SUZANO, PEDRO PAULO DE ARAUJO

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Nome: SUZANO, Pedro Paulo de Araújo
Nome Completo: SUZANO, PEDRO PAULO DE ARAUJO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
SUZANO, PEDRO PAULO DE ARAÚJO

SUZANO, Pedro Paulo de Araújo

*militar; rev. 1932; comte.-em-ch. Esquadra 1960-1961; ch. EMA 1961; min. Mar. 1962-1963.

 

Pedro Paulo de Araújo Suzano nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 6 de novembro de 1903, filho do primeiro-tenente da Armada Oscar Osvaldo Suzano e de Celina de Araújo Suzano. Com a morte do seu pai na explosão do encouraçado Aquidabã em janeiro de 1906, passou a ser criado pelo avô, marechal Pedro Castro de Araújo e, mais tarde, pelo padrasto, também oficial de Marinha, Antônio Alves Câmara Júnior, que veio a se tornar almirante e ministro da Marinha nos governos de Nereu Ramos (1955-1956) e de Juscelino Kubitschek (1956-1958).

Fez os seus estudos nos colégios Paula Freitas e Pedro II, em sua cidade natal, ingressando, em abril de 1918, na Escola Naval, de onde saiu guarda-marinha em janeiro de 1922. Ao irromper em julho desse ano a revolta das guarnições dos fortes de Vigia e de Copacabana, no Rio de Janeiro, participou a bordo do encouraçado Minas Gerais do bombardeio ao forte de Copacabana, que pouco depois se rendeu. Em setembro desse mesmo ano foi promovido a segundo-tenente.

Em julho de 1924, durante a revolta paulista liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, pelo major Miguel Costa, por João Cabanas e Joaquim Távora contra o governo de Artur Bernardes, comandou uma seção de artilharia das tropas legalistas no ataque e retomada da capital do estado, que havia ficado em poder dos rebeldes durante três semanas. Os revoltosos abandonaram a cidade e se deslocaram para o interior. Em dezembro desse ano Suzano chegou ao posto de primeiro-tenente.

Em 1927, comandando um destacamento naval em operação em Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia e o Paraguai, tomou parte em vários combates à Coluna Prestes, contingente revolucionário formado em 1925 através da junção, no oeste do Paraná, dos grupos de rebeldes paulistas e gaúchos. A coluna percorreu em seguida o interior do país combatendo as tropas legalistas, até internar-se em 1927, em conseqüência de sua debilitação, no Paraguai e na Bolívia.

Chegando ao posto de capitão-tenente em janeiro de 1928, serviu em vários navios, entre os quais o contratorpedeiro Pará, o navio-escola Benjamim Constant e o cruzador Bahia. Durante a Revolução de 1930, exercia a função de ajudante-de-ordens do comandante da Esquadra, o contra-almirante Júlio César de Noronha Santos, que deixou o posto em dezembro desse ano, pouco depois da vitória dos revolucionários.

Lutou em 1932 ao lado dos rebeldes na Revolução Constitucionalista de São Paulo, movimento armado que se desencadeou em julho daquele ano contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas instalado após a Revolução de 1930. Com a vitória das forças legalistas em outubro seguinte, foi preso e confinado no Batalhão Naval (atual Corpo de Fuzileiros Navais) na ilha das Cobras. Reformado pouco depois por decreto do governo, lecionou matemática de 1933 a 1934, como civil, no Colégio Aldridge no Rio de Janeiro. Em maio deste último ano, beneficiado pela anistia concedida por Getúlio Vargas aos revoltosos de 1932, retornou ao serviço ativo da Armada, viajando no ano seguinte ao exterior a bordo do navio-escola Almirante Saldanha.

Em 1937, ao ser implantado o Estado Novo, servia no encouraçado Minas Gerais. Viajou no ano seguinte para a Inglaterra a fim de integrar a comissão de construção dos contratorpedeiros classe J, encomendados pelo Brasil àquele país. Chegando a capitão-de-corveta em novembro de 1938, foi transferido em fins do ano seguinte para a Comissão de Aquisição de Armamentos para os contratorpedeiros das classes M e A, enviada aos Estados Unidos, lá permanecendo até o início de 1941.

Retornando ao Brasil, chefiou de março desse ano a setembro de 1942 o Departamento Escolar e o Corpo de Alunos da Escola Naval no Rio de Janeiro. Deixando essa função em outubro seguinte passou ao comando da corveta Carioca, unidade da Força Naval do Noroeste, que realizou o patrulhamento do Atlântico Sul em conseqüência da declaração de guerra do Brasil à Alemanha e à Itália em agosto de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Em abril de 1944 passou a integrar a IV Esquadra da Marinha norte-americana, sendo promovido em dezembro desse ano a capitão-de-fragata.

A partir de 1945, atendendo a pressões internas e externas, Getúlio Vargas tomou algumas medidas reformistas, entre as quais a convocação de eleições presidenciais e legislativas. No processo de reorganização partidária, elementos ligados ao Ministério do Trabalho, com o apoio de Vargas, fundaram, nesse ano, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nessa ocasião, Suzano identificou-se com os princípios desse partido e com o chamado movimento “queremista” surgido então, que reivindicava a convocação de uma constituinte com Vargas no poder. Entretanto, em outubro ainda desse ano, os comandos militares depuseram Vargas e, nas eleições realizadas em dezembro seguinte, elegeu-se presidente da República o general Eurico Gaspar Dutra, lançado pelo Partido Social Democrático (PSD) e apoiado pelo PTB.

Desligando-se da IV Esquadra em junho de 1946, Suzano passou, dois meses depois, a imediato do Centro de Instruções Almirante Wandenkolk (CIAW), na ilha das Enxadas, no Rio de Janeiro. Nomeado ainda nesse ano adjunto da secretaria do Gabinete do Conselho de Segurança Nacional, liderou os estudos relativos à plataforma submarina, demonstrando em suas atividades ser favorável às soluções nacionalistas. Também nos anos de 1946 e 1947 fez os cursos preliminar e superior de comando e estado-maior da Escola de Guerra Naval.

Deixando suas funções de imediato do CIAW em dezembro de 1947, comandou o contratorpedeiro Greenhalgh. Em outubro de 1949, desligou-se desse comando e passou a exercer a função de auxiliar de ensino da Escola de Guerra Naval, recebendo em março de 1950 a patente de capitão-de-mar-e-guerra.

Em janeiro de 1951 deixou a Escola de Guerra Naval por ter sido nomeado comandante do navio-escola Almirante Saldanha, cargo que exerceu até fevereiro de 1952. Nomeado em março desse ano comandante do CIAW, foi encarregado de inquérito policial-militar sobre atividades comunistas na Marinha.

Em fins de outubro de 1954, depois da morte de Vargas (24/8/1954), foi graduado contra-almirante, desligando-se, no mês seguinte, do comando do CIAW. Foi então nomeado subchefe do Estado-Maior da Armada (EMA), cargo que ocupou até janeiro de 1955. De 1954 a 1955 cursou a Escola Superior de Guerra (ESG).

Após a vitória de Juscelino Kubitschek e João Goulart, candidatos lançados pela aliança entre o PSD e o PTB à presidência e vice-presidência da República nas eleições de outubro de 1955, setores oposicionistas, notadamente membros da União Democrática Nacional (UDN), utilizaram vários recursos para impedir a posse de ambos. O agravamento da tensão nos meios políticos e militares e — segundo entendiam os partidários dos eleitos — a crescente ameaça de um golpe motivaram a deflagração, em 11 de novembro, de um movimento militar, liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, com o objetivo de garantir a posse dos eleitos. Tal intervenção provocou a destituição dos presidentes Carlos Luz, em exercício, e João Café Filho, licenciado por doença, e a instalação na chefia do governo do vice-presidente do Senado Nereu Ramos. Nesse mesmo dia, foi empossado no ministério da Marinha o almirante-de-esquadra Antônio Alves Câmara Júnior, em substituição ao vice-almirante Edmundo Jordão Amorim do Vale. Suzano, que liderou o movimento na Marinha, foi em seguida nomeado chefe de gabinete do ministro, que era seu padrasto, e, no dia 20 do mesmo mês, efetivado como contra-almirante.

O descontentamento de grande parte da oficialidade da Aeronáutica e da Marinha com a posse de Juscelino em 31 de janeiro de 1956 gerou a rebelião de um grupo de oficiais da Aeronáutica no dia 10 de fevereiro. Apoderando-se da base aérea de Jacareacanga, no Pará, os rebeldes mantiveram sob seu controle por alguns dias a cidade de Santarém e mais três pequenos povoados. Suzano, como chefe de gabinete do ministro da Marinha, tomou providências para o transporte das tropas enviadas àquele estado para debelar a revolta, finalmente sufocada em 29 de fevereiro. Nesse mesmo mês, foi nomeado comandante da Flotilha de Contratorpedeiros. A partir ainda desse ano, atuou junto ao Clube Militar, que passou a ser dirigido por militares nacionalistas até 1962.

Deixando a Flotilha de Contratorpedeiros, foi nomeado adido naval à embaixada do Brasil em Washington e, posteriormente, em Ottawa, no Canadá. Em julho de 1958, foi promovido a vice-almirante, permanecendo como adido naval em Ottawa até abril de 1959. No mês seguinte, foi nomeado chefe da Diretoria de Hidrografia e Navegação.

Nomeado em agosto de 1960 comandante-em-chefe da Esquadra, deixou a Diretoria de Hidrografia e Navegação em outubro seguinte. No dia 30 de janeiro de 1961, um dia antes da posse de Jânio Quadros na presidência da República, deixou o cargo de comandante-em-chefe da Esquadra e, entre 2 e 4, ocupou a chefia do EMA. Com a posse do vice-almirante Sílvio Heck no Ministério da Marinha, em janeiro desse ano, foi posto no ostracismo.

Com a renúncia de Jânio em agosto ainda de 1961, os três ministros militares vetaram a posse do vice-presidente João Goulart. Tal fato provocou o protesto de vários setores, que passaram a exigir o cumprimento dos dispositivos da Constituição de 1946. Na área militar do estado da Guanabara, Suzano e o brigadeiro Francisco Teixeira, seu velho companheiro, lideraram o movimento pela posse de João Goulart, o que acabou por levá-los à prisão.

O principal reduto de resistência em favor da posse do vice-presidente estava radicado no Rio Grande do Sul sob a liderança do governador Leonel Brizola, que contava com o apoio do III Exército, comandado pelo general José Machado Lopes. A crise política instaurada no país foi, no entanto, contornada com a promulgação da Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, que instituiu o regime parlamentarista, limitando os poderes presidenciais. Goulart tomou posse em 7 de setembro seguinte e Tancredo Neves assumiu o cargo de primeiro-ministro. No final desse mês Suzano foi nomeado secretário-geral do Ministério da Marinha, agora sob a chefia do contra-almirante Ângelo Nolasco, e, em fevereiro de 1962, recebeu a patente de almirante-de-esquadra.

 

No Ministério da Marinha

Com a renúncia, em junho desse ano, do primeiro-ministro Tancredo Neves, desencadeou-se nova crise política no país, resolvida, em julho seguinte, com a aprovação pelo Congresso, da indicação para o cargo de Francisco de Paula Brochado da Rocha. O novo chefe de gabinete, ao escolher o novo ministério, nomeou Suzano no dia 12 de julho para a pasta da Marinha. Nessa ocasião, seis almirantes contrários à sua indicação para o cargo, entre os quais Augusto Rademaker, solicitaram o afastamento de seus postos, no que foram atendidos.

A gestão de Brochado da Rocha foi marcada pela discussão em torno da realização do plebiscito que decidiria pela volta ou não ao regime presidencialista. Apesar da sua realização estar prevista para o início de 1965, João Goulart e alguns setores, como o recém-criado Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), reivindicavam a sua antecipação para 7 de outubro de 1962, data fixada para as eleições legislativas. Não conseguindo obter aprovação parlamentar para a data pretendida pelo CGT, Brochado da Rocha renunciou em setembro desse mesmo ano. No dia imediato, o Congresso aprovou o projeto de lei complementar Capanema-Valadares, autorizando a realização do plebiscito no dia 6 de janeiro de 1963.

Encarregado de formar um gabinete interino para atuar até janeiro de 1963, Goulart nomeou Hermes Lima primeiro-ministro, continuando Suzano como ministro da Marinha. Realizado o plebiscito, que decidiu pelo retorno ao regime presidencialista, Goulart nomeou novo ministério, que foi empossado em 23 de janeiro, sendo Suzano ainda mantido à frente do Ministério da Marinha.

Durante a sua gestão, Suzano apoiou a maioria das medidas nacionalistas do governo Goulart, como a Lei de Remessa de Lucros e a implantação das reformas de base. Foi ainda no seu período como ministro que o contra-almirante Cândido Aragão se destacou entre os setores nacionalistas, sendo nomeado em outubro de 1962 comandante do Corpo de Fuzileiros Navais.

Com a alteração ministerial realizada por Goulart em junho de 1963, Suzano foi exonerado do cargo, sendo substituído no dia 23 desse mês pelo almirante-de-esquadra Sílvio Mota. Sua participação, juntamente com Aragão, marinheiros e fuzileiros navais nas comemorações da anistia concedida pelo governo Goulart aos marinheiros que participaram da revolta de 25 de março de 1964, teve ampla divulgação pela imprensa. Esse episódio, somado à própria concessão da anistia, provocou imediata reação dos oficiais superiores das forças armadas, o que, com o conseqüente agravamento da crise política, levou à deflagração do movimento político-militar de março de 1964 que derrubou o presidente João Goulart.

No dia 14 de abril de 1964, cinco dias após a edição do Ato Institucional nº 1, foi divulgada a segunda lista de cassações, onde figuravam os nomes de 24 oficiais das forças armadas, entre os quais Suzano. Além de reformado, o ex-ministro teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Afastado, por doença, de qualquer atividade, foi posteriormente absolvido no processo a que teve de responder no Superior Tribunal Militar.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de janeiro de 1978.

Era casado com Jovina de Albuquerque Suzano, com quem teve dois filhos, também militares, que foram igualmente punidos pelo AI-1.

Escreveu artigos sobre assuntos navais em revistas especializadas.

Mônica Kornis

 

 

FONTES: ANDREA, J. Marinha; ARQ. DEP. PESQ. JORNAL DO BRASIL; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SERV. DOC. GER. MAR.; Diário Oficial (11/4/64); DULLES, J. Getúlio; DULLES, J. Unrest; Encic. Mirador; ENTREV. BIOG.; GRIECO, J. Union; HARDING, T. Political; Histórico; Jornal do Brasil (24/1/78); Jornal do Comércio, Rio (25/1/63); MIN. MAR. Almanaque; VÍTOR, M. Cinco.

 

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