VICENTE DE PAULO DALE COUTINHO

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Nome: COUTINHO, Dale
Nome Completo: VICENTE DE PAULO DALE COUTINHO

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
COUTINHO, DALE

COUTINHO, Dale

*militar; comte. IV Ex. 1971-1972; ch. Depto. Mat. Bél. Ex. 1972-1974; ch. EME 1974; min. Exérc. 1974.

 

Vicente de Paulo Dale Coutinho nasceu em Taubaté (SP) no dia 5 de novembro de 1910, filho de Otávio de Azeredo Coutinho e de Vicentina Dale de Azeredo Coutinho. Seu pai, também militar, chegou ao posto de general-de-divisão, e, além de ter sido comandante da 1ª Região Militar (1ª RM), sediada no Rio de Janeiro, foi convidado para ser ministro da Guerra de Júlio Prestes, o qual, todavia, apesar de eleito presidente da República, não chegou a tomar posse devido à Revolução de 1930.

Dale Coutinho fez os estudos preparatórios no Colégio Militar do Rio de Janeiro, na capital da República. Sentou praça em março de 1929, ingressando na Escola Militar do Realengo, também no Rio, sendo declarado aspirante-a-oficial da arma de artilharia em janeiro de 1932. Em agosto seguinte foi promovido a segundo-tenente, em outubro de 1933, a primeiro-tenente e em agosto de 1938, a capitão. Nesse posto, serviu como ajudante-de-ordens do comandante da 3ª Brigada de Infantaria, em São Paulo, e do comandante da 8ª RM, sediada em Belém.

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi subcomandante do 2º Batalhão do 18º Regimento de Artilharia Montada, em João Pessoa. Mais tarde, esteve nos Estados Unidos para desenvolver seus conhecimentos técnicos de artilharia e em 1944, com a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB), participou da campanha da Itália, na qualidade de observador militar brasileiro junto à 1ª Divisão norte-americana.

Com o término da guerra em 1945, retornou ao Brasil, passando a integrar o grupo de oficiais do Exército que articulou a conspiração contra o chefe do governo, Getúlio Vargas. Na ocasião, chegou a ser fotografado pela imprensa carioca quando mantinha um contato político defronte a um quartel, mas a publicação da foto foi posterior ao golpe de 29 de outubro de 1945, que depôs Getúlio.

Em dezembro do mesmo ano, Dale Coutinho foi promovido a major e, em setembro de 1951, a tenente-coronel. Na primeira metade da década de 1950, participou ativamente da Cruzada Democrática, movimento de oficiais de tendência conservadora, em oposição a Vargas — que havia retornado à presidência da República em janeiro de 1951, depois de eleito em outubro de 1950. A Cruzada Democrática notabilizou-se por sua atuação nas eleições do Clube Militar, por ela dirigido de 1952 a 1956, e a partir de 1962.

Em dezembro de 1957, foi promovido a coronel. Nessa patente, participou da chamada Operação Cruzeiro, desencadeada quando da crise aberta pela renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961. A operação visava impedir o deslocamento das tropas do III Exército, sediado em Porto Alegre, que, sob o comando do general José Machado Lopes, colocara-se ao lado da legalidade, disposto a garantir a posse do vice-presidente João Goulart, que fora vetada pelos ministros militares — marechal Odílio Denis, da Guerra, brigadeiro Gabriel Grün Moss, da Aeronáutica, e o vice-almirante Sílvio Heck, da Marinha. A divisão nas forças armadas forçou uma solução de compromisso, e a crise foi afinal superada em setembro daquele ano, quando o Congresso adotou o regime parlamentarista como forma conciliatória para propiciar a posse de João Goulart.

Em 31 de março de 1964, quando eclodiu o movimento político-militar que depôs Goulart, Dale Coutinho servia no estado-maior da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), sediada no Rio e comandada pelo general Jurandir Bizarria Mamede. Teve uma participação ativa naqueles acontecimentos, e logo em seguida caracterizou-se como um intransigente defensor de medidas de endurecimento do regime militar recém-instalado.

Promovido a general-de-brigada em novembro de 1964, a partir de janeiro do ano seguinte comandou a Artilharia de Costa e Antiaérea da 2ª RM, em Santos (SP). No discurso que pronunciou ao assumir esse comando, afirmou: “Sem nos imiscuirmos na política municipal, estadual e federal, papel reservado às respectivas agremiações e ao povo em geral, dentro do regime democrático que a revolução estabeleceu e faz questão de manter, estaremos, entretanto, sempre atentos ao desenrolar dos acontecimentos, sobretudo de ações anti-revolucionárias e subversivas, para não sermos surpreendidos e ultrapassados.” Ainda em 1965, ocupou o cargo de chefe de gabinete do Estado-Maior do Exército (EME).

General-de-divisão em julho de 1967, em abril de 1968 foi nomeado diretor do Pessoal da Ativa, mas pediu exclusão e desligamento desse posto em janeiro do ano seguinte, logo após a edição do Ato Institucional nº 5 (13/12/1968). Foi então nomeado comandante da 2ª RM, sediada em São Paulo, e, a exemplo da atitude adotada ao longo de toda sua carreira, manteve um comportamento social extremamente discreto, recusando-se a dar entrevistas e limitando-se a discursar em cerimônias oficiais.

Numa conferência pronunciada no Instituto de Engenharia de São Paulo em 1969, abordou o tema “binômio segurança e desenvolvimento”, muito em voga na época. “Temos consciência da relação de mútua causalidade entre a segurança e o desenvolvimento de uma nação. Para o cumprimento de sua missão principal, as forças armadas necessitam, e deles são independentes, dos frutos do desenvolvimento. Por seu turno, o desenvolvimento não se pode processar ordenada e tranqüilamente sem um mínimo de segurança... A dificuldade está na fixação desse mínimo de segurança, sem o qual não teremos a estabilidade necessária para que se promova o desenvolvimento.” Nesse período, desenvolvia-se com extremo rigor, principalmente em São Paulo, o combate aos grupos clandestinos de oposição ao regime. Na aspereza dessa luta, veio à tona grande número de denúncias de maus-tratos a presos políticos.

Em julho de 1971, Dale Coutinho foi promovido a general-de-exército. Dois meses depois, assumiu o comando do IV Exército, sediado em Recife, em substituição ao general José Bina Machado, e ocupou o posto até junho de 1972, quando sofreu um distúrbio circulatório.

Em outubro do mesmo ano, foi designado chefe do Departamento de Material Bélico do Exército, onde implementou o programa de reequipamento da corporação, para o qual havia dado os primeiros passos ainda em São Paulo, quando manteve contatos iniciais com empresas privadas buscando sua colaboração. Tendo enfrentado o desafio de reaparelhar o Exército em meio a uma política geral de contenção de despesas, tentou solucionar a necessidade de reequipamento com recursos inteiramente brasileiros, para que, posteriormente, o país não viesse a depender de fornecedores estrangeiros. Assim, sua primeira providência foi estimular a indústria nacional de armamentos, deixando claro que teria preferência sobre qualquer outra estrangeira. Essas diretrizes, que incluíam o máximo de apoio às iniciativas de pesquisa e de aperfeiçoamento de técnicos, dentro e fora do Exército, continuaram a ser implementadas mesmo depois de sua saída da chefia do departamento, em janeiro de 1974, quando o Exército já contava com modernos armamentos, leves e pesados, e a indústria nacional começava a suprir as necessidades da corporação.

Nomeado para a chefia do EME em substituição ao general Dilermando Gomes Monteiro, que desempenhava a função em caráter interino, assumiu o cargo em janeiro de 1974, já no final do governo do general Emílio Garrastazu Médici. Na solenidade de posse, presidida pelo ministro do Exército, general Orlando Geisel, Dale Coutinho afirmou que “o mundo está dividido em dois hemisférios ideológicos antagônicos e conflitantes — o comunista e o democrático — e o povo brasileiro já fez sua opção secular nos primórdios da nacionalidade, pelos idos de 1500”. Acrescentou que o “país continua vivendo uma guerra revolucionária estimulada pelo movimento comunista internacional... mas sob controle das forças de segurança e sem influir em nada na marcha final da nação, revivida em 1964 para o seu grande destino — o Brasil-potência”.

Em março de 1974, com a posse do general Ernesto Geisel na presidência da República, deixou a chefia do EME para assumir a pasta do Exército. Logo depois de empossado, solicitou transferência para a reserva, sem esperar a complementação de seu tempo de serviço, que ocorreria no ano seguinte. No dia 24 de maio de 1974, em Brasília, em pleno exercício de suas funções como ministro, foi vítima de uma parada cardíaca e morreu. O posto de ministro do Exército foi assumido interinamente pelo general Sílvio Frota, chefe do EME, mais tarde confirmado no cargo.

Além dos cursos já citados, Dale Coutinho possuía também os da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), da ECEME e da Escola Superior de Guerra (ESG).

Foi casado com Maria Rita Coutinho, com quem teve três filhos.

 

 

FONTES: Almanaque Abril; CONSULT. MAGALHÃES, B.; CORRESP. SECRET. GER. EX.; Dia (25/5/74); FICHÁRIO PESQ. M. AMORIM; Jornal do Comércio, Rio (25 e 26/5/74); Perfil (1972 e 1974); Who’s who in Brazil.

 

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