VALTER PERACCHI BARCELOS

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Nome: BARCELOS, Peracchi
Nome Completo: VALTER PERACCHI BARCELOS

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
BARCELOS, PERACCHI

BARCELOS, Peracchi

*militar; dep. fed. RS 1963-1965; min. Trab. 1965-1966; dep. fed. RS 1966-1967; gov. RS 1967-1971.

 

Válter Peracchi Barcelos nasceu em Porto Alegre no dia 14 de maio de 1907, filho de Felisberto Correia de Barcelos e de Diumira Peracchi Barcelos.

Cursou o primário na Escola Estadual Fernando Gomes e o ginasial em escolas noturnas, pois na época já começara a trabalhar, inicialmente como comerciário e, mais tarde, como operário.

Em 1922 ingressou como soldado na Brigada Militar do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, quando eclodiu a Revolução Gaúcha — guerra civil que opôs os republicanos liderados por Antônio Augusto Borges de Medeiros aos federalistas chefiados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, que se rebelavam contra a quinta reeleição do líder republicano para a presidência do estado — Peracchi Barcelos já se encontrava no posto de segundo-sargento, tendo se alinhado às forças legalistas para combater os revoltosos.

Em 1925 integrou o destacamento militar chefiado pelo general Emílio Lúcio Esteves, que combateu no Rio Grande do Sul os revoltosos liderados por Luís Carlos Prestes. Não obstante os esforços da força pública gaúcha, os rebeldes, que se haviam levantado em outubro de 1924, deslocaram-se para o norte unindo-se no Paraná à Coluna Paulista, remanescente da Revolução de 5 de Julho de 1924, e iniciando sua marcha histórica pelo interior do Brasil sob a liderança de Luís Carlos Prestes e Miguel Costa.

Após haver concluído o curso de formação de oficiais da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em 1929, chegou a aspirante. Em 1930 passou a segundo-tenente e no ano seguinte a primeiro-tenente.

Em julho de 1932 participou, ao lado das forças insurgentes, da Revolução Constitucionalista de São Paulo. O movimento era a expressão do descontentamento com o Governo Provisório, chefiado por Getúlio Vargas, por parte das correntes políticas tradicionais daquele estado, que haviam sido colocadas à margem da vida política do país após a vitória da Revolução de 1930. Nesta rebelião os constitucionalistas paulistas contavam com o apoio de setores da oligarquia mineira e gaúcha que, também marginalizados, reclamavam a reconstitucionalização do país e o fim das interventorias estaduais. O movimento foi, contudo, derrotado pelas forças militares legalistas, no início de outubro de 1932.

Durante o ano de 1933 esteve no Rio de Janeiro, onde cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército. No ano seguinte, por ato do governador do Rio Grande do Sul, José Antônio Flores da Cunha, foi reformado como punição por sua participação, dois anos antes, na Revolução Constitucionalista. Afastado da vida militar, trabalhou como comerciário até 1937, quando retornou à Brigada Militar do Rio Grande do Sul, federalizada naquele ano pelo presidente Vargas como forma de neutralizar a oposição do governador Flores da Cunha ao governo central.

Em 10 de novembro de 1937, com a instauração do Estado Novo por Getúlio Vargas, foi restabelecido o sistema de interventorias estaduais que vigorava durante o Governo Provisório. No Rio Grande do Sul, a reintrodução do sistema de interventorias se deu um pouco antes da decretação do Estado Novo, pois em meados de outubro Flores da Cunha renunciou ao governo do estado, exilando-se no Uruguai. Imediatamente, Vargas nomeou o general Manuel de Cerqueira Daltro Filho interventor federal no Rio Grande do Sul. Com a morte de Daltro Filho em janeiro de 1938, a interventoria gaúcha passou a ser ocupada pelo coronel Osvaldo Cordeiro de Farias, empossado em março. Ex-ajudante-de-ordens de Cordeiro, Peracchi Barcelos assumiu a chefia do Gabinete Militar do novo interventor. Ainda em 1938, foi promovido a capitão.

Recebeu a patente de major em 1940 e, em 1943, quando Cordeiro de Farias foi substituído pelo tenente-coronel Ernesto Dornelles no governo gaúcho, Peracchi Barcelos passou a tenente-coronel, tendo permanecido à frente do Gabinete Militar até o final do Estado Novo (29/10/1945).

Com a desagregação do Estado Novo e o conseqüente retorno da vida política do país à normalidade democrática, tiveram início as articulações para a formação dos partidos que deveriam participar das eleições de dezembro de 1945 para a presidência da República e a Assembléia Nacional Constituinte. Deste movimento surgiram como mais representativos, em nível nacional, a União Democrática Nacional (UDN), que congregava o grosso das forças tradicionais de oposição à ditadura, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Democrático (PSD), os dois últimos organizados sob a inspiração do próprio Vargas.

Peracchi Barcelos filiou-se ao PSD, que no Rio Grande do Sul se havia originado do antigo Partido Republicano Rio-Grandense. Em janeiro de 1947, quando foram eleitas as constituintes estaduais, elegeu-se suplente de deputado estadual, tendo exercido o mandato diversas vezes durante a legislatura.

Em dezembro de 1949, durante o governo de Válter Jobim, foi promovido ao posto de coronel, assumindo em seguida o comando geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. À frente da corporação, criou o Montepio Militar da Brigada Militar, permanecendo no cargo até janeiro de 1951, quando terminou o mandato daquele governador.

Durante sua carreira militar foi, também, secretário de comandos de unidades, diretor e professor da Escola Regimental, professor-chefe de instrução de cavalaria e comandante de subunidade de cadetes, no Centro de Instrução Militar, e comandante da unidade de cavalaria da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Em outubro de 1950 elegeu-se deputado estadual na legenda do PSD. Nessa legislatura, iniciada em fevereiro de 1951, foi eleito por seus correligionários líder da bancada pessedista na Assembléia Legislativa gaúcha, tendo sido responsável pela aprovação de diversas leis e benefícios em favor dos militares.

Nas eleições de outubro de 1954 reelegeu-se deputado estadual, novamente na legenda do PSD, tendo apoiado para o governo do estado o nome de Ildo Meneghetti que, lançado pela Frente Democrática do Rio Grande do Sul — coligação entre o Partido Libertador (PL), UDN e PSD — saiu vitorioso no pleito. Em seu segundo mandato, Peracchi Barcelos ocupou a vice-presidência da Comissão de Finanças e Orçamento da Assembléia Legislativa. No governo Meneghetti (1955-1959) ocupou o cargo de secretário do Interior e Justiça.

Em decorrência do suicídio de Getúlio Vargas, ocorrido em 24 de agosto de 1954, o vice-presidente João Café Filho assumiu o governo, mas agravou-se no país o clima de tensão política então existente. Nessas condições desenvolveu-se a campanha para a sucessão presidencial no pleito que se realizaria em outubro de 1955.

No dia 10 de fevereiro desse ano, a convenção nacional do PSD homologou a candidatura de Juscelino Kubitschek para a presidência da República, da qual discordaram os diretórios regionais do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Santa Catarina. O diretório catarinense, entretanto, depois de receber no dia 24 de junho um ultimato da direção nacional do partido, acabou por aceitar a aliança PTB-PSD para a sucessão presidencial, passando a apoiar Juscelino e João Goulart respectivamente para presidente e vice-presidente. Os diretórios gaúcho e pernambucano continuaram dissidentes e em 10 de julho, depois de uma série de debates e acordos com representantes da UDN, do PL e do Partido Democrata Cristão (PDC) em torno dos nomes de Etelvino Lins e do general Juarez Távora, foi lançado o nome do último para concorrer por esta coligação ao mandato presidencial.

Peracchi Barcelos participou intensamente deste processo por ter sido um dos principais opositores da candidatura oficial de sua agremiação, participando, inclusive, da comissão interpartidária responsável pelo lançamento da candidatura de Juarez Távora. Em represália à atitude do grupo dissidente pessedista, em 15 de julho a direção nacional do PSD decretou a intervenção no diretório regional de Pernambuco, o mesmo ocorrendo no dia seguinte com o do Rio Grande do Sul, cuja direção foi assumida por Ildo Meneghetti. Em 3 de outubro de 1955 foram eleitos os candidatos da coligação PTB-PSD, Juscelino Kubitschek e João Goulart.

Em novembro de 1958, Peracchi Barcelos candidatou-se ao governo do Rio Grande do Sul pela Frente Democrática — coligação entre PSD, PL e UDN —, que procurava neutralizar a crescente penetração do PTB naquele estado. No entanto, foi derrotado pelo candidato trabalhista Leonel Brizola.

Em 1960, novamente em posição discordante da direção nacional do PSD que, coligado ao PTB, lançara para candidato à presidência da República o general Henrique Teixeira Lott, chefiou no Rio Grande do Sul a campanha de Jânio Quadros, lançada pela UDN e apoiada por setores de oposição ao governo anterior — como era o caso do PSD gaúcho. Jânio Quadros foi eleito em outubro de 1960 e empossado em janeiro do ano seguinte.

Em conseqüência da renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961, ao final do sétimo mês de seu mandato, originou-se nos meios políticos e militares um intenso debate em torno de sua sucessão. A posse do vice-presidente João Goulart, prevista pela Constituição, passou a ser contestada pelos que viam no líder petebista uma ameaça à ordem instituída, tendo sido vetada pelos três ministros militares de Jânio Quadros: Odílio Denis, da Guerra, Sílvio Heck, da Marinha, e Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica.

Peracchi Barcelos posicionou-se, durante o episódio, contra a posse de Goulart. Esta, porém, terminou se concretizando no dia 7 de setembro, graças à aprovação, no dia 2, da Emenda Constitucional nº 4 que transformou em parlamentarista o regime vigente, limitando os poderes do Executivo e ampliando os do Congresso.

Em 1962 apoiou a candidatura de Ildo Meneghetti ao governo do Rio Grande do Sul, o qual se elegeu em outubro na legenda da tradicional coligação gaúcha PSD-PL-UDN, derrotando o candidato de Brizola, o petebista Egídio Michaelsen. Nesse mesmo pleito Peracchi Barcelos elegeu-se deputado federal pelo Rio Grande do Sul na legenda do PSD.

 

Deputado federal

Empossado em janeiro de 1963, em maio seguinte Peracchi Barcelos assumiu a presidência da comissão parlamentar de inquérito (CPI) instaurada para averiguar as atividades do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), organização anticomunista acusada de ser financiada por empresários brasileiros e estrangeiros, e de ter patrocinado, na campanha eleitoral de 1962, os candidatos que faziam oposição a Goulart.

A escolha de Peracchi Barcelos para presidir a CPI não foi bem recebida pelos que haviam denunciado o instituto, pois sobre seu nome recaíam suspeitas de ter recebido dinheiro do IBAD durante sua campanha eleitoral. O inquérito não foi levado a termo e o IBAD acabou dissolvido em dezembro de 1963, por determinação do Poder Judiciário.

Como deputado federal foi também líder da bancada do PSD gaúcho na Câmara e vice-líder da bancada nacional do partido a partir de julho de 1963.

Tendo participado das articulações que terminaram por depor João Goulart, com a vitória do movimento político-militar de março de 1964, Peracchi Barcelos foi destacado para saudar as forças armadas na homenagem que o Congresso lhes prestou na ocasião e, igualmente, para falar nas comemorações do primeiro aniversário daquele movimento.

Em fevereiro de 1965 foi constituído o Bloco Parlamentar Revolucionário por orientação do presidente Humberto Castelo Branco (1964-1967), que pretendia impedir a reeleição do pessedista Ranieri Mazzilli para a presidência da Câmara dos Deputados. O objetivo do bloco era obter o apoio dos parlamentares de vários partidos, particularmente do PSD, a uma candidatura alternativa. Peracchi Barcelos chegou a ter seu nome cogitado para concorrer ao cargo, tendo, contudo, sido preterido pelo do udenista Olavo Bilac Pinto.

Nas eleições realizadas na Câmara em 24 de fevereiro, o candidato do governo, Bilac Pinto, foi eleito presidente por duzentos votos contra os 167 dados ao pessedista Ranieri Mazzilli, vinculando efetivamente a Câmara aos interesses do governo federal.

Posteriormente à assinatura, pelo presidente Castelo Branco, do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que extinguia os partidos políticos existentes e instaurava eleições indiretas para os executivos estaduais e federal, iniciaram-se as articulações para a formação dos novos partidos, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que seria o partido governista, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição.

 

Ministro do Trabalho

Atendendo ao convite do presidente da República, Peracchi Barcelos licenciou-se de seu mandato de deputado federal em dezembro de 1965 para substituir Arnaldo Sussekind no Ministério do Trabalho.

À frente desse ministério, chefiou a delegação brasileira que participou da 50ª Reunião da Organização Internacional do Trabalho (OIT), realizada em Genebra, na Suíça. Na ocasião, falando em nome do governo brasileiro, defendeu a tese da organização da ONUDI (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial).

Como ministro do Trabalho, foi ainda membro do Conselho de Segurança Nacional, presidiu o Conselho Nacional de Política Salarial e o conselho de administração do Plano Especial de Bolsas de Estudo (PEBE), realizou estudos para o projeto de unificação da Previdência Social e instituiu, em abril de 1966, o Código de Trabalho dos Marítimos e Ferroviários.

Em abril de 1966, quando foi criada a Arena, Peracchi Barcelos filiou-se a essa agremiação. Em 2 de julho, seu nome foi indicado pelo partido para a sucessão ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições indiretas marcadas para setembro daquele ano. Contudo, uma facção da Arena gaúcha negou-se a ratificar a escolha do candidato oficial do partido, e, aliando-se ao MDB, partido oposicionista, passou a apoiar o nome do jurista Rui Cirne Lima.

O impasse só foi resolvido em 14 de julho, com a cassação de quatro deputados da agremiação oposicionista, majoritária na Assembléia Legislativa, e com a edição do Ato Complementar nº 16, de 18 de julho, que impôs a disciplina de fidelidade partidária, impedindo a possível ocorrência de votos dissidentes no âmbito federal e estadual. Peracchi Barcelos deixou o ministério em 18 de julho, sendo substituído por Luís Gonzaga do Nascimento e Silva, retornando em seguida à Câmara dos Deputados. Em 3 de setembro foi eleito governador pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul.

 

Governador de Rio Grande do Sul

Em 31 de janeiro de 1967, findo seu mandato legislativo, foi empossado no governo do Rio Grande do Sul em substituição a Ildo Meneghetti. Como governador viajou aos Estados Unidos, França e Alemanha Ocidental, a convite dos governos desses países. Esteve também na Itália, por ocasião da entrega do barrete cardinalício a dom Vicente Scherer, cardeal-arcebispo de Porto Alegre.

Em outubro de 1969 apoiou a indicação do general Emílio Garrastazu Médici para substituir o presidente Artur da Costa e Silva que deixara o cargo em agosto em decorrência do agravamento de seu estado de saúde.

Em março de 1971 deixou o governo do estado, sendo substituído por Euclides Triches. Por indicação do presidente Médici assumiu, em junho, a direção da 6ª Região das carteiras de Crédito Rural e Geral do Banco do Brasil.

Em agosto de 1973 foi eleito segundo-vice-presidente do diretório nacional da Arena. No ano seguinte foi um dos pretendentes à vaga no Senado por essa agremiação. Contudo, na convenção regional do partido, o nome indicado foi o de Nestor Jost. O candidato da Arena acabou sendo derrotado nas eleições de novembro de 1974 por Paulo Brossard, do MDB. Nesse mesmo ano, Peracchi Barcelos defendeu, para a sucessão ao governo do estado, o nome do vice-governador Edmar Fetter, mas terminou dando seu apoio ao candidato indicado pelo governo federal, Sinval Guazelli.

Em janeiro de 1975 renunciou ao cargo de membro do conselho consultivo do diretório regional da Arena gaúcha por discordâncias com Guazelli, a quem acusava de “organizar seu governo sem ouvir o partido”. No entanto, em setembro seguinte foi novamente reeleito para o cargo.

Em novembro de 1979, quando, por ato do presidente João Figueiredo, foram extintos a Arena e o MDB, apesar de discordar da medida, alinhou-se aos setores que mais tarde viriam a fundar o Partido Democrático Social (PDS), herdeiro da orientação política da Arena.

Em 1981 sofreu um derrame cerebral que o impossibilitou, a partir de então, de exercer qualquer atividade.

Faleceu em Porto Alegre, no dia 13 de agosto de 1986.

Era casado com Estela Aloise Barcelos, com quem teve dois filhos.

 

FONTES: CACHAPUZ, P. Cronologia; CÂM. DEP. Relação nominal; Correio do Povo (8/12/65); CORRESP. GOV. EST. RS; CORRESP. MIN. TRAB.; COSTA, M. Cronologia; COUTINHO, A. Brasil; CURRIC. BIOG.; DINES, A. Idos; Encic. Mirador; FERREIRA FILHO, A. História; Globo (15/8/86); Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (14/8/86); MAGALHÃES, I. Segundo; NÉRI, S. 16; Perfil (1972); SILVA, R. Notas; SOC. BRAS. EXPANSÃO COMERCIAL. Quem; VIANA FILHO, L. Governo; Veja (20/8/86); Who’s who in Brazil.

 

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