidente João Goulart. Seu escritório na rua Bela Vista, na capital de São Paulo, tornou-se um dos pontos de reunião dos mentores do movimento que instaurou o regime militar em abril de 1964.

Em 22 de março de 1965 concorreu às eleições para a sucessão de Francisco Prestes Maia na prefeitura de São Paulo. O pleito foi aguardado com expectativa devido ao grande número de concorrentes e ao temor dos resultados eleitorais. Pela primeira vez após a instauração do regime de exceção, os partidos disputariam um cargo tão importante. Além disso, para o governo federal significava um teste à sua capacidade de absorver embates políticos. Venceu o brigadeiro José Vicente Faria Lima, apoiado pelo ex-presidente da República Jânio Quadros, seguido por Laudo Natel, candidato do ministro da Guerra, general Artur da Costa e Silva. Em terceiro lugar ficou Auro de Moura Andrade, candidato do ex-governador Ademar de Barros. Na quarta colocação estava Pedro Geraldo Costa e, em quinto, Paulo Egydio Martins, que concorreu pela UDN, embora não fosse filiado ao partido. Lançado à última hora pelos círculos políticos e militares governistas, Paulo Egydio obteve cerca de 90 mil votos, superando a votação de André Franco Montoro, Juvenal Lino de Matos e de Januário Mantelli Neto, que ficaram nos últimos lugares.

Ministério da Indústria e do Comércio

Em janeiro de 1966, Paulo Egydio assumiu o Ministério da Indústria e do Comércio (MIC) no governo do presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967). Sucessor de Daniel Faraco, participou intensamente dos debates sobre o Plano de Ação Econômica do Governo, sob a orientação do ministro do Planejamento, Roberto Campos. Foi um dos sustentáculos, na cúpula governamental, da política de recessão implementada por Campos. Criado para combater a inflação, o plano favoreceu o processo de concentração econômica. Data desse período sua declaração de que “a falência é essencial como elemento de purificação do sistema capitalista”.

Em 27 de outubro de 1965, os partidos políticos foram extintos pelo Ato Institucional nº 2. No início de 1966, o governo militar instaurou o bipartidarismo. No dia 24 de março foi fundado o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que reunia a oposição oficial ao regime. Em 4 de abril as forças políticas comprometidas com os rumos do movimento político-militar de março de 1964 criaram a Aliança Renovadora Nacional (Arena), à qual Paulo Egydio se filiou.

Um mês após a fundação da Arena, um documento enviado por arenistas de São Paulo ao presidente Castelo Branco denunciava conhecidos líderes do estado, entre os quais os ex-governadores Carlos Alberto Carvalho Pinto, Jânio Quadros e Ademar de Barros, como adversários do regime militar. Além da denúncia, o comunicado propunha o nome de alguns arenistas — o deputado Herbert Levy, ex-udenista, o empresário Gastão Vidigal, o coronel José Meira Matos, o engenheiro Roberto de Abreu Sodré e Paulo Egydio Martins — como possíveis candidatos do partido às eleições indiretas para governador de São Paulo, a serem realizadas pela Assembléia Legislativa estadual.

Em 18 de julho de 1966, Paulo Egydio substituiu por três meses o ministro do Trabalho e da Previdência Social, coronel Válter Peracchi Barcelos, escolhido pela Arena gaúcha para concorrer às eleições indiretas ao governo do Rio Grande do Sul, marcadas para setembro seguinte.

Em agosto, um documento divulgado pelo presidente interino do Instituto Brasileiro do Café (IBC), Luís Gonzaga Murat, explicava as novas bases da política governamental para a cafeicultura, aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional. O novo programa tinha como objetivo racionalizar a produção do café, tornando seus preços mais competitivos no mercado internacional. Diante disso, algumas medidas foram aprovadas visando desestimular a superprodução do café através da substituição das plantações e da industrialização agropecuária nas áreas destinadas a seu cultivo. Paulo Egydio foi favorável a essas modificações, declarando que, pela primeira vez, o Brasil podia defender uma política de exportação de café coerente com seus interesses.

Paralelamente a esses fatos, foi elaborada pelo governo federal uma lista de possíveis candidatos arenistas à sucessão paulista, da qual constavam os nomes propostos no documento anteriormente apresentado. No escrutínio realizado pela Arena, o nome que maior número de votos obteve foi o de Abreu Sodré, seguido do de Laudo Natel. Paulo Egydio e Sílvio Fernando Lopes alcançaram a mesma votação, ficando em terceiro lugar na preferência dos arenistas. Depois de encaminhados os resultados da votação ao presidente da República, este delegou poderes decisórios à comissão executiva da Arena paulista, que homologou o nome de Abreu Sodré, eleito pela Assembléia Legislativa em 3 de setembro de 1966.

Em janeiro de 1967, Paulo Egydio embarcou para a Europa como chefe da missão comercial brasileira cuja principal função era estabelecer acordos com países da Europa Oriental, principalmente União Soviética e Polônia, onde foi muito bem-sucedido, e Tchecoslováquia. Visitou também a sede do Mercado Comum Europeu, em Bruxelas, e finalizou a viagem no Departamento do Comércio dos EUA, em Washington.

Em decorrência das atribuições específicas de titular da pasta da Indústria e Comércio, Paulo Egydio acumulou as funções de vice-presidente do Conselho Monetário Nacional e presidente do Conselho Nacional de Comércio Exterior — criado durante sua gestão e precedido de ampla reforma da legislação política brasileira relativa ao comércio exterior. Presidiu também o Conselho Nacional de Seguros Privados — onde promoveu uma reformulação na política de seguros —, a Comissão Consultiva de Política Industrial e Comercial, a Comissão Executiva do Sal e o Conselho Nacional da Borracha, além da Comissão de Desenvolvimento Industrial que se transformou depois em conselho. Durante sua gestão foram criados ainda o Conselho Nacional de Turismo e a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur). Foram extintos os institutos do Pinho, da Borracha e do Sal, e redigidos os decretos que encerrariam as atividades dos institutos do Café e do Açúcar, que acabaram não sendo promulgados durante aquele governo. Promoveu também uma revisão na estrutura do ministério no que se referia à área da secretaria geral.

Em 15 de março de 1967, o marechal Artur da Costa e Silva foi empossado no cargo de presidente da República. Na ocasião, Paulo Egydio transmitiu o cargo de ministro da Indústria e Comércio a Edmundo de Macedo Soares e Silva.

Durante os anos seguintes dedicou-se à vida empresarial. Ainda em 1967 entrou para o grupo Comind, fazendo parte, a partir deste ano, do Conselho de Administração do Banco do Comércio e Indústria de São Paulo S.A. A partir de 1968 acumulou esta função com a de presidente da Comind Companhia de Seguros S.A. e da Comind S.A. de Crédito Imobiliário, cargos que ocupou até 1974.

Em 1969, foi nomeado membro da junta arbitral da Organização Internacional do Café (OIC), em Londres, convocada para tentar um novo acordo entre o Brasil e os EUA sobre o café solúvel. Em 1970 assumiu o cargo de superintendente do Consórcio de Desenvolvimento Integrado do vale do Paraíba (Codivap), órgão da administração estadual destinado a promover a união das prefeituras e municípios da região. Eleito pelos 35 prefeitos, elaborou em sua gestão o mais completo estudo sobre o vale do Paraíba. Entre 1971 e 1974, conciliou suas demais funções no setor privado com a de diretor da Ericsson do Brasil Comércio e Indústria.

Em 29 de março de 1974, Paulo Egydio foi indicado pelo novo presidente da República, general Ernesto Geisel — empossado no dia 15 daquele mês —, para suceder a Laudo Natel à frente do governo de São Paulo, o primeiro estado a ter sua sucessão decidida. Seu nome, porém, não contou com o apoio do governador. Surgiram rumores de que o escolhido seria Antônio Delfim Neto, ministro da Fazenda no governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Delfim foi, afinal, preterido em favor de Paulo Egydio e nomeado embaixador do Brasil na França.

Governador de São Paulo

Depois de ter seu nome aprovado pela Assembléia Legislativa paulista em outubro de 1974, Paulo Egydio foi empossado no governo de São Paulo em 15 de março de 1975. Um dos primeiros desafios do novo governador foi a estruturação da Arena paulista, com várias correntes políticas atuantes no estado. A grande disputa interna impediu que o partido criasse uma máquina política e administrativa relativamente sólida. Das diversas forças políticas existentes, apenas a corrente remanescente do Partido Social Progressista (PSP), fundado pelo ex-governador Ademar de Barros, conseguira manter sua máquina política em funcionamento, em particular no interior, razão pela qual tinha crescente influência dentro do partido.

Essa realidade se expressava na composição política do secretariado formado por Paulo Egydio, do qual participavam o deputado Ademar de Barros Filho, secretário de Administração; Jorge Maluly Neto, secretário do Trabalho; Rui Silva, secretário de Esportes e Turismo — todos ex-integrantes do PSP —, e Rafael Baldacci Filho, secretário do Interior, ligado num primeiro momento ao brigadeiro Faria Lima e, posteriormente, a Jânio Quadros.

Com relação à política nacional, em meados de 1975 Paulo Egydio participou — juntamente com os governadores de Minas Gerais, Aureliano Chaves, e do Rio Grande do Sul, Sinval Guazzelli — da tentativa de formar um “tripé de suporte” à política de distensão do presidente Ernesto Geisel. O embrião da articulação política dos três governadores não chegou, porém, a se desenvolver.

Em 25 de outubro de 1975, em meio à tensão que cercava o projeto de abertura política gradual do governo Geisel, o jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura de São Paulo — emissora do governo paulista —, foi assassinado nas dependências do II Exército, sediado em São Paulo e comandado pelo general Ednardo Dávila Melo, com quem o governador mantinha relações delicadas desde o início de sua gestão. A morte do jornalista teve sérias repercussões, mobilizando diversos setores sociais em repúdio às prisões e assassinatos políticos. A imprensa interpretou-a como um desafio do aparelho de repressão ao projeto de Geisel. Em novembro — após a realização do culto religioso em memória do jornalista, oficiado pelo cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns — Paulo Egydio declarou que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) estava em fase de reestruturação e acusava Herzog de pertencer a seus quadros, justificando assim sua prisão. O desgaste político do governo com a morte de Herzog, repetido em janeiro do ano seguinte com o assassinato do operário Manuel Fiel Filho nas mesmas circunstâncias, levou à substituição do general Ednardo Dávila pelo general Dilermando Monteiro no comando do II Exército ainda em janeiro de 1976. Fortalecia-se assim o projeto de abertura no interior das forças governistas.

Em agosto desse mesmo ano, às vésperas das eleições municipais, marcadas para 15 de novembro, Paulo Egydio declarou, na cidade de Araraquara (SP), que a Arena, no estado de São Paulo, perderia para o MDB por cerca de quinhentos mil votos no interior e por um milhão e duzentos mil na capital. Essa declaração provocou violentos protestos dentro do partido, especialmente por parte do ex-governador de São Paulo Laudo Natel, segundo o qual a Arena tinha dois grandes adversários naquele estado: o MDB e o próprio Paulo Egydio.

Em 28 de abril de 1977, um grupo de estudantes e operários foi preso pela polícia paulista quando mobilizava os trabalhadores na porta das fábricas para a comemoração do 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho. Houve forte reação política, sobretudo entre os estudantes, desencadeando uma série de manifestações de protesto duramente reprimidas pela polícia. Em declaração aos jornais, Paulo Egydio denunciou a infiltração comunista no movimento estudantil, afirmando que permitiria a realização das manifestações desde que se restringissem aos campi universitários e que fossem comprovados os objetivos especificamente estudantis do movimento.

Em setembro de 1977 houve novo confronto do governo Paulo Egydio com os estudantes. O III Encontro Nacional dos Estudantes (III ENE), que havia sido proibido em todo o território nacional, fora marcado para São Paulo por ser o estado que oferecia melhores condições políticas para a sua realização devido à força de seu movimento estudantil. Em 20 de setembro, o governador reafirmou a posição do governo federal e proibiu o encontro na capital paulista. Mesmo assim, os estudantes conseguiram fazer um encontro de menores proporções em local não divulgado, no centro de São Paulo.

Dois dias depois, quando os estudantes estavam reunidos no campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, comemorando a realização do III ENE, tropas policiais comandadas pelo secretário de Segurança, coronel Antônio Erasmo Dias, invadiram as dependências da universidade. Centenas de alunos ficaram feridos e as instalações da PUC-SP danificadas.

O episódio provocou manifestações de protesto de diversos setores da sociedade, especialmente da Igreja Católica, que proclamaram seu repúdio à violação da autonomia universitária. Em outubro, Paulo Egydio emitiu nota oficial do governo paulista, na qual justificava a invasão da universidade e declarava ser contrário à tese da autonomia universitária, defendida pelo cardeal Paulo Evaristo Arns, alegando que também as universidades estavam sujeitas à legislação.

Em janeiro de 1978, a sucessão aos governos estaduais estava na ordem do dia. Em São Paulo, Laudo Natel e Delfim Neto eram os candidatos com maiores possibilidades de ser indicados pelo governo federal. Paulo Egydio, que apoiava como candidato o prefeito da capital, Olavo Setúbal, promoveu uma pesquisa plebiscitária junto a todos os prefeitos arenistas do estado. Cada prefeito enviou um telegrama ao presidente, general João Batista Figueiredo, com o nome do candidato de sua preferência. Os resultados apontaram o secretário da Fazenda do governo de São Paulo, Murilo Macedo, como o mais cotado para o cargo, seguido de Rafael Baldacci Filho, Laudo Natel, Delfim Neto, Olavo Setúbal, Manuel Ferreira Filho (vice-governador), Ademar de Barros Filho, Jorge Maluly Neto e, finalmente, Paulo Salim Maluf, ex-prefeito de São Paulo. Em fevereiro, um telegrama enviado pelos quatrocentos prefeitos da Arena paulista ao general Figueiredo propunha que fosse conferida ao governador a arbitragem da sucessão no estado. Dias mais tarde, quatro candidatos ao governo de São Paulo — Olavo Setúbal, Rafael Baldacci Filho, Murilo Macedo e Delfim Neto — assinaram um documento no qual atribuíam a Paulo Egydio poder de decisão na questão sucessória. Essa atitude motivou a declaração de Figueiredo alertando para a possibilidade de intervenção federal no processo sucessório paulista em caso de cisão dentro da Arena.

Em abril, Paulo Egydio foi informado por Geisel de que o candidato do general Figueiredo era Laudo Natel, o que jogava por terra suas pretensões de eleger Olavo Setúbal. Porém, a decisão dos políticos da Arena paulista na convenção surpreendeu a todos: o escolhido para concorrer às eleições indiretas ao governo de São Paulo foi o engenheiro Paulo Maluf.

Ainda em junho de 1978, Paulo Egydio recusou o convite do deputado emedebista Israel Dias Novais para integrar a recém-formada Frente Nacional pela Redemocratização, composta pelo MDB, alguns membros da Arena — entre os quais o senador mineiro José de Magalhães Pinto — e setores das forças armadas, nos quais se incluía o nome do general Euler Bentes Monteiro. Paulo Egydio justificou sua recusa alegando a diferenciada composição política do grupo e o fato de abrigar linhas de pensamento contrárias à sua visão política. Nesse mesmo mês, o governador paulista deixou clara sua disposição de lutar por um outro candidato ao governo do estado, caso a candidatura de Maluf fosse impugnada pelas autoridades federais. Afirmou também que, embora não tivesse se proposto a uma composição política ou administrativa com Maluf, se empenharia firmemente na eleição de um correligionário da Arena para seu sucessor. Finalmente, em 1º de setembro, Maluf foi escolhido pelo colégio eleitoral paulista para governar o estado.

Em fevereiro de 1979, Paulo Egydio declarou, em entrevista aos jornais no palácio Bandeirantes, sede do governo paulista, ser favorável à legalização do Partido Comunista e ao retorno ao Brasil de seu secretário-geral, Luís Carlos Prestes, apoiando também a criação de um partido fascista no país. Em 15 de março. transmitiu o cargo de governador a Maluf.

Críticas ao governo

A partir de então, Paulo Egydio passou a marcar seu posicionamento político por sucessivas declarações de cunho liberal. Em julho de 1979 tornou público seu apoio à proposta de “anistia ampla, geral e irrestrita”, defendida pelo MDB, e à reintegração dos exilados à vida política brasileira. Fez diversas críticas à política energética executada pelo governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), declarando seu apoio à candidatura de Olavo Setúbal às eleições diretas para o governo de São Paulo em 1982.

Em 29 de novembro de 1979 foi aprovado pelo Congresso Nacional, por decurso de prazo, um projeto enviado pelo presidente Figueiredo que extinguia os dois partidos políticos existentes desde 1966 e abria espaço para a reestruturação partidária. Em dezembro do mesmo ano, Paulo Egydio anunciou sua adesão ao partido a ser criado pelo senador mineiro Tancredo Neves. Quando o Partido Popular (PP) foi fundado, filiou-se.

Em junho de 1980 criticou severamente as agressões sofridas por populares que promoviam manifestação contrária ao governador Maluf em uma de suas visitas à periferia da cidade de São Paulo, no bairro da Freguesia do Ó. Denunciou também a existência de uma força paramilitar ligada ao governo do estado, responsável pela violenta repressão aos manifestantes. Em setembro do mesmo ano acusou o deputado Erasmo Dias de ter sido o responsável pela invasão da PUC, ocorrida três anos antes, quando era governador do estado. Em outubro afirmou ter sido ameaçado pelo governo federal, em 1978, de ser cassado pelo Ato Institucional nº 5 (13/12/1968), caso apresentasse a candidatura de Setúbal à sua sucessão no governo de São Paulo.

Em maio de 1981, Paulo Egydio foi cogitado como possível candidato do PP a uma vaga no Senado ou na Câmara dos Deputados. Em agosto passou a integrar, como terceiro vice-presidente, a comissão executiva regional do partido.

Uma mudança alterou pouco depois o cenário político. Em 29 de novembro do mesmo ano, o presidente Figueiredo apresentou um projeto de reforma eleitoral, conhecido como “pacotão”. Entre outras medidas, proibia a formação de coligações entre os diversos partidos, estabelecendo ainda a vinculação a um único partido de todos os cargos a serem votados nas eleições diretas de novembro de 1982. Aprovada pelo Congresso, a reforma atingiu diretamente alguns partidos ainda em fase de articulação nacional, entre os quais o PP, desencadeando em seus quadros uma tendência a incorporá-lo ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). A fusão do PP ao PMDB foi aprovada pelas convenções nacionais de ambos os partidos em dezembro de 1981, apesar da oposição de importantes membros do PP, inclusive Paulo Egydio. Em 22 de dezembro. reafirmando posição contrária à incorporação, renunciou a seu cargo na comissão executiva nacional do PP e anunciou seu desligamento do partido. A incorporação do PP ao PMDB foi efetivada em fevereiro de 1982.

Em maio de 1983, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS), após reunião com o vice-presidente Aureliano Chaves, à qual compareceu acompanhado do ex-prefeito de São Paulo Olavo Setúbal. A filiação de Paulo Egydio ao PDS deu-se no momento em que era preparada a convenção para indicar um nome à sucessão do presidente Figueiredo. Sua entrada no partido tinha como objetivo articular forças para o bloco municipalista, chefiado pelo ex-prefeito de Osasco Francisco Rossi, que fazia oposição ao grupo liderado pelo ex-governador Paulo Maluf, a chapa oficial. A chapa dissidente, além de Egydio, contou com o apoio de outros expressivos nomes como os ex-governadores Abreu Sodré e Laudo Natel. Tentou articular a canditadura de Aureliano Chaves, cujo nome, entretanto, não chegou à convenção do partido, disputada por Maluf e pelo ministro do Interior, Mário Andreazza.

Em 1983, Paulo Egydio não poupou críticas ao PMDB e ao governo de Franco Montoro (1983-1987) em São Paulo, afirmando que o estado havia sido destruído pelo governo de Maluf (1979-1982) e o PMDB não estava conseguindo reconstruí-lo. Afirmava ainda que o PMDB não sabia governar e acusava-o de discriminar as prefeituras do PDS.

Em agosto de 1984, logo após a vitória da candidatura de Maluf na convenção, Egydio deixou o PDS e, no mês seguinte, ingressou no PMDB a pedido de Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática — coligação oposicionista, que reunia o PMDB e a Frente Liberal, dissidência do PDS — ao Colégio Eleitoral. A partir deste momento, participou ativamente das articulações em favor da candidatura de Tancredo Neves. Acreditava que o PMDB necessitava do apoio de sua seção paulista para garantir a vitória de Tancredo. Eleito em 15 de janeiro pelo Colégio Eleitoral, Tancredo não chegou a tomar posse. Gravemente doente, morreu em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que exercia o cargo interinamente desde 15 de março.

Crítico contumaz de Montoro, Paulo Egydio conciliou-se com o governador em fevereiro de 1986, quando já se encontrava no PMDB. Na ocasião, teve seu nome cogitado para a presidência da Companhia Energética de São Paulo (CESP), quando houve uma reforma no governo paulista. Embora não tenha chegado a exercer o cargo, fez parte do Conselho de Administração das Empresas de Energia do Estado de São Paulo, que reunia, além da CESP, a Companhia Paulista de Força e Luz, a Eletricidade de São Paulo S.A. (Eletropaulo) e a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). Durante o governo de Montoro integrou também o conselho de administração da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da Rádio e da TV Cultura de São Paulo.

Numa entrevista à revista Senhor, em abril de 1986, Paulo Egydio chegou a afirmar que apoiaria o peemedebista Orestes Quércia à sucessão de Montoro, convicto de que “o caminho para o país passa pelo PMDB”. Era, na verdade, uma manifestação de apoio ao partido na pessoa de seu candidato. Na ocasião, levantou a possibilidade de concorrer a uma cadeira na Assembléia Nacional Constituinte, mas desistiu. Em janeiro de 1988 rompeu com o quercismo e desligou-se do PMDB. Em carta dirigida ao governador Orestes Quércia, disse discordar da forma como eram negociados os cargos nos governos estadual e federal.

Abandonou a política partidária, passando a dedicar-se a atividades no setor privado. Tornou-se sócio-presidente da AAP — Aquisição e Administação de Patrimônios e sócio majoritário de diversas empresas. Foi membro do conselho de administração da Cevekol Indústria e Comércio, diretor-presidente da Companhia de Comércio e Participação (Copar), além de conselheiro da SKF Rolamentos, da Câmara de Comércio Brasil-Suíça, da Alexander Proudfoot Serviços Ltda. e do Banco Losango, presidente do Banco Finasa S.A. e do Itaucorp S.A., do grupo Itaú. Em diversas gestões fez parte do conselho diretor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo.

Em 2006 voltou a filiar-se a um partido político, o PSDB.

Publicou Revolução e progresso — discursos e pronunciamentos e Paulo Egydio conta que resultou dos depoimentos concedidos ao CPDOC da Fundação Getúlio Vargas em 2006.

Recebeu as seguintes honrarias e distinções: Grã Cruz da Ordem da Estrela Polar, da Suécia; Grã Cruz do Infante Dom Henrique, de Portugal; Grande Cordão da Ordem do Tesouro Sagrado, do Japão; Grande Cordão da Orem do Cristo, de Portugal; Grande Oficial da Ordem de Mérito Militar, do Brasil; Grande Oficial da Ordem de Mérito Aeronáutico; Grã Cruz da Ordem do Rio Branco, Brasil.

De seu casamento com Brasília Byington, teve sete filhos.

Elizabeth Dezouzart

 

 

FONTES: CACHAPUZ, P. Cronologia; CORRESP. MIN. IND. COMÉRCIO; CORRESP. MIN. TRAB.; CURRIC. BIOG.; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; Estado de S. Paulo (7/11/75, 20/5, 25/5, 26/5 e 9/7/83); Folha de S. Paulo (9/2 e 13/11/86); Grande encic. Delta; Jornal da Tarde (15/9/79); Jornal do Brasil (26/5/83); MORAIS, A. Introdução; NÉRI, S. 16; Perfil; POERNER, A. Poder; Senhor (15/4/86); Site Paulo Egydio Martins. Disponível em : http://www.pauloegydio.com.br. Acesso em : 09 jan. 2009; Súmulas; Veja (29/2/84); VIANA FILHO, L. Governo..

 

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