Reynaldo Emygdio de Barros

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Nome: BARROS, Reynaldo de
Nome Completo: Reynaldo Emygdio de Barros

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

BARROS, Reinaldo de

*pref. São Paulo 1979-1982.

 

Reynaldo Emygdio de Barros nasceu na cidade de São Paulo no dia 14 de maio de 1931, filho de Antônio Emídio de Barros Filho e de Maria Antonieta Ferreira de Barros. Seu pai foi suplente do senador paulista Lino de Matos e assumiu sua cadeira no Senado de junho de 1955 a abril de 1956. Seu tio Geraldo Pereira de Barros foi deputado federal por São Paulo de 1963 a 1967. Outro tio, Ademar de Barros, foi interventor em São Paulo (1938-1941) e duas vezes governador do estado (1947-1951 e 1963-1966). Seu primo Antônio Mendes de Barros foi deputado federal por São Paulo entre 1963 e 1967. Outro primo, Ademar de Barros Filho, foi deputado federal entre 1967 e 1983, constituinte entre 1987 e 1988, e novamente deputado federal entre 1987 e 1991 e entre 1995 e 1999.

Formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) em 1953, trabalhou dez anos na iniciativa privada como empresário do ramo de de tecidos e como diretor do Banco Líder de Minas Gerais e membro do Conselho de Administração do Banco Geral do Comércio. Após 1963 foi diretor-financeiro e presidente das Centrais Elétricas de Urubupungá S.A. (Celusa), uma das empresas que posteriormente formaram a Companhia Energética de São Paulo S.A. (CESP), da qual o governo paulista detinha o controle acionário. Durante sua passagem pela Celusa, angariou junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) recursos para a construção das usinas de Ilha Solteira e Jupiá. De 1968 a 1971, no governo de Roberto Abreu Sodré, presidiu o Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (IPESP), e em 1975, na gestão de Paulo Egídio Martins, foi presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Em junho de 1979, a Assembléia Legislativa de São Paulo, em sessão extraordinária, ratificou a indicação de seu nome, feita pelo governador Paulo Maluf, para a prefeitura da capital paulista. Durante a votação, o chamado “grupo autêntico” do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido que abrigava a oposição a Maluf e ao regime militar instaurado no país em abril de 1964, denunciou uma tentativa de suborno por parte dos aliados do governo em troca de votos para Reinaldo de Barros. Na ocasião, a bancada emedebista, que era maioria, dividiu-se, o que acabou permitindo a aprovação de seu nome como prefeito de São Paulo, em substituição a Olavo Setúbal.

Empossado na prefeitura em julho de 1979, após a extinção do bipartidarismo em novembro desse ano e a consequente reorganização partidária, ingressou no Partido Democrático Social (PDS), de apoio ao regime militar. Na prefeitura, sofreu dura oposição do movimento popular organizado, que, no fim da década de 1970 e no início dos anos 1980, despontara em São Paulo com força bastante considerável. Denunciou diversas vezes aqueles que classificava como “agitadores do povo”, afirmando que fazia diferença entre os movimentos “reivindicatórios” e os “induzidos”. Sua forma de fazer política foi identificada pela oposição com o velho ademarismo (de seu tio Ademar de Barros), considerado populista e demagógico.

Em maio de 1981, na festa de seu 50º aniversário — que, segundo a oposição, teria sido financiada com recursos públicos —, foi lançado pré-candidato à sucessão de Maluf no governo do estado. Apoiado por antigos ademaristas e por alguns líderes do PDS, foi indicado candidato a governador na convenção do partido, em 1982. Na ocasião, houve denúncias de que teria utilizado a máquina administrativa da prefeitura em benefício próprio.

Derrotado no pleito de novembro de 1982 por Franco Montoro, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), permaneceu afastado da vida pública até 1986, quando, convidado pelo prefeito Jânio Quadros, assumiu a Secretaria Municipal de Vias Públicas da capital paulista. Ficou pouco tempo no cargo, pois em novembro do mesmo ano integrou, como vice de Maluf, a chapa do PDS que concorreu ao governo de São Paulo.  Tendo sido sua chapa derrotada — o eleito foi Orestes Qúercia, do PMDB —, passou novo período afastado da política e só veio a ocupar cargo público em janeiro de 1993, quando foi mais uma vez foi nomeado secretário de Vias Públicas de São Paulo pelo prefeito Paulo Maluf, que tinha sido eleito em outubro do ano anterior. Mesmo antes de empossado, já anunciou a orientação do governo eleito, tornando público que iria endividar a cidade para fazer as obras que a administração petista de Luísa Erundina (1989-1993) não realizara. Passou a acumular também a Secretaria de Serviços e Obras e a presidência da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).

Com a eleição de Celso Pitta, afilhado político de Maluf, para a prefeitura paulistana em novembro de 1996, e sua posse em 1º de janeiro de 1997, foi mantido nos cargos que ocupava. Dias depois declarou que a situação do comércio ambulante era tão complicada que era melhor “tirar o povo das ruas”. Em março, o jornal O Estado de S. Paulo denunciou que a Secretaria de Serviços e Obras tinha contratado em 1994, sem licitação, a empresa Logos Engenharia, de propriedade de um tio de Reinaldo de Barros, para implantar um sistema informatizado de controle do lixo destinado aos aterros sanitários, aos incineradores e às usinas de compostagem de São Paulo. A alegação da prefeitura para que não tivesse sido aberta concorrência era que apenas aquela empresa teria capacidade técnica para prestar o serviço. Embora o contrato tenha sido aprovado por unanimidade pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), o Ministério Público caracterizou a contratação como “improbidade administrativa” e apresentou liminar com o objetivo de afastar Reinaldo de Barros do cargo e pôr seus bens em disponibilidade. Em setembro de 1997, a 3ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo julgou procedente a ação e condenou a empresa Logos e o secretário municipal a ressarcirem os cofres públicos. Desde então, afastou-se da vida pública.

Agricultor e pecuarista, adquiriu propriedades rurais nos estados de São Paulo e Mato Grosso. Foi, também, piloto civil do Ministério da Aeronáutica.

Faleceu em São Paulo no dia 11 de fevereiro de 2011.

Foi casadp com Maria do Carmo Padovan de Barros, com quem teve três filhos. Um deles, Reinaldo de Barros Filho, foi eleito deputado estadual em 1994 na legenda do Partido Progressista Reformador (PPR), e reeleito em outubro de 1998, na legenda do Partido Progressista Brasileiro (PPB).

 

Luís Otávio de Sousa/Marcelo Costa

 

FONTES: Estado de S. Paulo (15, 16, 3 e 6/12/81, 5, 8, 11, 21 e 15/6/97, 8/10/98, 16/2/11); Folha de S. Paulo (15/5, 14/6, 8/7, 10/9 e 10/12/81, 20/11/92, 3/12/96, 22/3 e 17/9/97); Jornal do Brasil (1/2, 30/6, 11, 13/7 e 11/11/96); Manchete (21/7/79, 22/3/80); Olho na Assembléia/Jornal do Brasil (14/3/95).

 

 

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