RACHID SALDANHA DERZI

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Nome: DERZI, Saldanha
Nome Completo: RACHID SALDANHA DERZI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
DERZI, SALDANHA

DERZI, Saldanha

*dep. fed. MT 1955-1971; sen. MT 1971-1979; sen. MS 1979-1995; const. 1987-1988.

 

Rachid Saldanha Derzi nasceu em Ponta Porã (MS), então no estado de Mato Grosso, no dia 21 de outubro de 1917, filho de Chehin Derzi e de Estefânia Saldanha Derzi. Seus avós paternos eram libaneses. Os cunhados Italívio Coelho e Lúdio Coelho foram senadores por Mato Grosso do Sul; o primeiro entre 1973 e 1979, e o segundo a partir de 1995.

Cursou o Colégio Dom Bosco em Campo Grande, atual capital de Mato Grosso do Sul, e, mais tarde, ingressou na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, pela qual se diplomou em 1939. A seguir fez cursos de especialização em cirurgia, obstetrícia e pediatria. Membro da junta deliberativa do Instituto Nacional do Mate desde 1938, exerceu essa função até 1942, quando assumiu o cargo de médico do posto de saúde de sua cidade natal.

Neste último ano ingressou também na vida política, sendo nomeado prefeito municipal de Ponta Porã, cargo que exerceu até 1945, quando Getúlio Vargas foi deposto e extinguiu-se o regime do Estado Novo, implantado em novembro de 1937. Eleito vereador na legenda da União Democrática Nacional (UDN) em 1947, presidiu a Câmara Municipal de Ponta Porã até 1950 e, no ano seguinte, foi reconduzido à prefeitura dessa cidade.

Nas eleições de outubro de 1954, elegeu-se deputado federal por Mato Grosso, sempre na legenda da UDN, iniciando o mandato em fevereiro do ano seguinte. Reelegeu-se deputado federal nos pleitos de 1958 e de 1962 na mesma legenda, e, com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instalado no país em abril de 1964. Nessa nova legenda reelegeu-se mais uma vez em novembro de 1966, tornando-se presidente da Comissão de Valorização Econômica da Amazônia e membro das comissões de Orçamento e de Saúde da Câmara Federal.

No pleito de novembro de 1970, elegeu-se senador por Mato Grosso na legenda da Arena. Deixando a Câmara em janeiro de 1971, assumiu sua cadeira no Senado em fevereiro seguinte. De 1972 a 1976, exerceu a vice-liderança de seu partido e do governo no Senado, tornando-se membro das comissões de Relações Exteriores, do Distrito Federal, de Finanças, de Saúde, de Assuntos Regionais e de Orçamento, além de participar de diversas outras comissões técnicas. Integrou também a delegação brasileira à XXVIII Sessão da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1973, cursando ainda o primeiro ciclo de estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG). Em outubro de 1977 foi sancionada a lei que dividiu em dois o estado de Mato Grosso. Surgiria assim, a partir de janeiro de 1979, o estado de Mato Grosso do Sul, tendo Campo Grande como capital e um governador nomeado. O antigo estado de Mato Grosso permaneceria com Cuiabá como sua capital. No início de 1978 a Arena viu-se dividida, na região que iria constituir o futuro estado de Mato Grosso do Sul, em duas grandes correntes: a ortodoxa (formada por antigos udenistas e pessedistas), que se denominava “ala democrática”, e a “independente”, que agrupava os seguidores de Pedrossian.

Na convenção da Arena mato-grossense realizada em junho de 1978 com o objetivo de escolher o candidato do partido ao Senado pelo futuro estado de Mato Grosso do Sul — candidato a ser eleito por via indireta —, Saldanha Derzi derrotou seu cunhado Italívio Coelho, que era apoiado pelo governo federal e pela corrente arenista chefiada por Pedro Pedrossian. Em janeiro do ano seguinte, logo após ser criado o estado de Mato Grosso do Sul, foi indicado senador — na categoria que a imprensa passou a designar de “biônica” — pela nova unidade da Federação. Ainda nesse ano, participou da comitiva do presidente Geisel em sua visita ao México.

Com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se à agremiação governista, o Partido Democrático Social (PDS). Entretanto, em companhia de outros dissidentes, insatisfeitos com o afastamento de Marcelo Miranda do governo de Mato Grosso do Sul em outubro de 1980 e a nomeação de Pedro Pedrossian para o cargo, desligou-se desse partido, filiando-se ao Partido Popular (PP) em novembro seguinte.

Entre 1979 e 1981 foi vice-líder da Arena no Senado Federal e integrou, na condição de vice-presidente a Comissão de Relações Exteriores.

Em 25 de novembro de 1981, o governo encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de reforma eleitoral em regime de urgência, que estabelecia a proibição das coligações eleitorais e a introdução do voto vinculado, onde o eleitor teria de votar nos candidatos do mesmo partido para todos os cargos em disputa, sob pena de anulação do voto. O projeto foi aprovado por decurso de prazo em janeiro de 1982, originando a Lei nº 6.978. Com estas exigências, como o PP não teve recursos suficientes para encaminhar candidatos em todos os estados e municípios, seus líderes decidiram extingui-lo, e foi feita a incorporação ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Com isso, Saldanha Derzi filiou-se ao PMDB, vindo a ocupar, no ano seguinte, a vice-liderança do partido no Senado.

Na sessão da Câmara dos Deputados de 25 de abril de 1984, a emenda do deputado Dante de Oliveira, que propunha o restabelecimento de eleição direta para a presidência da República em novembro daquele ano, foi rejeitada. Faltaram 22 votos para que pudesse ser enviada à apreciação do Senado. Assim sendo, a escolha do sucessor do general João Batista Figueiredo, último presidente do regime militar instaurado em 1964, seria feita pelo Colégio Eleitoral, integrado por todos os parlamentares do Congresso e seis delegados das assembléias legislativas. Em 15 de janeiro de 1985, Saldanha Derzi acompanhou o voto da maioria do Colégio Eleitoral, que elegeu o candidato da oposição, Tancredo Neves, lançado pela Aliança Democrática, uma união do PMDB com a dissidência do PDS abrigada na Frente Liberal. Mas Tancredo Neves não chegou a tomar posse porque ficou gravemente doente. O vice-presidente José Sarney assumiu interinamente em 15 de março e foi efetivado após a morte do titular, em 21 de abril de 1985.

Em novembro, o Congresso Nacional reuniu-se para convocar eleições à Assembléia Nacional Constituinte (ANC) em 1986. Saldanha Derzi não compareceu ao plenário, mas constou como votante. A votação foi anulada e uma nova proposta aprovada em outra sessão: a posse dos eleitos seria em fevereiro de 1987 e os trabalhos de elaboração da nova Constituição teriam de ser concluídos até 5 de outubro de 1988.

No pleito de novembro de 1986, elegeu-se senador constituinte por Mato Grosso do Sul na legenda do PMDB. Membro da Comissão de Redação, foi primeiro-vice-presidente da Subcomissão da Política Agrícola e Fundiária e da Reforma Agrária, da Comissão da Ordem Econômica, e suplente da Subcomissão do Sistema Eleitoral e Partidos Políticos, e da Comissão da Organização Eleitoral, Partidária e Garantias das Instituições.

Na Constituinte, votou contra a limitação do direito de propriedade privada, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, a proibição do comércio de sangue, a limitação dos encargos da dívida externa e a desapropriação da propriedade produtiva. Manifestou-se favorável à pena de morte, à proteção do emprego contra despedida sem justa causa, ao presidencialismo, à anistia aos micro e pequenos empresários, à legalização do jogo do bicho e ao mandato de cinco anos para o presidente Sarney. Absteve-se quanto ao voto aos 16 anos e ausentou-se das seguintes votações: rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, mandado de segurança coletivo, criminalização do aborto, aviso prévio proporcional, pluralidade sindical, unicidade sindical, soberania popular, limite de 12% ao ano para os juros reais e criação de um fundo de apoio à reforma agrária.

Com a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, Saldanha Derzi retomou o mandato ordinário, integrando as comissões do Distrito Federal e das Relações Exteriores. Ainda nesse ano, foi acusado, junto com seu filho Flávio Derzi, então secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, de favorecer empreiteiras no estado com pagamentos superfaturados na construção de armazéns graneleiros. Foi líder do governo Sarney no Senado em 1988 e 1989.

Em 29 de setembro de 1992, Saldanha Derzi votou a favor da abertura de processo de impeachment contra o presidente Fernando Col- lor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção no governo, liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias. O processo foi concluído a 29 de dezembro, com a cassação de Collor e a suspensão de seus direitos políticos por oito anos. Assumiu o vice-presidente Itamar Franco.

Em 1993, Saldanha Derzi e seu filho Flávio Derzi, eleito deputado federal em 1990, foram novamente acusados, desta vez pelo economista José Carlos dos Santos, assessor do Congresso, de terem manipulado verbas do orçamento da União. Por falta de provas não chegaram a ser indiciados.

No pleito de outubro de 1994, candidatou-se à reeleição na legenda do Partido Progressista (PP). Derrotado nas urnas, acusou o governador Pedro Pedrossian de traição por ter pedido votos publicamente para seu vice, Ari Rigo. Derzi deixou o Senado em janeiro de 1995 e retirou-se da vida pública.

Industrial e grande pecuarista, consolidou sua liderança na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, onde se localizam dez municípios cuja base econômica é a agropecuária. Foi colaborador dos jornais Correio do Estado e Estado de Mato Grosso.

Faleceu em Campo Grande no dia 10 de fevereiro de 2000.

Era casado com Edviges Coelho Derzi, com quem teve dois filhos. Seu filho, Flávio Derzi reelegeu-se deputado federal em 1999.

Cristiane Jalles

 

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. Repertório (1987); CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório; Campo Grande News; COELHO, J. & OLIVEIRA, A. Nova; Diário do Congresso Nacional; Folha de S. Paulo (8/10/94); Globo (8/1/94); Jornal do Brasil (5/6 e 1/9/78, 18/6 e 29/9/79, 20 e 22/11/80, 8/1/94); Perfil (1980); Perfil Parlamentar; SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos; SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SENADO. Relação dos líderes; Súmulas; Veja (27/11/85, 6/4/88, 27/10/93).

 

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