VIDAL JOSE DE OLIVEIRA RAMOS JUNIOR

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Nome: RAMOS, Vidal
Nome Completo: VIDAL JOSE DE OLIVEIRA RAMOS JUNIOR

Tipo: BIOGRAFICO


Texto Completo:
RAMOS, VIDAL

RAMOS, Vidal

*gov. SC 1902-1905; dep. fed. SC 1906-1910; gov. SC 1910-1914, sen. SC 1914-1927; dep. fed. SC 1927-1929; sen. SC 1935-1937.

 

Vidal José de Oliveira Ramos Júnior nasceu em Lajes (SC) no dia 24 de outubro de 1865, filho de Vidal José de Oliveira Ramos e de Júlia Batista de Sousa Ramos. Sua família dominou por muito tempo a política catarinense.

Iniciou os primeiros estudos com o professor Simplício dos Santos Sousa, na fazenda Guarda-Mor, pertencente a seu pai. Posteriormente, freqüentou escolas públicas de Lajes, e o Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS). Com a morte de sua mãe teve que retornar à cidade natal, onde o pai era fazendeiro, perdendo os exames parcelados que realizava em Porto Alegre visando ingressar na Faculdade de Direito de São Paulo.

Na mocidade colaborou ativamente na imprensa catarinense. Ingressou na política elegendo-se deputado à Assembléia Provincial de Santa Catarina em 1886 na legenda do Partido Conservador, representando o município de Lajes. Apesar de sua posse ter sido contestada pelo Partido Liberal sob o argumento de não ter ainda completado 21 anos, sua vitória foi assegurada. Intendente e superintendente em Lajes, nessa época elaborou a lei orgânica do município. Foi deputado geral em 1888 e, após a proclamação da República (15/11/1889), sempre na legenda do Partido Conservador, foi eleito deputado à Assembléia Constituinte de Santa Catarina, convocada em 1891. Exerceu o mandato até o final da legislatura, em 1895, sendo, em seguida, reeleito para um novo mandato. Ainda em 1895 tornou-se superintendente municipal de Lajes. Em 1897, deixou a assembléia estadual para assumir, no ano seguinte, uma cadeira como conselheiro municipal de Lajes.

Em 1902 elegeu-se vice-governador de Santa Catarina na chapa encabeçada por Lauro Müller. Assumiu o governo do estado em novembro do mesmo ano, em virtude da nomeação do titular para o Ministério da Viação pelo presidente da República, Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902-1906).

Como governador realizou a primeira grande reforma do ensino no estado e estimulou os padres jesuítas a desenvolverem o ensino médio na capital. Cuidou da melhoria dos portos, especialmente do porto de Laguna, construiu estradas de rodagem, estimulou a continuidade da colonização do sul catarinense e o saneamento de Florianópolis. Dinamizou ainda as atividades exportadoras, fazendo o estado representar-se na exposição de Saint Louis, nos EUA, e preocupou-se com a resolução dos problemas fronteiriços com o Paraná na região do Contestado, disputada pelos dois estados. A região vinha sendo palco de uma rebelião popular de cunho messiânico, que só seria reprimida pelo governo federal a partir de outubro de 1912 até ser definitivamente debelada em 1916.

Elegendo-se deputado federal por seu estado em 1905, não completou o quadriênio no governo catarinense, deixando o cargo em outubro desse mesmo ano. Assumindo sua cadeira na Câmara Federal em 1906 e reeleito em 1908, destacou-se enquanto parlamentar na tentativa de resolver o problema do Contestado. Renunciou ao mandato ao ser eleito governador de Santa Catarina, cargo que assumiu em setembro de 1910. Nesse mesmo ano, ainda preocupado com o ensino, convidou uma comissão de professores paulistas, chefiados por Orestes Guimarães, a elaborarem uma reforma. Desse trabalho resultou a criação dos primeiros grupos escolares em Santa Catarina. Durante sua gestão estimulou ainda a agropecuária no estado.          

Com o fim de seu governo em setembro de 1914, elegeu-se senador por Santa Catarina, assumindo o mandato no ano seguinte. Foi reeleito sucessivamente para o Senado em 1918 e 1922 e deixou essa casa em 1927, ao assumir novo mandato de deputado federal. Permaneceu na Câmara dos Deputados até dezembro de 1929.

Após a Revolução de 1930 foi eleito senador pela Assembléia Constituinte de Santa Catarina em 1935 na legenda do Partido Liberal Catarinense. Exerceu o mandato de maio do mesmo ano a novembro de 1937 quando o golpe do Estado Novo suprimiu todos os órgãos legislativos do país.

Intelectual de destaque em Santa Catarina, foi estudioso da história do Brasil, especialmente da história militar.

Faleceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 2 de janeiro de 1954.

Era casado com Teresa Fiúza Ramos, com quem teve 13 filhos. Alguns de seus filhos e sobrinhos ocuparam importantes cargos públicos em Santa Catarina. Seu filho Nereu Ramos foi deputado federal por Santa Catarina em 1930, revolucionário de 1930, constituinte de 1934, governador e interventor em Santa Catarina respectivamente de 1935 a 1937 e de 1937 a 1945, constituinte de 1946, senador por Santa Catarina e vice-presidente da República de 1946 a 1951, novamente deputado federal por Santa Catarina de 1951 a 1955, mais uma vez senador em 1955, presidente da República de 1955 a 1956, ministro da Justiça de 1956 a 1957 e finalmente senador de 1957 a 1958. Entre seus filhos destacaram-se ainda Joaquim Ramos, deputado federal por Santa Catarina de 1947 a 1951, Celso Ramos, senador pelo mesmo estado de 1955 a 1963 e também governador de Santa Catarina de 1961 a 1966. Entre seus sobrinhos, tiveram atuação política Cândido de Oliveira Ramos, senador em 1935 e deputado federal de 1935 a 1937, Aristiliano Ramos, interventor em Santa Catarina de 1933 a 1935 e Saulo Ramos, deputado federal de 1951 a 1955 e senador entre 1955 e 1963.

Publicou Notas sobre a fundação de Lajes (1939).

 

 

FONTES: ASSEMB. LEGISL. SC. Dicionário político; CABRAL, O. Era; CABRAL, O. História; CÂM. DEP. Deputados; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; Grande encic. Delta; Ilustração Brasileira (12/22); JAMUNDÁ, T. Catarinenses; SENADO. Anais (22/7/35); TIAGO, A. História.

 

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