SOUSA, ALVARO FRANCISCO DE

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Nome: SOUSA, Álvaro Francisco de
Nome Completo: SOUSA, ALVARO FRANCISCO DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SOUSA, ÁLVARO FRANCISCO DE

SOUSA, Álvaro Francisco de

*militar; rev. 1935.

Álvaro Francisco de Sousa nasceu no dia 28 de fevereiro de 1903.

Ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em março de 1923. Tornando-se aspirante-a-oficial em janeiro de 1927, foi promovido a segundo-tenente em julho desse mesmo ano e a primeiro-tenente em julho de 1929. Após a Revolução de 1930 participou da Legião Cívica 5 de Julho, uma das várias organizações surgidas no início daquela década em defesa dos ideais tenentistas. A legião terminou por se dividir quando da formulação do seu programa, ficando de um lado o setor liderado pelo primeiro-tenente Hélio Macedo Soares, defensor da realização dos postulados revolucionários pelo Governo Provisório, e de outro o setor liderado pelo primeiro-tenente Nemo Canabarro Lucas, que não acreditava na realização das reformas por aquele governo.

Promovido a capitão em 1935, Álvaro de Sousa tomou parte na Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento criado em março de 1935 com um programa nacionalista, democrático e antifascista e que tinha na presidência de honra Luís Carlos Prestes, dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então Partido Comunista do Brasil. Fechada a ANL em julho do mesmo ano pelo governo, seus setores de esquerda, predominantemente comunistas, mantiveram-se articulados com o objetivo de deflagrar uma revolta que instaurasse um governo sob a direção dos aliancistas. O levante eclodiu inicialmente em Natal em 23 de novembro de 1935, um dia depois em Recife e a 27 do mesmo mês no Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, a rebelião contou parcialmente com a Escola de Aviação Militar, e teve seu principal ponto de apoio no 3º Regimento de Infantaria (3º RI), sediado na Praia Vermelha. Álvaro de Sousa, então comandante da companhia de metralhadoras do regimento, esteve à frente de seus homens no levante. Os rebeldes, organizados em uma célula da ANL com cerca de 30 membros, dos quais dez ligados ao PCB, contavam com 2/3 dos 1.700 homens do 3º RI. Seu objetivo era, após ter dominado o regimento, sair da Praia Vermelha subdivididos para atingir o Arsenal de Marinha, o quartel da Polícia Militar, em Botafogo, o palácio do Catete e a sede da Polícia Especial. Essa intenção foi no entanto frustrada pela reação da 1ª Companhia de Metralhadoras, comandada pelo capitão José Alexínio Bittencourt, que, ferido, foi substituído pelo tenente Fritz de Azevedo Manso, e da 2ª Companhia de Metralhadoras, comandada pelo capitão Álvaro Braga. Estas companhias, entrincheiradas em seus alojamentos, impediram a ação rápida dos revoltosos, dando tempo para a chegada das forças legalistas comandadas pelo general Eurico Gaspar Dutra, comandante da 1ª Região Militar (1ª RM) sediada no Rio de Janeiro.

Assumindo o comando da revolta juntamente com os capitães Agildo Barata e José Leite Brasil, Álvaro de Sousa fez parte da junta revolucionária que recebeu a mensagem do general Eurico Dutra concitando-a à rendição incondicional. A junta emitiu nessa ocasião duas proclamações: uma, de resposta a Dutra, não aceitando a exigência de rendição do quartel e outra, dirigida aos “companheiros do Batalhão de Guardas”, afirmando que não se renderia com Getúlio Vargas no poder e que a revolta não era comunista e sim popular e democrática. Cercados por terra e por mar e sob intenso bombardeio, os rebeldes enviaram representantes para parlamentar com o comando legalista que, apesar disso, empreendeu um ataque definitivo ao quartel, forçando a rendição ainda na tarde do dia 27.

Álvaro de Sousa foi preso e expulso do Exército, tendo sido acusado no inquérito instaurado pela polícia do Rio de Janeiro de liderar o movimento. Na época foram também apreendidos rascunhos de sua autoria contendo planos de ação dos revoltosos. Quando, em janeiro de 1937, foi chamado à presença do juiz do Tribunal de Segurança Nacional (TSN), coronel Luís Carlos da Costa Neto, recusou-se a ir, juntamente com Agildo Barata, tendo ambos alegado que aquele tribunal era um órgão inconstitucional. Levado à força para a audiência, afirmou que só se defenderia perante a Justiça regular. Solicitou também informações acerca do protesto que formulara dias antes, a propósito do fato de que sargentos e praças estivessem também entre os acusados, já que, segundo ele, nenhuma responsabilidade tinham na revolta, pois haviam apenas cumprido ordens superiores.

Em maio de 1937 foi condenado pelo TSN a dez anos de prisão, sendo anistiado, assim como os demais revoltosos, em abril de 1945.

FONTES: BARATA, A. Vida; CAMPOS, R. Tribunal; CARNEIRO, G. História; DULLES, J. Anarquistas; LEVINE, R. Vargas; MIN. GUERRA. Almanaque (1934); PORTO, E. Insurreição; SILVA, H. 1935; SILVA, H. 1937.

 

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