RUBENS ANTONIO BARBOSA

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Nome: BARBOSA, Rubens
Nome Completo: RUBENS ANTONIO BARBOSA

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARBOSA, RUBENS

BARBOSA, Rubens

*diplomata, emb. Bras. Inglaterra 1994-1999; emb. Bras. EUA 1999-2004.

 

Rubens Antônio Barbosa nasceu em São Paulo no dia 13 de junho de 1938, filho de José Orlando Barbosa e de Lice Farine Barbosa.

Ingressou no Instituto Rio Branco em 1960. Enquadrado na carreira diplomática como terceiro-secretário em novembro de 1962, dois anos depois bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ainda em 1964, participou da XIII Conferência da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, em Paris, e de 1965 a 1986, esteve presente às XX, XL, XLI sessões da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque.

Transferido para a embaixada do Brasil em Londres, em 1966, foi promovido a segundo-secretário em dezembro desse mesmo ano. Trabalhou igualmente no consulado-geral, na mesma cidade, como cônsul-adjunto, entre 1969 e 1972. Promovido a primeiro-secretário em janeiro do ano seguinte, foi assessor da IV Conferência de Cúpula dos Países Não-Alinhados, realizada em Argel. De volta ao Brasil, chefiou o gabinete da Secretaria de Educação e Cultura do Distrito Federal em 1974. No ano seguinte, participou da missão diplomática precursora à China, encarregada da instalação da embaixada brasileira em Pequim.

Promovido a conselheiro em março de 1976, foi nomeado secretário-executivo da Câmara de Comércio com os Países do Leste europeu, função que desempenharia até 1983. Nesta condição, foi designado diretor do Pavilhão do Brasil na Feira de Budapeste e delegado de várias reuniões de comissões mistas entre o Brasil e países socialistas europeus, nomeadamente Romênia, República Democrática da Alemanha, Bulgária, Hungria, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e Tchecoslováquia. Foi ainda delegado às VII, VIII e IX reuniões da Comissão Brasil-URSS para Cooperação Comercial, Econômica, Científica e Técnica e ficou à disposição do vice-presidente da URSS, Vasili V. Kuznetzovov durante as cerimônias de posse do general João Batista Figueiredo na presidência do Brasil, em março de 1979. Promovido a ministro de segunda classe em 1981, foi membro da delegação especial às exéquias do presidente da URSS, Leonid Brejnev, em 1982, e Iuri Andropov, em 1984. Neste último ano, em Genebra (Suíça), esteve também presente à reunião sobre intercâmbio comercial entre países com diferentes sistemas econômico-sociais da United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD).

Ainda em 1984, trabalhou no Programa Nacional de Desburocratização, tendo sido encarregado da modernização e simplificação da área de comércio exterior. Promovido a ministro de primeira classe em 1985, exerceu a função de chefe de gabinete do ministro das Relações Exteriores, Olavo Setúbal, e integrou a reunião de coordenação com os embaixadores do Brasil nos países do Leste europeu, em Frankfurt, Alemanha. Participou, também neste período, da Reunião do Consenso de Cartagena, em Montevidéu, e da Reunião de Chanceleres do Grupo de Apoio à Contadora, em Cartagena (Colômbia). Em 1986, integrou a delegação brasileira à Reunião de Cúpula do Movimento Não-Alinhado, em Harare (Zimbábue). De 1986 a 1987, atuou como subsecretário-geral de Administração e subsecretário-geral de Assuntos Multilaterais do Itamarati.

Secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda entre 1987 e 1988, exerceu a mesma função na seção brasileira do Grupo dos três Ministros da Fazenda (Argentina, Brasil e México). Em 1988, foi nomeado embaixador do Brasil junto à Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração, em Montevidéu, função que exerceu até 1991. Foi também presidente do comitê de representantes da Associação Latino-Americana de Integração (1991-1992) e subsecretário de Comércio Externo, de Integração e de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores (1991-1993). Em setembro de 1991, assumiu a coordenação da seção brasileira para o Mercado Comum do Sul, chefiando as delegações brasileiras às reuniões do grupo, do qual fez parte do seu conselho e no qual desenvolveu atividades relativas ao comércio e à articulação do Ministério das Relações Exteriores com o setor privado.

Em janeiro de 1994 assumiu a embaixada do Brasil, em Londres, em substituição a Paulo de Tarso Flecha de Lima. No mês seguinte, foi eleito presidente da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), sucedendo ao ex-ministro brasileiro da Indústria e Comércio José Eduardo de Andrade Vieira. A APPC fora fundada em setembro de 1993, com a função de promover a recuperação do preço do café no mercado internacional. Para tanto, foi lançado o “Plano de Retenção”, o qual reduziu em 20% a exportação do produto. Em setembro de 1995, ocasião em que Rubens Barbosa foi reeleito presidente da APPC, a cotação do café já era três vezes superior àquela praticada quando da fundação da entidade.

Como embaixador, Barbosa desempenhou importante papel na divulgação da imagem do Brasil junto ao mercado inglês e na atração de investimentos privados. Em meados de 1997, em meio a uma grande crise financeira iniciada na Ásia, procurou demonstrar aos investidores estrangeiros a especificidade do Brasil entre os chamados países emergentes, e com isso evitar a “crise de credibilidade” que ameaçava se abater sobre o país.

O incentivo às relações comerciais com a Inglaterra chegou até ao campo ambiental — segundo Barbosa, um setor em que o Brasil detinha um grande potencial de negócios. Juntamente com o governo inglês, iniciou um levantamento das empresas britânicas e brasileiras dedicadas à questão ambiental para futura transferência de tecnologia e formação de joint ventures. Em outra iniciativa nessa área, anunciou, em dezembro de 1997, durante visita do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) a Londres, o compromisso do governo brasileiro de atingir a meta de preservar ao menos 10% da reserva florestal do país até o fim do ano 2000. O anúncio da medida foi feito através de uma carta do embaixador brasileiro ao príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth e presidente emérito do Fundo Mundial para a Natureza, entidade que coordenava uma campanha para a preservação de florestas em todos o mundo.

Ainda com o intuito de promover a imagem do Brasil e pôr fim aos estereótipos acerca do país, Barbosa deu especial destaque à questão educacional. Nessa área, sua principal realização foi a criação, com a ajuda de capitais privados, do Centro de Estudos Brasileiros na Universidade de Oxford. Além dessa iniciativa, a embaixada brasileira encomendou a especialistas ingleses a elaboração de um material didático de geografia — Brazil in the school — que passou a ser distribuído às escolas de segundo grau do Reino Unido.

Em junho de 1999, deixou a capital inglesa para assumir a embaixada do Brasil nos Estados Unidos em substituição a Flecha de Lima, sendo sucedido na embaixada de Londres pelo ex-porta-voz da presidência da República, Sérgio Amaral. Em Washington, Rubens Barbosa teve como especial atribuição a defesa dos interesses dos exportadores brasileiros frente às sanções impostas pelo governo norte-americano aos produtos exportados pelo Brasil, principalmente o aço e alguns produtos agropecuários. A exemplo do que fizera na Inglaterra, buscou também estimular programas de estudos sobre a realidade brasileira junto a grupos de interesse e anunciou, com o apoio da iniciativa privada brasileira e americana, a criação de centros de estudos sobre o Brasil na Universidade de Colúmbia, em Nova Iorque, e na Universidade de Georgetown, em Washington.

Durante o período que esteve à frente da embaixada de Washington, participou ativamente das negociações envolvendo a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Em junho de 2000, divulgou relatório em que criticou a postura protecionista norte-americana, afirman do que os Estados Unidos aplicavam tarifas extremamente altas sobre os principais produtos de exportação brasileiros. No mesmo ano – juntamente com o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, e o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias – assinou, em Washington, contrato para a liberação de empréstimo de US$ 11 milhões destinado ao Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal.

Foi responsável pela idealização e pela organização do maior encontro realizado até então entre brasilianistas e intelectuais brasileiros. Em dezembro de 2000, reuniram-se aproximadamente oitenta estudiosos sobre Brasil – entre os quais o britânico Kenneth Maxwell, os norte-americanos Robert Levine e Thomas Skidmore, o historiador brasileiro Carlos Guilherme Mota, o sociólogo Sérgio Miceli, o antropólogo Roberto da Matta, da Universidade de Notre Dame e o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira – para debater, comentar e revisar o livro Guide to the Study of Brazil in the United States - 1945-2000, que a embaixada viria a lançar no ano seguinte.

Barbosa também defendeu o acordo espacial que previa o uso comercial, por empresas norte-americanas, da base de lançamento de foguetes de Alcântara (MA), proposta que sofreu contundente oposição no Congresso sob a alegação de que o acordo feriria a soberania nacional e impediria o avanço tecnológico brasileiro.

Deixou o cargo nos Estados Unidos em março de 2004, sendo substituído pelo embaixador Roberto Abdenur. Este foi o último posto de sua carreira diplomática.

No fim de 2008, o então presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Francisco Pires da Costa, lhe ofereceu que o substituísse no cargo, mas Rubens Barbosa não aceitou o convite.

Casou-se com Maria Inês Correia da Costa Barbosa, com quem teve dois filhos. Seu sogro, Sérgio Correia da Costa, foi embaixador do Brasil na Inglaterra (1968-1973), na ONU (1974-1983) e nos Estados Unidos (1983-1986). O avô de sua esposa, Osvaldo Aranha, um dos principais articuladores da Revolução de 1930, ocupou a chefia dos ministérios da Justiça (1930-1931), Fazenda (1931-1934 e 1953) e Relações Exteriores (1938-1944) e foi também embaixador do Brasil em Washington (1934-1937).

Mestre pela London School of Economics and Political Science, ao longo de sua carreira, Barbosa escreveu diversos artigos, principalmente sobre comércio exterior, desburocratização e integração regional, hemisférica e nacional, a maioria sendo publicada, de forma regular, no Estado de S. Paulo e em O Globo. Publicou os livros América Latina em perspectiva: a integração regional da retórica à realidade (1991) e Panorama visto de Londres (1998), uma coletânea de seus ensaios e artigos publicados na imprensa, e The Mercosur Codes, publicado pelo British Institute of International and Comparative Law (Instituto Britânico de Direito Internacional e Comparativo).

Como consultor de negócios, ocupou, entre outros, os cargos de presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, Membro do Conselho Empresarial dos Países de Língua Portuguesa e de diversos outros Conselhos, como o da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e o da empresa CSU CardSystem S.A. Também integrou o Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP (Gacint) e a editoria da revista Interesse Nacional.

Criou a empresa Rubens Barbosa & Associados, que coloca à disposição do mercado a experiência de Governo e de negociação de sua equipe. Está associada à Stonebridge International LLC, uma empresa de estratégia global de negócios fundada pelo ex-Secretário de Segurança dos EUA, Samuel R. Berger, e pelo ex-embaixador dos EUA no Brasil, Anthony S. Harrington.

 

Romero Brito/Luís Otávio de Sousa

       Suayla Khalil atualização

FONTES: Folha de S. Paulo (31/3/94, 27/9 e 22/10/95, 12/8 e 6/10/96, 30/11, 1 e 5/12/97, 26/8, 31/10 e 15/12/98, 26/4, 14/6, 11/7, 6/8, 3/9 e 14/12/99, 20/1, 8/4, 13, 13/6/00, 20/6/00, 8/8/00, 4/12/00, 04/09/01, 30/4/09); INF. BIOG.; INF. EMB. BRAS. REINO UNIDO; MIN. REL. EXT. Anuário (1992); RUBENS BARBOSA & ASSOCIADOS Internet.

 

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