SUASSUNA, NEI

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Nome: SUASSUNA, Nei
Nome Completo: SUASSUNA, NEI

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:

SUASSUNA, Nei

*sen. PB 1992 e 1995-2002; min. Integr. 2002; sen. PB 2002-2007.

 

Nei Robinson Suassuna nasceu em Campina Grande (PB) no dia 11 de outubro de 1941, filho de Raimundo Suassuna e de Alice Leite Suassuna.

Professor e empresário, em 1966 tornou-se assessor-técnico do ministro do Planejamento Roberto Campos, função que exerceu até março do ano seguinte. Nesse ano, bacharelou-se em administração e, em 1970, em economia, ambas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1971, voltou à assessoria do Ministério do Planejamento, agora sob o comando de João Paulo dos Reis Veloso, permanecendo nessa função até março de 1979.

Em 1981 bacharelou-se em pedagogia pela Faculdade Castelo Branco, no Rio de Janeiro, e em inglês pela Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, nos Estados Unidos.

Filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em fevereiro de 1982 e passou a integrar o novo diretório regional do partido na Paraíba. No pleito de outubro de 1990, elegeu-se suplente do senador paraibano Antônio Mariz.

Com a licença do titular em janeiro de 1992, assumiu a cadeira no Senado, tornando-se membro titular das comissões de Constituição, Justiça e Cidadania, de Assuntos Sociais, de Serviços de Infra-Estrutura e de Educação, Cultura e Desporto. Exerceu o mandato até abril desse ano, quando Mariz retornou. Com a eleição deste para o governo da Paraíba em outubro de 1994, voltou ao Senado em caráter efetivo em janeiro do ano seguinte. Tornou-se membro titular da Comissão de Assuntos Econômicos e da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e suplente da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura.

Entre as principais matérias votadas durante esse ano no Senado, Suassuna pronunciou-se a favor da regulamentação do dispositivo constitucional que fixava em 12% ao ano a taxa máxima de juros no país; do projeto de emenda constitucional que acabou com o monopólio dos estados na distribuição do gás canalizado; do projeto que estabelecia um novo conceito de empresa nacional, terminando com todas as diferenças legais entre empresas brasileiras e estrangeiras; da emenda constitucional que tratava da navegação de cabotagem, permitindo que as embarcações estrangeiras passassem a operar no transporte de cargas e passageiros entre portos do país; da emenda do governo que acabou com o monopólio estatal das telecomunicações; da emenda que pôs fim ao monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e da criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que ficou conhecida como imposto do cheque.

Durante o ano de 1996, votou a favor da prorrogação do Fundo Social de Emergência (FSE) por 18 meses; do projeto que tratava da isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e da criação de um fundo para a educação. Votou contra o projeto que tratava do crime de seqüestro e faltou à votação do projeto que tratava da reforma agrária.

Em dezembro de 1996, Suassuna foi um dos 29 senadores — juntamente com 213 deputados — signatários de um requerimento que pedia a criação de uma nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista para investigar possíveis irregularidades no Orçamento da União. Porém, o governo, percebendo que se tratava de manobra da oposição para impedir a aprovação da emenda da reeleição, conseguiu barrar a criação dessa CPI com o empenho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do líder do Partido da Frente Liberal (PFL) na casa, Élcio Álvares (ES), que convenceram sete senadores, entre os quais Nei Suassuna, a retirarem suas assinaturas do documento. Sua justificativa para esse ato, segundo afirmara na ocasião, teria sido o fato de que, no seu entendimento, a CPI seria só do Senado, e não mista, já que o pedido para que assinasse o requerimento teria sido feito pelo senador Júlio Campos (PFL-MT).

Em janeiro de 1997, votou a favor, em primeiro turno no Senado, da emenda constitucional que permitia aos ocupantes do Poder Executivo concorrerem à reeleição. Essa emenda foi efetivamente aprovada no Senado em maio, com Suassuna ratificando o seu voto. Nesse mesmo ano, tornou-se membro titular da Comissão de Fiscalização e Controle. Em outubro de 1998 conseguiu se eleger para um novo mandato de senador na legenda do PMDB, derrotando o ex-governador Tarcísio Buriti. Em fevereiro do ano seguinte iniciou novo período legislativo no Senado.

No último ano da segunda gestão de Fernando Henrique Cardoso, Ney Suassuna foi nomeado titular do Ministério da Integração Nacional, ficando no cargo de janeiro até abril de 2002. Integrou a ala do PMDB que apoiou José Serra (PSDB) para a presidência da República nas eleições de outubro deste ano, mas o candidato tucano acabou derrotado por Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). O PMDB formalmente apoiava Serra, mas muitos de seus quadros fizeram campanha para Lula.

Em 2005, ano em que o governo Lula enfrentou grave crise política, decorrente de uma denúncia feita pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) da existência de um esquema de compra de votos na Câmara chamado de “Mensalão”, Nei Suassuna assumiu a liderança do PMDB no Senado federal, cargo estratégico, uma vez que o  partido era uma das bases de sustentação do governo no Congresso Nacional. Nessa condição, Suassuna tornou-se também líder do Bloco da Maioria no Senado, e assumiu a tribuna em diversas ocasiões para criticar o excesso de denúncias de corrupção no país, conclamando o Congresso a participar mais da discussão de projetos que visavam o desenvolvimento nacional.

Em 2006, Suassuna e mais dois senadores, Magno Malta (PL-ES) e Serys Marly Slhessarenko (PT-MT), além de quase noventa deputados, foram envolvidos em outra denúncia, que ficou conhecida como “Escândalo dos Sanguessugas”. Tratou-se de um suposto esquema de superfaturamento na compra de ambulâncias para hospitais públicos. Durante as investigações, o empresário Luís Antônio Vedoin, tido como um dos chefes do esquema mafioso, acusou um ex-assessor de Suassuna, Marcelo de Carvalho, de receber dele R$ 222,5 mil em propinas. Ameaçado de perda do mandato, Suassuna, contudo, escapou da cassação, recebendo apenas uma advertência verbal. Na votação do Conselho de Ética do Senado, no processo por quebra de decoro parlamentar, apenas dois dos 14 deputados pediram sua cassação.

Talvez pelo desgaste com o episódio, Nei Suassuna não conseguiu se reeleger senador nas eleições de outubro de 2006. Deixou aquela casa em 31 de janeiro de 2007, permanecendo, contudo, até o fim de seu mandato como líder do PMDB no Senado.

Nas eleições municipais de outubro de 2008, apoiou a candidatura do deputado federal Rômulo Gouveia, do PSDB, à prefeitura de Campina Grande, derrotado por Veneziano Vital do Rego, do PMDB.

Em agosto de 2009, Nei Suassuna deixou o PMDB após 30 anos, acusando o partido, particularmente o grupo de José Maranhão – que foi derrotado nas eleições de 2006 para o governo paraibano, mas acabou assumindo o cargo com a cassação do mandato de Cássio Cunha Lima (PSDB) pelo STF no início de 2009 – de tê-lo deixado isolado em sua campanha para o Senado em 2006. Na ocasião, declarou que seu objetivo era disputar, por outra legenda, uma vaga para o Senado em 2010 e apoiar o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, na disputa para o Executivo paraibano no mesmo pleito.

Empresário bem sucedido, atuando nos setores educacional, da construção civil e da construção naval, entre outros, Nei Suassuna foi ainda vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Rio de Janeiro (Faciarj), presidente da Associação Comercial da Barra da Tijuca (Acibarra), presidente do Colégio Anglo-Americano, diretor-presidente da Agroindustrial Suassuna, diretor da Suassuna Factoring, diretor-presidente da NRS — Negócios, Realizações e Serviços, da Sociedade de Ensino Superior e Assistência Técnica (Sesat), da Anglo-Americano Escolas Superiores e diretor-tesoureiro do Sindicato dos Mantenedores de Ensino Superior, todos do Rio de Janeiro.

Casou-se com Tânia Paranhos Suassuna, com quem teve três filhos.

Publicou Comunicação na administração (1980) e É proibido ter idéias novas (1981).

 

FONTES: Folha de S. Paulo (16/1/97); Globo (22/5/97 e 10/10/98); Jornal do Brasil (13/12/96); Olho no Congresso/Folha de S. Paulo (14/1/96, 30/1/97 e 5/2/98); Olho no voto/Folha de S. Paulo (29/9/98); SENADO. Senadores (1995-1999); TRIB. REG. ELEIT. PB. Relação (1998); TRIB. SUP. ELEIT. Resultado (1998).

 

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