SALVADOR ROMANO LOSSACO

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Nome: LOSSACO, Salvador
Nome Completo: SALVADOR ROMANO LOSSACO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
LOSSACO, SALVADOR

LOSSACO, Salvador

*dep. fed. SP 1959-1963.

 

Salvador Romano Lossaco nasceu na cidade de São Paulo no dia 16 de janeiro de 1917, filho de Nicolau Lossaco e de Conceição Romano Lossaco.

Em 1933 concluiu o curso de perito-contador, formando-se no ano seguinte pelo Ginásio do Estado. Ainda em 1934 iniciou sua carreira jornalística, passando a colaborar nos órgãos paulistas O Imparcial, Diário da Noite, Agência Meridional e Diário de São Paulo.

De 1935 a 1939 atuou como redator e diretor de ensaios da Rádio Bandeirantes, em São Paulo, tendo sido ainda, de 1938 a 1941, sargento do Exército e instrutor do Tiro de Guerra 355. Ingressando nesse último ano no Banco do Brasil, trabalharia nas agências de Jaú, Santo André e São Paulo, e chegaria a chefe de serviço da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial, o que lhe proporcionou um grande entrosamento no meio econômico.

Encerrando as atividades jornalísticas em 1954, assumiu então a presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo, bem como a do Pacto de Unidade Intersindical (PUI). Criado nesse mesmo ano, o PUI era uma organização intersindical de trabalhadores que tinha por objetivo dirigir as ações políticas e sindicais da classe operária no estado de São Paulo. Não foi reconhecido pelo Ministério do Trabalho e se dissolveria em 1958, sendo substituído pelo Conselho Sindical dos Trabalhadores de São Paulo.

Em 1956, Lossaco participou da fundação do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE), do qual se tornou primeiro presidente, e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec), cuja presidência ocupou desse ano a 1960. Ainda em 1956, fundou a Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de São Paulo, da qual foi também o primeiro presidente. No ano seguinte encerrou sua gestão no Sindicato dos Bancários, sendo eleito ainda o “Homem do Ano” pelo jornal Última Hora de São Paulo.

Em 1958 deixou a presidência da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, do DIEESE e do PUI, elegendo-se no pleito de outubro deputado federal por seu estado, na legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assumindo o mandato em fevereiro de 1959, nessa legislatura integrou como membro efetivo a Comissão de Trabalho e Legislação Social e como suplente as comissões de Finanças, de Economia, de Serviço Público e de Redação da Câmara dos Deputados. Apoiou também a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada em 1956 por deputados do PTB, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Social Democrático (PSD) e da União Democrática Nacional (UDN) com o propósito de viabilizar uma plataforma nacionalista voltada para a condenação à intervenção do capital estrangeiro na economia nacional, especialmente no setor energético, e à remessa de lucros para o exterior.

Segundo o jornal Correio Brasiliense de agosto de 1962, Lossaco denunciou, ainda no início de seu mandato, o ministro do Trabalho do governo de Juscelino Kubitschek, Fernando Nóbrega, por crime de responsabilidade. Em seguida conseguiu afastar um curador, um procurador e um ministro do Tribunal Superior do Trabalho, acusados de suborno. Ainda em 1959, denunciou Jânio Quadros por possuir grandes depósitos mal havidos em bancos suíços, pedindo procuração para prová-lo. Contudo, o então candidato à presidência da República e deputado licenciado preferiu concedê-la ao presidente da Câmara.

Sempre segundo o Correio Brasiliense, Lossaco era favorável a uma reforma agrária coletivista, à prescrição dos investimentos estrangeiros, ao monopólio estatal de todas as riquezas, dos transportes e das telecomunicações nacionais, e à expropriação dos latifúndios improdutivos. Ainda em 1962 lançou contra cerca de 60 deputados a acusação de que integravam grupos econômicos estrangeiros cujas atividades contrariavam os interesses do país, exibindo um trabalho de pesquisa que lhe consumiu três anos e as economias dos subsídios.

Lossaco concluiu o mandato ao fim da legislatura, em janeiro de 1963. Após a vitória do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart (1961-1964), teve os direitos políticos suspensos por dez anos em 10 de abril em decorrência do Ato Institucional nº 1 (AI-1), editado na véspera pela junta militar que assumiu o governo. Ainda este ano, pediu asilo na Embaixada da Iugoslávia, onde residiu por um ano. Em 1965 foi para o Chile, passando a trabalhar na instituição Desenvolvimento para a América Latina (Desal). Ao final do governo de Eduardo Frei no Chile, Salvador Lossaco transferiu-se para Montevidéu, onde passou a trabalhar no comércio.

Em 1979 retornou ao Brasil, passando a atuar no Sindicato dos Bancários de São Paulo. Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reestruturação partidária, filiou-se no ano seguinte ao Partido dos Trabalhadores (PT). Acometido por doença, ainda na década de 1980, afastou-se de suas atividades.

Faleceu na cidade de São Paulo no dia 20 de setembro de 1993.

Era casado com Clarivalda de Callis Lossaco, com quem teve três filhos.

 

FONTES: ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); CÂM. DEP. Relação dos dep.; CAMPOS, Q. Fichário; Estado de S. Paulo (5/9/62); FLEISCHER, D. Thirty; INF. FAM.; Jornal do Brasil (7/4/74); TRIB. SUP. ELEIT. Dados.

 

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