SAMPAIO NETO, Firmino

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Nome: SAMPAIO NETO, Firmino
Nome Completo: SAMPAIO NETO, Firmino

Tipo: BIOGRAFICO


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SAMPAIO NETO, Firmino Ferreira

SAMPAIO NETO, Firmino Ferreira

* pres. Eletrobrás 1996-2001.

 

Firmino Ferreira Sampaio Neto nasceu em Piritiba (BA) no dia 14 de maio de 1946, filho do fazendeiro Firmino Ferreira Sampaio Filho e de Jovelina de Oliveira Sampaio.

Estudou em sua cidade natal e em escolas de outros municípios do interior da Bahia, completando o curso secundário no Colégio Estadual da Bahia, conhecido como Colégio Central, em Salvador, em 1964. Em 1969 formou-se em economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em 1971 iniciou carreira na administração pública baiana. Técnico da Secretaria de Indústria e Comércio do estado, coordenou diversos trabalhos na área de planejamento de polos industriais no decorrer do primeiro mandato do governador Antônio Carlos Magalhães. Em 1973, concluiu pós-graduação em planejamento industrial na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em 1975, na administração do governador Roberto Santos, passou a trabalhar na Secretaria de Minas e Energia. Foi chefe do Grupo de Economia Mineral, e em janeiro de 1980, já no segundo mandato do governador Antônio Carlos Magalhães, foi designado chefe de gabinete da secretaria. Exerceu esse último cargo durante quatro anos, destacando-se como um dos principais colaboradores do secretário Paulo Souto.

Em março de 1985 foi nomeado diretor econômico-financeiro da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), e dois anos depois foi designado administrador regional da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) para os estados da Bahia e Sergipe. Deixou a Chesf em novembro de 1987 para trabalhar na Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) como chefe de gabinete do superintendente Paulo Souto. Em janeiro de 1990 voltou a ocupar o cargo de diretor econômico-financeiro da Coelba, assumindo a presidência da concessionária estadual em julho de 1994.

Em maio de 1996, por designação do presidente Fernando Henrique Cardoso, assumiu a presidência da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), sucedendo ao engenheiro Antônio Imbassahy. Ao longo dos quase cinco anos em que permaneceu à frente da holding federal, participou ativamente do processo de reestruturação e privatização do setor de energia elétrica. Um de seus primeiros atos foi a contratação do consórcio de consultores selecionado pelo Ministério de Minas e Energia para auxiliar o governo na elaboração do novo marco regulatório do setor de energia elétrica. Os trabalhos do consórcio, liderado pela firma inglesa inglesa Coopers & Lybrand, foram desenvolvidos com a participação de técnicos da Eletrobrás e de outras empresas e órgãos públicos, balizando a reforma setorial empreendida na administração Fernando Henrique Cardoso.

Em 1997, o governo iniciou a reestruturação do grupo Eletrobrás, tendo em vista a separação das atividades de geração e transmissão das empresas de âmbito regional controladas pela holding e a privatização de seus ativos de geração. A transferência do segmento de geração nuclear de Furnas Centrais Elétricas para uma nova empresa estatal obedeceu a esse propósito, em decorrência do monopólio constitucional da União sobre as atividades nucleares, resultando na criação da Eletrobrás Termonuclear (Eletronuclear) em agosto de 1997. Em novembro, a Eletrosul foi transformada numa empresa exclusivamente de transmissão, com a transferência de suas usinas para a Centrais Geradoras do Sul do Brasil (Gerasul). A Eletronorte também foi cindida, com a criação das subsidiárias Manaus Energia e Boa Vista Energia, encarregadas dos serviços de distribuição nas capitais do Amazonas e de Roraima.

Paralelamente, a Eletrobrás assumiu a gestão econômico-financeira de várias concessionárias estaduais, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desempenhando importante papel nos processos de desestatização das distribuidoras atuantes nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Sergipe, Rio Grande do Norte, Pará, Pernambuco, Maranhão e Paraíba. As empresas pertencentes aos governos de Alagoas, Piauí, Rondônia, Acre e Amazonas foram incorporadas pela holding, passando a integrar o grupo das chamadas empresas federalizadas.

A reforma setorial acarretou a perda das funções que a Eletrobrás vinha exercendo nas atividades de planejamento da operação e da expansão do sistema elétrico brasileiro, por intermédio do Grupo Coordenador para Operação Interligada (GCOI) e do Grupo Coordenador de Planejamento de Sistemas Elétricos (GCPS). Em maio de 1998, o presidente Fernando Henrique promulgou a Lei nº 9.648, que definiu os contornos do novo marco regulatório do setor, instituindo o Mercado Atacadista de Energia (MAE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A lei determinou a extinção do GCOI e a transferência dos centros de operação da Eletrobrás e suas controladas para o ONS. Um ano depois, o Ministério de Minas e Energia criou o Comitê Coordenador do Planejamento da Expansão (CCPE) em substituição ao GCPS.

Herdeira do parque gerador da Eletrosul, composto por seis usinas e três empreendimentos em fase de construção, a Gerasul foi adquirida pela multinacional belga Tractebel em setembro de 1998. O processo de desestatização das demais geradoras federais praticamente estancou no ano seguinte, em decorrência de mudanças no cenário econômico e dificuldades políticas e institucionais. Os estudos para a privatização de Furnas, da Chesf e da Eletronorte prosseguiram, mas sem consequências práticas efetivas.

Diversas obras de grande porte foram concluídas ou iniciadas pelas empresas do grupo Eletrobrás durante a gestão de Firmino Sampaio à frente da holding federal. A Chesf completou a instalação das seis unidades geradoras da usina de Xingó em 1997. No ano seguinte, em parceria com o capital privado, Furnas levou a cabo o aproveitamento hidrelétrico de Serra da Mesa, ao mesmo tempo que Eletronorte iniciava as obras da segunda etapa da usina de Tucuruí, visando à duplicação da potência instalada da hidrelétrica. Em julho de 2000, a Eletronuclear colocou em operação a central nuclear de Angra 2.

Além disso, a Eletrobrás aportou recursos para as hidrelétricas de Lajeado, Itá, Machadinho, Cana Brava e outros empreendimentos a cargo do capital privado. Em 1999 entrou em operação comercial o primeiro circuito da Interligação Norte-Sul. Realizada por Furnas e pela Eletronorte, a obra estabeleceu a interconexão entre os sistemas elétricos das regiões Sul/Sudeste e Norte/Nordeste, mediante a construção de quase 1.300 quilômetros de linhas de 500 kV entre Imperatriz (MA) e Samambaia (DF). Na área internacional, a Eletrobrás participou da celebração de acordos de integração energética com a Argentina, o Uruguai e a Venezuela.

Membro do Comitê de Acompanhamento da Expansão Termelétrica (CAET), criado pelo ministro Rodolfo Tourinho em 1999, Firmino Sampaio participou da elaboração do Programa Prioritário de Termelétricas (PPT), instituído pelo governo federal em fevereiro de 2000, em decorrência do aumento do risco de déficit de energia no sistema elétrico brasileiro. Sob sua orientação, a Eletrobrás buscou celebrar contratos de compra antecipada de energia com investidores em geração térmica, denominados Power Purchase Agreement (PPA). A par dessas medidas emergenciais, a empresa foi convocada a prestar apoio técnico e econômico ao Programa Nacional de Eletrificação Rural Luz no Campo, criado em dezembro de 1999.

Firmino Sampaio assumiu cumulativamente a presidência da Eletronuclear em agosto de 2000. Deixou o comando da Eletrobrás e da Eletronuclear em abril de 2001, dois meses depois da exoneração do ministro Rodolfo Tourinho e do rompimento do senador Antônio Carlos Magalhães com o governo federal. Foi substituído na presidência da Eletrobrás pelo engenheiro Cláudio Ávila.

Em abril de 2004, foi eleito membro do conselho de administração da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), por ocasião da venda da empresa para a SVM Participações e Empreendimentos, pertencente ao grupo nacional GP Investimentos. Em setembro de 2005, também passou a integrar o conselho de administração da Companhia Energética de Goiás (Celg), por indicação do governador goiano Marconi Perilo, exercendo essa função por curto período. Em março de 2006, assumiu a presidência da Equatorial Energia, nova holding controladora da Cemar. Permaneceu no cargo após a venda da participação da GP Investimentos na Equatorial Energia para o Banco Pactual em novembro de 2007.

Casou-se com Mildred Maria Ribeiro Sampaio, com que teve três filhas.

Paulo Brandi

 

FONTES: BALBI, S. Dicionário; CACHAPUZ, P.B. Panorama; CACHAPUZ, P.B. O planejamento da expansão do setor de energia elétrica; ELETROBRÁS. Relatório (1996-2001); Portal CEMAR – Companhia Energética do Maranhão. Histórico. Disponível em <http://www.cemar-ma.com.br/>; Portal Instituto Acende Brasil (17/9/04). GP Investimentos, controladora da Cemar, íntegra a CBIEE. Disponível em : <http://www. acendebrasil.com.br/archives/files/imprensa_publicacoes/2004_09_17_-_Canal_Energia_ A.pdf>.

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