PEDRO PAULO BERGAMASCHI LEONI RAMOS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: RAMOS, Pedro Paulo Leoni
Nome Completo: PEDRO PAULO BERGAMASCHI LEONI RAMOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RAMOS, PEDRO PAULO LEONI

RAMOS, Pedro Paulo Leoni

*secr. Assuntos Estratégicos 1990-1992.

 

Pedro Paulo Bergamaschi Leoni Ramos nasceu em Florianópolis no dia 22 de março de 1960, filho de Pedro Paulo Wandeck de Leoni Ramos e da escultora Mirtes Ruschel Bergamaschi Ramos. Seu pai, pianista e compositor, foi produtor na Rádio Roquete Pinto. Foi também presidente da Fundação Rádio Mauá, superintendente da Rádio Nacional, organizador e primeiro presidente da Empresa Brasileira de Radiodifusão (Radiobrás), e fundador da Rádio Nacional FM, a primeira emissora brasileira a transmitir exclusivamente música popular brasileira. Exerceu ainda a função de assessor especial do secretário de Cultura, Esportes e Turismo do Rio de Janeiro Fernando Barata (1971-1975) e do Secretário de Cultura da Presidência da República Sérgio Paulo Rouanet (1991-1992).

Formado em economia, em 1980, antes de concluir o curso iniciou as atividades profissionais na construção civil, como assessor da diretoria de uma empresa do setor. Depois de formado, passou a trabalhar também na área de concessões de serviços públicos.

Em março de 1990, foi nomeado secretário de Assuntos Estratégicos pelo presidente Fernando Collor (1990-1992). A secretaria, então criada, estava inserida no projeto de promover uma ampla reforma do Estado e da economia, rompendo com o modelo nacional-desenvolvimentista que havia norteado a ação do poder público nos 25 anos anteriores. Tal esforço implicava a necessidade de repensar os assuntos de natureza estratégica, adequando-os ao “novo” Estado que se propunha. A nova secretaria absorveu o numeroso contingente pessoal e operacional do recém-extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) e redefiniu suas funções. Também assumiu os programas herdados da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional, como o Programa Calha Norte e o Programa de Auxílio Financeiro aos Municípios da Faixa de Fronteira.

Em março de 1992, O Estado de S. Paulo denunciou o chamado Esquema PP, que teria sido engendrado por Pedro Paulo Leoni Ramos para substituir os dirigentes dos fundos de pensão das estatais por pessoas de sua confiança e assim influir em seus negócios. Diante das acusações, deixou o cargo em abril seguinte, sendo substituído por Eliezer Batista. Após oito meses de depoimentos e investigações, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado encarregada de investigar os fundos de pensão de estatais e a Petrobras apontou operações irregulares com o suposto objetivo de favorecer empresários que haviam apoiado a eleição de Collor. O relatório apresentado em março de 1993 pelo relator Cid Sabóia (PMDB-CE) acusou de “corrupção, estelionato e formação de quadrilha” Pedro Paulo Ramos e mais 70 pessoas, entre elas Paulo César Farias, o PC, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor, Leopoldo Collor, irmão mais velho do já então ex-presidente, o ex-presidente do Banco do Brasil Lafaiete Coutinho e os empresários Luís Estevão e Alcides Diniz, além de 12 instituições financeiras e corretoras de valores, ex-diretores da Petrobras e dos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Portobrás, da Telebrás, da Eletrobrás, da Eletrosul, da Light e da própria Petrobras.

Ainda segundo o relatório, o Esquema PP teria sido organizado antes da posse de Collor, como um braço do Esquema PC. Enquanto o primeiro atuaria diretamente na administração pública a partir do gabinete de Pedro Paulo, o segundo seria responsável pela atuação externa do grupo. Também segundo o relator, entre os negócios ilícitos patrocinados pelo Esquema PP figurariam a compra de ações da Sade, empresa de Nélson Tanure, amigo da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo, apesar de pareceres contrários das áreas técnicas dos fundos, e a participação de fundos de pensões em negócios irregulares envolvendo construção, compra e venda de imóveis e terrenos. Haveria indícios de um esquema dentro do governo federal para controlar a atuação de dirigentes dos fundos e, consequentemente, de seus negócios. A montagem do Esquema PP teria começado com uma senha dada pelo próprio Collor, que em uma solenidade no palácio do Planalto qualificou os fundos de “caixa preta”. Um documento, elaborado pouco depois, teria determinado o prazo de um mês para a substituição de dirigentes e conselheiros dos fundos. As substituições começaram em maio de 1990, e Pedro Paulo teria indicado para cargos-chave nomes constantes do dossiê elaborado no período anterior à posse, nomeando, pressionando e demitindo, quando os nomeados não atendiam a seus interesses.

Entretanto, o relator não tipificou os crimes que teriam sido praticados pelos denunciados, o que seria da alçada do procurador-geral da República. O relatório apenas descrevia irregularidades, sem apresentar provas da autoria de crimes. Mesmo quebrando o sigilo bancário dos suspeitos, a CPI não identificou nenhum caso de enriquecimento ilícito por conta das irregularidades na Petrobras e nos fundos, deixando de investigar a origem dos depósitos nas contas bancárias. A comissão também não conseguiu estimar os valores globais envolvidos nas operações em questão. Além disso, diante do surgimento de mais escândalos no governo Collor, que acabaram por acarretar o afastamento do presidente, primeiro em caráter interino em 2 de outubro, e depois, definitivamente, em 29 de dezembro de 1992, não foram realizadas investigações detalhadas e, assim, nenhum dos denunciados veio a sofrer sanção.

Após a saída do governo, Pedro Paulo Leoni Ramos retornou à iniciativa privada, permanecendo como diretor da Blocoplan Construções e Comércio até 1997, quando passou a ocupar o mesmo cargo na empresa de consultoria Unitas Project Finance. Foi também acionista controlador da empresa Globalbank Consulting Ltda e diretor de outras empresas do Grupo Globalbank.

Casou-se com Luciana Guimarães de Leoni Ramos, com quem teve uma filha.

 

Thomas Heye/Sônia Zylberberg

 

FONTES: CURRIC. BIOG.: Folha de S. Paulo (5 e 19/3/93); Globo (19/3/93); HEYE, T. F. A Secretaria; Jornal do Brasil (19/3/93); ALSP (27/2/2008); Folha de S. Paulo (19/11/2007); Gazeta do Povo (14/8/2008); Dicionário Cravo Albin (http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&nome=Pedro+Paulo+de+Leoni).

 

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados