VALERIO REGIS KONDER

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Nome: KONDER, Valério
Nome Completo: VALERIO REGIS KONDER

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
KONDER, VALÉRIO

KONDER, Valério

*rev. 1935.

 

Valério Régis Konder nasceu em Itajaí (SC) no dia 28 de fevereiro de 1911, filho de Marcos Konder e de Maria Corina Régis Konder. Sua família passou a exercer grande influência em Santa Catarina desde a época do seu avô, também chamado Marcos Konder, negociante alemão que se tornou membro destacado do Partido Republicano Catarinense. Seu pai foi prefeito de Itajaí e seus tios Adolfo, Vítor e Arno atuaram com destaque na vida pública: Adolfo Konder foi deputado federal por Santa Catarina (1921-1926), presidente do estado (1926-1930) e membro da Assembléia Nacional Constituinte de 1934. Vítor Konder também integrou a Câmara dos Deputados em 1920 e foi ministro da Viação e Obras Públicas do governo de Washington Luís (1926-1930). Arno Konder, diplomata, foi encarregado de negócios do Brasil em Washington em 1940.

Seu primo Antônio Carlos Konder Reis foi deputado federal (1955-1963), senador (1963-1975) e governador de Santa Catarina entre 1975 e 1979. Seu sucessor neste último cargo foi Jorge Konder Bornhausen, outro primo de Valério.

Os dois irmãos de Valério também tiveram atuação política. Vítor Konder foi jornalista e membro do Partido Comunista do Brasil atual Partido Comunista Brasileiro (PCB) entre 1936 e 1956, quando abandonou a agremiação. Alexandre Konder, também jornalista, escreveu vários livros sobre o Japão e foi acusado, durante a Segunda Guerra Mundial, de espionagem a favor dos países do Eixo, tendo sido processado e absolvido. Sua irmã Maria Luísa casou-se com Evandro Lins e Silva, ministro do Supremo Tribunal Federal entre 1963 e 1969. Valério Konder fez os estudos primário e secundário em sua cidade natal, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde freqüentou a Faculdade Nacional de Medicina, diplomando-se em 1931.

Em 1934 ingressou no PCB e no ano seguinte, nomeado inspetor de ensino do Rio de Janeiro, filiou-se à Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento de inspiração antiimperialista apoiado por socialistas, comunistas e outros setores da oposição. Em maio de 1935, o prefeito do Distrito Federal, Pedro Ernesto Batista, também simpatizante da ANL, fundou a União Trabalhista do Distrito Federal, entidade que procuraria associar trabalhadores e intelectuais e, através de Anísio Teixeira, convidou Valério Konder para elaborar o programa da seção cultural do órgão. Depois de realizar essa tarefa, Valério convidou Edgar Sussekind de Mendonça, Pascoal Leme e Hermes Lima para lecionarem, respectivamente, história do Brasil, história do trabalho e economia política em cursos que, promovidos pela entidade e dirigidos a um público de extração popular, se inseriam no âmbito das atividades da ANL.

Valério Konder foi um dos oradores da assembléia realizada pelo Clube da Cultura Moderna em 5 de julho de 1935, em apoio à ANL, cujas atividades já vinham sendo reprimidas pelo governo de Getúlio Vargas. No mesmo dia, Luís Carlos Prestes, presidente de honra da ANL, divulgou um manifesto de caráter insurrecional, e, em meio à crescente radicalização do quadro político nacional, o governo decretou, em 11 de julho, o fechamento da ANL.

Nos meses seguintes, o PCB, organização hegemônica no interior da ANL, imprimiu ao movimento uma política voltada para a deposição de Vargas pela força. Os preparativos culminaram na deflagração — nos dias 23, 25 e 27 de novembro em Natal, Recife e Rio de Janeiro respectivamente — de levantes militares que, rapidamente dominados, deram lugar a uma das maiores ondas de repressão havidas no país até então.

Poucas semanas após a revolta, Valério Konder foi preso e, tendo um habeas-corpus a seu favor negado pelo Supremo Tribunal Federal em 19 de fevereiro de 1936, permaneceu um ano e meio na prisão, onde conviveu com Graciliano Ramos, tornando-se personagem das suas Memórias do Cárcere, onde aparece lutando contra os percevejos da Casa de Detenção do Rio de Janeiro.

Absolvido em julho de 1937 pelo Tribunal de Segurança Nacional, trabalhou de 1938 a 1944 como médico sanitarista do Ministério da Educação e Saúde nas regiões Norte e Nordeste, onde realizou pesquisas sobre o mosquito Anopheles gambiae e sobre o combate à malária. Nessa época, elaborou um plano de saneamento para mais de 50 cidades do Pará, cuja execução foi suspensa devido à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial em 1942.

Em 1945, trabalhou na África para o governo brasileiro, fazendo controle das condições sanitárias dos aviões militares norte-americanos que vinham para o Nordeste do Brasil. No ano seguinte, trabalhou na Grécia para a United Nations Relief and Rehabilitation Administration (UNRRA), entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e encarregada do auxílio às nações atingidas pela guerra. De volta ao Brasil, tornou-se membro do conselho consultivo do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), realizando, em 1949 e 1950, inúmeras viagens pelo país com a finalidade de divulgar o programa da entidade, centrado na defesa do monopólio estatal sobre a exploração do petróleo brasileiro.

Em 1950, seu nome foi lançado pelos comunistas para disputar uma cadeira no Senado pelo Distrito Federal, na vaga de Luís Carlos Prestes, cujo mandato fora cassado em 1948. Concorrendo na legenda do Partido Republicano Trabalhista (PRT), Valério Konder não conseguiu se eleger. Nos anos seguintes, realizou várias viagens ao exterior na qualidade de secretário do Movimento Brasileiro dos Partidários da Paz, e em 1954 a Justiça Eleitoral negou-se a conceder registro à sua nova candidatura ao Senado, pretendida por seus correligionários. Participou da organização do Congresso de Solidariedade a Cuba, proibido no Rio e realizado em Niterói em março de 1963. Um ano depois, um movimento político-militar derrubou o presidente João Goulart, levando ao poder o general Humberto Castelo Branco, que editou, em 9 de abril de 1964, o Ato Institucional nº 1, iniciando o processo de cassação dos direitos políticos de militantes de esquerda e de figuras comprometidas com o regime deposto. O nome de Valério Konder constou da lista de cassados publicada no dia 10 de abril.

Foi preso pela última vez — a vigésima — em 1967, vindo a falecer no dia 4 de fevereiro do ano seguinte, quando já estava em liberdade.

Foi casado com Ione Coelho Konder, com quem teve três filhos, entre os quais Leandro e Rodolfo Konder, escritores e jornalistas. Ambos foram presos na década de 1970, acusados de pertencerem ao PCB.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; CARVALHO, E. Petróleo; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (21/5 e 14/10/66); MACEDO, R. Efemérides; PORTO, E. Insurreição; RAMOS, G. Memórias; SILVA, H. 1937; SILVA, H. 1945; TAVARES, J. Radicalização.

 

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