SCHMIDT, AUGUSTO FREDERICO

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Nome: SCHMIDT, Augusto Frederico
Nome Completo: SCHMIDT, AUGUSTO FREDERICO

Tipo: BIOGRAFICO


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SCHMIDT, AUGUSTO FREDERICO

SCHMIDT, Augusto Frederico

*ass. Pres. Rep. 1956-1961.

 

Augusto Frederico Schmidt nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 18 de abril de 1906, filho de Gustavo Schmidt e de Anita de Azevedo Schmidt. Seu pai, também nascido no Rio de Janeiro, pertencia a família abastada, tendo estudado na Inglaterra. A mãe, baiana, culta e inteligente, incumbiu-se de dar orientação literária aos filhos. Seu avô paterno, o visconde Frederico Augusto Schmidt, tinha uma casa de tecidos no Rio de Janeiro. Seu avô materno, João José de Azevedo, era contador na loja comercial de seu avô paterno.

Schmidt fez os primeiros estudos no Colégio dos Andradas, em sua cidade natal. Devido ao estado de saúde de sua mãe, viajou em 1913 para a Suíça em companhia da família — os pais e duas irmãs —, tornando-se interno do Colégio Champs Soleil, em Lausanne. Com o falecimento do pai em Montreux, também na Suíça, sua mãe deixou o sanatório onde se internara e regressou com os filhos ao Brasil em 1916 para continuar o tratamento em Campos do Jordão (SP). Desde então, Schmidt passou por diversos colégios da capital federal, sem conseguir interessar-se pelos estudos. Em Juiz de Fora (MG) freqüentou o Colégio Granbery, em cujo grêmio literário pôde desenvolver sua inclinação pelas letras. Em 1922, de volta ao Rio de Janeiro, começou a preparar-se para os exames finais que se faziam no Colégio Pedro II, sendo porém reprovado em geografia. Nessa época escreveu alguns poemas e crônicas, publicados em um pequeno jornal, O Beira-Mar, que se editava em Copacabana. Com a morte da mãe, abandonou definitivamente os estudos e empregou-se, pela primeira vez, como ajudante de caixeiro na Casa Barbosa Freitas, passando em seguida a trabalhar na firma Costa Pereira & Cia. segundo ele “sua universidade”, aí permanecendo algum tempo.

Lendo intensamente durante esse período, assistiu entusiasmado à conferência feita em 1924 por Graça Aranha na Academia Brasileira de Letras sobre “O espírito moderno”, em que este criticava justamente o academicismo. Mais tarde afirmaria: “Creio que data daí o meu dinamismo literário e a minha alergia antiacadêmica.”

Durante algum tempo dirigiu a biblioteca do Centro Dom Vital, associação civil para estudo, discussão e apostolado subordinada à Igreja Católica, fundada no Rio de Janeiro em maio de 1922 por Jackson de Figueiredo. Sofreria grande influência desse líder católico, ao lado do qual fundou uma nova revista, Pelo Brasil, de curta duração. Por intermédio de Jackson conheceu também Alceu Amoroso Lima, consagrado crítico literário do O Jornal, do Rio de Janeiro, que se assinava Tristão de Ataíde. Entre ambos cresceu uma grande amizade.

Ainda em 1924, aos 18 anos de idade, seguiu para São Paulo, onde se empregou numa firma na rua da Quitanda. Ao sair do escritório, dirigia-se às livrarias Garreaux e Gazeam, nas quais adquiria livros que ia ler à noite em seu quarto de pensão. De 1924 a 1928 permaneceu em São Paulo, ligando-se às figuras mais expressivas, do movimento modernista, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Rui Ribeiro Couto e, especialmente, Plínio Salgado, todos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo. Deste último leu, ainda em provas, O estrangeiro, seu primeiro romance social, que seria publicado em 1926 como um dos sucessos literários do modernismo.

Continuando a trabalhar no comércio, Schmidt foi caixeiro-viajante em São Paulo, vendendo aguardente e madeira. De volta ao Rio de Janeiro, tornou-se gerente da Serraria Coccozza, em Nova Iguaçu, onde, silenciadas as serras, lia e escrevia poemas.

No decorrer de 1928, ano de morte de Jackson de Figueiredo e da conversão de Alceu Amoroso Lima ao catolicismo, Schmidt manteve com este, em tom confidencial e íntimo, intensa correspondência. Nessas cartas anunciava o lançamento de seu primeiro livro de poesias, Canto do brasileiro Augusto Frederico Schmidt, cuja publicação, nesse mesmo ano, seria saudada por Alceu como um grande acontecimento literário, “uma voz que se insurgia contra os mandamentos estéticos do modernismo” e que representava, ao lado de José Américo de Almeida e de Jorge de Lima — que lançavam, também em 1928, o primeiro, A bagaceira, e o outro, Esta nega fulô —, “a abertura de uma nova frente literária”. Romântico e nostálgico, na opinião de Alceu, Schmidt seguiu seus predecessores Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu, “voltando-se para os grandes temas clássicos da saudade, do amor, da lua, do mar e da morte, tudo que parecia exilado pelo sarcasmo inicial da nova escola”. Dizendo-se, no entanto, decepcionado com os meios literários, que julgava “mais infelizes que os comerciais”, Schmidt confessou a Alceu: “Eu, Augusto Frederico Schmidt, escrevo por vaidade. Eu não posso viver mais no meio de serradores e madeireiros.” Sentia-se solitário em Nova Iguaçu.

Aproximou-se então do padre Leonel Franca e leu a encíclica Rerum novarum, do papa Leão XIII. Em 1929 lançou dois volumes de poesias que o consagraram como poeta, Canto do liberto Augusto Frederico Schmidt e Navio perdido. A partir dessa época passou a colaborar em jornais cariocas, tornando-se crítico literário do Diário de Notícias. Por volta de 1930 adquiriu e passou a dirigir a Livraria Católica, no Rio de Janeiro, que pertencia a Jackson de Figueiredo e onde se reunia um grupo de intelectuais católicos liderados por Amoroso Lima, Heráclito Sobral Pinto e Hamilton Nogueira.

Em outubro de 1930 irrompeu a revolução que conduziu Getúlio Vargas ao poder. Schmidt foi contra o movimento, que, segundo ele, vinha quebrar a “legalidade” e a “ordem” no Brasil. “O horror à revolução, eis uma constante em meu espírito”, diria. Alceu afirmaria que ele e Schmidt permaneceram “unidos por algum tempo, no mesmo espírito contra-revolucionário que Schmidt possivelmente alimentara em seu convívio com Plínio Salgado e eu com o de Jackson no Rio”, mas acrescentaria que “essa afinidade política foi efêmera, pois pouco a pouco Schmidt se encaminhou para a direita e eu para uma ‘esquerda católica’ que ele não admitia”.

De fato, Schmidt participou no Rio de Janeiro de um grupo de intelectuais e estudantes, muitos dos quais freqüentadores da Livraria Católica, que se reuniram em torno de Plínio Salgado. Em 1932 Plínio fundaria a Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento que despertou as simpatias dos meios católicos, mas no qual Schmidt não chegou a militar.

 

A editora Schmidt e a Coleção Azul

Após a vitória da Revolução de 1930, o Brasil e o próprio movimento revolucionário foram objeto de estudos diversos que refletiam o dilema político-ideológico da época: fascismo ou comunismo.

Em 1931, funcionando inicialmente nos fundos da Livraria Católica que dirigia, Schmidt fundou uma editora — a Schmidt Editora —, responsável pelo lançamento de muitos nomes que se tornariam famosos nas letras nacionais. Também nesse ano lançou a revista As Novidades Literárias, que mais tarde reapareceria sob o título Literatura. Sua editora lançou ainda a Coleção Azul, que, entre outubro de 1932 e junho do ano seguinte, editou cinco livros que ficaram famosos como um esforço de reflexão sobre a realidade brasileira: Brasil errado, de Martins de Almeida, Introdução à realidade brasileira, de Afonso Arinos de Melo Franco, O sentido do tenentismo, de Virgínio Santa Rosa, A gênese da desordem, de Alcindo Sodré, e Psicologia da revolução, de Plínio Salgado.

Entre os autores publicados pela Editora Schmidt figuraram Otávio de Faria (Maquiavel e o Brasil), Jorge Amado (O país do carnaval), Marques Rebelo (Oscarina), Raquel de Queirós (João Miguel), Graciliano Ramos (Caetés), Gilberto Freire (Casa grande e senzala), Leonel Franca (Ensino religioso e ensino leigo e Catolicismo e protestantismo), Virgílio de Melo Franco (Outubro de 1930) e Alceu Amoroso Lima (Problema da burguesia, Preparação à sociologia, Debates pedagógicos e Estudos, 4ª série).

Schmidt editou também vários autores integralistas: Plínio Salgado (Doutrina do sigma, O que é o integralismo), Olbiano de Melo (Razões do integralismo, concepção do estado integralista), Osvaldo Gouveia (Brasil integral), Olímpio Mourão (Do liberalismo ao integralismo), Miguel Reale (Atualidade brasileira) e Gustavo Barroso (O integralismo em marcha).

Em 1934 Schmidt casou-se com Ieda Ovalle Lemos, sobrinha do poeta e compositor Jaime Ovalle, e a ela dedicou seu livro de maior repercussão, Canto da noite. Em 1940 voltou à poesia com A estrela solitária. Já famoso, daí por diante produziu diversas obras poéticas.

Sempre ligado à atividade literária, participou, em janeiro de 1945, como delegado do Distrito Federal, do I Congresso Brasileiro de Escritores, reunido em São Paulo sob os auspícios da Associação Brasileira de Escritores e que assumiu o caráter de uma manifestação coletiva da intelectualidade contra a ditadura do Estado Novo.

 

O homem de negócios

Schmidt acentuou certa vez que antes de ser poeta já vivia do comércio. Fundou diversas empresas, que dirigia paralelamente à sua atividade jornalística, escrevendo sobre tudo acerca de problemas políticos e econômicos do Brasil na imprensa diária do Rio de Janeiro.

Prosperou sempre e, a seguir, ingressou nos ramos do cimento, dos pneumáticos e na indústria de alimentos, lutando pelo que chamou “tese do enriquecimento nacional”. Apontado como testa-de-ferro de interesses multinacionais no Brasil, atribuía tais acusações a “um preconceito típico dos países subdesenvolvidos, de formação católica”, que consistia na “recusa em aceitar que um poeta pudesse abastardar essa condição, acrescentando-lhe a de homem de negócios”.

Em 1951, por ocasião da visita ao Brasil do norte-americano Eugene Black, presidente do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), Schmidt defendeu nas colunas do Correio da Manhã a idéia de que o auxílio norte-americano era necessário ao desenvolvimento econômico do Brasil “para evitar que o país resvale para a desordem, para a asificação e para uma trágica proletarização propícia à sujeição comunista”. Considerava a riqueza e os grandes empresários que a detinham como a alavanca do progresso e veículos do desenvolvimento, recusando-se a tomá-los a priori como instrumentos ou agentes de fraude e corrupção. Ao sustentar com desenvoltura essas e outras opiniões, Schmidt foi acusado de indiferença para com o problema específico da corrupção administrativa, quando não de beneficiário dela.

Os interesses multinacionais e associados iriam crescer de maneira rápida e estável no país, estimulados pela política de desenvolvimento de Juscelino Kubitschek. Segundo Renê Dreyfuss, uma das formas organizacionais básicas através das quais o bloco de multinacionais expressaria seus interesses comuns foi a criação de escritórios de consultaria tecno-empresarial. Uma dessas agências mais importantes pertenceu a Augusto Frederico Schmidt, sob o nome de Estudos Técnicos Europa-Brasil, que operava com empresas em geral ligadas à indústria química.

A atividade empresarial de Schmidt foi intensa e vária: promoveu a instalação dos Supermercados Disco, no Rio de Janeiro, foi sócio, presidente e diretor da Sociedade de Expansão Comercial (Sepa), da Meridional Companhia de Seguros de Acidentes de Trabalho, da Comércio e Importação de Produtos Americanos (Sacipa), da Instaladora de Frio, da Brasil-Canadá Comércio e Indústria, da Orquima e outras, tendo empreendido várias viagens de negócios aos Estados Unidos e à Europa.

 

Assessor de Kubitschek

Schmidt aproximou-se de Juscelino Kubitschek por intermédio de Paulo Bittencourt, proprietário e diretor do Correio da Manhã, matutino carioca em que escrevia e que apoiou o candidato pessedista à presidência da República no curso de sua tumultuada campanha, contra a qual se opuseram os udenistas e os setores militares a eles ligados.

Schmidt empenhou-se na luta ao lado de Kubitschek, aproximando-o do empresariado a fim de obter recursos para financiar a campanha. Por outro lado procurou neutralizar as resistências ao candidato surgidas na área internacional, sobretudo após a inclusão na chapa presidencial do vice João Goulart, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e considerado o herdeiro político de Vargas. O apoio dos comunistas a Kubitschek criou sérias dificuldades no país e no exterior, onde, também pela interferência de Schmidt, acabaram sendo contornadas. Vitoriosa a chapa Juscelino-Goulart nas eleições de outubro de 1955, a União Democrática Nacional (UDN), lançando mão de seus últimos recursos, tentou impedir a posse dos eleitos, mas foi barrada pelo Movimento do 11 de Novembro de 1955, liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott. A posse ocorreu afinal em 31 de janeiro de 1956.

Em abril desse mesmo ano, sob a presidência do deputado mineiro Gabriel Passos, da UDN, instalou-se na Câmara dos Deputados uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para proceder às investigações sobre o problema de energia atômica no Brasil. Na qualidade de membro da diretoria da Orquima, empresa que operava no Brasil na industrialização e exportação do tório, mineral de alto valor estratégico, Schmidt foi chamado a depor. A CPI encontrou, em quase todos os documentos relativos aos acordos de exportação de tório, referências às gestões da Orquima. Não pôde, no entanto, apurar a identidade dos acionistas da empresa, pois Schmidt negou-se a revelá-la.

Em seu depoimento, Schmidt preconizou a revogação da Lei nº 1.310, de 15 de janeiro de 1951, que estabeleceu o monopólio estatal do comércio externo dos principais minérios atômicos, urânio e tório, e fixou severas restrições à sua venda. Criticou também as “teorias suicidas de que o Brasil não pode exportar”. Apesar de tais restrições, a Orquima expandira notavelmente suas instalações, tendo sua diretoria lutado sempre contra as resistências opostas à exportação do tório. O relatório final da CPI sobre energia atômica, redigido pelo deputado Dagoberto Sales, foi aprovado em março de 1958.

No âmbito do governo Kubitschek, Schmidt foi um dos mais prestigiados assessores, cabendo-lhe o comando ostensivo da Operação Pan-Americana (OPA), iniciativa brasileira em cuja promoção se empenhou, tentando atrair investimentos norte-americanos para um programa de desenvolvimento econômico e social da América Latina sob a liderança do Brasil. A OPA teve como ponto de partida carta datada de 28 de maio de 1958, enviada pelo presidente Kubitschek ao presidente norte-americano, Dwight Eisenhower, após as manifestações hostis ao vice-presidente Richard Nixon por ocasião de sua visita aos países sul americanos. Da carta-resposta de Eisenhower datada de 5 de junho, declarando-se favorável à idéia geral proposta pelo Brasil, nasceria a OPA.

No dia 20 de junho de 1958, Kubitschek pronunciou o primeiro de uma série de discursos tratando da OPA, perante os chefes das missões diplomáticas no Rio de Janeiro, com a presença das mais altas autoridades federais. Em julho, insistia em que, de acordo com os objetivos fundamentais da OPA, a luta contra o subdesenvolvimento da América Latina implicaria a segurança do continente e uma ligação política com os Estados Unidos para um programa estratégico de defesa do hemisfério.

Em agosto, o governo lançou oficialmente a OPA, transmitindo às repúblicas americanas, através de suas embaixadas no Rio de Janeiro, um memorando em que esclarecia a definição, as características e os objetivos da operação ao lado de sugestões para o seu processamento. Nesse mesmo documento, tornado público poucos dias após, era proposto um temário para as reuniões preparatórias da OPA. Considerou-se então a oportunidade de se criar uma comissão especial do conselho da Organização dos Estados Americanos (OEA). No mês de novembro foi assim instalado na sede da OEA, em Washington, o Comitê dos 21, organização formada pelos representantes dos países do continente americano que aderiram à OPA, buscando viabilizá-la.

Schmidt participou de todas as negociações fechadas e chefiou a delegação brasileira ao Comitê dos 21 em suas várias reuniões, que visavam à criação da OPA. Empenhou-se então, segundo suas próprias palavras, em fazer cair o “muro do silêncio” entre a opinião pública norte-americana e a América Latina.

Durante o ano de 1959, apesar do empenho do governo brasileiro para que fossem aprovados os objetivos da OPA, a meta prioritária do governo norte-americano foi reprimir o comunismo. A vitória da Revolução Cubana em janeiro desse ano e a ascensão de Fidel Castro ao poder resultaram em inevitável alteração das relações dos Estados Unidos com a América Latina. Assim, o governo norte-americano aprovou um sistema de quotas para a fundação do que, em dezembro de 1959, constituiria o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), organismo financeiro para o desenvolvimento continental. Ao mesmo tempo, comprometeu-se a apoiar moral e materialmente a criação de um mercado comum latino-americano, que em 1960 se concretizaria na Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC).

Antes do término do mandato de Kubitschek, Schmidt teve destacada atuação como chefe da delegação brasileira à XIV Assembléia Geral das Nações Unidas e como presidente do Comitê dos 21 na Conferência de Bogotá, na Colômbia. A OPA, no entanto, não foi adiante, devido ao desinteresse dos Estados Unidos, que, ao invés de beneficiar uma iniciativa latino-americana, preferiu lançar, no início da década de 1960, sua própria campanha, a Aliança para o Progresso.

Como assessor de Kubitschek, Schmidt defendeu na imprensa e no cenário diplomático a tese do desenvolvimento econômico. Embora fosse considerado o verdadeiro idealizador da OPA e gozasse de inequívoco prestígio junto ao presidente da República, não conseguiu ser nomeado ministro de Estado talvez em razão da oposição e das críticas que sofreu, sobretudo do chamado setor nacionalista das forças armadas, que sempre condenou duramente seus interesses internacionais no terreno dos negócios. Schmidt foi, portanto, no governo Kubitschek, o que se poderia chamar de “homem dos bastidores”. Obteve afinal uma representação no Mercado Comum Europeu, missão não criada por lei, o que dispensou o governo de submeter seu nome à aprovação do Senado Federal.

 

No IPÊS

Após o término do qüinqüênio Kubitschek, já não mais no centro do poder, Schmidt filiou-se ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPÊS), organização de empresários estruturada no decorrer de 1961 no Rio de Janeiro com o objetivo de “defender a liberdade pessoal e da empresa, ameaçada pelo plano de socialização no seio do governo” e que contou com o apoio dos jornais cariocas O Globo, Jornal do Brasil e Correio da Manhã.

A partir de agosto de 1962 teve intensa participação no Grupo de Publicações Editorial (GPE), que reuniu vários profissionais da mídia, do mundo literário, de agências de publicidade e um grupo de militares encabeçado pelo general Golberi do Couto e Silva. O GPE escrevia, traduzia e distribuía material impresso anticomunista, bem como publicava artigos e panfletos que escolhia. Através da Unidade de Editorial, inseria comentários, debates e opiniões na imprensa e elaborava editoriais, divulgava notícias, enfim, disseminava a “literatura democrática”.

No final do governo, participou de um memorável debate televisionado com o líder comunista Luís Carlos Prestes.

 

A revolução de 1964: adesão e frustração

Schmidt sustentou sua última batalha escrevendo violentamente contra o governo do presidente João Goulart. Segundo Murilo Melo Filho, Schmidt foi um dos artífices do movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente, inaugurando uma série de governos militares no país.

Amigo pessoal do general Humberto Castelo Branco, primeiro presidente após a revolução de 1964, Schmidt, no entanto, não foi aproveitado por ela, fato que lhe causou profundo desagrado. Em julho de 1964, foi surpreendido com a cassação do mandato do ex-presidente Juscelino Kubitschek, então senador, ato punitivo que proclamava ser “injusto” e constituiu “um erro imperdoável”.

Morreu no Rio de Janeiro no dia 8 de fevereiro de 1965.

Em sua memória, foi fundada no Rio de Janeiro a Sociedade dos Amigos de Augusto Frederico Schmidt.

Publicou, além dos livros citados, Pássaro cego (1930), Desaparição da amada (1931), Mar desconhecido (1942), O galo branco (1948, 2ª ed. 1956), Fonte invisível (1949), Mensagem aos poetas novos (1950), Paisagens e seres (1951), Ladainha do mar (1951), Os reis (1953), Poesias completas (1956), Aurora lívida (1958), Babilônia (1959), As florestas (1959), Antologia poética (1962), Antologia de prosa (1964), O caminho do fim (1964) e Prelúdio à revolução (1964).

Vera Calicchio

 

 

FONTES: BANDEIRA, L. Presença; BOSI, A. História; Canto; CARDOSO, M. Ideologia; CARONE, E. Coleção; COELHO, J. Dic.; CONG. BRAS. ESCRITORES. I; CORTÉS, C. Homens; DREIFUSS, R. Conquista; Elite; Encic. Mirador; FRANCO, A. Alma; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (2/2/75, 17/4/76 e 8/2/77); KUBITSCHEK, J. Exposição; KUBITSCHEK, J. Mensagem; KUBITSCHEK, J. Meu; LEVINE, R. Vargas; LIMA, A. Estudos; LIMA, A. Evolução; LIMA, A. Meio; LIMA, A. Memórias; LUFT, C. Dic.; MENESES, R. Dic.; NASSER, D. Revolução; OLIVEIRA, L. Romance; Rev. Bancária Bras. (11/51); Rev. Bras. Pol. Internacional (1959 e 1960); RIBEIRO FILHO, J. Dic.; SALES, D. Razões; SCHMIDT, A. Caminho; SCHMIDT, A. Prelúdio; Senhor (1/64); SILVA, H. 1935; TAVARES, J. Radicalização.

 

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