RUBEM CARLOS LUDWIG

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: LUDWIG, Rubem
Nome Completo: RUBEM CARLOS LUDWIG

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LUDWIG, RUBEM

LUDWIG, Rubem

*militar; min. Educ. 1980-1982; ch. Gab. Mil. Pres. Rep. 1982-1985.

 

Rubem Carlos Ludwig nasceu em Lagoa Vermelha (RS) no dia 17 de janeiro de 1926, filho do médico Vítor Hugo Ludwig e de Iracema Xavier Ludwig. Seu pai foi prefeito de Canoas (RS) e de Gravataí (RS). Seu tio Roberto Geraldo Ludwig também foi prefeito de Canoas.

Sentou praça no Exército em março de 1943, ingressando na Escola Preparatória de Porto Alegre. Três anos depois transferiu-se para a Escola Militar de Resende, de onde saiu como aspirante-a-oficial da arma de infantaria em dezembro de 1948. Destacado em março de 1949 para o 19º Regimento de Infantaria em São Leopoldo (RS), foi promovido a segundo-tenente em junho desse ano e a primeiro-tenente em junho de 1951. Transferido em junho de 1952 para a 1ª Companhia de Guardas da 3ª Região Militar, em Porto Alegre, unidade de elite do Exército do Rio Grande do Sul, foi promovido a capitão em dezembro de 1953. No ano seguinte serviu durante pouco mais de dois meses no 9º RI em Pelotas (RS) e, de volta à 1ª Companhia de Guardas, assumiu em agosto o comando da unidade. Em janeiro de 1957 foi nomeado ajudante-de-ordens do comandante do III Exército, general Jaime de Almeida, e a partir de março de 1958 cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. Em fevereiro de 1959 assumiu o comando da Companhia do Quartel-General da 6ª Divisão de Infantaria em Porto Alegre, e em abril de 1962, quando iniciava o curso de três anos da Escola de Comando e Estado-Maior, foi promovido a major. Em janeiro de 1965 tornou-se instrutor dessa escola e em 1966 passou a instrutor-chefe do curso de infantaria da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Promovido a tenente-coronel em dezembro desse ano, continuou na AMAN até janeiro de 1968.

Em fevereiro de 1968, durante o governo Costa e Silva, tornou-se adjunto do Centro de Informações do Exército (Ciex), um dos mais poderosos elementos do sistema de informações e segurança que se notabilizaria nos anos seguintes no combate ao terrorismo e aos adversários do governo. As atividades do Ciex se desenvolviam no gabinete do ministro da Guerra, general Aurélio de Lira Tavares.

Com o início do governo Emílio Médici, em outubro de 1969, tornou-se adjunto da subchefia do Exército do Gabinete Militar da Presidência da República, chefiado pelo general João Batista Figueiredo. Em maio de 1973 deixou essas funções para cursar durante dois anos a Escola Superior de Guerra na França. Ainda em dezembro de 1973 foi promovido a coronel. Depois de concluir os cursos de estado-maior e superior de comando, retornou ao Brasil em meio ao governo do general Ernesto Geisel para comandar, a partir de janeiro de 1976, o 18º Batalhão de Infantaria Motorizada em Porto Alegre.

No início de 1978, quando se preparava para assumir a direção do corpo de alunos da AMAN, foi convocado por Geisel para trabalhar no palácio do Planalto. Serviu de início na 4ª Subchefia da Secretaria Geral do Conselho de Segurança Nacional (CSN) e a partir de abril tornou-se assessor de imprensa e relações públicas da Presidência da República, substituindo o coronel José Maria de Toledo Camargo, com quem já havia trabalhado no gabinete de Lira Tavares.

Porta-voz de Geisel no final de seu governo, período em que se consolidou a candidatura Figueiredo e foi suspenso o que ainda restava da censura à imprensa, inaugurou um novo estilo de relacionamento com os jornalistas, dando maior fluência às informações oficiais. Anunciou os nomes escolhidos pelo Planalto para ocupar os governos estaduais a partir das eleições indiretas de setembro de 1978 e, diante da campanha pela anistia política que então se iniciava, declarou-se favorável à medida, embora considerasse utópica sua efetivação.

Com a posse de Figueiredo em março de 1979, foi nomeado chefe de gabinete da Secretaria Geral do CSN. Nessa nova posição foi um dos responsáveis, segundo O Globo, pela criação da Secretaria Especial de Informática (SEI), que passou a aplicar uma política nacionalista no setor. Contribuiu também para a criação do Grupo Executivo de Terras do Araguaia e Tocantins (GETAT), encarregado de implantar a reforma agrária naquela região, e do Grupo Executivo do Baixo Amazonas (Gebam), criado para controlar a área do Projeto Jari.

Em 25 de novembro de 1980, ao ser promovido a general, deixou o CSN e foi nomeado Comandante da AMAN. Não chegou contudo a assumir o novo posto, pois no dia seguinte, com a demissão de Eduardo Portela do Ministério da Educação e Cultura (MEC) foi convocado por Figueiredo para ocupar a pasta.

 

No Ministério da Educação

A demissão de Eduardo Portela decorreu de suas posições frente à greve geral dos professores universitários então em curso. Na véspera de sua exoneração, o ministro apoiou de público as reivindicações dos professores, lamentando a falta de verbas e a importância do MEC para obtê-las. Ludwig tomou posse no dia 27 de novembro de 1980 com todas as universidades do país paralisadas, mas pouco tempo depois conseguiu suspender o movimento grevista, implantando um plano de reclassificação da carreira — projeto de seu antecessor — que propiciava melhorias salariais para o magistério superior.

Considerado o ministro da Educação de maior força junto aos centros decisórios no período dos governos militares, Ludwig declarou no início de sua gestão que daria prioridade ao ensino de primeiro e segundo graus, manifestando preocupação com a cifra de sete milhões de crianças sem escola em todo o país. No início de 1981, afirmou ainda que o programa cultural do MEC teria como fundamento a busca “das raízes brasileiras”.

Também no início de 1981, na tentativa de modernizar a emperrada administração do MEC, Ludwig conseguiu do presidente Figueiredo um decreto lhe dando poderes para alterar até o fim do ano a estrutura do ministério. No mês de abril foram extintas duas importantes secretarias do MEC, até então dirigidas por Aluísio Magalhães: a de Assuntos Culturais e a do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan). Em seu lugar foi criada, ainda sob a chefia de Aluísio Magalhães, a Secretaria de Cultura, embrião do Ministério da Cultura, implantado em 1985. O Sphan foi transformado em subsecretaria.

Ainda em abril de 1981, Ludwig confirmou sua força junto a Figueiredo afastando o presidente do Mobral, Arlindo Lopes Correia, que há sete anos se mantinha no cargo a despeito das tentativas de ministros anteriores de exonerá-lo. Seus esforços para obter recursos para o MEC esbarravam contudo na intransigente recusa do secretário de Planejamento da Presidência da República, Antônio Delfim Neto. Da dotação de 107 bilhões de cruzeiros solicitada para o ano de 1982 — representando um aumento de 400% sobre o ano de 1981 — Delfim Neto cortou 69 bilhões. Em agosto, O Estado de S. Paulo noticiou que Ludwig estaria demissionário e há algum tempo despachava em sua residência. Após uma audiência com Figueiredo em setembro, Ludwig obteve uma reposição de 40 bilhões na verba destinada ao MEC. Ainda em 1981 enfrentou nova greve geral do magistério, engrossada pelos funcionários das universidades. Mais uma vez o impasse foi solucionado com a concessão de reajuste salarial aceito pelos professores.

Em março de 1982 Ludwig apresentou um projeto reformulando a lei do ensino profissionalizante do segundo grau. A alteração, segundo o ministro, tinha por objetivo viabilizar um sistema que já existia, mas na prática não havia sido implantado em toda a sua plenitude. Em declarações à imprensa no mês de junho, Ludwig admitiu que o Mobral havia falhado em seu objetivo de alfabetizar adultos. Por essa época, recusou-se a reconhecer a União Nacional dos Estudantes (UNE) como órgão oficial de representação dos estudantes no país.

A gestão de Ludwig no Ministério da Educação foi considerada positiva tanto pela comunidade de ensino quanto pela imprensa. Entre outros pontos, foram elogiadas a recusa em reconhecer novos cursos universitários e a ênfase ao ensino básico, aquinhoado com cerca da metade do orçamento do MEC em 1982. Em agosto, quando se anunciou que o ministro deixaria a pasta, os reitores das universidades manifestaram publicamente sua contrariedade e apreensão.

Apesar das pressões para que permanecesse no ministério, em 24 de agosto de 1982 Ludwig assumiu a chefia do Gabinete Militar da Presidência da República, substituindo o general Danilo Venturini, nomeado para o recém-criado Ministério Extraordinário para Assuntos Fundiários. Para seu lugar foi nomeada a professora Ester de Figueiredo Ferraz, primeira mulher a ocupar uma pasta ministerial no Brasil.

 

No Gabinete Militar

Carlos Chagas assinalou em O Estado de S. Paulo que o papel de Ludwig em seu novo posto seria adequar o Gabinete Militar à abertura política, servindo de ponte entre o Planalto e as forças armadas para a solução dos intrincados problemas colocados pelo processo de transição política.

Em dezembro Ludwig foi escolhido o “Homem de Visão 82”, título concedido pela primeira vez a um militar. Em seu pronunciamento na ocasião, enalteceu as raízes culturais do país.

Em suas novas funções, Ludwig assumiu atitude discreta, embora prosseguisse como importante interlocutor da imprensa. Analistas políticos consideravam-no um moderador nos choques frequëntes que se estabeleciam entre os demais assessores de Figueiredo.

Em abril de 1984, enquanto crescia a campanha pelas eleições diretas para a presidência da República, com a realização de grandes comícios nas principais cidades do país, Ludwig participou da comitiva do presidente Figueiredo em sua viagem ao Marrocos e à Espanha. Em conversa informal com jornalistas durante uma recepção em Madri, manifestou sua preocupação com a evolução dos acontecimentos, declarando, segundo O Estado de S. Paulo: “Estão armando a baderna, estão investindo na violência. Estamos repetindo 64.”

Ao longo do ano, a difícil afirmação e o rápido declínio da candidatura de Paulo Maluf e a consagração da candidatura oposicionista de Tancredo Neves, associadas à dramática aceleração inflacionária, levaram a uma corrosão crescente do prestígio do governo. Depois de tentar sem êxito melhorar a imagem e a comunicação social do palácio do Planalto e participar dos bastidores da política, Ludwig se retraiu, limitando-se às suas atribuições específicas como chefe do Gabinete Militar.

No dia 1º de janeiro de 1985, Ludwig foi transferido para a reserva remunerada. Em 15 de março, ao encerrar-se o governo Figueiredo, deixou o Gabinete Militar, passando à empresa privada na qualidade de conselheiro administrativo da Construtora Camargo Correia.

Morreu no Rio de Janeiro no dia 28 de agosto de 1989.

Era casado com Jurema Loureiro Ludwig, com quem teve dois filhos.

Israel Beloch

 

FONTES: CORRESP. GAB. MIL. PRES. REP. (17/1/86); CORRESP. MIN. EDUC. (12/12/85); Estado de S. Paulo (26/2/81, 13 e 22/8/82, 14/10/84); Folha de S. Paulo (26/3/81, 6/6/82); Globo (27 e 28/11/80, 29/3 e 14/11/81, 27/2, 13/8 e 21/12/82); Jornal do Brasil (11/2 e 3/7/78, 27 e 28/11/80, 12, 15 e 18/9/81, 21 e 25/8/82, 3/4 e 23/12/84); MIN. EX. Almanaque (1976 e 1984); Veja (8/4/81 e 1/1/86).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados