SCHETTINO, FRANCISCO JOSE

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Nome: SCHETTINO, Francisco José
Nome Completo: SCHETTINO, FRANCISCO JOSE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SCHETTINO, FRANCISCO JOSÉ

SCHETTINO, Francisco José

*pres. CVRD 1992-1997.

 

Francisco José Schettino nasceu em Belo Horizonte no dia 1º de janeiro de 1936, filho do engenheiro Ranulfo Schettino e de Irene Pellegrino Schettino.

Formado em engenharia de minas e metalurgia pela Universidade Federal de Minas Gerais (1961), ingressou na Companhia Vale do Rio Doce, sendo destacado para trabalhar no setor de programação e dinamitagem da mina Cauê, em Itabira (MG). Em 1962, foi transferido para o setor de carregamento e transportes, e no ano seguinte, para o de tratamento de minério. Promovido em 1965 a chefe da divisão de tratamento de minério da superintendência das minas, dois anos depois se tornou assistente de manutenção mecânica, e em 1968, assistente da manutenção elétrica e mecânica.

Superintendente-adjunto das minas (1970) e superintendente-geral (1972), representou o Brasil na 4ª Reunião do Comitê para Normas Técnicas de Análise de Granulometria de Minério, em Tóquio (1974). Diretor-geral de produção (1979), responsável pelas minas, ferrovias, portos e pelotização, tornou-se presidente do subcomitê de mineração do Comitê Brasileiro de Mineração e Metalurgia, na Associação Brasileira de Normas Técnicas, e diretor da Amazônia Mineração S.A. (1980-1981). Acumulando (a partir de 1981) a superintendência do Projeto Carajás, assumiu a diretoria da Rio Doce Geologia e Mineração, e no mesmo ano, a presidência do conselho de administração da Minas da Serra Geral. Diretor-presidente da Mineração Rio do Norte (maio de 1990 a fevereiro de 1991), aposentou-se como engenheiro do grupo CVRD, mas prosseguiu na carreira de executivo, exercendo a presidência da subsidiária Eletrovale, produtora de ferro-liga no município de Nova Era (outubro a dezembro de 1992).

Em dezembro de 1992, substituiu Wilson Brumer na presidência da CVRD, e em julho do ano seguinte, assumiu a presidência do conselho de administração da Itabira International Company Ltda. Por conta do cargo executivo, integrou diversos conselhos fiscais e consultivos de várias empresas, tais como a Docegeo, a Docenave, a Nibrasco, a Hispanobrás e a Itabrasco.

Na sua gestão, inaugurou o terminal de grãos de Tubarão, viabilizando o corredor de exportação do Centro-Leste; assinou o acordo com a Mineração Morro Velho, que permitiu a execução do Projeto Cobre Salobo; promoveu o crescimento da produção de ouro, tornando a companhia a maior produtora do país; a duplicação da Celulose Nipo-Brasileira S.A. e a retomada das obras da Alunorte; estabeleceu a ligação do Terminal de Ponta da Madeira com o segundo píer; obteve para diversas áreas e empresas da CVRD o Certificado de Qualidade ISO 9002; participou em novas privatizações de usinas siderúrgicas (CSN e Açominas); integrou o consórcio de construção da usina hidrelétrica de Igarapava; e adquiriu o controle da mina de Urucum. Representou a CVRD em diversas viagens técnicas às principais minerações do Canadá, Suécia, Austrália, Chile, Peru, África do Sul, Venezuela, Estados Unidos e México e visitou siderúrgicas na Europa, Japão, China, México, Filipinas, Coreia e Taiwan.

A principal marca de sua passagem, todavia, foi o desdobramento do complexo processo de privatização da companhia. O primeiro passo foi dado em março de 1995, quando se decidiu pela imediata elaboração das regras para contratação de consultorias, tendo em vista a definição do modelo de privatização da estatal. A tarefa ficou a cargo do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), responsável pelo gerenciamento da venda das empresas incluídas no Programa Nacional de Desestatização. Em 1º de junho, o presidente Fernando Henrique sancionou a inclusão da Vale no PND. O trabalho dos consultores começou em janeiro de 1996 e foi concluído oito meses mais tarde, com a entrega ao BNDES do relatório definitivo do consórcio coordenado pela Merrill Lynch.

O processo de privatização da companhia foi marcado por intenso debate a respeito da sua forma e da sua própria necessidade, suscitando um forte movimento em defesa da estatal, reunindo os partidos de oposição e algumas lideranças situadas no campo governista, notadamente os ex-presidentes José Sarney e Itamar Franco.

Em março de 1997, o BNDES divulgou o edital de privatização da CVRD. A empresa foi cotada em 10,36 bilhões de reais. Em maio, após a derrubada de cerca de 130 ações judiciais em sentido contrário, a Vale do Rio Doce foi privatizada em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Dois consórcios participaram da disputa: o Consórcio Valecom, articulado pelo grupo Votorantim, de Antônio Ermírio de Morais, e o Consórcio Brasil, liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional, sob a direção de Benjamim Steinbruch. O segundo saiu vencedor, arrematando 41,73% das ações ordinárias por 3.338 milhões de reais. O preço total, implícito no lance final, foi de 12,5 bilhões de reais. Solicitado a permanecer por mais dois meses, findo este prazo Schettino passou a presidência ao vice, Anastácio Fernandes Filho.

Favorável à privatização da CVRD, Schettino defendera uma associação entre a CSN e o grupo Votorantim e a maior pulverização do controle acionário da empresa. Ao deixar a CVRD, passou a trabalhar em sua empresa, a F. Schettino Consultoria, especializada nas áreas de mineração, siderurgia e logística de transportes.

Casou-se com Ana Lúcia de Paula Pinto Schettino, com quem teve três filhos.

 

Alexandra Toste

 

FONTES: CURRIC. BIOG.; Folha de S. Paulo (15/7/97); INF. BIOG.

 

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