RODRIGUES, Carlos

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Nome: RODRIGUES, Carlos
Nome Completo: RODRIGUES, Carlos

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

RODRIGUES, Carlos

*dep. fed. RJ 1999-2005.

 

                Carlos Alberto Rodrigues Pinto, conhecido como bispo Rodrigues, nasceu no Rio de Janeiro no dia 4 de outubro de 1957, filho de José Júlio Pinto e Lucília de Jesus Rodrigues.

Formou-se em Teologia pelo Instituto de Teologia do Rio de Janeiro em 1981.

Sua trajetória profissional e política está ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) fundada em 1977 por Edir Macedo. Carlos Rodrigues foi um dos responsáveis pela expansão da IURD nos estados de Sergipe, Pernambuco, São Paulo, Espírito Santo e Rio Grande do Sul na década de 1980. Nos anos 1990 trabalhou também na instalação da IURD na Argentina, na África do Sul, em Moçambique – onde fundou a primeira rádio FM privada –, em Angola, em Portugal e na Espanha.

Assumiu vários cargos na IURD, tendo sido diretor e apresentador de programa na Rádio Sociedade da Bahia AM, pertencente à Central Record de Comunicação de São Paulo. Trabalhou também na Radio Atalaia de Belo Horizonte Ltda. Participou ainda da fundação da rede de televisão Rede Record, do jornal Folha Universal e da editora Gráfica Universal.

Coordenador político da IURD, em 1997 filiou-se ao Partido da Frente Liberal (PFL). Em outubro de 1998 foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro na legenda pefelista. Assumiu o mandato em fevereiro de 1999 e ingressou no Partido Liberal (PL), tendo sido escolhido vice-líder do bloco parlamentar composto pelo PL, pelo Partido Social Trabalhista (PST) e pelo Partido Social Liberal (PSL). O bloco foi desfeito após desentendimentos entre Carlos Rodrigues e

Líder do PL na Câmara dos Deputados, vice-presidente nacional e presidente estadual da agremiação, Carlos Rodrigues condenou a realização de uma aliança entre o PL e o Partido dos Trabalhadores (PT), que teria o senador do PL mineiro José Alencar como vice na chapa encabeçada por Luís Inácio Lula da Silva, nas eleições de 2002. Para Rodrigues, o PL não deveria aliar-se a qualquer candidatura presidencial no primeiro turno, deixando para fazê-lo no segundo turno. Sua posição, contudo, foi derrotada e o PL compôs a aliança com o PT, que venceu a eleição.

Nesse mesmo pleito Rodrigues foi reeleito. Assumiu novo mandato em fevereiro de 2003 e participou da Comissão Permanente de Constituição e Justiça. Coordenador da chamada bancada da IURD, Carlos Rodrigues foi escolhido vice-líder do PL na Câmara dos Deputados e pertenceu à base de sustentação do governo federal na Casa, tendo votado a favor das reformas da previdência e tributária, encaminhadas pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em 2003.  Ainda nesse ano, Carlos Rodrigues deu início a organização de um partido ligado à IURD. 

 

Em fevereiro de 2004, a revista Época publicou uma reportagem com a transcrição de um vídeo em que Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil da presidência da República, negociava com o empresário do jogo Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, dinheiro para campanha eleitoral de 2002. O vídeo, segundo a revista, foi gravado por Carlinhos Cachoeira em 2002. Na época, Waldomiro presidia a Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro) e ali chegara indicado por Carlos Rodrigues, que também havia feito outras indicações para a autarquia. Nesse mesmo mês, foi divulgado que Diniz também havia desviado verbas publicitárias da Loterj e que Carlos Rodrigues fora um dos beneficiados. Após essa denúncia, Edir Macedo, principal liderança da IURD, desligou Carlos Rodrigues do Conselho de Bispos da IURD e da coordenação da bancada da igreja na Câmara dos Deputados. Em outubro, seu nome foi incluído no relatório da CPI da Loterj, que fora instalada na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O relatório relacionava Carlos Rodrigues entre os acusados pelo suposto crime de formação de quadrilha.

Em 6 de junho de 2005, Roberto Jefferson, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em entrevista à Folha de S. Paulo, citou Carlos Rodrigues como um dos participantes do esquema do mensalão, suposto pagamento de mesadas por parte de membros do governo federal a parlamentares para garantir a aprovação das emendas de interesse do Executivo. Ainda nesse mês, Jefferson em depoimento ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados voltou a acusar Carlos Rodrigues de integrar o suposto esquema. Um dos nomes arrolados por quebra de decoro parlamentar, em julho, ao depor ao Conselho de Ética, Carlos Rodrigues alegou inocência, negando ter participado de qualquer reunião para articular o recebimento de dinheiro. Em setembro, renunciou ao mandato de deputado federal. Em 2007, o então procurador-geral da República, Antonio Fernando Sousa, apresentaria denúncia contra Carlos e outros 38 nomes ao Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no esquema.

Em maio de 2006, foi acusado de participar do esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras com verbas federais da saúde que teria sido iniciada em 2001. Chamada de Operação dos Sanguessugas, a Polícia Federal pediu o indiciamento dos acusados por formação de quadrilha e crime contra a lei de licitações. A Justiça decretou as prisões preventivas de 44 dos envolvidos, incluindo Carlos Rodrigues que entrou com recurso para responder em liberdade, mas teve o pedido negado. Permaneceu preso por mais de trinta dias.

Ainda em 2007, foi expulso do PL. Em 2008, em depoimento à Justiça sobre a denúncia do mensalão, admitiu ter recebido 150 mil reais do PT para pagar as dívidas contraídas pelo diretório fluminense do PL, atual Partido da República (PR), na campanha eleitoral de 2002. De acordo com a Folha de S. Paulo, ainda em 2008 retomou suas atividades na Igreja Universal, dirigindo a Rádio Nova AM.

Em sua trajetória foi do Conselho Consultivo do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte e concessionário de emissoras de rádio e TV: Rádio Educacional e Cultural de Uberlândia Ltda., TV Vale do Itajaí Ltda., Rádio Uirapuru de Fortaleza Ltda., Televisão Xanxerê Ltda., Rádio Antena Nove Ltda. e Rádio Jornal da Cidade Ltda.

 

 

Sabrina Guerghe

 

 

FONTES: Câmara dos Deputados; Correio Braziliense (12/11/2005); Congresso em foco (24/11/2005); FENAJ (28/11/2005); Folha de São Paulo (6/6/2005, 14/12/2005, 17/5/2006, 15/12/2007, 3/2/2009); Folha Online (9/9/2005, 4/5/2006, 28/7/2006, 11/10/2006, 13/2/2008); Portal G1 (13/2/2008); Brasil Rádio News (16/2/2009);

 

http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020517/pri_pol_170502_299.htm acesso em 5/10/09

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2710200413.htm acesso em 5/10/09

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1301200515.htm acesso em 5/10/09

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2106200520.htm acesso em 5/10/09

 

http://www.direito2.com.br/acam/2005/jul/6/carlos-rodrigues-nega-reuniao-para-discutir-mensalao acesso em 5/10/09

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2405200618.htm acesso em 5/10/09

 

 

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