PINHEIRO, HUMBERTO MENESES

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Nome: PINHEIRO, Humberto Meneses
Nome Completo: PINHEIRO, HUMBERTO MENESES

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
PINHEIRO, HUMBERTO MENESES

PINHEIRO, Humberto Meneses

*pres. Contec 1958-1963.

 

Humberto Meneses Pinheiro nasceu em Parnaíba (PI) no dia 20 de outubro de 1920, filho de Adroaldo Costa Pinheiro e de Anésia Meneses Pinheiro.

Cursou o primário e o ginasial em Parnaíba. Transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro, onde formou-se contador pela Academia de Comércio em 1942. Em maio desse ano, foi aprovado no concurso para o Banco do Brasil. Porém, em dezembro foi convocado a servir o Exército e, em setembro de 1944, partiu para a Itália, integrando a Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater ao lado dos países aliados na Segunda Guerra Mundial. Retornou ao Brasil com a FEB em agosto de 1945.

Ao retomar as atividades no Banco do Brasil, começou a atuar no movimento sindical dos bancários. Foi o primeiro presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Crédito (Contec), associação sindical de âmbito nacional criada em julho de 1958. Exerceu essa função em caráter provisório de julho de 1958 a setembro de 1959, quando foi eleito para o cargo. Após a renúncia do presidente Jânio Quadros em agosto de 1961, o país adotou em setembro o regime parlamentarista, solução conciliatória que permitiu a posse do vice-presidente João Goulart. Em outubro, Humberto Pinheiro organizou a primeira greve nacional dos bancários, que depois de uma semana de negociações conquistaram um aumento salarial de 40%. Posteriormente, passou a integrar, juntamente com outros dirigentes sindicais, o Comando Nacional de Greve.

Com a renúncia do primeiro-ministro Tancredo Neves em junho de 1962, lançou, em conexão com alguns dirigentes sindicais integrantes do Comando Nacional de Greve, um documento que reivindicava a formação de um conselho de ministros “nacionalista e democrático”, comprometido com a reforma agrária e eleitoral e com o combate à política financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento prometia ainda a deflagração de uma greve geral caso tais reivindicações não fossem atendidas.

Contrárias à indicação do senador Auro de Moura Andrade para o cargo de primeiro-ministro, as lideranças da Contec, da Comissão Permanente de Organizações Sindicais (CPOS), do Pacto de Unidade e Ação (PUA) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) formaram o Comando Geral de Greve (CGG) que, no dia 5 de julho de 1962, decretou greve geral por 24 horas a despeito da renúncia de Auro de Moura Andrade, provocada pela negativa do presidente João Goulart em aceitar os ministros por ele indicados.

Identificada com as propostas que vinham sendo apresentadas pelo movimento sindical de orientação comunista, a Contec realizou, em agosto seguinte, o III Congresso Nacional dos Empregados em Bancos, no qual se discutiram as reformas de base, o combate à política financeira do FMI e a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. Nesse mesmo mês, durante o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, o CGG transformou-se no Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e seus integrantes comprometeram-se a trabalhar pela volta ao regime presidencialista sob a condição de que João Goulart considerasse algumas de suas reivindicações básicas, entre as quais a revogação da Lei de Segurança Nacional, o aumento de 100% no salário mínimo, as reformas agrária e bancária e o reconhecimento do direito de greve. Através do CGT, participou da greve geral deflagrada em setembro de 1962 em protesto contra a recusa do Congresso em antecipar o plebiscito que decidiria sobre o retorno ao presidencialismo. Apesar da decisão do governo de realizar o plebiscito em janeiro de 1963, os bancários realizaram no fim de 1962 uma greve nacional, conquistando o direito a um aumento salarial semestral não compensado. No ano seguinte, nova greve reivindicou a aprovação do projeto de reforma bancária proposto pela Contec, vetado pelos órgãos técnicos de assessoria do Ministério da Fazenda.

Em maio de 1963, Humberto Pinheiro foi eleito para o secretariado do CGT, encerrando em agosto do mesmo ano seu mandato na Contec, sendo substituído por Aluísio Palhano. Com a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente Goulart (1961-1964), Pinheiro teve seus direitos políticos suspensos por dez anos com base no Ato Institucional nº 1 (AI-1), editado em 9 de abril.

Exilou-se então no Uruguai, onde permaneceu até 1968. Retornou ao Brasil e começou a trabalhar como contador na distribuidora de revistas Imprensa. Apesar de beneficiado pela Lei da Anistia assinada pelo presidente João Batista Figueiredo em agosto de 1979, não voltou a desempenhar qualquer atividade política. Continuou a trabalhar como contador até se aposentar em 1981.

Casou-se com Maria Amélia Aragão Pinheiro, com quem teve duas filhas.

 

 

FONTES: CORRESP. CONF. NAC. TRAB. EMPRESAS DE CRÉDITO; ENTREV. BIOG.; MINISTÉRIO DA DEFESA (23/6/09).

 

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