VALE, CIRO DE FREITAS

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: VALE, Ciro de Freitas
Nome Completo: VALE, CIRO DE FREITAS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VALE, CIRO DE FREITAS

VALE, Ciro de Freitas

*diplomata; encar. neg. Bras. EUA 1934; emb. Bras. Bolívia 1936-1937; emb. Bras. Alemanha 1939-1942; emb. Bras. Argentina 1947-1948; emb. Bras. Chile 1952-1955.

 

Ciro de Freiras Vale nasceu na cidade de São Paulo no dia 16 de agosto de 1896, filho do senador Freitas Vale, político da República Velha. Entre seus primos destacaram-se Osvaldo Aranha, um dos líderes da Revolução de 1930 e diversas vezes ministro de Estado, o revolucionário Ciro Aranha e Luís Aranha, também político.

Em 1911, com apenas 15 anos de idade, foi designado oficial-de-gabinete do secretário do Interior de São Paulo, permanecendo no cargo até 1916. Nesse mesmo ano bacharelou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, passando em seguida a ocupar o cargo de oficial-de-gabinete do presidente do estado, Altino Arantes.

Ingressou na carreira diplomática em 1918 como segundo-secretário, permanecendo em comissão no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, até julho do mesmo ano. Assumiu então o posto de encarregado de negócios em Buenos Aires, ocupando-o até fevereiro de 1919. Em outubro seguinte regressou ao Brasil, exercendo por um mês a função de auxiliar de gabinete do ministro das Relações Exteriores, José Manuel de Azevedo Marques. Removido em 1920 para Viena, na Áustria, no ano seguinte foi designado provisoriamente para Londres e a seguir para Berlim, onde permaneceu até 1923. Enviado em 1924 a serviço provisório para Paris, foi removido em 1926 para Roma.

De volta ao Brasil, foi promovido em maio de 1926 a primeiro-secretário e participou da Comissão da Revisão dos Livros de Escrituração da Secretaria e dos Serviços Diplomáticos e Consulares. De 1927 a 1928 atuou como encarregado de negócios em Lima, no Peru, sendo em seguida transferido para Montevidéu. Ainda em 1928, chefiou a delegação brasileira às festas comemorativas do centenário do general Garzón, em Montevidéu. De regresso ao país em 1930, permaneceu em comissão no Rio de Janeiro até o final do ano. De 1931 a 1932 exerceu a função de encarregado de negócios em Haia, na Holanda, e neste último ano foi nomeado conselheiro da embaixada brasileira em Washington. Novamente no Brasil em 1933, tornou-se membro da comissão incumbida de elaborar uma nova consolidação das leis, decretos e decisões referentes ao corpo diplomático. Nomeado ainda em 1933 para dirigir o Serviço de Limites e Atos Internacionais, integrou também a comissão de estudos do programa da VII Conferência Internacional Americana, reunida em Montevidéu.

Promovido em abril de 1934 a ministro de segunda classe, chefiou nesse mesmo ano o gabinete do ministro das Relações Exteriores, Félix de Barros Cavalcanti de Lacerda. Ainda em 1934 foi removido para Washington, desempenhando entre junho e setembro a função de encarregado de negócios nos Estados Unidos. Permaneceu na embaixada brasileira em Washington até maio de 1936, quando foi transferido para La Paz, na Bolívia, como embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário. Nessa ocasião atuou como assessor técnico da delegação do Brasil à Conferência Interamericana de Consolidação da Paz, tendo servido ainda na embaixada em Buenos Aires. Em janeiro de 1937 foi removido para Havana, em Cuba, e no ano seguinte para Bucareste, na Romênia.

Em abril de 1938 foi promovido a ministro de primeira classe. Em outubro seguinte, o então presidente da República, Getúlio Vargas, assinou decreto removendo para a Secretaria de Estado o embaixador em comissão em Berlim, José Joaquim de Lima e Silva Muniz de Aragão, bem como Freitas Vale, que passou a ocupar o cargo de secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores. Membro da Comissão de Estudos da Segurança Nacional, Freitas Vale assumiu interinamente, de janeiro a março de 1939, a pasta das Relações Exteriores, na ausência do ministro Osvaldo Aranha. Em agosto foi designado para chefiar a embaixada do Brasil na Alemanha. Nesse mesmo ano, na qualidade de embaixador, enviou carta a Vargas analisando as relações ítalo-francesas e a Guerra Civil Espanhola. Ainda nessa ocasião, numa conjuntura marcada pelo início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), enviou um relatório avaliando as dificuldades introduzidas pelo bloqueio inglês ao comércio do Brasil e das demais nações neutras com a Alemanha. Em março de 1940 voltou a escrever a Vargas para tratar da conveniência de se permitir a hegemonia alemã como meio de evitar o comunismo.

Em 1942, por ocasião do ataque japonês à base de Pearl Harbour, no Havaí, e da posterior declaração de guerra da Alemanha e da Itália aos Estados Unidos — o ministro Osvaldo Aranha enviou telegramas aos embaixadores brasileiros nesses países recomendando a ruptura das relações diplomáticas e comerciais. Rompidas as relações com o Eixo, Freitas Vale foi internado em Baden Baden, juntamente com os demais diplomatas brasileiros, ali permanecendo até outubro de 1942, quando retornou ao Brasil para servir na Secretaria de Estado. Em janeiro do ano seguinte foi nomeado diretor-geral do Conselho Federal do Comércio Exterior, sendo enviado em 1944 como embaixador extraordinário e ministro plenipotenciário do Brasil às comemorações do primeiro centenário da independência da República Dominicana.

Chefiou a delegação do Brasil à II Reunião do Conselho de Administração e Reabilitação das Nações Unidas, sendo removido logo depois para Ottawa, no Canadá. Em 1945 participou, como delegado do Brasil, da Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional, realizada no dia 26 de junho, em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, na qual foi aprovada a Carta das Nações Unidas e criada a Organização das Nações Unidas (ONU). Posteriormente, representou o país na reunião preparatória dessa mesma organização, realizada em Londres. No ano seguinte foi designado delegado plenipotenciário do Brasil à I Sessão da Assembléia Geral da ONU, realizada em Nova Iorque, ao Conselho de Segurança, em Londres, assim como à Conferência da Paz, reunida em Paris. De 1947 a 1948 foi embaixador do Brasil na Argentina, tendo em seguida regressado ao Brasil para assumir mais uma vez o cargo de secretário-geral do Itamarati, chefiado por Raul Fernandes. De maio a junho de 1949 ocupou interinamente a pasta das Relações Exteriores, na ausência do ministro. Chefiou as delegações brasileiras às IV e V sessões da Assembléia Geral da ONU, reunidas em Nova Iorque, respectivamente em 1949 e 1950. Foi designado em 1952 embaixador brasileiro no Chile, onde permaneceu até 1955.

Chefiou as delegações no Brasil às X e XI sessões da Assembléia Geral da ONU, realizadas respectivamente em 1955 e 1956, às I e II assembléias gerais de Emergência, ambas neste último ano, e à XIII Sessão da Assembléia Geral da ONU, realizada em 1958. Atuou ainda como subchefe da delegação brasileira às XIV e XV sessões da Assembléia Geral do mesmo organismo internacional, realizadas em 1959 e 1960, respectivamente. Foi delegado do Brasil às XXII (Genebra, 1956), XXIII (Nova Iorque, 1957), XXIV (Nova Iorque, 1958) e XXV (Nova Iorque, 1958) sessões do Conselho Econômico e Social (Ecosoc) da ONU e presidente, em 1958, da Comissão de Desarmamento, também da ONU.

Membro titular da Sociedade Brasileira de Direito Internacional, pertenceu ainda à Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e ao conselho da Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

Faleceu no Rio de Janeiro em 1969.

O arquivo de Ciro de Freitas Vale encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; Estado de S. Paulo (8/11/69); GUIMARÃES, A. Dic.; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; LEITE, A. História; MIN. REL. EXT. Anuário; SILVA, H. 1938; SILVA, H. 1939; SILVA, H.1940; SILVA, H. 1942.

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados