SEBASTIAO DO REGO BARROS NETO

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Nome: BARROS, Sebastião do Rego
Nome Completo: SEBASTIAO DO REGO BARROS NETO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARROS, SEBASTIÃO DO REGO

BARROS, Sebastião do Rego

*diplomata; emb. Bras. URSS 1990-1994; emb. Bras. Rússia 1994-1995; emb. Bras. Argentina 1999-2002.

Sebastião do Rego Barros Neto nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 27 de janeiro de 1940, filho de Gil do Rego Barros e Haidéa Parodi do Rego Barros.

 Entre 1962 e 1963 fez o curso de preparação à carreira de diplomata no Instituto Rio Branco (IRBr), sendo nomeado terceiro secretário em novembro deste último ano. Bacharel em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1964, fez o III Curso de Economia Cafeeira do Instituto Brasileiro do Café (1964-1965). Na Secretaria de Estado das Relações Exteriores (SERE), então funcionando no palácio Itamarati do Rio de Janeiro, foi assessor do secretário-geral adjunto para Assuntos da Europa Ocidental, África e Oriente Próximo de 1965 a 1966. Removido para a Bélgica, serviu como terceiro-secretário na missão junto à Comunidade Econômica Européia (CEE) em Bruxelas até 1969, tendo tomado parte nas negociações de acordos de bitributação com diversos países europeus e sido promovido a segundo-secretário em dezembro de 1966. No ano seguinte participou da III Sessão do Comitê Consultivo sobre o Açúcar da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) em Genebra (Suíça).

Participou da II Sessão da Conferência da UNCTAD em Nova Délhi (Índia) e da conferência negociadora do açúcar da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra em 1968. Um ano mais tarde, foi removido para o Peru, onde exerceu as funções de segundo secretário na embaixada em Lima até 1971. Nesse período tomou parte da X Reunião Extraordinária da Comissão Especial de Coordenação Latino-Americana (CECLA) em Bogotá (Colômbia) e da VII Reunião Extraordinária Anual do Conselho Interamericano Econômico e Social (CIES) no Panamá. Segundo-secretário na missão junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) de 1971 a 1973, neste último ano foi promovido a primeiro-secretário.

De volta à SERE, agora instalada no palácio Itamarati de Brasília, foi subchefe da Divisão de Produtos de Base (DPB) de 1974 a 1976. Nessa função, participou, em 1974, da reunião de chanceleres americanos no México, chefiou a reunião de técnicos da Organização Latino-Americana de Energia (OLADE) em Caracas (Venezuela) e foi membro da missão ministerial brasileira à Arábia Saudita e ao Kuwait. No ano seguinte, tomou parte nas reuniões preparatórias da Conferência sobre Cooperação Econômica Internacional em Paris e Nova Iorque, na reunião ministerial da Conferência sobre a Cooperação Econômica Internacional em Paris e chefiou, em 1975 e 1976, diversas sessões (da II à VIII) da Comissão de Energia da Conferência sobre Cooperação Econômica Internacional, também em Paris. Promovido em novembro de 1976 a conselheiro, foi coordenador de assuntos econômicos e comerciais do gabinete do ministro das Relações Exteriores, Antônio Francisco Azeredo da Silveira até 1979. Foi delegado do Brasil na II Comissão da XXXIII Assembléia Geral da ONU (Nova Iorque), em 1978.

Ministro de segunda classe em março de 1979, no ano seguinte representou o Ministério das Relações Exteriores (MRE) junto à Secretaria de Planejamento (Seplan) para a elaboração do documento “Ação Coordenada do Governo” e chefiou a delegação brasileira à II Conferência de Avaliação do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares em Genebra (Suíça). Em 1980, chefiou a Delegação Brasília à II Conferência de Avaliação do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (Genebra). Ainda em 1980 (Genebra) e em 1981 (Nova Iorque), chefiou a II, III e IV sessões do Comitê Intergovernamental Preparatório da Conferência da ONU sobre Fontes Novas e Renováveis de Energia, além de ter sido presidente interino (1981) das reuniões do grupo de peritos sobre regime internacional de armazenamento de plutônio em Viena (Áustria) e subchefe (1981) da Conferência das Nações Unidas sobre Fontes Novas e Renováveis de Energia em Nairóbi (Quênia).            

Novamente na SERE, exerceu as funções de chefe de gabinete do secretário-geral das Relações Exteriores, embaixador João Clemente Baena Soares, de 1982 a 1984, tendo nesse período presidido reuniões sobre armazenamento de plutônio em Viena (1982 a 1983), respondido pela Coordenadoria de Assuntos Diplomáticos e participado da XXXVIII Assembléia Geral da ONU em Nova Iorque (1983). Promovido a ministro de primeira classe em 1983, tornou-se chefe do Departamento de Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica do MRE em 1984, tendo, no mesmo ano, participado da reunião da junta de governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU em Viena, do Conselho de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), representado o MRE na Comissão de Informática e chefiado a delegação brasileira à VI Sessão do Comitê Intergovernamental sobre Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento em Nova Iorque, bem como à I Reunião da Comissão Mista de Ciência e Tecnologia Brasil-República Popular da China, em Pequim, e a Delegação do Brasil à XXI Sessão do Administração do PNUD (Genebra), em 1984.

Nomeado chefe do Departamento Econômico do MRE, exerceu a função de 1984 a 1988. Nesse cargo, integrou a missão oficial sobre a dívida externa, e chefiou a delegação brasileira à II Reunião de Funcionários Responsáveis de Comércio Exterior da América Latina no Rio de Janeiro (1985). No mesmo ano, participou da reunião de países-membros do Grupo de Cartagena com a CEE em Bruxelas (Bélgica); das reuniões dos comitês interino e de desenvolvimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) ou Banco Mundial, em Washington e do Grupo de Cartagena de Avaliação das Reuniões dos Comitês também em Washington. De 1985 a 1987 foi subsecretário-geral substituto para Assuntos Econômicos e Comerciais do MRE, tendo participado, em 1986, de reuniões no exterior sobre política nuclear, exportação de açúcar, negociações comerciais multilaterais (do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio — GATT, desde 1995 Organização Mundial do Comércio — OMC) e informática. Ainda em 1986, tomou parte na Reunião Ministerial das Partes Contratantes do GATT que lançou a Rodada Uruguai em Punta del Este (Uruguai).

Em 1987, participou das conversações sobre informática com os EUA no México, chefiou reuniões sobre política nuclear Brasil-Argentina no Rio de Janeiro e Bariloche (Argentina), representou o Brasil na reunião do Grupo Consultivo dos 18 do GATT em Genebra e na reunião especial do grupo negociador de agricultura da Rodada Uruguai, também em Genebra. De 1988 a 1990 foi subsecretário-geral para assuntos econômicos e comerciais do MRE, tendo exercido o cargo de ministro de Estado interino em 1988 e 1989 e, no mesmo período, o cargo de secretário-geral substituto (1988-1989).

Nomeado, em janeiro de 1990, embaixador em Moscou, permaneceu no cargo até dezembro de 1994 quando Moscou já era capital da Federação Russa, acumulando a função com a de embaixador (não-residente) junto ao governo da Ucrânia de 1993 a 1994. Em janeiro de 1995, tornou-se secretário-geral das Relações Exteriores, em substituição ao embaixador Luís Felipe Lampreia. Foi substituído em Moscou pela embaixadora Teresa Quintela. Deixou o cargo de secretário-geral em janeiro de 1999, sendo substituído por Luiz Felipe de Seixas Corrêa, o qual, por sua vez, ocupava até então o cargo de embaixador brasileiro na Argentina, posto para o qual Rego Barros foi designado.

Em Buenos Aires, entre outras atividades, participou das discussões sobre as relações comerciais bilaterais Brasil-Argentina e sobre questões vinculadas ao Mercosul. Durante o ano de 2001, intermediou uma crise no bloco, que culminou em polêmicas declarações do ministro da economia argentino, Domingo Cavallo, segundo o qual o câmbio brasileiro era um dos grandes responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pela economia da Argentina. A posição do governo brasileiro, e que foi sustentada por Sebastião do Rego Barros, era a de que não mais se negociaria com Cavallo. O desgaste ocorreu no momento em que estavam para começar as negociações em torno da introdução de salvaguardas para proteger setores da economia argentina que se achavam prejudicados por exportações brasileiras, facilitadas pela desvalorização contínua do real, porém, diante do impasse, estas foram suspensas. A alegação do Brasil também era a de que o saldo comercial continuava favorável à Argentina, que exportava para o Brasil mais do que dele importava, o que demonstrava que o câmbio não era o problema central.

Em dezembro de 2001, foi indicado pelo presidente da República para o cargo de diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), após a saída de David Zylbersztajn. Quem o sucedeu na embaixada em Buenos Aires foi José Botafogo Gonçalves. Em janeiro de 2005, com o término de seu mandato, deixou o posto na ANP e foi substituído interinamente por Haroldo Lima. Em entrevista à revista Energia Hoje, no mês de sua saída da agência, enfatizou a importância da existência de um processo de desmonopolização do setor do petróleo, defendeu os leilões anuais e disse que, no futuro, deveria haver mais de um por ano e condenou qualquer iniciativa no sentido de se politizar a direção da ANP.

Publicou diversos artigos sobre relações internacionais, além do livro, em co-autoria, Política de Gestão Pública Integrada (2008). Possui também o curso de economia internacional da Universidade de Georgetown, Washington.

Integrou o escritório Motta Fernandes Rocha Advogados, o Conselho Empresarial de Energia da Firjan, o Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, a vice-presidência do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial do Rio de Janeiro e a presidência do Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

Teve três filhos do primeiro casamento com Regina Maria Azevedo Turola, contraindo segundas núpcias com Maria Cristina Delamare do Rego Barros.

Sílvia Escorel

       Suhayla Khalil atualização

 

FONTES: Canal Executivo (14/10/08); Energia Hoje (1/1/05); Tribuna da Imprensa (5/12/01); Folha de São Paulo (8/11/01, 29/10/01 e 14/1/05); Gazeta Mercantil (11/12/98); CURRIC. BIOG.; MIN. REL. EXT. Anuário (1983 e 1992); EMBAIXADA DO BRASIL NA ARGENTINA Internet.

 

 

 

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