ROSALINA COELHO LISBOA LARRAGOITI

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Nome: LISBOA, Rosalina Coelho
Nome Completo: ROSALINA COELHO LISBOA LARRAGOITI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

LISBOA, Rosalina Coelho

*jornalista; mov. Integralista

 

Rosalina Coelho Lisboa Larragoiti nasceu no Rio de Janeiro (então Distrito Federal) no dia 15 de julho de 1900, filha de João Gonçalves Coelho Lisboa e de Luzia Gabizo Lisboa. Seu pai foi republicano histórico, deputado e senador federal pela Paraíba, além de professor do Colégio Pedro II e da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.

Educada por preceptoras estrangeiras, estudou línguas e, aos 14 anos, publicou o primeiro soneto, “A mágoa de Seringepata”, na revista Fon-Fon. Um ano mais tarde, tornou-se colaboradora assídua da revista Careta. Casou-se pela primeira vez com o comandante Van Rademaker, com quem teve uma filha, e enviuvou aos 19 anos. Tendo ficado em situação econômica difícil, dedicou-se intensamente ao trabalho, escrevendo para jornais e revistas sob diferentes pseudônimos.

Em 1920, começou a lecionar inglês no Instituto Benjamim Constant. Em 1922, publicou Rito pagão, livro de poemas premiado pela Academia Brasileira de Letras. Casou-se em segundas núpcias com o norte-americano James Irvin Miller, vice-presidente e gerente-geral da United Press na América do Sul. Anos mais tarde, no início da década de 1940, após conseguir a anulação desse casamento, contraiu novas núpcias com o empresário Antônio Sanchez de Larragoiti, diretor da companhia de seguros Sul América. Larragoiti, simpatizante do general Franco, havia prestado auxílio financeiro às forças franquistas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Entusiasta dos movimentos revolucionários da década de 1920, Rosalina escreveu artigos e pronunciou discursos enaltecendo os jovens oficiais envolvidos nos levantes, manifestando-se contra o exílio a que muitos deles foram forçados. Com o objetivo de auxiliar efetivamente esses exilados, realizou inúmeras viagens por diversos países da América Latina, em especial à Argentina, onde fixou residência por 12 anos. Em artigo publicado pela imprensa carioca em 2 de maio de 1928, conclamava as mulheres brasileiras a promoverem a luta pela anistia. Entre os revolucionários com quem manteve estreito contato, destacava-se Antônio de Siqueira Campos.

Foi partidária da Revolução de 1930, tendo proferido em 1929 um discurso em frente à Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, contestando a política de Washington Luís. Defendia a intervenção da mulher na política, a igualdade de direitos entre os sexos e o aproveitamento da força de trabalho feminina. Em 1930, representou a Paraíba no Congresso Feminino Internacional realizado no Rio Grande do Sul. Foi também a primeira mulher brasileira a ser enviada ao exterior em missão intelectual (Montevidéu, 1932).

Em relação ao ensino, enfatizava a necessidade da adoção de educação moral e cívica nas escolas, como forma eficaz de promover a resistência ao comunismo. Por solicitação de Getúlio Vargas, elaborou um programa de propaganda revolucionária pelo rádio. Foi a única mulher a fazer parte do comitê encarregado da aprovação e regulamentação da radiodifusão educativa no Brasil, em 1933.

Rosalina pronunciou inúmeros discursos e escreveu artigos ressaltando a necessidade de formar-se uma frente única para o combate ao comunismo, cujas teorias considerava inadaptáveis ao continente. Acompanhara de perto os movimentos ocorridos em fins da década de 1920 e no início da seguinte no Chile, na Argentina, no Peru e na Bolívia, tendo defendido a política do presidente chileno Alessandri (1932-1938) e do caudilho argentino Uriburu (1930-1931) no combate ao comunismo.

Considerou que a Revolta de 1935 foi uma ação irrefletida e selvagem de alguns elementos influenciados pelo líder comunista Agildo Barata. Em seus artigos, exigia a punição dos envolvidos, ao mesmo tempo em que elogiava a forma como o governo havia sufocado o levante, aplaudindo as medidas tomadas por Filinto Müller.

Em 1936, integrou, como plenipotenciária, a delegação do Brasil à Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, realizada em Buenos Aires.

Adepta da Ação Integralista Brasileira (AIB), apoiou a candidatura do líder nacional Plínio Salgado às eleições presidenciais previstas para 1938. Entretanto, Vargas, disposto a manter-se na chefia da nação, entrou em entendimentos com Plínio Salgado, barganhando a participação deste nas articulações para um futuro golpe de Estado. O líder integralista, diante da promessa do presidente de dar-lhe participação no poder, aderiu à conspiração, com o apoio de uma fração da AIB. Em setembro de 1937, com a proximidade do golpe, foram estabelecidas estreitas ligações entre os integralistas que apoiavam a solução continuísta e Vargas. Um dos principais mediadores entre a AIB e o Catete, era Rosalina Coelho Lisboa.

Após o advento do Estado Novo (10/11/1937), os integralistas perceberam que suas reivindicações não seriam atendidas. Nessa ocasião, Rosalina serviu de emissária entre Plínio Salgado e Vargas, embora tenham sido inúteis suas tentativas de conciliação. Em decorrência disso, os integralistas romperam com o governo e prepararam os malsucedidos levantes de março e maio de 1938.

Embora Plínio Salgado tivesse comprovado. que não participou dos levantes, Getúlio resolveu exilá-lo em Portugal, onde poderia controlar seus movimentos. Plínio passou a só lançar manifestos e tomar atitudes após consultar Vargas, tendo como intermediários nessas consultas e pedidos Gustavo Barroso e Rosalina Coelho Lisboa.

O apoio de Rosalina Coelho Lisboa ao golpe de Estado de 1937 é evidenciado pelos inúmeros artigos que escreveu sobre o mesmo, pelos discursos proferidos em solenidades cívicas e pela correspondência que trocou com Getúlio Vargas. Em carta de 12 de novembro de 1937, Alzira Vargas agradecia, em nome do pai, as informações enviadas por Rosalina, as quais tinham sido de grande utilidade nas articulações para a implantação do Estado Novo.

Em 1938, voltou a compor, como plenipotenciária, uma delegação brasileira, desta feita à VIII Conferência Interamericana, realizada em Lima.

Rosalina pronunciou-se sistematicamente em favor da autonomia dos governos sul-americanos, especialmente o brasileiro, em face dos vínculos de dependência que mantinham com os países hegemônicos. Assim, durante a Segunda Guerra Mundial, quando os norte-americanos pressionavam o governo brasileiro para utilizar-se de bases militares brasileiras no combate às forças do Eixo, Rosalina recomendava a Vargas que só concedesse o uso do território enquanto país aliado, e jamais por submissão.

Contrariada com o rompimento de relações entre o Brasil e o Eixo (1942), participou de uma conspiração contra Vargas, financiada por seu marido, no início de 1943. Entretanto, o golpe, que tinha a finalidade de desagregar o governo, e impedir o esforço de guerra, não foi deflagrado, por ter chegado ao conhecimento de Vargas. Este fato, contudo, não prejudicou o bom relacionamento de Rosalina com o presidente da República.

Com o fim da guerra em 1945, Rosalina passou a defender o maior estreitamento das relações entre o Brasil e os demais países sul-americanos, especialmente a Argentina, o Chile e o Peru, aconselhando Vargas a desenvolver uma política de auxílio devido à situação privilegiada do Brasil. A partir deste mesmo ano, passou a ocupar a diretoria dos Diários Associados encarregada das sucursais de Lisboa, Madri e Paris.

Em 1951, foi delegada do Brasil à VI Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris. Nessa ocasião, propôs o projeto de abolição dos castigos corporais aplicados aos negros na África do Sul, o que levou a Corte Interamericana de Justiça a considerar racistas as leis sul-africanas.

Pronunciou-se na imprensa a favor do divórcio, apoiando a campanha iniciada pelo senador Nélson Carneiro em 1951. No entanto, teve pouca participação no segundo governo de Vargas. Em geral, mostrava-se solidária com sua política internacional, embora discordasse de muitos aspectos de sua política interna.

Em dezembro de 1952, quando Carlos Lacerda atacou violentamente Vargas em um jornal carioca, Rosalina manifestou solidariedade ao jornalista, em defesa da liberdade de imprensa.

Em fevereiro de 1954, foi eleita membro do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Relações Internacionais. Em julho do mesmo ano, alguns jornais divulgaram a notícia de que seu nome seria apresentado, juntamente com o do senador Mozart Lago, como candidata do Partido Social Progressista (PSP) ao Senado. Rosalina, entretanto, recusou a indicação.

Afastada da vida pública por longo tempo, Rosalina Coelho Lisboa morreu no Rio de Janeiro no dia 13 de dezembro de 1975.

Além de artigos em O Globo, Jornal do Brasil, O Jornal, Correio da Manhã e A Nação, publicou Rito pagão (poesia, 1922), O desencantado encantamento (ensaios, 1927), Conferências (1927), Passos no caminho (poesia, 1932), El mensaje cosmico del Quijote (ensaios, 1950), Almafuerte (ensaios, 1951) e A seara de Caim (romance, 1952).

O arquivo de Rosalina Coelho Lisboa encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

Sílvia Pantoja

 

 

FONTES: ARQ. ROSALINA COELHO LISBOA; CARONE, E. Estado; CONSULT. MAGALHÃES, B.; Grande encic. Delta; Grande encic. portuguesa; Jornal do Brasil (15/12/75); MELO, O. Marcha; RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1938; Who’s who in Latin.

 

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