PAULO MENOTTI DEL PICCHIA

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Nome: DEL PICCHIA, Menotti
Nome Completo: PAULO MENOTTI DEL PICCHIA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DEL PICCHIA, MENOTTI

DEL PICCHIA, Menotti

*jornalista; rev. 1932; dep. fed. SP 1951-1959 e 1960-1963.

 

Paulo Menotti del Picchia nasceu na cidade de São Paulo no dia 20 de março de 1892, filho dos imigrantes italianos Luís (Luigi) del Picchia e Corina del Picchia.

Iniciou seus estudos primários na capital paulista, terminando-os em Itapira, no interior do estado. Em seguida, transferiu-se para Campinas (SP), onde realizou os estudos secundários, concluídos em Pouso Alegre (MG). Ingressou depois na Faculdade de Direito de São Paulo, pela qual se formou em 1913.

Ainda estudante, iniciou sua atividade na imprensa, fundando aos 16 anos de idade o jornal Mandu, em Pouso Alegre. Retornando depois de formado a Itapira, onde passara parte de sua infância, exerceu a advocacia e tornou-se fazendeiro. Ao mesmo tempo, dirigiu o jornal O Grito. Neste jornal, publicou o poema Moisés, o romance Laís e Juca Mulato, poema sobre o caipira que desde então já teve mais de 70 edições, tornando-se nacionalmente conhecido. Transferindo-se para Santos, dirigiu o jornal A Tribuna.

Em seguida, passou a residir em São Paulo, integrando-se na vida jornalística paulistana. Trabalhou como redator de A Gazeta e manteve durante muito tempo uma crônica literária cotidiana no Correio Paulistano, sob o pseudônimo de Hélios. Em 1922, tornou-se redator político desse mesmo jornal, órgão do Partido Republicano Paulista (PRP), do qual era membro. Colaborou como crítico literário e escritor em inúmeros periódicos paulistanos, como o Diário da Noite e Anhangüera. Dirigiu a União Jornalística Brasileira, e foi proprietário das revistas A Cigarra e Nossa Revista. Foi um dos fundadores da revista modernista Klaxon e, juntamente com Cassiano Ricardo, dirigiu os mensários São Paulo e Brasil Novo. Dirigiu ainda o semanário literário O Planalto e a revista Papel.

Em meio à grande efervescência política e cultural da década de 1920, o movimento modernista, que teve seu marco na Semana de Arte Moderna de 1922, defendia uma arte livre da submissão aos padrões culturais acadêmicos europeus, voltada para uma temática e uma linguagem brasileiras. Menotti del Picchia teve participação ativa no movimento, ao qual deu ampla cobertura nas páginas do Correio Paulistano. Juntamente com Plínio Salgado, Cândido Mota Filho, Alfredo Ellis e Cassiano Ricardo, formava o grupo Verde-Amarelo, que sustentava a exaltação das tradições culturais brasileiras, contrastando com o criticismo “antropofágico” do grupo Pau-Brasil, liderado por Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Raul Bopp.

Pouco mais tarde, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Cândido Mota Filho e outros intelectuais, egressos quase todos do “verde-amarelismo”, fundaram o grupo Bandeira, o qual, inspirado nas idéias do político e pensador fluminense Alberto Torres (1865-1917), proclamava a necessidade de um governo forte, capaz de assegurar a coesão e a hierarquia sociais e de promover o culto às tradições nacionais. Esse grupo teve considerável influência política e ideológica sobre a formação do integralismo.

Em 1924, quando irrompeu na capital de São Paulo o movimento revolucionário tenentista, liderado pelo general Isidoro Dias Lopes, Menotti del Picchia se manteve fiel ao governo do estado. Deixando o jornal, uniu-se às forças legalistas. Em seu livro de memórias A longa viagem (1972), narra a campanha: “Foi em Itapetininga que se nucleou a força que junto com as que cercavam a capital pelo setor de Quitaúna, fechava, num anel de ferro, o bando revolucionário. O comando dessa praça, até a chegada do general Artur Costa, o qual encabeçou a Coluna do Sul, estava a cargo de Ataliba Leonel, tendo como ajudantes Júlio Prestes, Flamínio Ferreira Pinheiro e eu. Dias depois juntava-se a nós Washington Luís... Flamínio Ferreira e eu fomos destacados para aliciar voluntários nas cidades da Alta Sorocabana. As dramáticas e cômicas peripécias dessa caçada aos ariscos caboclos com tão poucos pendores guerreiros, narrei-a minudentemente no meu romance A tormenta. Ali se retrata, na sua trágica verdade, todo o horror da Revolução de 24.”

Em seguida, Menotti del Picchia foi o primeiro diretor do Monte Socorro, órgão ligado ao Banco de Crédito do Estado de São Paulo e destinado a conceder empréstimos aos funcionários estaduais. Em julho de 1926, elegeu-se deputado estadual na legenda do PRP, tendo sido reeleito em fevereiro de 1928. “As eleições foram pacíficas”, escreveu Menotti del Picchia em suas memórias, “porque eu já sabia de antemão com quantos votos seria eleito. A elaboração do pleito era feita pelos técnicos que determinavam a cada diretório quantos votos deviam dar a cada deputado. Era jogar com cartas marcadas.”

Na Câmara estadual, apoiou o presidente do estado, Júlio Prestes, e concentrou-se principalmente no programa educacional do governo paulista, sobre o qual publicou O governo Júlio Prestes e o ensino primário (1930). Ao longo do ano de 1929, participou ativamente da campanha de Júlio Prestes para a presidência da República.

Após a Revolução de 1930, permaneceu ligado aos meios conservadores do PRP e, como tal, em constante oposição ao governo de Getúlio Vargas. Em 1932, quando ganhou grandes proporções o conflito entre as tradicionais lideranças paulistas e o governo federal, representado em São Paulo por elementos ligados ao tenentismo, Menotti del Picchia foi um dos signatários do Manifesto do PRP de 19 de janeiro de 1932. Neste documento, a “ditadura” era duramente criticada e era proclamada a necessidade de um novo governo, republicano, federalista e constitucional. Com a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, Menotti del Picchia fez parte, ao lado de Cassiano Ricardo e de Cândido Mota Filho, do gabinete do interventor Pedro Toledo, chefe civil do movimento. Sobre a Revolução de 1932, escreveu A Revolução Paulista através de um testemunho de gabinete do governador (1932).

Em 1934, colaborou em alguns números do jornal integralista A Ofensiva. Embora não tenha pertencido à Ação Integralista Brasileira (AIB), suas idéias anteriormente expressas à época do “verde-amarelismo” e do grupo Bandeira o aproximavam do integralismo. Em 1939, com a criação pelo Estado Novo do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão incumbido de promover o regime, Menotti del Picchia foi escolhido para ser o primeiro diretor da seção paulista do órgão. Foi sucedido no DIP paulista por Cassiano Ricardo e depois por Cândido Mota Filho, todos ex-participantes do grupo Bandeira.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1942, ocupando a cadeira nº 28, elegeu-se deputado federal em 1950 na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Tornou-se líder da representação paulista do PTB na Câmara, e foi reeleito em 1954. Nas eleições de 1958 elegeu-se primeiro suplente do PTB em São Paulo, tendo exercido o mandato de 2 de maio a 7 de novembro de 1960 e de 30 de novembro de 1960 a 31 de janeiro de 1963.

Além de escritor, jornalista e político, Menotti del Picchia foi também presidente do Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas de São Paulo e tabelião, proprietário do 20º Ofício de São Paulo. Dedicou-se ainda à produção cinematográfica, tendo fundado na década de 1920 uma empresa produtora, a Independência Filmes. Praticou também outras formas de arte, como a música, a escultura e a pintura.

Faleceu na cidade de São Paulo em 23 de agosto de 1988.

Foi casado duas vezes: com Francisca Avelina Cunha Sales del Picchia, com quem teve sete filhos, e com Antônia Rudge.

Afora os títulos já mencionados e inúmeros artigos publicados na imprensa, Menotti del Picchia possui uma vasta e diversificada obra: Poemas de vício e da virtude (poesia, 1913), Moisés (poesia, 1917), Juca Mulato (poesia, 1917), As máscaras (teatro, 1917), Laís (romance, 1917), Flama e argila (romance, 1920), O pão de Moloch (crônicas, 1921), Angústia de dom João (poesia, 1922), O homem e a morte (novela, 1922), Dente de ouro (romance, 1923), A tormenta (romance, 1924), O crime daquela noite (contos, 1924), Chuvas de pedra (poesia, 1925), Amores de Dulcinéia (poesia, 1926), República dos Estados Unidos do Brasil (poesia, 1928), A república 3.000 (romance, 1930), Soluções nacionais (ensaio, 1931), Jesus (tragédia sacra, 1933), O despertar de São Paulo (ensaio, 1933), Poemas (1935), Kalum, o sangrento (romance, 1936), Kamunká (romance, 1938) e Salomé (romance, 1940 — premiado pela Academia Brasileira de Letras). Publicou também: A outra perna do saci (contos), Suprema conquista (teatro), Fronteira (teatro), Tragédia de Zilda (romance), Por amor do Brasil (discursos parlamentares), A crise da democracia (ensaio), O tesouro de Cavendish (romance), O deus sem rosto (poesia), O momento literário brasileiro (ensaio), O Curupira e o carão (ensaio) com a colaboração de Plínio Salgado e Cassiano Ricardo, Viagem de Pé de Moleque (infantil), João Peralta (infantil) e No país das formigas (infantil). Colaborou ainda para a obra São Paulo e seus homens no centenário (1922).

Jorge Miguel Mayer

 

FONTES: ACAD. BRAS. LETRAS. Anuário; AUTUORI, L. Quarenta; BEHAR, E. Vultos; BOSI, A. História; BRINCHES, V. Dic.; CÂM. DEP. Deputados; CISNEIROS, A. Parlamentares; COELHO, J. Dic.; CORTÉS, C. Homens; COUTINHO, A. Brasil; DEL PICCHIA, M. Longa; Eleitos; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; INST. NAC. LIVRO. Índice; JARDIM, R. Aventura; Jornal do Brasil (24/8/88); MACEDO, N. Aspectos; MARTINS, W. História; MEDEIROS, J. Ideologia; Ofensiva; OLIVEIRA, C. Biografias; Personalidades; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; SOUSA, J. Teatro; Súmulas.

 

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