SEBASTIAO CELSO DE CARVALHO

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Nome: CARVALHO, Celso
Nome Completo: SEBASTIAO CELSO DE CARVALHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
CARVALHO, Celso

CARVALHO, Celso

* gov. SE 1964-1967; dep. fed.  SE 1975-1987.

 

Sebastião Celso de Carvalho nasceu em Simão Dias (SE) no dia 24 de janeiro de 1923, filho de João de Matos Carvalho e de Rosa de Andrade Carvalho.

Bacharelou-se em 1946 pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade da Bahia.

Foi o primeiro prefeito de sua cidade natal eleito após o fim do Estado Novo (1937-1945), tornando-se em seguida pretor judiciário de Campo do Brito e pretor substi­tuto dos municípios sergipanos de Ribeirópolis e Frei Paulo. Voltou a Simão Dias após uma re­forma judiciária que suprimiu as pretorias, passando então a exercer advocacia por al­gum tempo.

No pleito de outubro de 1954 elegeu-se deputado estadual em Sergipe na legenda do Partido Social Democrático (PSD), assu­mindo o mandato em fevereiro do ano seguin­te. Reeleito em outubro de 1958, dessa vez na legenda da Aliança Social Democrática – coli­gação composta pelo PSD, o Partido Repu­blicano (PR) e o Partido Social Progressista (PSP) –, em 1962 foi indicado pelo PSD para compor como candidato a vice-governador a chapa encabeçada por João de Seixas Dória, também apoiado pelo Partido Republicano Trabalhista (PRT).  Eleito em outubro desse ano, deixou a Assembléia estadual em janeiro de 1963 e, ainda nesse mês, assumiu o cargo de vice-governador, tendo substituído Seixas Dória em várias ocasiões. Durante esse perío­do ocorreram em Sergipe movimentos grevis­tas nos quais interveio com prudência.

Participou em seu estado das articulações conspiratórias que resultaram no movimento político-militar de 31 de março de 1964.  Após a vitória deste e a conseqüente repressão aos políticos ligados ao governo de João Gou­lart (1961-1964), assumiu o governo estadual no dia 2 de abril em substituição a Seixas Dória, que foi deposto e preso. Uma de suas pri­meiras medidas na ocasião foi extingüir o Mo­vimento de Cultura Popular, que funcionava junto à Secretaria de Educação.  Esse movi­mento dedicava-se à alfabetização de adultos e à educação de base, apoiando-se no método Paulo Freire.

Durante sua gestão criou diversas empresas estatais, como a Companhia Agrícola de Ser­gipe (Comase), que levou a mecanização à lavoura, a Companhia de Habitação Popular de Sergipe (Cohab-SE), o Instituto de Previ­dência do Estado de Sergipe (IPES) e a Tele­comunicações de Sergipe (Telese, que posteriormente tornou-se Telergipe).  No plano do ensino superior criou a Faculdade de Odontologia e a Escola de quí­mica de Sergipe.  Através do governo federal, assinou ainda um convênio com a Petrobrás para a exploração do subsolo de seu estado.  Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2 (27/10/1965) e a pos­terior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação que apoiava o regime militar instaurado no país em abril de 1964.  Exer­ceu o cargo de governador até o final do man­dato, sendo substituído em 31 de janeiro de 1967 por Lourival Batista.

Retornou à atividade política no pleito de novembro de 1974, quando se elegeu deputa­do federal por seu estado na legenda da Are­na. Assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, foi nessa legislatura presidente da Comissão do Polígono das Secas, membro efetivo da Comissão de Agricultura e Política Rural e suplente da Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados. Reeleito em no­vembro de 1978, voltou a integrar a Comissão de Agricultura e Política Rural, além de ser suplente das comissões de Finanças e de Economia, Indústria e Comércio.

Com o fim do bipartidarismo em novem­bro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, ingressou no Partido Popular (PP).  Depois que João Alves Filho, possível candi­dato do PP à sucessão do governador Augusto Franco, deixou o partido em setembro de 1981, acompanhou-o nessa decisão, juntamente com o senador Gilvan Rocha, o deputado fe­deral Tertuliano Azevedo e alguns deputados estaduais, e filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o que signi­ficou, praticamente, a extinção do PP em Sergipe. Em maio de 1982 desligou-se do PMDB e ingressou no Partido Democrático Social (PDS), agremiação sucessora da Arena, em cuja legenda se reelegeu no pleito de novembro desse ano.

No dia 25 de abril de 1984, esteve ausente da votação da emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência da República já nesse mesmo ano. A derrota da emenda definiu que o sucessor do presidente da República, general João Figueiredo (1979-1985), seria eleito por via indireta, confirmando regra introduzida pelo regime militar. Vários eram os postulantes à condição de candidato oficial do partido governista. A falta de consenso quanto à forma de escolha provocou uma cisão no partido e os dissidentes formaram a Frente Liberal, mais tarde Partido da Frente Liberal (PFL). Para decidir a questão, o PDS realizou sua convenção em agosto, quando o então deputado paulista Paulo Maluf, tendo como vice o deputado cearense Flávio Marcílio, derrotou o então ministro do Interior Mário Andreazza, cujo vice era o deputado alagoano Divaldo Suruagi. Nessa convenção, Celso Carvalho votou em Paulo Maluf.

Para concorrer com os candidatos governistas, os partidos de oposição, liderados pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), e a Frente Liberal, reunidos na Aliança Democrática, lançaram Tancredo Neves, então governador de Minas Gerais, e José Sarney, então senador maranhense, respectivamente, candidatos à presidência e à vice-presidência da República.

Na reunião do Colégio Eleitoral, realizada em 15 de janeiro de 1985, Celso Carvalho votou novamente em Paulo Maluf, que acabou derrotado pelo candidato da Aliança Democrática. Contudo, Tancredo Neves não chegou a ser empossado na presidência, por motivo de doença, tendo falecido em 21 de abril de 1985. Seu substituto no cargo foi o vice José Sarney, que já vinha exercendo interinamente o cargo, desde 15 de março deste ano.

Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1987, ao final da legislatura, não tendo disputado o pleito de novembro de 1986.

Afastado da vida pública desde então, passou a se dedicar à pecuária em sua fazenda no município de Simão Dias.

Casou-se com Bertilde Barreto de Carva­lho, com quem teve quatro filhos.

          Publicou O destino acontece.

 

 

FONTES: ARQ. PUBL. EST. SE; CÂM.DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1975-1979); Encic. Mirador; Globo (27/5/82); Grande encic. Delta; INF. BIOG.; Jornal do Bra­sil (5/9/81); NÉRI, S. 16; Perfil (1980); TRIB. SUP. ELEIT. Dados (3, 4 e 7); WYNNE, J. História.

 

 

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