VASCONCELOS, JOAQUIM TEOPOMPO GODOI DE

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Nome: VASCONCELOS, Joaquim Teopompo Godoi de
Nome Completo: VASCONCELOS, JOAQUIM TEOPOMPO GODOI DE

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
VASCONCELOS, JOAQUIM TEOPOMPO GODÓI DE

VASCONCELOS, Joaquim Teopompo Godói de

*militar; rev. 1932.

 

Joaquim Teopompo Godói de Vasconcelos nasceu em Pernambuco no dia 21 de maio de 1879, filho de Luís Aurélio Godói de Vasconcelos.

Ingressou na carreira militar sentando praça no 14º Batalhão de Infantaria (14º BI), em seu estado, em janeiro de 1896. Em junho seguinte foi promovido a anspeçada e em fevereiro de 1897 obteve licença para matricular-se na Escola Militar do Ceará.

Incluído em abril na 1ª Companhia da Escola, em julho do mesmo ano foi transferido para a 4ª Companhia do 36º BI e no mês seguinte para o 4º Batalhão de Artilharia de Posição. Transferido para o 15º BI, no Pará, em janeiro de 1898, e para o 7º BI, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em setembro do mesmo ano, foi nomeado adjunto da escola regimental três meses depois. Em fevereiro de 1899 matriculou-se na Escola Preparatória do Realengo, no Rio de Janeiro, tendo sido rebaixado ao posto de segundo-sargento.

Em março de 1901 apresentou-se à Escola Militar do Brasil, no Rio de Janeiro, tendo sido incluído na 1ª Companhia de Alunos. Permaneceu como efetivo na escola por três anos, tendo sido transferido em abril de 1904 para o 14º BI e, no mês seguinte, para o 2º BI, também em Pernambuco. Como primeiro-sargento, foi secretário desse batalhão. Em agosto de 1904 foi promovido a alferes. Dessa data até abril de 1906, serviu sucessivamente no 33º BI, 36º BI, 34º BI, novamente no 33º BI, 15º BI, 36º BI e 40º BI. Em janeiro de 1906 seu posto de alferes passou a denominar-se segundo-tenente.

Em abril de 1906 foi transferido para o 14º BI e em agosto seguinte para o 20º BI, em Goiás. Em fevereiro de 1908 matriculou-se na Escola de Estado-Maior do Exército (EEM), no Distrito Federal. Classificado na 5ª Companhia de Caçadores em dezembro de 1909, concluiu o curso da EEM em abril de 1910, passando a servir no mês seguinte na Companhia Telegráfica da 1ª Brigada. Foi incluído como efetivo do 5º Batalhão do 2º Regimento de Infantaria (2º RI), sediado no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1911, tendo sido nomeado instrutor interino do 9º Grupo de Artilharia e Engenharia no mês seguinte. Transferido para o 57º Batalhão de Caçadores (57º BC) em junho de 1911, exerceu interinamente de setembro a dezembro desse ano as funções de instrutor do 4º Grupo da Escola de Engenharia e Artilharia. Em janeiro de 1912 assumiu o comando da 2ª Companhia, tendo sido ainda nomeado instrutor de ginástica e esgrima. Transferido para o comando da 1ª Companhia do 15º Batalhão em abril de 1912, e novamente para o da 2ª Companhia no mês seguinte, participou em outubro do mesmo ano da primeira de uma série de expedições militares enviadas pelo governo federal para combater na região fronteiriça do Paraná com Santa Catarina. Nessa área, cuja posse era disputada pelos dois estados, estourara uma rebelião popular de cunho messiânico, conhecida como Guerra do Contestado, que só seria definitivamente debelada em 1916.

Em abril de 1913 foi designado para estagiar no Estado-Maior do Exército (EME), onde só se apresentou em outubro, depois de ter exercido por três meses as funções de ajudante do 15º BI e comandante da 3ª Companhia. Foi promovido a primeiro-tenente em fevereiro de 1914. Deixou o EME em julho seguinte, voltando a servir no 2º RI, onde assumiu em dezembro o comando da 1ª Companhia, que exerceu até maio de 1915. Nomeado secretário do batalhão em dezembro do mesmo ano, em novembro de 1916 seguiu para São Paulo em manobras, assumindo em janeiro do ano seguinte o comando da 2ª Companhia do 6º BI. Nomeado ajudante do 4º BI em março de 1917, foi transferido para a 5ª Companhia de Metralhadoras em agosto e assumiu seu comando em fevereiro de 1918. Nomeado no mês seguinte auxiliar do EME, foi transferido para o 5º RI, sediado em Lorena (SP).

Em setembro de 1918 foi nomeado delegado do EME junto à chefia do Departamento da 2ª Linha e no mês seguinte foi transferido para o 13º RI, sediado em Ponta Grossa (PR). Promovido a capitão em julho de 1919, foi imediatamente classificado no 3º RI, sediado no Rio de Janeiro. Desligado do EME no mês seguinte, apresentou-se ao seu regimento em fevereiro de 1920, assumindo o comando de uma companhia. Em junho seguinte foi transferido para o 11º RI, sediado em São João del Rei (MG), e em janeiro de 1921 para o 2º RI, onde assumiu no mês seguinte o comando da 9ª Companhia. Em maio de 1922 foi nomeado adjunto do serviço de estado-maior do comando da 2ª Região Militar (2ª RM), sediada em São Paulo.

Nesse mesmo ano, em julho, participou das operações de combate à Revolta de 5 de Julho, primeiramente em São Paulo e depois em Mato Grosso. Este movimento, que iniciou o ciclo de revoltas tenentistas da década de 1920, irrompeu no Rio de Janeiro e Mato Grosso em protesto contra a eleição de Artur Bernardes à presidência da República e contra as punições impostas pelo governo de Epitácio Pessoa aos militares — fechamento do Clube Militar e prisão do marechal Hermes da Fonseca. A revolta foi debelada no mesmo dia, tendo envolvido, no Rio de Janeiro, o forte de Copacabana, a Escola Militar e os efetivos da Vila Militar, e, em Mato Grosso, o contingente do Exército local. Em Mato Grosso, Joaquim Teopompo de Vasconcelos assumiu a chefia do estado-maior do Destacamento Misto. Em novembro de 1923 reassumiu a chefia da 3ª seção do serviço de estado-maior da 2ª RM.

Nomeado assistente da 1ª BI, incorporou-se com essa brigada à Divisão de Operações em São Paulo no combate à Revolta de 5 de Julho de 1924, conhecida como o Segundo 5 de Julho. Irrompida em Sergipe, Amazonas e São Paulo, a revolta foi dominada com rapidez nos dois primeiros estados. Em São Paulo, os rebeldes comandados por Isidoro Dias Lopes ocuparam a capital por três semanas e depois deslocaram-se para o interior. Em abril de 1925, no oeste do Paraná, esse grupo faria junção com o contingente revolucionário que sublevara, em outubro do ano anterior, unidades militares no Rio Grande do Sul, constituindo assim a Coluna Prestes. Em setembro de 1924, Joaquim Teopompo de Vasconcelos retornou a São Paulo, ficando a serviço da Justiça Militar. Foi promovido a major por merecimento em janeiro de 1925, tendo em vista os serviços prestados no combate ao Segundo 5 de Julho.

No mês seguinte foi classificado no 5º RI, tendo sido sorteado em outubro para integrar o Conselho de Justiça da 8ª Circunscrição Judiciária Militar, da qual se tornou presidente. De maio a setembro de 1926 esteve adido ao quartel-general da 2ª RM, assumindo em dezembro do mesmo ano a fiscalização e, interinamente, o comando do 5º RI. Em janeiro de 1927 foi nomeado para o Conselho de Justiça Militar da 2ª Auditoria Militar e em maio do mesmo ano reassumiu o comando do 5º RI. Exerceu essa função até julho, quando assumiu o comando do 1º BI e a fiscalização do 5º RI. Deixou o comando do 1º BI em março de 1928, exercendo até o ano seguinte, diversas vezes, a fiscalização e o comando do 5º RI.

Foi promovido a tenente-coronel em agosto de 1929 e em fevereiro do ano seguinte ficou adido ao quartel-general da 2ª RM. Em outubro de 1930 comandou o Destacamento Coronel Teopompo, que combateu, ao lado das forças legalistas, o movimento revolucionário do mesmo ano. No mês seguinte, após a vitória da Revolução de 1930, deixou o destacamento, por ter sido o mesmo dissolvido. Foi nomeado chefe do estado-maior do general Isidoro Dias Lopes, comandante da 2ª RM, assumindo também o comando do 4º BC.

Em abril de 1931 ocorreu um levante na capital paulista, em protesto contra a permanência do tenente João Alberto como interventor federal no estado. Com o fracasso do movimento, percorreu juntamente com Isidoro Dias Lopes o interior de São Paulo, tentando nova articulação entre civis e militares. Descoberta essa nova tentativa de articulação de forças contra o governo federal, vários oficiais foram transferidos de suas guarnições, Isidoro Dias Lopes foi demitido e Teopompo preso. Em maio de 1931, já em liberdade, Teopompo de Vasconcelos foi transferido para o 29º BC. Sentindo-se perseguido pelo então ministro da Guerra, general José Fernando Leite de Castro (1930-1932), concedeu entrevista à imprensa em junho de 1931, criticando o governo federal. Foi então novamente preso, reformado administrativamente e transferido para a reserva de primeira linha.

Posto em liberdade, participou das articulações do movimento organizado pelo Partido Democrático (PD) e o Partido Republicano Paulista (PRP) — que formavam a Frente Única Paulista (FUP) —, visando depor o interventor Pedro de Toledo (1932) e seu secretário de Segurança, Miguel Costa. Denunciadas suas ações, foi preso por ordem do comandante da 2ª RM, Pedro Aurélio de Góis Monteiro, acusado de chefiar uma conspiração no interior das tropas paulistas, passando por várias prisões do estado até ser transferido para o Rio de Janeiro, onde permaneceu detido no estado-maior do 3º RI. Consciente da fragilidade da situação político-militar em São Paulo, Góis Monteiro resolveu, após esse incidente, atuar como intermediário entre o governo federal e a FUP.

No dia 9 de julho de 1932 foi deflagrada a Revolução Constitucionalista de São Paulo, liderada por Isidoro Dias Lopes — que escolheu como chefe de seu estado-maior o coronel Euclides Figueiredo, em virtude do impedimento do tenente-coronel Teopompo, que permanecia preso no Rio de Janeiro. O levante foi considerado uma reação do setor da oligarquia paulista que havia apoiado a Revolução de 1930 e que se sentia marginalizada politicamente pela ação do governo federal, que nomeara interventores para governar o estado. Ao irromper a revolução, Teopompo foi recolhido ao navio D. Pedro I, onde permaneceu até o fim do movimento. No dia 1º de novembro, com diversos líderes revoltosos, foi deportado para Portugal, a bordo do Siqueira Campos.

Retornou ao Brasil em dezembro de 1934, sete meses depois da anistia decretada pelo governo federal, reingressando no serviço ativo do Exército em janeiro do ano seguinte. Foi promovido a coronel em fevereiro de 1935 e no mês seguinte classificado no 16º BC, sediado em Cuiabá.

Estando já com a saúde abalada, fixou-se em São José dos Campos (SP), onde faleceu no dia 5 de maio de 1935.

 

 

FONTES: ARQ. GETÚLIO VARGAS; ARQ. MIN. EXÉRC.; CONSULT. MAGALHÃES, B.; FIGUEIREDO, E. Contribuição; JARDIM, R. Aventura; LEITE, A. História; SILVA, H. 1932; SILVA, H. 1933.

 

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