TUMA, ROMEU

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Nome: TUMA, Romeu
Nome Completo: TUMA, ROMEU

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
TUMA, ROMEU

TUMA, Romeu

*dir. ger. Dep. Pol. Fed. 1986-1992; sen. SP 1995-

 

Romeu Tuma nasceu na cidade de São Paulo no dia 4 de outubro de 1931, filho de Zike Tuma e América Trabulsi Tuma. Seu primo, Nicolau Tuma, foi deputado federal por São Paulo entre 1959 e 1968.

Em 1951, ingressou através de concurso público na Polícia Civil de São Paulo. Após bacharelar-se em direito, tornou-se delegado de polícia em 1967, também através de concurso. Trabalhou como assessor do delegado Sérgio Paranhos Fleury na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, órgão que passou a dirigir a partir de 1975, durante a gestão do coronel Erasmo Dias à frente da Secretaria Estadual de Segurança Pública. Atuou no combate às organizações políticas clandestinas de esquerda e na repressão aos movimentos grevistas deflagrados a partir do final da década de 1970 na região do ABC paulista. Ainda nessa época, colaborou voluntariamente com o Serviço Nacional de Informações (SNI).

Em 1978, numa ação conjunta com o serviço secreto israelense que obteve repercussão internacional, capturou no município paulista de Atibaia o carrasco nazista Gustav Franz Wagner, responsável pelo extermínio de milhares de judeus nos campos de concentração de Treblinka e Sobibor, na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial. No início dos anos 1980, trabalhou na solução de diversos casos de seqüestro, entre os quais o do jovem Miguel Mofarrej Neto, filho do milionário Nassif Mofarrej.

Em novembro de 1982, a eleição para o governo do estado de São Paulo foi vencida por Franco Montoro, candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação oposicionista. Conhecido o resultado da eleição, o governador em exercício José Maria Marin, do Partido Democrático Social (PDS), ordenou a Tuma que transferisse os arquivos do DOPS paulista para a Superintendência Regional da Polícia Federal no estado, evitando dessa forma que a oposição tivesse acesso aos documentos. Em março de 1983, com a extinção do DOPS, o próprio Tuma foi transferido para a Superintendência Regional da Polícia Federal de São Paulo, passando a exercer a direção do órgão.

No ano seguinte, voltou a receber destaque na imprensa ao prender, em São Paulo, o dirigente mafioso italiano Tommaso Buscetta, desencadeando um processo internacional que levou à prisão de outros importantes líderes da Máfia italiana. Em 1985, a partir de informações fornecidas pela polícia alemã, localizou no cemitério de Embu, na periferia de São Paulo, a ossada do carrasco nazista Josef Mengele.

Em janeiro de 1986, já no governo de José Sarney (1985-1990), o primeiro presidente civil do país após o regime militar, Tuma foi nomeado diretor-geral da Polícia Federal pelo ministro da Justiça Fernando Lyra, em substituição ao coronel Luís Alencar Araripe. Sua nomeação quebrou uma tradição vigente desde a criação do órgão, em 1964, de somente militares ocuparem o cargo. Criticada pelo grupo Tortura Nunca Mais, que o apontou como “um nome reconhecidamente ligado à repressão social e política” durante o regime militar, sua indicação foi, porém, bem recebida por importantes setores da imprensa, que o isentaram de qualquer responsabilidade sobre atos de tortura praticados naquele período.

Logo após ser empossado no novo cargo, anunciou sua intenção de promover um maior entrosamento da Polícia Federal com as polícias civis estaduais, visando maior eficiência no combate ao contrabando, ao tráfico de entorpecentes e ao roubo de automóveis, bem como a dinamização das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS).

Em fevereiro, o presidente Sarney lançou o Plano Cruzado, conjunto de medidas econômicas que visavam o controle da inflação através do congelamento de preços e salários. À frente da Polícia Federal, Tuma atuou no combate às remarcações de preços praticadas especialmente pelos donos de supermercados. Na mesma época, atuou em áreas marcadas por conflitos de terra, como a região do Bico do Papagaio, entre os estados do Maranhão, Goiás e Pará.

Em maio de 1987, Tuma apresentou à recém-instalada Assembleia Nacional Constituinte um projeto de estruturação e regulamentação das atividades policiais abrangendo todas as unidades da federação. De acordo com a proposta, as diferentes corporações policiais passariam a obedecer a um comando único em cada estado, ficando o trabalho investigativo a cargo da Polícia Civil, o policiamento ostensivo sob responsabilidade da Polícia Militar, enquanto à Polícia Federal caberia a repressão ao tráfico de drogas, a censura, a guarda do presidente da República, a repressão ao crime organizado e as atividades de policiamento aéreo, marítimo e de fronteiras.

A desenvoltura de Tuma à frente da Polícia Federal, responsável por sua freqüente presença nas páginas dos principais jornais brasileiros, provocou atritos com o ministro Paulo Brossard, substituto de Fernando Lyra na pasta da Justiça. O relacionamento hostil entre ambos ficara evidente já em outubro de 1986, quando Brossard nomeou como assessor o delegado José Antônio Hahn, conhecido no interior da Polícia Federal por suas divergências com Tuma no tocante à definição das atribuições da corporação. Em julho de 1987, o ministro responsabilizou Tuma pela morosidade na apuração dos inquéritos instaurados pela Polícia Federal. Nos primeiros meses do ano seguinte, Tuma acusou Brossard de intrometer-se de maneira indevida nas investigações sobre o suposto envolvimento do ex-ministro do Planejamento Aníbal Teixeira com um esquema de intermediação ilegal de verbas públicas. Em agosto, novos atritos surgiram quando Brossard condenou o envolvimento de delegados da Polícia Federal em irregularidades no Banco do Estado de São Paulo e exigiu publicamente de Tuma a apuração dos fatos. Tuma, na verdade, já tomara providências, tendo afastado um delegado envolvido nas denúncias.

Em dezembro de 1988, o ecologista e líder sindical Chico Mendes foi assassinado no município de Xapuri (AC) por fazendeiros descontentes com sua atuação à frente dos seringueiros da região. O crime obteve enorme repercussão mundial, levando organismos internacionais a exigir a punição dos culpados e a suspender o financiamento a projetos de caráter ambiental desenvolvidos na região amazônica. Para amenizar o desgaste da imagem do país no exterior, o governo brasileiro prometeu rigorosa apuração dos fatos e designou Tuma para dirigir as investigações.

Em novembro de 1989, durante a assembleia anual da Interpol, Tuma alertou para a necessidade de se reforçar a vigilância da fronteira amazônica, a fim de evitar que os principais chefes colombianos do tráfico de cocaína, em especial os líderes do cartel de Medellín, se refugiassem no Brasil.

Em dezembro, o empresário Abílio Diniz foi resgatado pela polícia em São Paulo, depois de permanecer em poder de sequestradores por cerca de um mês. Após a libertação do empresário, às vésperas do segundo turno da primeira eleição presidencial realizada no Brasil em quase 30 anos, os sequestradores foram apresentados à imprensa portando materiais de campanha do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva. Lula travava então acirrada disputa com Fernando Collor de Melo, candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Realizado o pleito em seguida, sob um clima de forte polarização ideológica em todo o país, Collor saiu vencedor. Mais tarde, comprovou-se que a vinculação dos sequestradores com o PT fora forjada durante a operação policial para prejudicar a imagem de Lula ante a opinião pública. Designado para dirigir as investigações sobre o sequestro, Tuma concluiu, com base em informações fornecidas pela Interpol e pela polícia chilena, que os sequestradores pertenciam ao Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), organização armada de oposição ao regime chileno comandado pelo general Augusto Pinochet. O diretor da Polícia Federal defendeu que os sequestradores fossem tratados como criminosos comuns e que não lhes fosse concedido o tratamento reivindicado de prisioneiros políticos, visto serem suas ligações políticas estabelecidas exclusivamente no exterior.

Em janeiro de 1990, Tuma teve a sua prisão solicitada pelo procurador da República Eugênio Aragão, que o acusou de descumprimento da lei ao propor que os garimpeiros instalados em regiões demarcadas dos índios ianomâmis se transferissem para uma área interditada pela justiça federal na Floresta Nacional, em Roraima. Tuma defendeu-se afirmando que em nenhum momento descumprira a lei, tendo apenas participado de negociações envolvendo a Polícia Federal, a Funai e outros órgãos do governo, em busca de soluções futuras para o caso.

Ainda no início de 1990, Tuma foi convidado pelo presidente eleito Fernando Collor de Melo para ocupar o cargo de secretário da Receita Federal em seu governo, ao mesmo tempo em que o novo ministro da Justiça, Bernardo Cabral, anunciava a sua manutenção como diretor-geral da Polícia Federal. Ao indicar um delegado de polícia sem experiência anterior no trato com questões tributárias para dirigir a Receita, Collor procurava sinalizar para a opinião pública que trataria com rigor a sonegação de impostos. Designado pela imprensa como o “xerife da economia”, Tuma fez declarações bombásticas à imprensa já em suas primeiras entrevistas após aceitar o convite, nas quais classificava os sonegadores como bandidos e ameaçava colocá-los na cadeia.

Dias depois, imediatamente após tomar posse na presidência da República, Collor anunciou a implantação de um plano econômico de combate à inflação, o Plano Collor, baseado numa drástica redução do volume de moeda circulante no país, através do bloqueio de contas bancárias e aplicações financeiras. Nos dias seguintes à decretação das medidas, Tuma voltou a ganhar destaque no noticiário da imprensa ao visitar estabelecimentos comerciais para coibir a remarcação de preços. Nos meses seguintes, ampliou seu prestígio junto à opinião pública ao decretar a prisão de sonegadores e promover um aumento na arrecadação dos tributos federais.

Em junho, manifestou publicamente o seu desacordo com relação à atuação da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo federal na coleta de informações sobre o narcotráfico, função que julgava competir à Polícia Federal.

Em setembro de 1990, foi encontrado no bairro de Perus, na capital paulista, um cemitério clandestino com ossadas de vítimas da repressão política nos anos 1970. Em depoimento prestado à comissão parlamentar de inquérito (CPI) instalada na Câmara Municipal de São Paulo para investigar o caso, o advogado Gilberto Castilho apontou Tuma como participante de uma sessão de tortura no DOI-CODI, em 1972. O delegado, porém, negou sua participação no episódio e acusou Castilho de estar a serviço de grupos interessados na destruição de sua carreira.

No âmbito da Receita Federal, os questionamentos à posição de Tuma no comando do órgão, existentes de forma velada desde a sua nomeação, ganharam intensidade a partir da saída da ministra Zélia Cardoso de Melo da pasta da Economia, em maio de 1991. Na ocasião, o Secretário Nacional de Fazenda, Luís Fernando Wellisch e o diretor do Departamento Nacional de Tesouro, Roberto Guimarães, passaram a trabalhar abertamente por sua exoneração. Diante da demissão eminente, Tuma antecipou-se aos fatos e colocou o cargo à disposição. De novo ocupado exclusivamente com o comando da Polícia Federal, iniciou no final de julho uma ampla operação de combate ao tráfico de drogas na região amazônica, efetivada em conjunto com a Marinha e as polícias locais. Das investigações então promovidas surgiram evidências do envolvimento de políticos e empresários da região com o tráfico, em especial do deputado federal Jabes Rabelo, de Rondônia, posteriormente cassado por uma CPI instalada no Congresso Nacional para investigar as atividades do narcotráfico. Ainda em 1991, Tuma foi eleito vice-presidente da Interpol.

Em dezembro desse ano, reportagens publicadas na imprensa acusaram o diretor da Polícia Federal de manter relações de amizade com os contraventores Habib Salim El Chater e Carlos Salim, presos em flagrante na capital federal. Meses depois, novas denúncias levantaram suspeitas sobre ligações de Tuma com o secretário de Segurança Pública de Alagoas, Wilson Perpétuo, acusado de envolvimento numa rede de contrabando de café, bebidas e armas nas fronteiras com o Paraguai e a Argentina. Por solicitação do ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, o Centro de Informações do Exército (CIEx) chegou na ocasião a promover investigações secretas para apurar o envolvimento de Tuma na rede de contrabando, concluindo, porém pela inocência do delegado. Em abril de 1992, Passarinho foi substituído no ministério por Célio Borja.

Até então acumulando os cargos de diretor-geral e secretário nacional da Polícia Federal, Tuma teve a sua posição enfraquecida pelo novo ministro, que promoveu uma reformulação na estrutura administrativa do órgão, desmembrando o seu comando. Para o cargo de diretor-geral foi então nomeado o delegado Amauri Galdino, com Tuma sendo mantido apenas à frente da Secretaria Nacional, posto de atribuições basicamente burocráticas.

Por essa época, avolumavam-se as denúncias de corrupção contra o governo Collor. Em maio, foi instalada no Congresso Nacional uma CPI para investigar as denúncias feitas por Pedro Collor de Melo, irmão do presidente, que apontava a existência de um amplo esquema de corrupção no interior da administração federal comandado pelo empresário Paulo César Farias, amigo pessoal de Fernando Collor e tesoureiro de sua campanha presidencial. O relatório final da CPI, divulgado no final de agosto, confirmou o envolvimento do presidente no esquema de corrupção denunciado, enquadrando-o por crime de responsabilidade e sugerindo a abertura de processo de cassação. No final de setembro, Collor foi afastado da presidência pela Câmara dos Deputados, que aprovou a abertura de processo de impeachment contra ele. No início do mês seguinte, o vice Itamar Franco tomou posse na presidência da República, sendo confirmado no cargo com a renúncia de Collor e seu julgamento pelo Senado, ocorrido em dezembro.

A escolha do senador Maurício Correia (PDT-DF) como ministro da Justiça do governo Itamar Franco determinou, ainda no mês de outubro, a saída de Tuma do cargo que ocupava na Polícia Federal. Os atritos entre o delegado e o novo ministro iniciaram-se durante os trabalhos da CPI que investigou o esquema PC-Collor, da qual Correia era vice-presidente. Na ocasião, o senador acusou Tuma de dificultar o trabalho dos parlamentares, retardando a entrega pela Polícia Federal da gravação em que Pedro Collor denunciava a sociedade entre seu irmão e Paulo César Farias. Já no ministério, Correia desconfiou também que Tuma adiantara ao ex-governador paulista Orestes Quércia informações sobre os termos de seu indiciamento no processo que investigava a privatização da empresa aérea VASP, efetuada durante a sua gestão no governo de São Paulo. Também contribuíram para o afastamento de Tuma do comando da Polícia Federal as pressões oriundas de representantes da própria corporação, que frequentemente o acusavam de utilizar a imagem do órgão em proveito próprio.

De volta aos quadros da Polícia Civil de São Paulo, Tuma foi nomeado assessor especial do governador paulista Luís Antônio Fleury Filho (PMDB), em fevereiro de 1993. Em setembro, prestou depoimento na Justiça Federal como testemunha de defesa de Fernando Collor de Melo, declarando que o ex-presidente não se utilizou do cargo que então ocupava para interferir nas investigações que apuravam a sua vinculação com o esquema de corrupção comandado por P.C. Farias.

Em maio de 1994, a relatora da CPI instalada no Congresso para apurar fraudes na Previdência Social, deputada Cidinha Campos (PDT-RJ), acusou Tuma de manter vínculos, na época em que dirigia a Polícia Federal, com integrantes de uma quadrilha responsável por fraudes contra o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), avaliadas em três bilhões de dólares. Cidinha Campos sustentou sua acusação com base no grande número de ligações telefônicas registradas entre a residência e o gabinete de Tuma na Polícia Federal e o escritório de um dos envolvidos nas fraudes. O nome de Tuma acabou, porém, sendo retirado do relatório final da Comissão por decisão de todos os seus demais membros, para quem os indícios apontados pela relatora não eram suficientes para estabelecer conclusões seguras acerca da relação de Tuma com as fraudes investigadas.

Nas eleições de outubro de 1994, Tuma concorreu a uma das duas vagas ao Senado em disputa pelo estado de São Paulo, apresentando uma plataforma eleitoral centrada no fortalecimento da segurança pública. Sua candidatura, lançada pelo Partido Liberal (PL), contou com uma ampla base de apoios políticos, na qual se incluíam o governador Fleury Filho, o prefeito da capital Paulo Maluf, do Partido Progressista Reformador (PPR), e membros do governo federal, como o ministro chefe da Casa Civil Henrique Hargreaves. Com uma votação particularmente expressiva no interior do estado, Tuma obteve a segunda colocação no pleito, atrás de José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que conquistou a outra vaga, e à frente de Luísa Erundina (PT).

Empossado no Senado em fevereiro do ano seguinte, Tuma foi eleito corregedor-geral do Senado e indicado para integrar a Comissão de Constituição e Justiça da casa. No mês seguinte, defendeu a prisão de diretores do Banco Nacional envolvidos em fraudes no balanço da instituição.

Em junho de 1995, deixou o PL para ingressar no Partido Social Liberal (PSL), agremiação em fase de organização sob o comando de um dos seus filhos, Rogério Tuma. No ano seguinte, seu nome foi cogitado para a disputa da prefeitura de São Paulo, mas o PSL acabou optando pelo apoio a José Serra, do PSDB. Em fevereiro de 1997, foi reeleito corregedor-geral e no mês seguinte voltou a trocar de sigla ao deixar o PSL para ingressar no Partido da Frente Liberal (PFL).

Ainda no primeiro semestre de 1997, integrou a CPI instalada no Senado para investigar irregularidades cometidas por diversas administrações municipais e estaduais na emissão de títulos públicos, os chamados precatórios. Previstos segundo a lei vigente para serem utilizados exclusivamente no pagamento de dívidas judiciais, os precatórios não só eram emitidos num volume muito superior às dívidas em questão, como eram ainda usados para outros fins, como o financiamento de novas obras, tendo parte de seus valores desviada através de esquemas de corrupção. Encarregado de fazer o rastreamento de cheques que comprovassem o desvio dos recursos arrecadados, Tuma defendeu uma colaboração mais estreita da Polícia Federal, da Receita Federal e do Banco Central nas investigações. O trabalho da comissão apontou o comprometimento de importantes líderes políticos com as irregularidades, entre os quais o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf; seu secretário de Fazenda e sucessor no comando do Executivo paulistano, Celso Pitta; o governador pernambucano Miguel Arrais e o governador catarinense Paulo Afonso Vieira. Porém, por decisão da maioria dos integrantes da CPI, nenhum desses líderes foi convocado para depor perante a comissão. Na época envolvido em negociações com Paulo Maluf em torno da sucessão ao governo paulista, Tuma defendeu que os acusados não fossem convocados. Ao término dos trabalhos da CPI, porém, votou pela aprovação do relatório final apresentado pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), que apontava responsabilidades de Maluf, Pitta, Arrais e Paulo Afonso nas fraudes.

Durante o ano de 1997, o nome de Tuma foi cogitado por lideranças nacionais do PFL para ser o candidato do partido ao governo paulista nas eleições marcadas para o ano seguinte. Após intensas negociações nos meses que se seguiram, que envolveram também o PSDB, o PFL paulista optou pelo apoio a Paulo Maluf, do Partido Progressista Brasileiro (PPB), derrotado no segundo turno do pleito, em outubro de 1998, por Mário Covas que se reelegeu governador.

Vice-presidente e presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional no biênio 1998-1999. Ainda nesse último ano foi reconduzido à Corregedoria-Geral do Senado e foi um dos vice-líderes do PFL no Senado. Integrou a bancada de apoio ao governo de Fernando Henrique Cardoso, tendo votado a favor da prorrogação e da alteração da alíquota para 0,38% da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Nesse ano fez parte também da CPI do Narcotráfico, na qual propôs a lei que permitiu o abate de aeronaves que desrespeitassem ordem brasileira para pousar.

No pleito de outubro de 2000, disputou a prefeitura de São Paulo pelo PFL, mas não se elegeu. No segundo turno, apoiou a candidata vitoriosa Marta Suplicy (PT). Ainda nesse ano, foi o relator no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do pedido de abertura do processo de cassação de Luís Estevão (PMDB-DF). Em 2001 Tuma voltou a ser eleito corregedor-geral. Em 2002, teve seu nome lançado como pré-candidato do PFL ao cargo de governador do estado de São Paulo, mas desistiu da disputa, apoiando a reeleição do governador Geraldo Alckmin, do PSDB. Nesse pleito, Romeu Tuma candidatou-se mais uma vez ao Senado por São Paulo, agora na legenda do PFL. Reeleito, obteve mais de sete milhões de votos.

Assumiu o novo mandato em fevereiro de 2003 e foi eleito primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado. Ainda nesse ano, participou da comissão, junto com Jefferson Peres (PDT-AM), que investigou o então presidente da Casa Jader Barbalho. O relatório final da comissão encaminhou o pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar e levou à renúncia de Barbalho da presidência do Senado. Também integrou a comissão que pediu a abertura de processo de cassação de Antônio Carlos Magalhães. Na ocasião foi um dos cinco senadores vencidos que se pronunciaram a favor do arquivamento do relatório. Em 2005, voltou a ser eleito corregedor-geral do Senado e no ano seguinte integrou a CPI dos Sanguessugas, que investigou a existência de um esquema de desvio de dinheiro público destinado à compra de ambulâncias.

Em 2007 transferiu-se para o Democratas (DEM) – criado com a refundação do PFL, tendo sido vice-líder da legenda entre agosto e outubro quando deixou o DEM e ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), uma das agremiações de sustentação do governo de Luís Inácio Lula da Silva, que fora reeleito em outubro de 2006.

Ainda em 2007, foi reeleito corregedor-geral. Nesse ano o Senado voltou a ser abalado por acusações contra seus membros, Tuma determinou que fossem abertas sindicâncias para investigar as denúncias feitas contra o então presidente do Senado Renan Calheiros — que terminou por renunciar à presidência da Casa — e contra o senador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PMDB) — que abriu mão do mandato. Em 2009, Tuma foi novamente eleito primeiro-secretário do Senado.

Nessa legislatura, foi vice-presidente da Comissão de Assuntos Interiores, Segurança e Defesa e integrou as comissões de Constituição e Justiça, de Assuntos Fiscais, de Assuntos Econômicos, de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Participou também das CPIs das ONG’s, da Pedofilia, da Amazônia e da Petrobras. Além disso, dirigiu o Instituto Legislativo Brasileiro e o programa Interlegis.

Ao longo de sua vida, foi também professor da Faculdade de Direito da Universidade Brás Cubas, de Mogi das Cruzes (SP), e da Academia de Polícia do Estado de São Paulo. Integrou ainda o Conselho da Fundação Zerbini.

Casou-se com Zilda Dirane Tuma com quem teve quatro filhos, entre os quais Robson Tuma que foi deputado federal por São Paulo  (1991- , e Romeu Tuma Júnior, também delegado da Polícia Civil SP e secretário Nacional de Segurança no governo Lula.

Publicou Drogas ameaça o futuro (1987), A serviço da história (1991), Segurança e cidadania (2000) e A visita do Papa Bento XVI ao Brasil (2007).

 

André Couto/Orson Camargo

 

FONTES: Estado de S. Paulo (29/1 e 2/2/86, 2/7/87, 9/5/91, 20/8/93, 18/9/94, 24/2/95, 4/4/96, 20/6/97); Folha de S. Paulo, 29 e 31/1/86, 23/5/88, 30-31/7 e 1/8/91, 21/10/92, 3/9/93, 20/5, 26/9, 4/10 e 6/11/94, 27/5/95, 20/5 e 23/6/96, 14/2, 21/4 e 10 e 24/7/97; 20/01/1999, 27/03/1999, 19/08/1999, 09/06/1999, 08/10/2000, 22/06/2000, 31/08/2001,  04/04/2001, 02/09/2001, 13/09/2001, 03/05/2002, 10/04/2002, 07/10/2002, 08/10/2002, 30/04/2003, 13/06/2004, 20/06/2006, 21/08/2006, 05/07/2007, 03/10/2007, 28/11/2007, 03/12/2007, 06/06/2009, 22/03/2009, 03/02/2009. Disponível em <www.folha.uol.com.br >, acesso em 17/06/2009. Globo (29 e 30/1, 24/8 e 9/9/86, 19/4/87, 27/2, 3/4 e 14/5/88, 3/9/89, 14/5/91, 22/10/92, 20/5/94, 8/6/95, 26/3/96); IstoÉ (5/2 e 2/4/86, 17/1/89, 14/3/90, 22/5 e 2 e 8/4 e 28/10/92); Jornal do Brasil (11 e 29/1, 6/4 e 19/10/86, 27/1 e 25 e 26/8/88, 10/3/90, 31/7/91, 18/10/92, 2/2 e 3/9/93, 18 e 20/5, 31/8 e 4/9/94, 23/6/96, 10/3/97); Veja (5/2/86, 14/3/90, 4/12/91, 28/10/92, 9/7/97). Site do Senado Federal<www.senado.gov.br>, acesso em 17/06/2009; Site da Fundação Seade-SP <www.seade.gov.br>, acesso em 23/06/2009; Site do Portal  Democracia<www.democracia.com.br>, acesso em 20/05/2009.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/03/04/tuma+e+eleito+corregedor+do+senado+pela+quarta+vez+4507966.html acesso em 18/2/09;

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